Maria Pilar Aquino nasceu em uma família camponesa com poucos recursos em Ixtlán del Río, Nayarit, México, em 6 de Março de 1956. Seus país participaram do movimento de trabalhadores ruraisMaría Pilar Aquino, em inglês, acesso em 26 de março de 2016.. Emigrou com seus pais para San Luis, Arizona, foi inflenciada por Cesar Chavez, foi integrante da Sociedade de Ajudantes'No time for glorifying and exalting': Two perspectives, em inglês, acesso em 03 de abril de 2016., uma congregação religiosa feminina, de espiritualidade inaciana, fundada na Paris (França) em 1856, que tem como objetivo servir a todos os que sofrem, com foco no marginalizados, marginalizados e esquecidos We Are Helpers for the Whole World, em inglês, acesso em 03 de abril de 2016.. Obteve licenciatura em teologia por meio de estudos na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (Porto Alegre, Brasil) e no Instituto Teológico de Estudos Superiores (México). Em 1991, obteve doutorado em teologia na Universidade Pontifícia de Salamanca (Madri), orientada por Casiano Floristán, catedrático de Teologia Prática. Foi professora de teologia no "Mount St Mary’s College" em Los Angeles (Califórnia - Estados Unidos), que é uma Universidade para estudantes do sexo feminino dirigida pela Congregação das Irmãs de São José de Carondelet. Integrou a Mesa Diretora da Sociedade Teológica Católica da América e foi integrante do Conselho Diretor da Revista Internacional de Teologia "Concilium". Em 2000, recebeu o título de doutora honoris causa pela Universidade de Helsinque (Finlândia). Foi professora de Teologia e Estudos Religiosos e diretora associada do Centro para o Estudo do Catolicismo Latino na Universidade de San Diego (Califórnia - Estados Unidos). Foi uma das fundadoras da Academia de Teólogos e Teólogas Latinos (as) dos Estados Unidos, tendo sido inclusive sua presidente.

Maria Pilar entende a teologia como um "força sócio-crítica de transformação sistemática que confronta as realidades de opressão e de violência com o objetivo de atualizar relações sociais livres de exploração e de desumanidade". Para ela, a reflexão teológica não seria 'algo' externo à sua vida, mas um eixo central de sua identidade como mulher e é o modo como corresponde ao mistério de Deus em sua vida. A teologia a levaria pelos grandes rios de resistência e de esperança que banham a vida cotidiana dos grupos populares de onde é oriunda e é o modo privilegiado para encontrar força, inspiração e esperançaLa Teologia de La Liberacion Juan Jose Tamayo , em espanhol, acesso em 26 de março de 2016..

Maria Pilar foi um crítica do Pontificado de João Paulo II.

Teologia Feminista

Maria Pilar contribuiu para a elaboração do novo paradigma de teologia feminista latinoamericana da libertação, por acreditar que não poderia haver teologia libertadora que deixasse as mulheres na penumbra. Por isso defendeu uma perspectiva teológica que além da opção pelo pobres, assumisse um compromisso com as mulheres pobres, analisando a realidade também a partir da perspectiva das mulheres, especialmente no que se refere ao corpo, à saúde, à sexualidade, aos efeitos da globalização, à educação e aos âmbitos de poder onde se tomam decisões que afetam às vidas das mulheres.

Em 1988, compilou as intervenções das teólogas latino-americanas na Conferência Intercontinental de Mulheres que ocorreu em 1986 em Oaxtepec (México) e organizada pela Comissão de Mulheres da Associação Ecumênica de Teólogos e Teólogas dor Terceiro Mundo (EATWOT) que tinha como tema central: "Fazer Teologia a partir da perspectiva das mulheres do Terceiro Mundo". Durante a Conferência, se debateu a hermenêutica bíblica, a cristologia, a eclesiologia e a espiritualidade.

Em 1992, foi publicada sua tese de doutorado: "Nosso clamor pela vida. Teologia latinoamericana a partir da perspectiva da mulher", na qual procurou esclarecer a contribuição específica das mulheres aos processos históricos de mudança e à teologia libertadora, como sujeitos de reflexão e não como meros objetos de estudo.

Segundo Maria Pilar, os pressupostos da produção teológica a partir da perspectiva das mulheres latinoamericanas, incluem: uma antropologia unitária, centrada no ser humano, igualitária, realista e pluridimensional; o uso da palavra como meio para expressar a própria compreensão de sua identidade como sujeitos plenos; a sexualidade como dimensão inerente à existência humana, fonte de libertação e parte fundamental na construção da identidade; a lógica da vida e a resistência como expressão da defesa da vida e como rechaço da submissão ao sistema socioeconômico machista; a criatividade como manifestação da força coletiva das mulheres; a solidaridade cativante, entendida como genuína inclinação compassiva; a liberdade como abandono dos caminhos que escravizam, e como a exploração de novos caminhos e o exercício das possibilidades inéditas de seu ser; a esperança em um futuro novo onde triunfe a vida sobre a morte, a verdade sobre a mentira, o bem sobre o mal, o amor sobre o ódio, a justiça sobre a injustiça, a solidariedade sobre o egoísmo, a graça sobre o pecado.

Outras características da produção teológica de Maria Pilar, são: a mediação socioanalítica feminista; a "hermenêutica bíblica da suspeita" e os "atrevimientos hermenêuticos" (as indagações que as mulheres da América Latina têm sobre a Bíblia); a importância da Bíblia na vida das mulheres e a vida das mulheres como lugar de revelação.

Na obra "Teologia feminista latinoamericana", escrita em parceria com Elsa Tamez, Maria Pilar sustenta uma teologia feminista latinoamericana com base nos seguintes pontos de partida: a vida cotidiana, que abre diversas janelas para a construção de um projeto alternativo à realidade presente; a experiência das mulheres como participantes de novas práticas políticas, religiosas e teológicas; a consciência de gênero, que implica uma mudança na compreensão de Deus como força criadora de bem estar e não como "eterno ser patriarcal sentado no trono"; # a hermenêutica feminista; a lógica da vida em sua integridade, o desenvolvimento integral e o equilíbrio ecológico contra a lógica predatória da morte; a própria subjetividade por meio da retomada da autoestima, o valor e o poder; a memória histórica das tradições emancipatórias das mulheres; a autoridade das mulheres como agentes sociais frente à sua invisibilização nos processos históricos de transformação; a práxis do carinho como alternativa às práticas desumanizadoras como superação da frieza conceitual; a relação vital entre razão e paixão; o ecumenismo alternativo.

Contra a "espiritualidade neoliberal"

Segundo Maria Pilar, a "espiritualidade neoliberal", seria oposta às espiritualidades feministas da Sabedoria, pois o neoliberalismo se baseia nos "princípios dogmáticos" da eficiência econômica, da competitividade e da gratificação individual e apresenta o mercado global como a última instância que ordena, dirige e da significado à existência humana.

Na perspectiva neoliberal, as elites exercem as "funções sacerdotais" de manutenção do mercado global que funciona como uma nova religião. Uma religião que cria uma imagem invertida da realidade que faz com que as pessoas não percebam os estragos do neoliberalismo, e, dentre estes estragos, destaca "os corpos das mulheres consumidos pela disciplina patriarcal". A espiritualidade do mercado global gera no imaginário social um estado de resignação e uma paralisação política. Pior que isso, tende a destruir as tradições críticas e a eliminar o pluralismo identitário tanto no plano religioso como no cultural.

Maria Pilar propõe uma oposição à espiritualidade neoliberal por meio da desconstrução dos mecanismos que sustentam o determinismo patriarcal por meio do fortalecimento das cosmovisões feministas transformadoras e do apoio às lutas contra a globalização fortalecendo as lutas feministas plurais.

Defesa da diversidade cultural

Maria Pilar também procura uma articulação criativa do pensamento intercultural com a elaboração de uma teologia crítico-libertadora que tenha como perspectiva um paradigma de justiça. Parte da ideia de que o pensamento intercultural oferece marcos conceituais para um avanço na reflexão crítica relativa à função que deve exercer a atividade teológica nos conflitos atuais para ajudar a teologia a dar respostas a tais conflitos. A teóloga sustenta que a atividade teológica não deve ser neutra diante dos conflitos pois é um campo de luta.

Por isso, sustenta que as práticas teológicas devem ser avaliadas de acordo com a capacidade de apoiar ou de criar obstáculos aos processos sociais e eclesiais orientados a gerar paradigmas de justiça. Em sintonia com as teologias da libertação, crê que a relevância de uma teologia não tem parâmetro na sua eloquência discursiva sobre as relações Deus-mundo, mas na sua capacidade ético-política de reparar no sofrimento injusto das vítimas. O conhecimento teológico não deve funcionar como mecanismo gerador de discursos desumanizadores ou legitimador de sistemas de dominação, mas como princípio de libertação.

Dentre as características da teologia articulada interculturalmente, merecem destaque: o desenvolvimento de propostas alternativas orientadas a promover modelos culturais emancipatórios, o que passa pela desconstrução das tradições culturais e religiosas geradoras de violência, pois que não correspondem ao plano de Deus; o fortalecimento do compromisso da comunidade teológica com a releitura, em termos interculturais, e a reconstrução da própria tradição cristão, em seu núcleo fundamental que é a história da libertação.

Maria Pilar não nega a dialética do cristianismo na América Latina e, portanto, afirma que o cristianismo latino-americano legitimou o uso da violência estrutural do sistema e tem importantes setores que mantém teologias monoculturais, dogmatismo e práticas institucionais absolutistas. Por outro lado, reconhece que setores que defendem dos direitos humanos, a justiça social e a cultura de paz. Esse setor progressista teve sua origem com a atuação de Bartolomé de Las Casas e se fortaleceu com os documentos aprovados na Segunda Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano, realizada em Medellín (Colômbia), em 1968.

Maria Pilar é partidária da opção pela esperança em outro mundo possível, por meio de uma teologia da libertação que apoie os movimentos alternativos à globalização, que se interessam pelas condições materiais da vida das pessoas, denunciam as injustiças do sistema que impedem as maiorias populares de viver humanamente e propõem alternativas.

Obras

"Aportes para una Teología desde la Mujer". (Biblia y Fe, Madri, 1988); "Nuestro Clamor por la Vida. Teología Latinoame-ricana desde la Perspectiva de la Mujer". (Costa Rica, Departamento Ecuménico de Investigaciones, San José, Costa Rica, 1992) - "Our Cry for Life. Feminist Theology from Latin America" (Maryknoll, NY: Orbis Books, 1993); "La Teología, La Iglesia y La Mujer en América Latina". (Indo-American Press, Bogotá, 1994); "Teología Feminista Latinoamericana". (em co-autoria com Elsa Tamez, Ed. Abya-Yala, Quito, 1998); "Entre la Indignación y la Esperanza. Teología Feminista Latinoamericana". (em co-autoria com Ana María Tepedino, Ed. Indo-American Press e ASETT/EATWOT Associación Ecuménica de Teólogos y Teólogas del Tercer Mundo, Bogotá, 1998); "Theology: Expanding the Borders" (em co-autoria com Roberto Goizueta, The Annual Publication of the College Theology Society, vol. 43, Mystic, CT:Twenty-Third Publications, 1998); "Religion, Feminism, and Justice. Foundations of Latina Feminist Theology" (em co-autoria com Jeanette Rodríguez e Daisy L. Machado, Austin: University of Texas Press); "En el Poder de la Sabiduría: Espiritualidades Feministas en lucha" (em co-autoria com Elisabeth Schüssler Fiorenza, Concilium 288, Verbo Divino, Estella (Navarra - Espanha), 2000);