Guerra contra o Estado Islâmico teve início em resposta às rápidas conquistas territoriais feitas pelos militantes do Estado Islâmico do Iraque e do Levante (Daesh) durante o primeiro semestre de 2014; a brutalidade e os abusos dos direitos humanos condenados internacionalmente, levaram muitos países a intervir contra o Estado Islâmico na Síria e no Iraque. Em 2015, o Estado Islâmico avançou e se estabeleceu em outros países – como no Afeganistão para rivalizar com o Talibã, mas a OTAN deteve o seu avanço. O grupo, entretanto, já estava agindo nesta data na Segunda Guerra Civil Líbia desde 2014. Depois disso, a guerra contra o Estado Islâmico se expandiu para incluir Egito, Nigéria e Rússia, além da Turquia e Líbano.

Coalizões internacionais contra o Estado Islâmico

Coalizões lideradas pelos Estados Unidos

5 de setembro de 2014 miniaturadaimagem|esquerda|Soldados americanos na Síria À margem da cimeira da OTAN de 4 a 5 de setembro de 2014 no País de Gales, o secretário de Estado dos Estados Unidos John Kerry em 5 de setembro convocou os ministros do Reino Unido, França, Alemanha, Canadá, Austrália, Turquia e Itália, para uma reunião separada nrc.nl, 5 September 2014. nrc.nl, 9 September 2014. na qual ele pressionou-os para apoiar uma luta contra o Estado Islâmico militarmente e financeiramente. Time, 5 September 2014. Os nove países concordaram em fazê-lo, apoiando as forças antiEstado Islâmico no Iraque e na Síria com suprimentos e apoio aéreo, de acordo com uma declaração daquele dia por Kerry e do secretário de Defesa dos Estados Unidos Chuck Hagel.

3 de dezembro de 2014 Em 3 de dezembro de 2014, na sede da OTAN em Bruxelas, diplomatas / ministros (das Relações Exteriores) EEAS (European External Action Service), 5 December 2014. de 59 países se reuniram para planejar um rumo a seguir contra a ameaça do Estado Islâmico. France 24, 4 December 2014. O secretário de Estado John Kerry declarou no encontro que "derrotar a ideologia, o financiamento, o recrutamento" do Daesh deveria ser o foco principal da discussão, mais importante do que os ataques aéreos e outras ações militares.

Os países presentes em 3 de dezembro foram: os 10 países supracitados da coalizão de 5 de setembro no País de Gales (ver acima); com o acréscimo de 18 países da coalizão liderada pelos França em 15 de setembro em Paris (ver abaixo), exceto a China e a Rússia; e outros 33 países: Albânia, Áustria, Bósnia e Herzegovina, Bulgária, Croácia, Chipre, Estônia, Finlândia, Geórgia, Grécia, Hungria, Islândia, Irlanda, Kosovo, Letônia, Lituânia, Luxemburgo, Macedônia do Norte, Moldávia, Montenegro, Marrocos, Nova Zelândia, Portugal, Coreia do Sul, Romênia, Sérvia, Singapura, Eslováquia, Eslovênia, Somália, Suécia, Taiwan e Ucrânia. United States Department of State, 3 December 2014.

Eles designaram-se como a Coalizão Mundial para Combater o Estado Islâmico do Iraque e do Levante e concordaram com uma estratégia que incluiria: a exposição da verdadeira natureza do Estado Islâmico; cortar o financiamento e fundos do Estado Islâmico; apoio às operações militares.

Coalizão liderada pela França Em 15 de setembro de 2014 na "Conferência Internacional sobre a Paz e a Segurança no Iraque" oferecida pelo presidente francês François Hollande em Paris, 26 países estavam representados: os países da coalizão liderada pelos Estados Unidos, aquela de 5 de setembro no País de Gales (ver acima) que haviam concordado com uma coalizão contra o Estado Islâmico, exceto a Austrália e a Polônia, e, ainda: Barein, Egito, Iraque, Jordânia, Kuwait, Líbano, Omã, Qatar, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Bélgica, China, República Checa, Japão, Países Baixos, Noruega, Rússia e Espanha. France Diplomatie (undated). Estes, comprometeram-se a apoiar o governo iraquiano com assistência militar em seu combate ao Estado Islâmico, e reafirmaram seu compromisso com a Resolução 2170 do Conselho de Segurança das Nações Unidas de 15 de agosto (condenando todo o comércio com o Estado Islâmico e exortando para evitar todas as doações financeiras e quaisquer pagamentos de resgates ao Estado Islâmico), UN. tal como relatou o governo francês.

Em retaliação aos ataques de novembro de 2015 em Paris, a Força Aérea Francesa intensificou significativamente os ataques aéreos contra o Estado Islâmico na Síria, atingindo dentre outras a cidade síria de Ar-Raqqah, a capital de facto do Estado Islâmico.

Coalizão liderada pela Rússia

No final de setembro de 2015, Rússia, Iraque, Irã e Síria criaram uma "central de informações conjunta" em Bagdá para "recolher, processar e analisar informações atuais sobre a situação no Oriente Médio - essencialmente para combater o Estado Islâmico". Em 30 de setembro de 2015, a Rússia começou a sua campanha aérea em apoio ao governo sírio.

A Rússia também teria estabelecido acordos de coordenação de operações na Síria com a Jordânia e Israel.

Em 14 de março de 2016, o presidente russo Vladimir Putin anunciou uma retirada parcial do território sírio, citando o sucesso do cessar-fogo permanente e uma maior segurança do governo sírio.

Coalizão das nações islâmicas

Em 14 de dezembro de 2015, o príncipe herdeiro e ministro da Defesa saudita, Mohammad bin Salman Al Saud, anunciou que 34 países fariam parceria no combate contra o extremismo islâmico, o qual Salman chamou de "doença". Baseado fora de Riade, Arábia Saudita, a coalizão inclui: Barein, Bangladesh, Benin, Chade, Comores, Costa do Marfim, Djibuti, Egito, Gabão, Guiné, Jordânia, Kuwait, Líbano, Líbia, Maldivas, Mali, Malásia, Marrocos, Mauritânia, Níger, Nigéria, Paquistão, Palestina, Catar, Arábia Saudita, Senegal, Serra Leoa, Somália, Sudão, Turquia, Togo, Tunísia, Emirados Árabes Unidos e Iêmen.

Iraque 350px|thumb|Mapa mostrando, em cinza, todos os territórios controlados pelo Estado Islâmico no Iraque e Síria no auge do seu poder, em 2015

Em dezembro de 2011, depois de oito anos de uma guerra que matou mais de 1 milhão de pessoas, os Estados Unidos retiraram suas tropas do Iraque. Página acessada em 23 de setembro de 2014. Página acessada em 23 de setembro de 2014. Nos dois anos seguintes, a violência sectária e religiosa se intensificou no país. O conflito na vizinha Síria complicou ainda mais a situação, ao dar acesso fácil a armas e pessoal, por parte dos grupos jihadistas. Um destes grupos, o Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ou também conhecido pelas iniciais EIIL) se destacou por sua ferocidade, selvageria e eficiência em combate. Outrora conhecido como 'Al-Qaeda no Iraque', a organização se expandiu também para o território sírio, se aproveitando do caos que se instaurou na região. Em julho de 2014, lançou-se em uma grande ofensiva em solo iraquiano, conquistando facilmente uma enorme porção da região, forçando o recuo das forças de segurança do Iraque. Os combatentes do EIIL, liderados por Abu Bakr al-Baghdadi, proclamaram então a criação de um Califado islâmico, governado pela xaria, a lei do islã. Página acessada em 23 de setembro de 2014.

Intervenção ocidental O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ordenou então o envio de 800 militares ao Iraque, em julho de 2014, para aconselhar o governo iraquiano, além de proteger a embaixada do país em Bagdá e o consulado Erbil, no norte. No começo de agosto, mais 130 soldados foram enviados. Página acessada em 23 de setembro de 2014. Enquanto isso, milhares de refugiados iazidis, membros de uma minoria religiosa curda, ficaram presos no monte Sinjar, cercado pelos extremistas do EIIL. Aviões americanos bombardearam então a base da montanha e eventualmente romperam o cerco, permitindo a fuga das pessoas no cume. Suprimentos e ajuda humanitária também foram enviadas. Página acessada em 23 de setembro de 2014. Nas semanas seguintes, os Estados Unidos lançaram mais de 200 ataques aéreos contra alvos do Estado Islâmico no Iraque. Os bombardeios eventualmente se expandiram para a Síria. Em solo iraquiano, as incursões aéreas conseguiram conter boa parte dos avanços dos islamitas, enquanto as forças curdas e do exército iraquiano tentavam contra-atacar para recuperar o terreno perdido. Enquanto isso, a situação humanitária se agravava, gerando ondas de refugiados, enquanto centenas de pessoas morriam nas frentes de batalha. Página acessada em 23 de setembro de 2014.

Depois de ter iniciado o sobrevoo de aeronaves tripuladas sobre o Iraque e enviado algumas tropas para o Iraque em junho, os Estados Unidos passaram em agosto de 2014 a abastecer os Peshmerga curdos iraquianos com armas, ajuda humanitária por alimentos para os refugiados que fugiam do Estado Islâmico, e ataques aéreos contra o grupo no Iraque.

Em 9 de agosto, discursando sobre os ataques aéreos no Iraque, o presidente Barack Obama declarou que "este será um projeto a longo prazo". Desde então, nove países, aliados com os Estados Unidos, têm também efetuado ataques aéreos ao Estado Islâmico no Iraque e vários países têm contribuído com ajuda militar às forças terrestres iraquianas e curdas e ajuda humanitária.

Em 16-19 de agosto, de acordo com os Estados Unidos, as forças curdas iraquianas e com a ajuda de ataques aéreos dos Estados Unidos retomaram a represa de Mosul, a maior represa do Iraque. O presidente Obama anunciou, em 10 de setembro de 2014, que o número de ataques aéreos no Iraque aumentaria e que enviará mais 500 soldados para o Iraque.

Ajuda militar para curdos e iraquianos Em 5 de agosto de 2014, Zalmay Khalilzad, ex-embaixador dos Estados Unidos no Iraque e nas Nações Unidas, escreveu no Washington Post que os Estados Unidos estão envolvidos no "fornecimento direto de munições para os curdos e, com concordância de Bagdá, no envio de algumas armas do programa Foreign Military Sales para os curdos". Os Estados Unidos passaram do fornecimento indireto ao Curdistão com armas de pequeno porte através da CIA para dar-lhes armas diretamente, tais como sistemas antitanques portáteis.

Em um esforço coordenado liderado pelos Estados Unidos, muitos países aliados, incluindo os membros da OTAN e os parceiros do Oriente Médio, estariam fornecendo ou planejando abastecer as forças iraquianas e/ou curdas com equipamento militar pesado, armas de pequeno calibre, munição, equipamentos militares não letais e apoio de formação.

Esforços humanitários Os Estados Unidos, o Reino Unido e a Austrália, apoiados por parceiros internacionais, lançaram um grande esforço humanitário para apoiar os refugiados retidos no norte do Iraque. Isto incluiu dezenas de milhares de refeições e milhares de galões de água potável para os refugiados iazidis retidos nas Montanhas Sinjar e ameaçados pelo avanço das forças do Estado Islâmico, entre 7 e 14 de agosto de 2014, no que mais tarde seria descrito como "a primeira entrega aérea em massa de carga humanitária desde a eclosão da violência em Timor Leste em 1999".

Ações militares e bombardeios

Um dos fatores que mudaram a opinião pública no ocidente em favor de ataques contra os militantes do EIIL foi a decapitação de três cidadãos estrangeiros no deserto Sírio, os americanos James Foley e Steven Sotloff e o britânico David Haines. Em julho de 2014, homens da Força Delta (um grupo de operações especiais do exército americano) tentaram resgatar Foley, que estava cativo na região de Uqayrishah, perto de Ar-Raqqah, na Síria. A missão fracassou e terminou com um soldado ferido e pelo menos cinco extremistas mortos. Este foi o primeiro confronto travado em solo entre forças do Estado Islâmico e dos Estados Unidos.