Sumano (em latim: Summānus), na religião romana antiga, era o deus do raio noturno, como contraposto a Júpiter, o deus do raio diurno.Paulus Festi epitome p.188 L 2nd. Sua natureza precisa não estava clara nem mesmo para Ovídio."The temple is said to have been dedicated to Summanus, whoever he may be" (quisquis is est, Summano templa feruntur): Ovid, Fasti 6, 731. Translation by James G. Frazer, Loeb Classical Library. Plínio, o Velho mentie temple at Natural History 29.57 (= 29.14).
acreditava que a divindade era de origem etrusca e um dos nove deuses do trovão. Varrão, no entanto, classifica Sumano entre os deuses que ele considera de origem sabina, a quem o rei Tito Tácio dedicava altares () em consequência de um voto.Varro Lingua Latina V 74. Paulo Diácono considera-o um deus do raio.Entrada sobre Dium. Acredita-se que o nome Summanus venha de Summus Manium, "o maior dos Manes".Summanus .
De acordo com Marciano Capela,Marciano Capela, De nuptiis 2.164. Sumano é outro nome para Plutão como o "maior" (Summus) dos Manes. Esta identificação é retomada por autores posteriores, como Camões ( "Se lá no reino escuro de Sumano...")Os Lusíadas, IV, 33 e John Milton, em um símile para descrever a visita de Satanás a Roma: "Exatamente assim Sumano, envolto em um turbilhão de fumaça de chama azul-celeste, cai sobre as pessoas e as cidades".No poema latino "In Quintum Novembris" (lines 23–24): Talibus infestat populos Summanus et urbes / cinctus caeruleae fumanti turbine flammae.
Georges Dumézil argumentou que Sumano representaria o elemento estranho, violento e inspirador dos deuses da primeira função, ligada à soberania celestial. O duplo aspecto do poder soberano celestial seria refletido na dicotomia Varuna-Mitra na religião védica e na dicotomia Sumannus-Dius Fidius em Roma. Os primeiros deuses destes pares encarnavam o aspecto noturno, violento e misterioso da soberania, enquanto os segundos refletiam a reconfortante luz do dia e o aspecto legalista.Dumézil, Georges (1948). Myth et epopée vol. III, parte 2, cap. 3; Mitra-Varuna: essai sur deux representations indoeuropeennes de la souverainetè Paris, 2ª ed; La religion romaine archaïque Paris, 1974; Tr. it. Milão, 1977 p. 184
Templo e culto O templo de Sumano foi dedicado durante a Guerra Pírrica em 20 de junho de Ovid fasti VI 729-731; Fasti Esquil., Venus., Amit.: ad XII Kal. Iul.; CIL I 2nd p. 211, 221,243, 320Plínio, o Velho Nat. Hist. XXIX 14; Livy Periochae XIV. Orlin, Eric M., "Foreign Cults in Republican Rome: Rethinking the Pomerial Rule", Memoirs of the American Academy in Rome, Vol. 47 (2002), p. 5. A estrutura se apresentava no oeste do Circo Máximo, talvez na encosta do Monte Aventino. Parece que o templo tenha sido dedicado a Sumano porque a estátua do deus que estava no telhado do templo de Júpiter Capitolino tinha sido atingida por um raio.S. Ball Platner, T. Ashby A Topographical Dictionary of Ancient Rome Baltimore 1928 p. 408, citing Cicero de Div. I 10; Livy Periochae XIV; Iordanes I 2, 14-15; 98-100 A cada 20 de junho, um dia antes do solstício de verão, bolos redondos chamados de sumanália, feitos de farinha, leite e mel e em forma de rodas,Festus p.557 L eram oferecidos ao deus como um símbolo de propiciação: a roda pode ser um símbolo solar. Na data, em anos específicos do calendário de Numa, podia coincidir de a lua nova se encontrar oculta abaixo da Terra, ou de a Lua repetidamente parecer que estava caindo do céu: por isso, há quem proponha que o deus possa também ter tido associação com a Lua, em competição com o Sol. Sumano também recebia um sacrifício de dois bois ou bodes negros. Animais escuros eram normalmente oferecidos às divindades ctônicas.John Scheid, "Sacrifices for Gods and Ancestors", in A Companion to Roman Religion (Blackwell, 2007), p. 264; Raffaele Pettazzoni, "The Wheel in the Ritual Symbolism of Some Indo-European Peoples," in Essays on the History of Religions (Brill, 1967), p. 107. Os Acta Arvalia registram um sacrifício feito ao deus de dois carneiros negros castrados.
Santo Agostinho registrou que em épocas anteriores Sumano era mais adorado do que Júpiter, mas com a construção de um templo que era mais magnífica do que a de Sumano, Júpiter tornou-se mais honrado.Agostinho, City of God IV 23
Cícero relata que a estátua de barro do deus que estava no telhado do Templo de Júpiter Capitolino foi atingida por um raio e perdeu a cabeça. Os arúspices anunciaram que a parte da estátua que faltava tinha sido arremessada no rio Tibre, onde, de fato, foi encontrada no local indicado por eles.Cicero De Divinatione I 10 Lívio atribuiu o arremessamento do raio ao próprio Júpiter. O próprio templo de Sumano foi atingido por um raio em Lívio AUC XXXII 29, 1
Sua posição começou a ser relegada cada vez mais à inferioridade frente à estatura dos outros deuses. Depois de estar totalmente associado à noite e à escuridão, do século III em diante era considerado um deus do submundo. Surgiu também uma nova etimologia para seu nome: sub-manus, "antes da manhã". Já foi também apontado que o substantivo mănus ("mão") pode evocar o significado de surrupiar e torna possível a sua associação como um deus dos ladrões. Houve acadêmicos que o identificaram com o deus Noturno (Nocturnus) citado por Plauto em seu poema: nele, o poeta também cunhou o verbo summano, em referência ao deus, mas também baseando-se no verbo mano, "manar", "molhar", o que possivelmente indica a embriaguez noturna ou o orvalho e geada causados pela Estrela D'Alva. Assim, já foi proposta também a sua identificação com Lucifer (Vênus), devido à conotação de o deus antecipar a luz da manhã e, como raio noturno, poder representar o segundo elemento mais brilhante no céu noturno (após a Lua), o que também equivale à função iluminadora e acompanhante do Sol vista na Estrela D'Alva. Lucrécio, quando descreve o céu estrelado amanhecendo, traz como uma das possibilidades aquela de a abóbada matinal (summania templa) ter alguma função no movimento do éter: Passim per caeli uoluunt summania templa (Por todos os céus, as regiões sumanas [matinais/do céu noturno trovejante] giram). Arnóbio identificou Sumano com Dis Pater e um templo parecia também intercambiá-los. Após o estabelecimento da tríade capitolina, embora tenha sido emancipado e ganhou independência como divindade (o que indica alguma popularidade), ele passou por sucessivo declínio.
Ver também Mitologia grega
Categoria:Deuses romanos Categoria:Deuses do trovão Categoria:Deuses da noite