Mesilato de rasagilina (Azilect, TVP-1012, N-propargyl-1(R)-aminoindano) é um inibidor irreversível da monoamina oxidase-B utilizado como uma monoterapia para tratar sintomas em fases iniciais da doença de Parkinson ou como tratamento coadjuvante em casos mais avançados.

A forma racêmica da substância foi descoberta por Aspro Nicholas no começo de 1979. Moussa B.H. Youdim a identificou como uma substância potencial para o tratamento da doença de Parkinson e trabalhando com colaboradores do Technion – Israel Institute of Technology em Israel e a empresa farmacêutica Teva Pharmaceutical, identificou o isômero R como a forma ativa da substância. A Teva lançou a forma racêmica da substância em parceria com a Lundbeck na Europa e com a Eisai nos Estados Unidos. Foi aprovada na Europa em 2005, nos Estados Unidos em 2006 e no Brasil em 2015. 

Uso Medicinal

O mesilato de rasagilina é utilizado para tratar sintomas da doença de Parkinson tomado sozinho ou em combinação com outras substâncias.  O mesilato de rasagilina tem eficácia estabelecida no controle de sintomas motores em todas as fases da Doença de Parkinson tanto em terapia única como em associação com outros medicamentos, evidenciada por estudos clínicos.Azilect Prescribing Information Label last revised May, 2014

O mesilato de rasagilina foi testado em mulheres grávidas e está classificado na categoria C de risco na gravidez.

Efeitos Colaterais

Segundo informações constantes em bula:

As reações adversas listadas abaixo são classificadas de acordo com a Classe de Sistema Orgânico, e estão classificadas pela frequência segundo as seguintes convenções: muito comum (≥ 1/10); comum (≥ 1/100, < 1/10); incomum (≥ 1/1.000, < 1/100); rara (≥ 1/10.000, < 1/1.000); muito rara (< 1/10.000); desconhecida (frequência não pôde ser estimada com base dos dados disponíveis).

No programa clínico do mesilato de rasagilina, 1.361 pacientes foram tratados com mesilato de rasagilina por 3.076,4 pacientes / anos. Nos estudos duplo-cego controlado por placebo, 529 pacientes foram tratados com mesilato de rasagilina 1 mg/dia por 212 pacientes / anos e 539 pacientes receberam placebo por 213 pacientes / anos.

Monoterapia

As reações adversas listadas abaixo foram relatadas com maior incidência em estudos controlados por placebo, em pacientes recebendo 1 mg/dia de mesilato de rasagilina (grupo do mesilato de rasagilina n=149, grupo placebo n=151).

Reações adversas com diferença de ao menos 2% em relação ao grupo placebo estão indicadas em itálico. Entre parênteses está a incidência das reações adversas (% de pacientes) com mesilato de rasagilina versus placebo, respectivamente.

Infecções e Infestações Comum: síndrome gripal (4,7% vs. 0,7%)

Neoplasmas benignos, malignos e inespecíficos (incluindo cistos e pólipos)

Comum: carcinoma de pele (1,3% vs. 0,7%)

Distúrbios do Sangue e Sistema Linfático

Comum: leucopenia (1,3% vs. 0%)

Distúrbios do Sistema Imunológico

Comum: reação alérgica (1,3% vs. 0,7%)

Distúrbios do Metabolismo e Nutricionais

Incomum: diminuição do apetite (0,7% vs. 0%)

Distúrbios Psiquiátricos

Comum: depressão (5,4% vs. 2%), alucinações (1,3% vs. 0,7%)

Distúrbios do Sistema Nervoso

Muito comum: cefaleia (14,1% vs. 11,9%)

Incomum: acidente vascular encefálico (0,7% vs. 0%)

Distúrbios Oculares

Comum: conjuntivite (2,7% vs. 0,7%)

Distúrbios Auditivos e do Labirinto

Comum: vertigem (2,7% vs. 1,3%)

Distúrbios Cardíacos

Comum: angina pectoris (1,3% vs. 0%)

Incomum: infarto do miocárdio (0,7% vs. 0%)

Distúrbios Respiratórios, Torácicos e Mediastinais

Comum: rinite (3,4% vs. 0,7%)

Distúrbios Gastrointestinais

Comum: flatulência (1,3% vs. 0%)

Distúrbios Cutâneos e Subcutâneos

Comum: dermatite (2,0% vs. 0%)

Incomum: rash vesico-bolhoso (0,7% vs. 0%)

Distúrbios Musculoesqueléticos e do Tecido Conectivo

Comum: dor musculoesquelética (6,7% vs. 2,6%), torcicolo (2,7% vs. 0%), artrite (1,3% vs. 0,7%)

Distúrbios Renais e Urinários

Comum: urgência urinária (1,3% vs. 0,7%)

Distúrbios Gerais e no Local de Administração

Comum: pirexia (2,7% vs. 1,3%), indisposição geral (2% vs. 0%)

Outras reações adversas de potencial importância, relatadas por 1% ou mais dos pacientes em tratamento com mesilato de rasagilina como monoterapia, e no mínimo tão frequentes quanto no grupo placebo, incluem: queda, alopecia, impotência, diminuição da libido, alterações em testes da função hepática.

Hipotensão ortostática foi relatada com maior incidência no grupo placebo em relação aos pacientes recebendo mesilato de rasagilina (2,7% vs. 4,6%).

Terapia Adjuvante

As reações adversas listadas abaixo foram relatadas com maior incidência em estudos controlados por placebo, em pacientes recebendo 1 mg/dia de mesilato de rasagilina (grupo mesilato de rasagilina n=380, grupo placebo n=388).

Reações adversas com diferença de ao menos 2% em relação ao grupo placebo estão indicadas em itálico. Em parênteses está a incidência das reações adversas (% de pacientes) com mesilato de rasagilina versus placebo, respectivamente.

Neoplasmas benignos, malignos e inespecíficos

Incomum: melanoma de pele (0,5% vs. 0,3%)

Distúrbios do Metabolismo e Nutricionais

Comum: diminuição do apetite (2,4% vs. 0,8%)

Distúrbios Psiquiátricos

Comum: alucinações (2,9% vs. 2,1%), sonhos anormais (2,1% vs. 0,8%)

Incomum: confusão (0,8% vs. 0,5%)

Distúrbios do Sistema Nervoso

Muito comum: discinesia (10,5% vs. 6,2%)

Comum: distonia (2,4% vs. 0,8%), síndrome do túnel do carpo (1,3% vs. 0%), distúrbio de equilíbrio (1,6% vs. 0,3%)

Incomum: acidente vascular encefálico (0,5% vs. 0,3%)

Distúrbios Cardíacos

Incomum: angina pectoris (0,5% vs. 0%)

Distúrbios Vasculares

Comum: hipotensão ortostática (3,9% vs. 0,8%)

Distúrbios Gastrointestinais

Comum: dor abdominal (4,2% vs. 1,3%), constipação (4,2% vs. 2,1%), náusea e vômitos (8,4% vs. 6,2%), xerostomia (3,4% vs. 1,8%)

Distúrbios Cutâneos e Subcutâneos

Comum: rash cutâneo (1,1% vs. 0,3%)

Distúrbios Musculoesqueléticos e do Tecido Conectivo

Comum: artralgia (2,4% vs. 2,1%), torcicolo (1,3% vs. 0,5%)

Investigações Laboratoriais

Comum: diminuição do peso (4,5% vs. 1,5%)

Injúria, Intoxicação e Complicações

Comum: queda (4,7% vs. 3,4%)

Outras reações adversas de potencial importância, relatadas por 1% ou mais dos pacientes em tratamento com mesilato de rasagilina em terapia adjuvante, e no mínimo tão frequentes quanto no grupo placebo, incluem: sonolência, equimose, diarreia, parestesia, sudorese, gengivite, hemorragia, hérnia e miastenia. A Doença de Parkinson está associada a sintomas de alucinação e confusão. Na experiência pós-comercialização estes sintomas também foram observados em pacientes tratados com o mesilato de rasagilina.

Reações adversas graves podem ocorrer com o uso concomitante de antidepressivos ISRS, ISRSN, tricíclicos ou tetracíclicos com inibidores da MAO (vide Seção 6. Interações medicamentosas) .

No período pós-comercialização, casos de síndrome serotoninérgica associada à agitação, confusão, rigidez, pirexia e mioclonia foram relatados por pacientes tratados com antidepressivos ISRS concomitantemente ao mesilato de rasagilina.

No período pós-comercialização, casos de hipertensão arterial, incluindo raros casos de crise hipertensiva, associados com a ingestão de quantidade desconhecida de alimentos ricos em tiramina foram relatados por pacientes em tratamento com mesilato de rasagilina(vide seção 6. Interações medicamentosas).

No período pós-comercialização, foi relatado um caso de hipertensão arterial em paciente utilizando colírio vasoconstritor contendo cloridrato de tetrahidrozolina concomitante ao tratamento com mesilato de rasagilina.

Transtorno do Controle dos Impulsos

O jogo patológico, aumento da libido, hipersexualidade, gasto ou compra compulsivo e compulsão alimentar pode ocorrer em pacientes tratados com agonistas dopaminérgicos e/ou tratamentos dopaminérgicos. Um padrão semelhante de transtorno de controle dos impulsos foi relatado no período pós-comercialização do mesilato de rasagilina, que também incluiu compulsão, pensamentos obsessivos e comportamento impulsivo.

Atenção: esta substancia é nova no Brasil e, embora as pesquisas tenham indicado eficácia e segurança aceitáveis, mesmo que indicado e utilizado corretamente, podem ocorrer eventos imprevisíveis ou desconhecidos. Nesse caso, notifique os eventos adversos pelo Sistema de Notificações em Vigilância Sanitária - NOTIVISA, disponível em www.anvisa.gov.br/hotsite/notivisa/index.htm, ou para a Vigilância Sanitária Estadual ou Municipal.

Interações

Existem interações conhecidas entre inibidores da MAO não seletivos e outros medicamentos.

- Inibidores da MAO: mesilato de rasagilina, não deve ser administrado com outros inibidores da MAO (incluindo medicamentos e produtos naturais, tal como a Erva de São João), devido ao risco de inibição não seletiva da MAO que pode acarretar crise hipertensiva.

- Petidina: Foram relatados eventos adversos graves no uso concomitante de petidina e inibidores da MAO, incluindo inibidores seletivos da MAO-B. A administração concomitante do mesilato de rasagilina e petidina é contraindicada.

O início do tratamento com inibidores da MAO ou petidina pode ser iniciado com intervalo mínimo de 14 dias após a descontinuação do tratamento com mesilato de rasagilina.

- Simpatomiméticos: Foram relatados eventos adversos no uso concomitante de inibidores da MAO e medicamentos simpatomiméticos. Portanto, considerando a atividade inibitória da MAO do mesilato de rasagilina, a administração concomitante com simpatomiméticos, tais como os presentes em descongestionantes nasais e orais ou medicamentos para tratamento sintomático da gripe, contendo efedrina ou pseudoefedrina, não é recomendado.

No período pós-comercialização, foi relatado um caso de hipertensão arterial em paciente utilizando colírio vasoconstritor contendo cloridrato de tetrahidrozolina concomitante ao tratamento com o mesilato de rasagilina.

- Dextrometorfano: Foram relatados eventos adversos no uso concomitante de dextrometorfano e inibidores não seletivos da MAO. Portanto, considerando a atividade inibitória da MAO do mesilato de rasagilina, o uso concomitante com dextrometorfano não é recomendado.

- Fluoxetina e Fluvoxamina: O uso concomitante do mesilato de rasagilina e fluoxetina não foi permitido em estudos clínicos devido à meia-vida farmacodinâmica do mesilato de rasagilina e a longa meia-vida farmacocinética da fluoxetina e de seu metabólito ativo. O uso concomitante do mesilato de rasagilina e da fluoxetina ou fluvoxamina deve ser evitado.

O intervalo mínimo para início do tratamento com fluoxetina ou fluvoxamina após término do tratamento com o mesilato de rasagilina é de 14 dias. O intervalo mínimo para início do tratamento com o mesilato de rasagilina após término do tratamento com fluoxetina é de 5 semanas.

- Antidepressivos inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS) / inibidores seletivos da recaptação de serotonina e noradrenalina (ISRSN), tricíclicos e tetracíclicos: Medicamentos destas classes de antidepressivos foram administrados concomitantemente ao mesilato de rasagilina em ensaios clínicos (amitriptilina ≤ 50 mg/dia; trazodona ≤ 100 mg/dia, citalopram ≤ 20 mg/dia, sertralina ≤100 mg/dia e paroxetina ≤ 30 mg/dia). Entretanto, reações adversas graves foram relatadas com o uso concomitante de antidepressivos ISRS, ISRSN, tricíclicos ou tetracíclicos com inibidores da MAO.

No período pós-comercialização, casos de síndrome serotoninérgica associada à agitação, confusão, rigidez, pirexia e mioclonia foram relatados por pacientes tratados com antidepressivos ISRS concomitantemente ao mesilato de rasagilina.

Portanto, considerando a atividade inibitória da MAO do mesilato de rasagilina, a administração concomitante com antidepressivos destas classes deve ser realizada com cautela.