Cortiço - colmeia tradicional|thumb|250px thumb|upright|Coletor de mel retratado há 8000 anos em uma pintura de caverna próximo a Valência, Espanha

Apicultura é a ciência, ou arte, da criação de abelhas com ferrão. Trata-se de um ramo da zootecnia. A criação racional de abelhas para o lazer, ou fins comerciais, pode ter como objetivo, por exemplo, a produção de mel, própolis, geleia real, pólen, cera de abelha e veneno, ou mesmo fazer parte de um projeto de paisagismo, no Brasil não é possível porque as abelhas africanizadas são mais defensivas e requer uma distância mínima de 400 metros de qualquer aglomeração de pessoas e animais. Além disso, as abelhas são importantes polinizadoras.

Histórico Foram encontrados pedaços de âmbar transparente envolvendo abelhas em pesquisas arqueológicas. As teorias dizem que já existiam abelhas há 42 milhões de anos, idênticas às atuais. Mas o que se têm de fato, é o relato do uso do mel pelas civilizações mais antigas traçadas pela história, sendo uma delas os Sumérios.

Há registro gráfico de arte rupestre representado abelhas datando do neolítico em caverna na área onde hoje fica Valência (Espanha). Outra representação antiga está gravada na tumba da Ramessés IX, no Egito, essa datando de Revista "In Veneto Magazine", Itália, Primavera de 2011 - "Api"

Na obra de Eva Crane (Honey, a Comprehensive Survey), encontramos informações de que os sumérios, que se estabeleceram na Mesopotâmia por volta de , já usavam o mel. Dos textos sumérios que sobreviveram até os nossos dias são conhecidas duas passagens que falam a respeito do mel.

Três mil anos depois, esta região seria conhecida por Babilónia. Os Babilónios já usavam o mel também na medicina. Posteriormente, os hititas invadiram a Babilónia. No código hitita, por volta de , aparecem as primeiras referências em uma legislação que regula algo a respeito de mel e abelhas.

thumb|Gravação em pedra mostrando rezando para os Deuses Adade e Istar com inscrições em escrita cuneiforme sobre apicultura na Babilônia

Por volta do ano , o soberano do Alto Egito uniu seu reino ao Baixo Egito. Desde a primeira dinastia, em , adoptaram-se as abelhas como símbolo do faraó do Baixo Egito. O mel era muito usado pelos antigos egípcios, especialmente pelos sacerdotes, tanto nos rituais e cerimónias como para alimentar animais sagrados.

Representações de humanos recolhendo mel de abelhas selvagens datam de 10.000 anos atrás. A apicultura em vasos de cerâmica começou há cerca de 9.000 anos no norte da África. A abelha-europeia é mostrada na arte egípcia de há cerca de 4.500 anos. Colmeias simples e fumaça eram usadas e o mel era armazenado em jarros, alguns dos quais foram encontrados nas tumbas de faraós como Tutancâmon. Não foi senão no que a compreensão europeia das colônias e da biologia das abelhas permitiu a construção da colmeia móvel para que o mel pudesse ser colhido sem destruir toda a colônia.

Em algum momento, os humanos começaram a tentar domesticar abelhas silvestres em colmeias artificiais feitas de troncos ocos, caixas de madeira, vasos de cerâmica e cestos de palha ou "saches". Vestígios de cera de abelha são encontrados em fragmentos de potes no Oriente Médio, começando por volta de 7000 aC.

As abelhas foram mantidas no Egito desde a antiguidade. Nas paredes do Templo do Sol de Niuserré Ini da Quinta Dinastia, antes de 2422 AC, os trabalhadores são retratados soprando fumaça nas colmeias quando estão removendo favo de mel. Inscrições detalhando a produção de mel são encontradas no túmulo de Pabasa da XXVI dinastia egípcia (c. 650 aC), descrevendo o derramamento de mel em jarros e colmeias cilíndricas. Vasos selados de mel foram encontrados nos túmulos dos faraós, como Tutancâmon.

Na Bíblia, no Antigo Testamento, há informação suficiente para concluir que na Terra Prometida dos hebreus, “regada por leite e mel”, o mel era amplamente usado. Em vários textos bíblicos, o mel também é citado em diversas passagens do Antigo Testamento, sendo mencionado em alguns salmos:

Quão doces são as tuas palavras ao meu paladar! Mais do que o mel à minha boca. (Salmo 119:103)

O temor do Senhor é límpido e permanece para sempre; os juízos do Senhor são verdadeiros e todos igualmente, justos. São mais desejáveis do que ouro, mais do que muito ouro depurado; e são mais doces do que o mel e o destilar dos favos. (Salmo 19:9-10)

No livro dos Provérbios, o mel é mencionado pelo autor como um medicamento, o que demonstra que os hebreus já utilizavam esta substância não só com fins alimentares mas também terapêuticos:

Palavras agradáveis são como favos de mel: doces para a alma e medicina para o corpo. (Provérbios 16:24)

Em sua poesia de Cântico dos Cânticos, Salomão, o mesmo autor da maioria dos Provérbios, faz outra menção ao mel, incluindo-o como um dos mais excelentes produtos da época:

Já entrei no meu jardim, minha irmã, noiva minha; colhi a minha mirra com a especiaria, comi o meu favo com o mel, bebi o meu vinho com o leite. Comei e bebei, amigos; bebei fartamente, ó amados. (Cânticos 5:1)Acredita-se na existência de apicultura sistemática já na pré-história, pois a própria actuação de Aristeu que, conforme narra Virgílio inspirado na Mitologia grega, teria sido o primeiro apicultor e cultivou abelhas melíferas em carcaças de animais mortos,"O livro de ouro da Mitologia, História, Deuses e Heróis" - Thomas Bulfinch - 34ª Edição - Ediouro leva-nos à ideia de que existe uma grande possibilidade de os personagens mitológicos terem sido seres humanos que se destacaram por serem inteligentes, habilidosos ou bem dotados, com o tempo eles teriam se tornado lenda.

Pela época do historiador Hesíodo, contemporâneo de Homero, a apicultura sistemática já era um fato, pois se menciona o “simblous, ou simvlus”, que era um tipo de colmeia construída por mãos humanas.

Escavações feitas em Festo, na ilha de Creta, por companhias arqueológicas italianas, trouxeram à luz colmeias de barro que pertenceram à época minoica, , bem anterior a Hesíodo e Homero. Outros achados destas escavações revelam o alto estágio da apicultura desta época. Entre eles estão duas joias de ouro; uma delas mostra duas abelhas, datada de , e foi encontrada nas escavações da antiga cidade de Cnossos.

Homero, o poeta, na sua consagrada Odisseia, fala sobre uma mistura de mel e leite, chamada “melikraton”, que era considerada uma excelente bebida; menciona também que as filhas órfãs de Píndaro eram alimentadas pela deusa Vénus (Afrodite) com queijo, mel e vinho, os mesmos alimentos usados por Circe, a feiticeira, que fascinou os companheiros de Ulisses.

Foi Aristóteles quem primeiro fez estudos com métodos científicos a respeito de abelhas, “melissas”, utilizando colmeia cilíndrica feita com ramos de árvores entrelaçados com uma mistura de barro e estrume de vaca. Esta colmeia hoje é chamada de “anastomo” ou “cofini”, e em certas regiões da Macedônia ainda é usada.

No período pré-aristotélico, a apicultura já tinha em grande parte sido sistematizada, tanto assim que o grande legislador ateniense Sólon dedicou-lhe vários artigos da lei, o que comprova seu estágio avançado naquele tempo. Um dos artigos proibia a instalação de um novo apiário a uma distância menor que 300 pés (90 metros) de um apiário já existente.

A cesta cilíndrica usada como colmeia possuía alvado ou buracos por onde entravam as abelhas, na parte superior, boca, onde eram colocadas de oito a doze ripas de madeira, paralelas. Ao longo da parte inferior destas ripas era derramada cera derretida, bem no meio, e ao longo de seu comprimento. A partir deste fio de cera, as abelhas iniciavam a construção de favos paralelos que chegavam ao fundo da cesta. Estes foram os primeiros favos móveis de que se têm notícias.

Com favos móveis, Aristóteles conseguiu fazer observações valiosíssimas, das quais algumas sobreviveram até a descoberta do microscópio, outras até Langstroth, apicultor estadunidense do , o espaço abelha, e as medidas são válidas até hoje.

Apicultura migratória 250px|thumb|Reboque adaptado para transporte de colmeias para apicultura migratória Nos pomares de laranja,maçã, uva e outras frutas cultivadas comercialmente é comum os agricultores contratarem apicultores para polinizarem as flores, a render grande produtividade, tanto de frutas, como de mel. Este tipo de atividade chama-se apicultura migratória, porque o apicultor descarrega um caminhão de colmeias no centro do pomar durante a floração, e depois retira as colmeias no fim da floração. Nestes casos a retirada dos enxames é importante, pois tratando-se de uma monocultura, as abelhas não terão alimento (néctar de flor) após a floração, e irão consumir todo o mel estocado dentro das colmeias.

Colmeia

Colmeia é o nome dado a uma colônia de abelhas ou ao abrigo construído para ou pelas abelhas. As abelhas utilizam a colmeia para abrigar sua progenitura, criá-las e estocar o mel. As abelhas domesticadas têm suas colmeias construídas em apiários. Uma colmeia geralmente possui 80 mil abelhas, cuja maioria são fêmeas (). O número de fêmeas em relação aos machos é dado através do número de ouro (divina proporção). A colmeia evoluiu junto com o desenvolvimento da apicultura, de colmeias rudimentares às atuais colmeias modernas de construção padronizada. Seguindo determinados critérios as colmeias podem ser classificas por de algumas formas como: por sua técnica de construção, por sua disposição das ou pela posição dos caixilhos na colmeia.

Classificação das colmeias Técnica de construção 200px|thumb|Colmeia tradicional de palha trançada thumb|200px|Colmena tradicional em Albacete(Espanha) Quanto a técnica de construção as colmeias podem ser classificas em : Natural : Formadas naturalmente e ocupadas pelas abelhas, como em buracos em arvores, em rochas ou solo. Tradicional : Colmeias feitas pelo homem de forma rústica e totalmente artesanal sem os critérios padronizados de espaço para as abelhas. Racional : Colmeia moderna padrão desenvolvida em pesquisas científicas usando conceito de espaço-abelha onde foi determinado uma dimensão de espaço livre na qual as abelhas não fecham com própolis nem usam este para construir favos, o espaço-abelha é um vão livre mínimo 6,35 mm (1/4") e no máximo 9,53 mm (3/8"). Adicionalmente as colmeias tidas como racionais, tem removíveis o que permite de retirar os favos sem danifica-los, centrifugar o mel, e devolver o favo intacto para a colmeia, com a vantagem da intercambiabilidade dos favos(caixilhos) entre as caixas(colmeias). O espaço-abelha também disciplina a construção dos favos na posição de encaixe dos caixilhos, permitindo que o apicultor remova centenas de favos em poucos minutos e recoloque-os de volta depois o que permite o aumento na eficiência e produtividade da apicultura.

Disposição das melgueiras ou alças Quanto a disposição das melgueiras (área ou o corpo da caixa que contem os favos destinados ao acúmulo de mel), as colmeias podem ser classificadas em :

Horizontais : Colmeias de projeto horizontal que não prevê a inclusão de melgueiras adicionais sobre o ninho. Estas colmeias têm capacidade limitada dado a impossibilidade de expansão. Esta dificuldade resolvido atualmente nas colmeias tipo Layens onde foram implemendas melgueiras. Neste tipo de colmeia as a tendência natural nas abelhas separar a cria e estoque de mel, ocorrendo que muitos favos de mel possuem cria, por isto não são muito usados na apicultura comercial. São colmeias horizontais a Colmeia Kenniana, Colmeia Tanzania e Colmeia Layens. Verticais : Nesta colmeias a capacidade pode ser estendida pela adição de sobre ninhos ou melgueiras ilimitada, sobre o ninho (câmara de criação) conforme é necessário. Este projeto aproveita a tendência natural das abelhas de separarem as crias na parte inferior da colmeia e o mel na parte superior. São colmeias verticais a Colmeia Langstroth, Colmeia Schenk, Colmeia Schirmer, Colmeia Curtinaz, Colmeia Dadant, Colmeia Lusitana e muitas outras.