Floresta ombrófila mista, também mata de araucária, floresta de araucária ou araucarieto, dentre outros nomes,DINIZ, Amarildo, FURLAN, Sueli A. Relações entre classificações fitogeográficas, fitossociologia, cartografia, escalas e modificações sócio-culturais no Parque Estadual Campos do Jordão (SP). Revista do Departamento de Geografia, n. 12, p. 123-161, 1998. link. é um ecossistema com chuva durante o ano todo, normalmente em altitudes elevadas, e que contém espécies de Gymnosperma e Angiospermas notavelmente a Araucaria angustifolia como vegetação dominante.
Encontrada no sul e sudeste do Brasil nos estados de Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul e de forma esparsa nos estados de São Paulo e Minas Gerais, faz parte do bioma mata atlântica, e é caracterizada pela presença da Araucaria angustifolia que nela imprime um aspecto próprio e único.
As florestas de araucária também foram definidas como uma ecorregião de floresta tropical no domínio da Mata Atlântica pelo WWF.
Localização A floresta de araucária, quando do descobrimento do Brasil, se estendia numa faixa contínua, no Planalto Meridional,LEITE, P.F. & KLEIN, R. M. 1990. Vegetação. In: Mesquita, O. V. (ed.), Geografia do Brasil -- Região Sul, vol. 2. IBGE, Rio de Janeiro. pp. 113-150 desde o sul do estado de São Paulo até o norte do Rio Grande do Sul chegando à província de Misiones na Argentina. Outras manchas esparsas existiam nos estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espirito Santo. O habitat perfeito são regiões altas de 400m até 1000m, sendo que são encontrados alguns exemplares de Pinheiro-do-paraná (Araucaria angustifolia), árvore característica da floresta de araucária, também até a 1800m de altitude, por exemplo, na Serra da Mantiqueira.
Clima O clima da região é subtropical, com chuvas regulares e estações relativamente bem definidas: o inverno é normalmente frio, com geadas, ocasionalmente neve e até temperaturas negativas em alguns municípios de Rio Grande do Sul, Santa catarina, Paraná e São Paulo e o verão razoavelmente quente. As temperaturas variam até 30°C, no verão.
A umidade relativa do ar está relacionada à temperatura, com influência da altitude. Assim, nas zonas mais elevadas, a temperatura não é suficientemente elevada, diminuindo a umidade produzida pelas chuvas. As médias mais elevadas são resultados da influência oceânica sobre o clima e da transpiração dos componentes das matas pluviais existentes. Os maiores índices pluviométricos são registrados nos planaltos, com chuvas bem distribuídas por toda região.
Relevo miniaturadaimagem|Araucarias na Serra Catarinense O Estado do Paraná, de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul são formados, em sua maior extensão, por escarpas de estratos e planaltos que declinam suavemente em direção a oeste e noroeste. Apresentam grandes regiões geográficas naturais ou grandes paisagens naturais (zona litorânea - orla marinha e orla da serra, Serra do Mar, planaltos, planícies costeiras, serras litorâneas e planalto ocidental).
Fauna miniaturadaimagem|219x219px|Tucano, ave presente no bioma É um dos ecossistemas mais ricos em relação à biodiversidade de espécies animais, contando com indivíduos endêmicos, raros, ameaçados de extinção, espécies migratórias, cinegéticas e de interesse econômico da Floresta Atlântica e Campos Sulinos.
Várias espécies estão ameaçadas de extinção: a onça-pintada, a onça-parda, a jaguatirica, o mono-carvoeiro, o macaco-prego, o guariba, o mico-leão-dourado, vários sagüis, a preguiça-de-coleira, o caxinguelê, e o tamanduá.
Entre as aves destacam-se o jacu, o macuco, a jacutinga, o tiê-sangue, a araponga, o sanhaço, numerosos beija-flores, tucanos, saíras, gaturamos, além do Papagaio-da-serra e Papagaio-de-peito-roxo cuja sobrevivência dessas duas espécies esta diretamente atrelada à sobrevivência da Floresta com Araucária.
Entre os principais répteis desse ecossistema estão o teiú (um lagarto de mais de 1,5m de comprimento), jibóias, jararacas e corais verdadeiras. Numerosas espécies da flora e da fauna são únicas e características: a maioria das aves, répteis, anfíbios e borboletas são endêmicas, ou seja, são encontradas apenas nesse ecossistema. Nela sobrevivem mais de 20 espécies de primatas, a maior parte delas endêmicas.
Flora thumb|250px|esquerda|Mata de Araucárias em Almirante Tamandaré, Paraná, Brasil.
A floresta com araucária ou floresta ombrófila mista apresenta em sua composição florísticas espécies de lauráceas como a imbuia (Ocotea porosa), o sassafrás (Ocotea odorifera), a canela-lageana (Ocotea pulchella), além de diversas espécies conhecidas por canelas. Merecem destaque também a erva-mate (Ilex paraguariensis) e a caúna (Ilex theezans), entre outras aquifoliáceas. Diversas espécies de leguminosas (jacarandá, caviúna e monjoleiro) e mirtáceas (sete-capotes, guabiroba, pitanga) também são abundantes na floresta com araucária, associadas também à coníferas como o pinheiro-bravo (Podocarpus lambertii).
Saueressig (2012) apresentou o resultado de um levantamento dendrológico realizado nos planaltos do sul brasileiro, acima da cota 500 m s.n.m, onde foram percorridas diversas rotas, de forma que cobrissem grande parte da área atual de ocorrência da Floresta Ombrófila Mista, abrangendo as diferentes zonas fitofisionômicas e fitoecológicas dessa tipologia. Foi registrada a presença de 328 espécies, pertencentes a 165 gêneros e 65 famílias botânicas. As famílias com maior número de espécies foram: Myrtaceae (59), Fabaceae (37), Lauraceae (22), Asteraceae (19), Solanaceae (15), Euphorbiaceae e Salicaceae (11), e Rubiaceae e Rutaceae (9). Os gêneros mais ricos foram: Eugenia (15 espécies), Myrcia (13), Ocotea (11), Solanum (10), Myrceugenia (9) e Miconia (7), e Ilex e Symplocos (6).
Relação de espécies arbóreas e arborescentes levantada por Daniel Saueressig (2012):SAUERESSIG, D. (2012). Relação de espécies arbóreas e arborescentes da Floresta Ombrófila Mista nos 3 estados sulinos.
328 resultados Adoxaceae - australis Cham. & Schltdl. - sabugueiro Anacardiaceae - brasiliensis Marchand - bugreiro Anacardiaceae - molleoides (Vell.) Engl. - aroeira-branca Anacardiaceae - lentiscifolius Marchand - aroeirinha Anacardiaceae - polygamus (Cav.) Cabrera - assobiadeira Anacardiaceae - terebinthifolius Raddi - aroeira-vermelha Annonaceae - neosalicifolia H.Rainer - ariticum Annonaceae - rugulosa (Schltdl.) H. Rainer - ariticum-de-porco Annonaceae - sylvatica A. St.-Hil. - ariticum Annonaceae - australis A.St.-Hil. - pindaíba Apocynaceae - australe Müll.Arg. - guatambú Apocynaceae - pyricollum Müll.Arg. - peroba-guatambu Apocynaceae - sellowii Müll.Arg. - leiterão Apocynaceae - catharinensis DC. - peschiera Apocynacecae - polyneuron Müll.Arg. - peroba Aquifoliaceae - brevicuspis Reissek - voadeira Aquifoliaceae - dumosa Reissek - cauninha Aquifoliaceae - microdonta Reissek - caúna Aquifoliaceae - paraguariensis A. St.-Hil. - erva-mate Aquifoliaceae - taubertiana Loes. - caúna Aquifoliaceae - theizans Mart. ex Reissek - caúna Araliaceae - fulvus Marchal - embauvarana Araliaceae - morototoni (Aubl.) Maguire, Steyerm. & Frodin - mandiocão Araucariaceae - angustifolia (Bertol.) Kuntze - araucária Arecaceae - eriospatha (Mart. ex Drude) Becc. - butia Arecaceae - romanzoffiana (Cham.) Glassman - jerivá Arecaceae - brasiliensis Mart. - palmeira-leque Asparagaceae - spectabilis Kunth & Bouché - uvarana Asteraceae - serrata (Spreng.) R.M.King & H.Rob. - vassoura Asteraceae - dentata (Vell.) G. Barroso - vassourinha Asteraceae - oblongifolia (Ruiz & Pav.) Pers. - vassoura-da-folha-fina Asteraceae - oreophila Malme - vassoura Asteraceae - semiserrata DC. - vassoura-tupichava Asteraceae - uncinella DC. - vassourinha-folha-redonda Asteraceae - bupleurifolia (DC.) R.M. King & H. Rob. - vassourinha-folha-fina Asteraceae - spinescens (Less.) Cabrera - não-me-toque Asteraceae - tomentosum (Spreng.) Cabrera - agulheiro Asteraceae - polymorpha (Less.) Cabr. - cambará Asteraceae - rufescens (Lund ex DC.) R.M. King & H. Rob - espinafre-de-árvore Asteraceae - angustifolia Dusén ex Malme - vassourão-branca Asteraceae - axillaris (Less.) Baker - vassourão-cambará Asteraceae - leptophlebia (B.L.Rob.) R.M.King & H.Rob. - vassourão-de-brinco Asteraceae - compressus (Gardner) B.L.Rob. - vassoura Asteraceae - discolor (Spreng.) H.Rob. - vassourão-preto Asteraceae - montevidensis (Spreng.) H.Rob. - vassoura-rosa Asteraceae - petiolaris (DC.) H. Rob. - vassourão Asteraceae - puberula (Less.) H.Rob. - vassoura Berberidaceae - laurina Thunb. - espinho-de-judeu Bignoniaceae - antisyphilitica (Mart.) Mart. - ipê-verde Bignoniaceae - albus (Cham.) Mattos - ipê-amarelo Bignoniaceae - micrantha Cham. - caroba Bignoniaceae - puberula Cham. - carobinha Boraginaceae - americana (L.) Gottshling & J.E.Mill. - guajuvira Boraginaceae - ecalyculata Vell. - louro-mole Boraginaceae - trichotoma (Vell.) Arráb. ex Steud. - louro-pardo Canellaceae - dinisii Schwanke - pimenteira Cannabaceae - iguanaea (Jacq.) Sarg. - taleira Cannabaceae - micrantha (L.) Blume - pau-pólvora Cardiopteridaceae - engleriana (Loes.) R.A.Howard - congonha-da-serra Cardiopteridaceae - gongonha (Mart.) R.A.Howard - congonha-do-banhado Cardiopteridaceae - paniculata (Mart.) Howard - congonha Caricaceae - quercifolia A. St.-Hil. - mamão-do-mato Celastraceae - aquifolia Mart. - espinheira-santa-graúda Celastraceae - boaria Molina - choranzinho Celastraceae - evonymoides Reissek - tiriveiro Celastraceae - muelleri Schwacke - espinheira-santa Clethraceae - scabra Pers. - carne-de-vaca Clethraceae - uleana Sleumer - carne-de-vaca Cunoniaceae - cuneata (Cambess.) Kuntze. - guaraperê-de-rio Cunoniaceae - ternata Vell. - guaraperê Cunoniaceae - humilis Engl. - gramamunha Cunoniaceae - paulliniifolia Pohl ex Ser. - gramamunha Ebenaceae - inconstans Jacq. - pera-do-mato Elaeocarpaceae - brasiliense Reitz & L.B.Sm. - cinzeiro-pataguá Elaeocarpaceae - lasiocoma K.Schum. - sapopema Ericaceae - niederleinii var. acutifolia Judd - agarista Erythroxylaceae - deciduum A. St.-Hil. - marmeleiro Erythrroxylaceae - cuneifolium (Mart.) O.E.Schulz - marmeleiro Erytrhroxylaceae - myrsinites Mart. - marmeleiro-miúdo Escalloniaceae - bifida Link & Otto - canudo de pito Euphorbiaceae - concolor (Spreng.) Müll.Arg. - laranjeira-do-mato Euphorbiaceae - sidifolia Müll.Arg. - tapiá-peludo Euphorbiaceae - triplinervia (Spreng.) Müll. Arg. - tapiá Euphorbiaceae - celtidifolius Baill. - sangra-d'água Euphorbiaceae - floribundus Spreng. - croton Euphorbiaceae - grahamii Hook. - mandioca-do-mato Euphorbiaceae - glandulosum (L.) Morong - leiteiro Euphorbiaceae - brasiliensis Spreng. - leiterinho Euphorbiaceae - commersoniana (Baill.) L.B. Sm. & Downs - branquilho Euphorbiaceae - schottiana (Müll.Arg.) Müll.Arg. - sarandi Euphorbiaceae - rubrivenium Poepp. - canemaçu Fabaceae - edwallii (Hoehne) Barneby & J.Grimes - farinha-seca Fabaceae - niopoides (Spruce ex Benth.) Burkart - angico-branco Fabaceae - colubrina (Vell.) Brenan - angico-branco Fabaceae - leiocarpa (Vogel) J.F.Macbr. - grápia Fabaceae - glazioviana Baill. - timbó Fabaceae - forficata Link - pata-de-vaca Fabaceae - brevipes Benth. - caliandra Fabaceae - tweediei Benth. - topete-de-cardeal Fabaceae - leptophylla Vogel - canafístula Fabaceae - brasiliensis Vogel - jacarandá Fabaceae - frutescens (Vell.) Britton - rabo de bugio Fabaceae - contortisiliquum (Vell.) Morong - timbaúva Fabaceae - cristagalli L. - cortiçeira-do-banhado Fabaceae - falcata Benth. - cortiçeira Fabaceae - lentiscifolia Benth. - ingá Fabaceae - marginata Willd. - ingá-feijão Fabaceae - sessilis (Vell.) Mart. - ingá Fabaceae - vera Willd. - ingá Fabaceae - virescens Benth. - ingá-banana Fabaceae - campestris Mart. ex Benth. - timbó Fabaceae - cultratus (Vell.) Azevedo-Tozzi & H.C.Lima - timbozão Fabaceae - muehlbergianus Hassl. - timbó