A língua portuguesa possui uma relevante variedade de dialetos, com uma acentuada diferença lexical entre suas duas principais vertentes, europeia e brasileira. Tais diferenças, entretanto, geralmente não prejudicam a inteligibilidade entre os locutores de diferentes dialetos.
Mesmo com a independência das antigas colônias africanas, o português padrão de Portugal é o padrão preferido pelos países africanos de língua portuguesa. Logo, o português apenas tem dois dialetos de aprendizagem, o europeu e o brasileiro. Note que, no português europeu há três dialetos mais prestigiados: o do Porto, o de Coimbra e o de Lisboa. Já no português brasileiro os dialetos mais prestigiados são os de São Paulo e Rio de JaneiroA suposta supremacia da fala carioca: uma questão de norma
As diferenças entre as formas escritas do português europeu e brasileiro ocorrem de maneira semelhante, e são frequentemente comparadas às do inglês britânico e americano, embora se acreditasse que as divergências ortográficas ocorriam com uma frequência um pouco maior nos dois dialetos escritos do português até uma nova ortografia padrão entrar em vigor na década de 2010. Também são observadas diferenças na sintaxe e na construção das palavras, não diretamente relacionadas à ortografia. Além disso, houve tentativas de unificar as duas variações escritas, sendo a mais recente delas o Acordo Ortográfico de 1990, que só começou a vigorar na década de 2000 e ainda está em implementação em alguns países.
Principais divisões
Europa
O português europeu padrão é também conhecido como estremenho ou português de Portugal. Mesmo assim, todos os aspectos e sons de todos os dialetos de Portugal podem ser encontrados nalgum dialeto no Brasil. O português africano, em especial o português santomense tem muitas semelhanças com o português de algumas regiões do Brasil. Também os dialetos do sul de Portugal apresentam muitas semelhanças, especialmente o uso intensivo do gerúndio. No Norte, o alto-minhoto e o transmontano são muito semelhantes ao galego. Os dialetos de Portugal podem ser divididos em dois grandes grupos:
Os dialetos do norte são caracterizados por preservar a pronúncia de "ei" e "ou" como ditongos [ei̯], [ou̯], e por algumas vezes terem mesclado /v/ com /b/ (como em espanhol). Incluem o dialeto do Porto, a segunda maior cidade de Portugal. A região norte de Portugal é considerada o berço da língua portuguesa. Os dialetos do sul e do centro são amplamente caracterizados por preservar a distinção entre /b/ e /v/, e pela tendência de monotongar "ei" e "ou" para [e̞] e [o̞]. Incluem o dialeto da capital, Lisboa, mas tem algumas peculiaridades próprias. Embora os dialetos dos arquipélagos atlânticos dos Açores e da Madeira tenham características únicas, também podem ser agrupados com os dialetos do sul.
Dentro de cada uma dessas regiões, entretanto, há mais variações, especialmente na pronúncia. Por exemplo, em Lisboa e arredores, o ditongo "ei" é centralizado em [ɐi̯] em vez de ser monotongizado, como no sul. Geralmente acredita-se que os dialetos do Brasil, África e Macau são derivados principalmente daqueles do centro e sul de Portugal. 1 - Açoriano (ouvir) - Falado na Região Autónoma dos Açores (capitais: Ponta Delgada, Horta e Angra do Heroísmo). 2 - Alentejano (ouvir) - Falado na Região do Alentejo e em grande parte da Região do Algarve, no sul de Portugal Continental. É o dialecto de Faro (capital da região dos Algarves) e de Évora (capital da Região do Alentejo). 3 - Algarvio (ouvir) - Falado numa pequena porção da parte ocidental da Região do Algarve 4 - Alto-minhoto (ouvir) - Falado no extremo norte da antiga província histórica do Minho, mais precisamente no norte do Distrito de Braga (interior) e no norte e nordeste do Distrito de Viana do Castelo, áreas integrantes da atual Região do Norte de Portugal Continental 5 - Baixo-beirão ou alto-alentejano (ouvir) - Falado nas antigas províncias históricas de Alto Alentejo (áreas mais setentrionais) e de Beira Baixa, com estas áreas hoje integrando o interior da Região do Centro de Portugal Continental 6 - Beirão (ouvir) - Falado na antiga província histórica de Beira , área que atualmente integra a atual Região do Centro de Portugal Continental. 7 - Estremenho (ouvir) - Falado nas antiga províncias históricas de Extremadura (depois dividida em Extremadura e Ribatejo) e de Beira Litoral, áreas que atualmente integram a atual Área Metropolitana de Lisboa e o litoral da Região do Centro de Portugal Continental. É o dialecto falado em Coimbra (capital da Região do Centro) e Lisboa (capital da Área Metropolitana de mesmo nome e também capital nacional). Pode ser subdividido em lisboeta e coimbrão. "Dialecto Estremenho" é uma denominação disputada, como Coimbra e não faz parte da "Estremadura", e o dialecto de Lisboa tem algumas características peculiares que não só não são partilhadas com o de Coimbra, mas também significativamente distintas e reconhecíveis pela maioria dos falantes nativos de outras partes de Portugal. Pode ser considerado o equivalente português do Received Pronunciation do inglês britânico. 8 - Madeirense - Falado na Região Autônoma da Madeira (capital: Funchal) 9 - Dialecto Baixo Minhoto-Duriense (ouvir) - Falado na província histórica de Entre Douro e Minho, que se dividiu depois em Minho e Douro, renomeada depois de Douro Litoral. Após a sua extinção a área é atualmente integrante da Região do Norte de Portugal Continental. É o dialecto falado no Porto, capital da Região do Norte. 10 - Transmontano (ouvir) - Falado na província histórica de Trás-os-Montes (depois renomeada como Trás-os-Montes e Alto Douro). Após sua extinção atualmente integra a Região do Norte de Portugal Continental.
América
Os dialetos brasileiros são divididos em grupos do norte e do sul, os dialetos do norte tendem a vogais pré-tônicas ligeiramente mais abertas. Os dialetos de São Paulo e do Rio de Janeiro tiveram alguma influência no resto do país devido ao seu domínio econômico e cultural. No entanto, a migração dos estados do Norte para os estados do Sul faz com que a influência seja um fenómeno de mão dupla. As questões culturais também desempenham o seu papel. Os falantes do dialeto gaúcho, por exemplo, geralmente têm fortes sentimentos sobre sua própria maneira de falar e não são influenciados pelos outros sotaques. Além disso, as pessoas das cidades do interior dos três estados do sul costumam falar com um sotaque alemão, italiano ou polonês muito notável, e entre os habitantes da Ilha de Santa Catarina (ou seja, Florianópolis insular), o dialeto português açoriano, em sua variante local, predomina.
No Brasil, o dialeto do Rio de Janeiro e o de Brasília são dominantes nos meios de comunicação; a língua escrita padrão é quase idêntica à de Portugal, com diferenças pontuais (como o abandono quase completo da mesóclise). Atores e jornalistas costumam adotar uma norma-padrão não oficial, originalmente derivada dos dialetos da classe média do Rio de Janeiro e Brasília, mas agora abrange pronúncias urbanas de diferentes comunidades do Sudeste.
Entre o português brasileiro, particularmente nas suas variedades mais informais, e o português europeu, podem haver diferenças notáveis na gramática, além das diferenças na pronúncia e no vocabulário. Os mais proeminentes dizem respeito à colocação de pronomes clíticos e ao uso de pronomes sujeitos como objetos na terceira pessoa. Inflexões não padronizadas também são comuns no português brasileiro coloquial. Uma conversa entre falantes de ambas as variantes é perfeitamente compreensível, tal como acontece entre falantes do inglês do Reino Unido e o dos Estados Unidos, entre um falante do espanhol da Espanha e outro da América Espanhola, ou entre um falante de francês da França e outro do Canadá. thumb|direita|360px|Dialetos do português brasileiro 1 - Caipira2 - Costa norte3 - Baiano4 - Fluminense5 - Gaúcho6 - Mineiro7 - Nordestino8 - Nortista 9 - Paulistano10 - Sertanejo11 - Sulista12 - Florianopolitano13 - Carioca14 - Brasiliense15 - Serra amazônica16 - Recifense
1 - Caipira - Falado nos estados de São Paulo (mais acentuadamente no interior e na zona rural); sul de Minas Gerais, norte do Paraná (que durante a era colonial e imperial integrava São Paulo antes de ser desmembrado em 1853) e sudeste de Mato Grosso do Sul. Costuma-se dizer que o caipira surgiu pela descrioulização da língua brasílica e da língua geral paulista, então falada em quase todo o que hoje é São Paulo, uma antiga língua franca na maior parte do Centro-Sul contemporâneo do Brasil antes do século XVIII, trazido pelos bandeirantes, colonos portugueses (ou luso-brasileiros filhos e netos de portugueses) que foram pioneiros do interior do Brasil Colonial, intimamente relacionado com seu homólogo nortenho Nheengatu, e é por isso que o dialeto apresenta muitas diferenças gerais de outras variantes da língua. Apresenta diferenças notáveis em comparação com outros dialetos brasileiros em fonologia, prosódia e gramática, muitas vezes estigmatizados como fortemente associados a uma variante inferior, agora principalmente rural. 2 - Costa Norte ou Cearense, um dialeto falado mais acentuadamente nos estados do Ceará (e na capital Fortaleza) e Piauí. A variante do Ceará inclui traços bastante distintivos que compartilha com a falada no Piauí, como fonologia e vocabulário regionais distintos (por exemplo, um processo de desbucalização mais forte que o do restante do português, um sistema diferente de harmonia vocálica que abrange o Brasil do dialeto fluminense e mineiro à amazofonia, mas é especialmente prevalente no nordestino, uma coda de palatalização sibilante muito coerente como as de Portugal e do Rio de Janeiro, mas permitida em menos ambientes do que em outros sotaques nordestinos, uma maior presença de palatalização do stop dentário a palato-alveolar em comparação com outros sotaques nordestinos, entre outros, bem como um grande número de palavras portuguesas arcaicas). 3 - Baiano - falado predominantemente na Bahia, mas utilizado em regiões de Sergipe e de Minas Gerais.Zonas dialetais do português brasileiro. The Fools. 2022. Possui duas variantes principais, que são o soteropolitano-litorâneo (mais ao leste, norte e oeste) e o catinguês (mais ao centro e sul); Semelhante ao nordestino, possui um ritmo silábico cronometrado muito característico e maior tendência a pronunciar vogais átonas como médias abertas [ɛ] e [ɔ]. É falado em Salvador (capital da Bahia) e Aracaju (capital de Sergipe) 4 - Fluminense ou sudestino (ouvir) - dialeto usado principalmente no Espírito Santo, na região serrana e no norte do estado do Rio de Janeiro, com falantes no sudeste de Minas Gerais;.. O Fluminense formou-se nessas áreas anteriormente de dialeto caipira devido à influência gradual dos migrantes europeus, fazendo com que muitas pessoas distanciassem sua fala do dialeto original e incorporassem novos termos. Fluminense às vezes é chamado de carioca, porém carioca é um termo mais específico que se refere ao sotaque da Grande Rio de Janeiro por falantes do dialeto fluminense. É falado em Vitória, capital do Espírito Santo. 5 - Gaúcho ou guasca - predominantemente no Rio Grande do Sul, contudo falado em regiões de Santa Catarina; Os sotaques distintos do Rio Grande do Sul são muitos, principalmente devido ao grande afluxo de imigrantes europeus de diversas origens que se estabeleceram em colônias por todo o estado, e à proximidade com nações de língua espanhola. A palavra gaúcho em si é um empréstimo do espanhol para o português de obscuras origens indígenas ameríndias. É falado em Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul.