Sistema ou aparelho reprodutor feminino é o sistema de órgãos femininos envolvidos na reprodução. É constituído por dois ovários, duas tubas uterinas (trompas de Falópio), um útero, uma vagina, uma vulva. Ele está localizado no interior da cavidade pélvica. A pelve (ou pélvis) constitui um marco ósseo forte que realiza uma função protetora e dá sustentação ao sistema reprodutor feminino.
Estruturas
Região vulvoperineal A região vulvoperineal, também conhecida simplesmente por períneo, é uma região em formato de losango que fica situada entre a sínfise púbica e o cóccix. Esta região pode ser estudada anatomicamente dividindo-a em um conjunto de estruturas externas, que compõem os chamados órgãos genitais externos, e um conjunto de estruturas internas, que formam o assoalho pélvico, uma estrutura músculo-aponeurótica que dá suporte à pelve. Essa região losangular pode ser dividida em dois trígonos: o trígono urogenital, localizado anteriormente, onde se localizam órgãos do sistema genital e urinário, e o trígono anal, localizado posteriormente, onde se localizam órgãos do sistema digestivo.
Os órgãos genitais externos (femininos ou masculinos) podem ser identificados a partir da 12ª semana gestacional. Entretanto, somente a partir da 13ª semana, pode-se indicar com 99% de acurácia o sexo do bebê. Isso se deve ao fato de que, apesar do sexo cromossômico ser determinado no momento da fecundação, o estágio indiferenciado da genitália fetal dura até a 7ª semana, momento em que começa a se diferenciar em masculino ou feminino dependendo de estímulos hormonais. Assim, a partir desse momento, haverá estímulo hormonal, via testosterona, para o desenvolvimento do falo se o feto for masculino. No caso do sexo feminino, com a ausência de testosterona, há inibição do desenvolvimento fálico e, portanto, ocorre a formação do clitóris. O sulco uretral e as pregas uretrais, formados ainda no estágio indiferenciado, também seguirão caminhos diferentes nos dois sexos. No caso do embrião feminino, as pregas uretrais não se unirão, de modo que, nesta conformação, dará origem aos pequenos lábios, assim como as intumescências labioescrotais, que formarão os grandes lábios.
Vulva
A genitália externa também é chamada de vulva, pudendo feminino, região pudenda ou púdica. Todas essas palavras são sinônimos e servem para designar o conjunto formado pelos órgãos genitais externos femininos, sendo esta região delimitada e protegida por duas pregas cutâneo-mucosas intensamente irrigadas e inervadas, os grandes lábios. Na mulher em idade pós-puberdade, os grandes lábios são cobertos por pelos pubianos. Mais internamente, outra prega cutâneo-mucosa envolve a abertura da vagina, os pequenos lábios, que protegem a abertura da uretra e da vagina. Na vulva, estão localizados os seguintes órgãos (e suas respectivas diversas nomenclaturas encontradas na literatura):
Monte púbico, monte de Vênus, pênil ou mons veneris: histologicamente, trata-se de uma região com predominância de tecido adiposo. O monte de Vênus localiza-se anteriormente à sínfise púbica. Durante a puberdade, é nesta região que ocorre grande parte do crescimento de espessos pelos pubianos. Pregas tegumentárias ou formações labiais, constituídas por grandes lábios e pequenos lábios, também chamados de ninfas: os grandes lábios são constituídos por duas pregas cutâneas que delimitam uma fenda chamada de rima vulvar. A face exterior dos grandes lábios também possui uma distribuição característica de pelos espessos que surgem durante a puberdade, no entanto, sua face interna não possui pelos. Analogamente aos grandes lábios, os pequenos lábios são também duas pregas cutâneas que delimitam uma região, neste caso, chamado de vestíbulo da vagina ou somente vestíbulo. Os pequenos lábios localizam-se medialmente aos grandes lábios e possuem uma pele úmida, fina e lisa e sem pelos. Vestíbulo da vagina ou vestíbulo: região delimitada pelos pequenos lábios. É no vestíbulo que se localizam o óstio externo da uretra, localizado na parte superior do vestíbulo, e o óstio da vagina, localizado na parte inferior do vestíbulo. É neste espaço que também, lateralmente, localizam-se as glândulas de Bartholin ou glândulas vulvovaginais. Durante o trabalho de parto os limites do vestíbulo podem ser ampliados através de técnicas incisivas como a episiotomia mediolateral ou perineotomia, o que resulta em ampliação do canal de parto. Clitóris: o clítoris é uma pequena estrutura arredondada que se localiza superiormente aos pequenos lábios. É um órgão que, devido à ausência da testosterona na vida embrionária, não se desenvolveu em falo, no entanto, suas estruturas recebem os mesmos nomes do falo desenvolvido nos homens. Assim, o clítoris possui uma região exposta que é denominada de glande e outra não exposta que corresponde aos corpos cavernosos, estes últimos se inserindo no ramo do isquiopúbico. A parte da glande é um ponto altamente inervado possuindo milhares de terminações nervosas, sendo considerado, por conta disso como o “centro nervoso do coito”. Hímen: tecido conjuntivo que recobre o óstio da vagina. Possui diversas formas, características e tamanhos, sendo possível o reconhecimento de padrões que vão desde o hímen do tipo cribiforme (com várias pequenas aberturas) ao hímen imperfurado (completamente fechado). A ruptura do hímem está cercada de valores de culturais que acompanham as sociedades humanas há muito tempo, no entanto, ao contrário do que é difundido, a rotura do hímen durante o primeiro ato sexual não envolve dor e nem hemorragia, visto que esta é uma região com pouca vascularização e pequena espessura. Após a relação sexual, o hímen perfurado deixa apenas pequenos fragmentos visualizados, são as chamadas carúnculas himenais ou carúnculas mirtiformes. Glândulas acessórias: glândulas parauretrais ou de Skene e glândulas vulvovaginais ou de Bartholin: as glândulas de Bartholin localizam-se na parte lateral do vestíbulo. Estas possuem como principal a função a produção de líquidos para lubrificação durante o ato sexual. Clinicamente, pode ocorrer obstrução dos ductos destas glândulas, o que provoca a formação dos Cistos das Glândulas de Bartholin, que dependendo do tamanho podem ser palpados e vistos durante o exame pélvico. Estes cistos também podem implicar chances maiores de infecção e formação de abscessos dolorosos. As glândulas parauretrais ou glândulas de Skene estão localizadas adjacentes ao meato uretral. Assim como as glândulas de Bartholin, estas estruturas também estão sujeitas à processos inflamatórios causados por obstrução dos seus ductos, que possuem função homóloga à próstata masculina, ou sejam, podem liberar um líquido viscoso. A liberação deste líquido está vinculada à estimulação sexual.
Vagina
A vagina, um tubo musculo membranáceo distensível (7 a 9 cm de comprimento), estende-se do meio do colo do útero até o óstio da vagina, a abertura na sua extremidade inferior, tendo paredes elásticas. O óstio da vagina, o óstio externo da uretra e os ductos das glândulas vestibulares maiores, também denominadas glândulas de Bartholin, que secretam um muco lubrificante, e as glândulas vestibulares menores abrem-se no vestíbulo da vagina, a fenda entre os lábios menores do pudendo. A parte vaginal do colo do útero está localizada anteriormente na parte superior da vagina.
A vagina é formada por uma túnica mucosa, uma muscular e uma adventícia. A mucosa é revestida por epitélio pavimentoso, estratificado e não queratinizado, cujas células liberam glicogênio. O epitélio vaginal responde às oscilações hormonais do ciclo ovulatório da mulher na menacme. As células vaginais são ricas em glicogênio, que é fermentado pelos bacilos de Döderlein (lactobacilos), produzindo ácido lático, o que confere o pH ácido (4 a 4,5). Esse pH ácido, característico da secreção vaginal na presença de bacilos de Döderlein, impede a proliferação da maioria dos micro-organismos patogênicos.
A vagina geralmente encontra-se colapsada. O óstio costuma estar colapsado em direção à linha mediana, de modo que suas paredes laterais ficam em contato de cada lado de uma fenda anteroposterior. Superiormente ao óstio, porém, as paredes anterior e posterior estão em contato a cada lado de uma cavidade virtual transversal, que tem formato de H em corte transversal, com exceção de sua extremidade superior, na qual o colo do útero as mantém afastadas. A vagina situa-se posteriormente à bexiga urinária e à uretra, sendo que esta se projeta ao longo da linha mediana de sua parede anteroinferior. A vagina situa-se anteriormente ao reto, passando entre as margens mediais do músculo levantador do ânus (puborretal). O fórnice da vagina, o recesso ao redor do colo, tem partes anterior, posterior e lateral. A parte posterior do fórnice da vagina é a mais profunda e tem íntima relação com a escavação retouterina. Quatro músculos comprimem a vagina e atuam como esfíncteres: pubovaginal, esfíncter externo da uretra, esfíncter uretrovaginal e bulboesponjoso. A vagina está relacionada: Anteriormente com o fundo da bexiga e a uretra Lateralmente com o músculo levantador do ânus, a fáscia visceral da pelve e os ureteres Posteriormente (da parte inferior para a superior) com o canal anal, o reto e a escavação retouterina.
A entrada da vagina é protegida por uma membrana circular - o hímen - que fecha parcialmente o orifício vulvovaginal e é quase sempre perfurado no centro, podendo ter formas diversas. Geralmente, essa membrana se rompe nas primeiras relações sexuais. A vagina é o local onde o pênis deposita os espermatozoides na relação sexual. Além de possibilitar a penetração do pênis, possibilita a expulsão da menstruação e, na hora do parto, a saída do bebê. Durante a excitação sexual, a parede da vagina se dilata e se recobre de substâncias lubrificantes produzidas pelas glândulas de Bartholin facilitando a penetração do pênis. Durante a fase proliferativa do ciclo menstrual, o muco é fluido e depois da ovulação ele se torna viscoso, formando um tampão que se converte numa barreira protetora. As características de fluidez ou viscosidade do muco cervical dependem respectivamente da ação hormonal do estrogênio e da progesterona.
Útero O útero é um órgão muscular oco, piriforme, com paredes espessas. O embrião e o feto se desenvolvem no útero. As paredes musculares adaptam-se ao crescimento do feto e garantem a força para sua expulsão durante o parto. Na mulher não grávida, o útero localiza-se na cavidade pélvica, entre a bexiga urinária (anteriormente) e o reto (posteriormente). O útero é uma estrutura muito dinâmica, cujo tamanho e proporções modificam-se durante as várias fases da vida. Embora a forma, a posição e o tamanho do útero se modifiquem com a evolução da gestação, no estado pré-gravídico seus diâmetros médios são: 7 cm no eixo longitudinal, 5 cm no eixo transverso e 2,5 cm no sentido anteroposterior.