Caio Papírio Carbão (m. 119 a.C.; ) foi um político da gente Papíria da República Romana eleito cônsul em 120 a.C. com Públio Manílio. Seu irmão, Cneu Papírio Carbão foi eleito cônsul em 113 a.C.. Teve um filho, Caio Papírio Carbão, que foi tribuno da plebe.
Tribuno da plebe Foi eleito tribuno da plebe em 131 a.C. e impôs várias leis durante seu mandato: uma que permitia que os tribunos fosse reeleitos indefinidamente, que recebeu forte oposição de Cipião Emiliano, e uma Lex Tabellaria, que criava a votação secreta para a aprovação ou reprovação das leis durante a Assembleia das centúrias.
Em 129 a.C., ainda como tribuno, Carbão foi nomeado um dos três triúnviros agrorum dividendorum indicados para levar adiante a reforma agrária iniciada por Tibério Graco juntamente com Marco Fúlvio Flaco e Caio Graco, responsáveis por aplicar a divisão das terras públicas entre os plebeus. A dificuldade de repartir as terras segundo a Lei Agrária provocou inúmeros conflitos. Carbão chegou a ser acusado da morte repentina de um dos grandes inimigos dos Gracos, Cipião Emiliano, no mesmo ano.
Depois de deixar o tribunato, Carbão seguiu atuando no apoio dos Gracos até a morte de Caio Graco e Fúlvio Flaco em 121 a.C., pelas mãos do cônsul Lúcio Opímio, que conseguiu também matar diversos aliados e amigos dos Gracos.Lívio, Ab Urbe Condita Epit. LIX, LXI;. Apiano BC I 18, 20; Vell Pat. II 4; Tácito Orat. 34
Consulado No final de seu consulado, Opímio foi acusado de assassinar cidadãos romanos sem julgamento prévio pelo tribuno Quinto Décio, mas foi absolvido.Cícero, De Oratore II 106; 165 Carbão foi eleito cônsul para o ano seguinte (120 a.C) com Públio Manílio e passou a defender Lúcio Opímio, bandeando-se para a facção aristocrata (os optimates) e qualificando o assassinato de Caio Graco como uma "morte justa".
Desgraça Apesar de seus últimos atos, os optimates não confiavam em Carbão, especialmente pelos boatos que o implicavam na morte de Cipião Emiliano e esperaram o momento certo para eliminá-lo. Assim, em 119 a.C., o próprio Carbão se viu acusado de assassinato por um jovem orador aristocrata, Lúcio Licínio CrassoCícero, De Oratore II 170 e, ao perceber que não receberia apoio nem dos optimates e nem de seus antigos aliados populares, se viu forçado ao suicídio.Cícero, Brutus 103; Epistulae ad Familiares IX 21,3. Segundo Valério Máximo, ele teria sido exilado.Valério Máximo, Nove Livros de Feitos e Dizeres Memoráveis III 7. § 6
Carbão era muito habilidoso e seus dotes oratórios foram mencionados com grandes elogios por CíceroCícero De Amicit. 25; De Leg. III 16.
Ver também
Bibliografia
Categoria:Cônsules da República Romana Categoria:Romanos antigos do século II a.C. Categoria:Ano de nascimento desconhecido Categoria:Nascidos no século II a.C. Categoria:Papirii Categoria:Romanos antigos que cometeram suicídio Categoria:Triúnviros Categoria:Tribunos da plebe Categoria:Populares Categoria:Optimates Categoria:Controvérsia dos irmãos Graco Categoria:Oradores da Roma Antiga