Operação Paula (em alemão: Unternehmen Paula)Mackay 2003, p. 62.Chant 1987, p. 10. foi uma operação militar ofensiva da Luftwaffe durante a Segunda Guerra Mundial, cujo objectivo era o de destruir definitivamente a Força Aérea Francesa aquando da Batalha da França, em 1940. No dia 10 de maio a Wehrmacht iniciaram a invasão da Europa Ocidental. A 3 de junho, o Exército Britânico havia já batido em retirada de Dunquerque e do continente na Operação Dínamo, os Países Baixos e a Bélgica tinham-se rendido e grande parte do Exército Francês estava destruído ou capturado. Para completar a derrota francesa, os alemães iniciaram uma segunda fase na Batalha da França, a Operação Fall Rot, para conquistarem as restantes regiões ainda sob o controlo francês. Para que isto pudesse ser realizado, os alemães necessitavam de obter supremacia aérea. Assim, a Luftwaffe foi ordenada a destruir a Força Aérea Francesa ao mesmo tempo que providenciaria apoio terrestre ao Exército Alemão.
Para esta operação, os alemães juntaram uma força de cinco corpos aéreos, totalizando 1.100 aeronaves. A operação foi iniciada no dia 3 de junho de 1940. Contudo, os serviços de inteligência britânicos souberam desta operação antes de ela ser iniciada, e avisaram os franceses, fazendo com que estes se preparassem minimamente. Devido a este aviso prévio, o Oberkommando der Luftwaffe não conseguiu os resultados desejados, apesar de ter estabelecido superioridade aérea. Por esta altura as forças francesas estavam tão descoordenadas e fracas que a derrota/vitória parcial desta operação não impediu que a Wehrmacht derrotasse os franceses.
Antecedentes
Depois de a França e o Reino Unido declararem guerra à Alemanha Nazi, no dia 3 de setembro de 1939, iniciou-se um período em que não houve grandes movimentações nem ataques na Europa Ocidental; este período ficou conhecido por Guerra de Mentira. A única ofensiva levada a cabo neste período foi da iniciativa do Exército Francês, a Ofensiva do Sarre, que terminou na retirada dos franceses. Depois da Campanha da Polónia, em Outubro de 1939, o Oberkommando der Luftwaffe (em português: Alto Comando da Força Aérea) e o Oberkommando der Wehrmacht (em português: Alto Comando das Forças Armadas) viraram as suas atenções para a Europa Ocidental.Healy 2007, pp. 3–5.
Os Aliados não tomaram iniciativa para iniciar um ataque contra os alemães, e assim os alemães tomaram essa iniciativa em 1940. Vários planos diferentes surgiram dentro do Alto Comando. O general Franz Halder, o chefe de estado-maior do exército, apresentou o primeiro plano para a Fall Gelb a 19 de outubro de 1939. O código alemão para esta operação era Aufmarschanweisung N°1, Fall Gelb.Healy 2007, pp. 5–8. O plano consistia numa operação limitada em que o Luxemburgo, a Bélgica e os Países Baixos deveriam ser conquistados para servir de base para futuras operações contra a França. Este plano era muito menos ambicioso que o desastroso Plano Schlieffen da Primeira Guerra Mundial, em 1914.Bond 1990, p.42. Contudo, o plano foi rejeitado por Adolf Hitler e, na viragem do ano, Erich von Manstein chamou à atenção de Hitler para uma versão modificada do mesmo plano. Este consistia agora numa ambiciosa movimentação militar através das Ardenas. Nele, seriam usadas na maioria tropas motorizadas e divisões de tanques, numa corrida até ao Canal da Mancha. A preceder esta movimentação, uma operação seria lançada na Bélgica e nos Países Baixos para enganar os aliados, incluindo a Força Expedicionária Britânica (BEF), fingindo que os alemães concentrariam a sua ofensiva através destes dois países, realizando assim uma armadilha.Healy 2007, pp. 8–11.Bond 1990, pp. 43–44.
Lançada a 10 de maio de 1940, a nova versão da Fall Gelb, também conhecida como Plano Manstein, viria a ser um sucesso. Os britânicos escaparam durante a Batalha de Dunquerque; porém o Exército Belga, o Exército Holandês e muitas forças de elite francesas foram destruídas nesta armadilha. Isto fez com que a França ficasse essencialmente com forças se segunda categoria para combater as próximas batalhas contra o poderoso Exército Alemão. A Luftwaffe desempenhou um papel importante nas operações iniciais, muitas vezes sendo a principal responsável pelo sucesso e pelo avanço do exército alemão. No início de junho de 1940 o cerco a Dunquerque estava terminado, e a 3 de junho, os alemães prepararam-se para a conquista integral da França, sob o nome de código Fall Rot. Para esta conquista ser um sucesso, a superioridade aérea era um requisito essencial, assim como tinha sido na fase inicial da Batalha da França.Hooton 2007, pp. 47–48, p. 77.
Planos da Luftwaffe thumb|direita|200px|Hugo Sperrle, comandante da Luftflotte 3 Hugo Sperrle planeava há já algum tempo ataques contra Paris e, no dia 22 de Maio, ordenou o I. Fliegerkorps, V. Fliegerkorps, Kampfgeschwader 77, I. Fliegerdivision e a Kampfgeschwader 28 para bombardear Paris. Contudo, as péssimas condições atmosféricas impediram a realização desta operação; porém, determinado a seguir em frente com o seu plano, Sperrle ordenou a Otto Hoffmann von Waldau e Helmuth von Hoffman, Gruppenkommandeur do III./KG 28,de Zeng et al Vol. 1, 2007, p. 114. a planear uma operação de nome "Paula" para o próximo dia, 23 de maio de 1940.Hooton 2007, p. 82.
Os objectivos desta operação eram amplos. Entre a eliminação dos aeródromos franceses e as fábricas de produção de aeronaves à volta de Paris,Weal 2000, p. 35. nas palavras de Waldau, o bombardeamento visava "desferir um forte golpe na moral da capital".Hooton 1994, p. 263. As aeronaves de reconhecimento alemãs reportaram 1 244 aeronaves nos aeródromos em torno de Paris, incluindo entre 550 e 650 aeronaves monomotor.Hooton 2007, p. 81. Este poderio da Força Aérea Francesa seria destruído juntamente com as fabricas de aeronaves na área. As posições antiaéreas francesas foram mapeadas a nível táctico e operacional.Hooton 2007, pp. 82–83. A operação ficou assim marcada para ser realizada no dia 30 de Maio, porém, voltou a estar mau tempo na zona, o que voltou a adiar o ataque.Hooton 2007, p. 82.
A operação ficou comprometida pela confiança excessiva na então invulnerável Máquina Enigma. Os serviços de inteligência britânicos, que estavam a estudar os códigos alemães, conseguiram avisar os franceses antes do ataque se suceder. No dia 30 de Maio os britânicos interceptaram uma mensagem enviada por Grauert na qual se discutia a preparação do seu Corpo para a operação.Hooton 2007, p. 84. Além desta fuga de informação, as unidades que iriam participar na operação não receberam as ordens completas para a realização da mesma. O coronel Johann-Volkmar Fisser, Geschwaderkommodore da KG 77, não recebeu ordens concretas sobre os alvos a atacar e apresentou uma queixa. Ele perguntou ao quartel-general do VIII. Fliegerkorps o alvo, tendo recebido uma resposta com apenas uma palavra: Paris.Hooton 2007, p. 84. Sperrle respondeu à sua queixa removendo a KG 77 da operação. Os britânicos interceptaram ainda uma mensagem de Frisser para o VIII Fliegerkorps, mensagem essa que passaram aos franceses, que por sua vez duplicaram o número de aeronaves na área para 120 caças.
Forças envolvidas Alemãs
Várias unidades da Luftflotte 2 e da Luftflotte 3 apresentaram-se como disponíveis para a operação. As asas de bombardeiros (Kampfgeschwader) usariam aeronaves da Lehrgeschwader 1 (LG 1), Kampfgeschwader 1 (KG 1), Kampfgeschwader 2 (KG 2), Kampfgeschwader 3 (KG 3), Kampfgeschwader 4 (KG 4), Kampfgeschwader 54 (KG 54) e Kampfgeschwader 55 (KG 55), sendo escoltadas por caças das asas de combate aéreo (Jagdgeschwader) Jagdgeschwader 2 (JG 2), Jagdgeschwader 26 (JG 26), Jagdgeschwader 27 (JG 27), Jagdgeschwader 53 (JG 53), Zerstörergeschwader 2 (ZG 2) e Zerstörergeschwader 76 (ZG 76), iriam realizar o ataque.Hooton 1994, pp. 263–264.
A KG 1, ZG 76 e a LG 1 estavam sob o comando do I. Fliegerkorps; a ZG 2, KG 3 e o II./KG 2 estavam sob o comando do II. Fliegerkorps; a KG 55 e o III./KG 54 estavam sob o IV. Fliegerkorps; a KG 51 seria sob o comando do V. Fliegerkorps; a KG 4 e a JG 26 estavam sob o comando da IX. Fliegerdivision; a JG 2 e a JG 27 sob o comando do VIII. Fliegerkorps e a Jagdfliegerführer 3 emprestou a JG 53 para a operação.Hooton 2007, pp. 78–79.
A Stab./KG 2 e o I./KG 2 foram movidos para Trier-Euren para o assalto. O I./KG 2 operava a partir de Wengerohr e o III./KG 2 iria operar a partir de Kirchenburg.de Zeng et al Vol 1 2007, pp. 23–31. A Stab./KG 55 operava a partir de Schwabisch. Os I., II. e III./KG 55 operavam a partir de Reims, Heilbronn e Eutingen respectivamente.de Zeng et al Vol 1 2007, pp. 193–201. Já o I., II. e III./KG 3 operavam a partir de Aschaffenburg, Schweinfurt e Würzburg. Desconhece-se em que aeródromos franceses ficaram estacionadas estas unidades a 3 de junho.de Zeng et al Vol 1 2007, pp. 36–48. A KG 4 e as suas unidades ficaram estacionadas em Gütersloh, Fassberg e Delmenhorst. É provável que algumas unidades da KG 3 tenham ficado estacionadas em bases perto de Lille, antes do ataque ser iniciado.de Zeng et al Vol 1 2007, pp. 49–60. Os I., II. e III./KG 1 estavam em Giessen, Kirtorf e Ettinghausen.de Zeng et al Vol 1 2007, pp. 13–22. Também é provável que algumas destas unidades tenham sido movidas para aeródromos capturados na França antes de 3 de junho, acreditando-se que tenham ficado Rosières-en-Santerre.Hooton 2007, p. 78. A KG 54 esteve provavelmente localizada algures entre o norte de França no dia 3 de junho; mas estava original estacionada em Colónia.de Zeng et al Vol 1 2007, p. 188. As unidades de caça estavam nos seguintes aeródromos: Abbeville (ZG 76); Darmstadt, Neufchâteau e Freiburg (ZG 2); Le Touquet, La Capelle e Étaples (JG 26); Couvron e Oulchy-le-Château (JG 2); Guise (JG 27); Épernay, Douzy, Charleville-Mézières e La Selve (JG 53).Hooton 2007, p. 78–79.
A KG 2 reuniu cerca de 99 bombardeiros para a operação e a KG 55 um total de 66 bombardeiros.Hooton 2007, pp. 83–84. Todos juntos, a Luftwaffe tinha um poderio de 640 bombardeiros e 460 caças, tudo a partir das unidades acima referidas.Mackay 2003, pp. 62–63.
Francesas Responsável pela defesa da grande área de Paris estava a Zone d'Opérations Aériennes Nord ou Z.O.A.N (Zona Norte de Operações Aéreas). O Groupe de Chasse I/145 (uma força polaca) estava armado com aeronaves Caudron C.714, com base em Dreux. O G.C. I/1 possuía aeronaves Bloch MB.150 e estava estacionado em Chantilly, contudo as suas aeronaves foram movidas para o aeródromo de Brétigny-sur-Orge. O G.C. II/10 estava localizado em Bernay-en-Ponthieu, enquanto o G.C. III/10 estava em Deauville. Mais unidades de caça foram requisitadas para a ordem de batalha: o G.C. I/3 em Meaux-Esbly, o G.C. II/3 em La Ferté-sur-Chiers-Gaucher e o G.C. III/3 em Illiers-l'Évêque. Outras unidades também foram requisitadas: o G.C. I/4 com aeronaves Curtiss H-75 em Évreux-Fauville, o G.C. II/4 em Orconte, o G.C. I/6 em Lognes e o G.C. III/7 em Connantre. Estes unidades eram apoiadas por caças nocturnos das unidades E.C.M.J. 1/16, E.C.N. 1/13, 2/13, 3/13 e 4/13, equipados com aeronaves Potez 630. Todos juntos, as unidades acima mencionadas totalizaram um poderio de 240 aeronaves,Jackson 1974, p. 80.French Air Force order of battle, 5 June 1940. Consultado em 29 de junho de 2017. Cópia arquivada a 25 de dezembro de 2015. mas apenas 120 caças foram dados como disponíveis para defender a área de Paris dos ataques alemães.
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