Severina de Souza Pontes (Pilar, 28 de agosto de 1942), mais conhecida como Zezita Matos, é uma atriz e professora brasileira, que ganhou destaque por seus trabalhos no cinema, como Laura em Mãe e Filha (2012), Das Dores em A História da Eternidade (2015) e Tereza em Deserto Particular (2021). Na televisão, Zezita ganhou notoriedade por interpretar Piedade em Velho Chico (2016). Em 2020, recebeu aclamação da crítica por interpretar Chiquinha no filme Pacarrete, pelo qual foi indicada ao Grande Otelo de melhor atriz coadjuvante e venceu o Prêmio Guarani, também de atriz coadjuvante.
Biografia Zezita nasceu em uma fazenda em Juripiranga, distrito da cidade de Pilar, interior da Paraíba, em 28 de agosto de 1942. Lá ela viveu até seus seis anos de idade. Seus pais eram comerciantes e ela é a filha mais velha de cinco irmãos. Ela realizou um exame de admissão e foi aprovada no Colégio das Damas em Campina Grande. Os custos com o internato eram muito altos e seu pai não conseguiu mantê-los, mudando-se para João Pessoa em busca de mais oportunidades de trabalho.
Ainda muito jovem, começou a se interessar pelo mundo das artes. Com apenas 16 anos de idade, em 1958, já vivendo na capital João Pessoa, ingressou no time de atores do teatro paraibano, onde consagrou-se como a Primeira-Dama do Teatro Paraibano, título esse dado por um grande amigo seu que virou marca registrada da atriz. No início, a atriz enfrentou muita resistência de seu pai para frequentar o grupo teatral. Zezita apenas podia ir para os ensaios com a presença de seu irmão, o também ator Everaldo Pontes.
A atriz formou-se em duas graduações, Letras e Pedagogia. Por anos, lecionou no Centro Universitário de João Pessoa e atuou como coordenadora dos cursos de Pedagogia e Letras. Mesmo após sua aposentadoria, continuou se envolvendo em projetos culturais com implantações de saraus de poesias e um clube de cinema dentro da instituição. Zezita também sempre foi muito ativa politicamente. Ela frequentou o grupo da juventude comunista na Paraíba. Por conta disso, precisou ficar por meses escondida na casa de um tio para não ter o mesmo destino que alguns de seus colegas que foram perseguidos, presos, torturados e até desaparecidos durante o Regime Militar Brasileiro.
Carreira Zezita iniciou sua carreira no teatro amador de João Pessoa entre o final dos anos 1950 e início dos anos 1960. Ela foi se envolvendo em diversas montagens teatrais da cidade e além da atuação, tornou-se um dos principais nomes da cultura do estado da Paraíba. Aos 14 anos, foi convidada para o Grupo de Teatro Popular de Arte e foi escalada para peça Prima Dona. Inicialmente, ela estava escalada para um pequeno papel. Zezita estudou toda a peça para se preparar. No dia da apresentação, a atriz principal não pôde comparecer e Zezita a substituiu, sendo bastante elogiada e requisitada para mais trabalhos. Conciliou, por anos, a atuação com a docência. Recebeu o título de "Primeira Dama do Teatro Paraibano", pois foi a primeira mulher a dirigir o Teatro Santa Roza.
A atriz sempre foi fascinada pelo cinema. Em sua juventude, colecionava edições da famosa revista Cinelândia, pois ela adorava ler sobre os bastidores de gravações e guardar fotos de atores e atrizes. Após anos de carreira no teatro, em 1965 realizou seu primeiro teste para cinema e foi aprovada para uma participação no filme Menino de Engenho, sendo dirigida por Walter Lima Júnior. Depois, voltou a se dedicar exclusivamente ao teatro. Em 1984, fez sua primeira aparição em televisão com uma pequena ponta na novela Vereda Tropical.
Em 2000, após mais de 35 anos de seu primeiro trabalho no cinema, surgiu um convite de Marcus Vilar para Zezita atuar em seu curta-metragem A Canga. Ela conta que já não pensava mais em fazer cinema, mas após sua participação no curta começaram a surgir mas convites para filmes. Em 2005, esteve no premiado longa Cinema, Aspirinas e Urubus, de Marcelo Gomes. Ganhou destaque em O Céu de Suely, filme dirigido por Karim Aïnouz em 2006, interpretando a avó da protagonista Suely, interpretada por Hermila Guedes. No filme, sua personagem se chamava Zezita, pois todos os personagens secundários da produção possuem os mesmos nomes dos atores que o interpretam.
Nos anos seguintes, continuou a realizar pequenas participações em filmes e muitos curtas-metragens, totalizando mais de 10 curtas em sua carreira. Em 2011, voltou a ganhar destaque por seu desempenho em Mãe e Filha, onde ela interpreta uma das protagonistas, Laura, a mãe. Dirigido pelo premiado cineasta cearense Petrus Cariry, o filme percorreu por diversos festivais de cinema e Zezita foi aclamada por sua atuação, vencendo prêmios de melhor atriz no Cine Ceará, FestCine Goiânia e FestCine Maracanau. Por seu desempenho no filme, recebeu sua primeira indicação ao Prêmio Guarani, maior premiação da crítica cinematográfica brasileira, na categoria de melhor atriz coadjuvante.
Em 2015, brilhou como a matriarca Donas das Dores em A História da Eternidade, filme dirigido por Camilo Cavalcante. Atuando ao lado de nomes como Irandhir Santos e Marcélia Cartaxo, ela foi bastante elogiada vencendo os prêmios de melhor atriz no Festival Internacional de Cinema da Fronteira e também no Festival Paulínia de Cinema, sendo esse último compartilhado com Marcélia e Débora Ingrid.
Em 2016, Zezita ganhou notoriedade no cenário nacional por sua interpretação na novela Velho Chico, de Benedito Ruy Barbosa. A atriz foi convidada por Luiz Fernando Carvalho para interpretar a mãe coragem Piedade dos Anjos. Na trama, ela é mãe do protagonista Santo e de Bento, interpretados por Domingos Montagner e Irandhir Santos, respectivamente. Curiosamente, Zezita já havia atuado no papel de mãe de Irandhir em quatros filmes antes da novela. Ela conta que fazer novelas não estava em seus planos, mas aceitou o convite do diretor Luiz Fernando por conta de seus trabalhos como cineasta. Também em 2016, esteve no elenco da grande produção Reza a Lenda, atuando com Cauã Reymond, Sophie Charlotte e Luísa Arraes.
Em julho de 2018, a atriz tomou posse como presidente da Academia Paraibana de Cinema (APC). Zezita tornou-se primeira mulher a assumir a presidência da APC, tendo o professor e cineasta João de Lima como vice-presidente.
Em 2018 volta à televisão em uma participação especial na série Onde Nascem os Fortes, também dirigida por Luiz Fernando Carvalho. Também em 2018, foi convidada por Allan Deberton para gravar o premiado Pacarrete. No filme, ela divide tela com Marcélia Cartaxo, Soia Lira e João Miguel. Interpretando a irmã da protagonista Pacarrete, Chiquinha, Zezita foi bastante elogiada pela crítica. Por esse trabalho, ela recebeu sua primeira indicação da Academia Brasileira de Cinema ao Grande Otelo, na categoria Melhor Atriz Coadjuvante. O trabalho no filme também rendeu sua primeira vitória e segunda indicação ao Prêmio Guarani de Melhor Atriz Coadjuvante em 2021.
Em 2021, estreia o filme Acqua Movie, onde Zezita atua ao lado de Augusto Madeira, Marcélia Cartaxo e Alessandra Negrini. No mesmo ano, esteve em Deserto Particular, filme representante do Brasil na disputa do Óscar de melhor filme estrangeiro. Por esse trabalho, ela se saiu vitoriosa no Cine PE, festival de cinema em Recife, como melhor atriz coadjuvante.
Filmografia
Televisão Ano Trabalho/Obra Personagem Notas 2025 Maria e o Cangaço Sertaneja 2022 O Segredo Delas Ela mesma Episódio: "Zezita Matos" 2020 Amor de Mãe Maria Izabel dos Santos 2018 Onde Nascem os Fortes Rosa Episódio: "22 de maio" 2016 Velho Chico Piedade dos Anjos 1984 Vereda Tropical Mulher que persegue Maria da Paz Participação
Cinema Ano Título Personagem Notas 2025 Outono em Gotham City Atriz do teste/Mulher na zumba Terra Devastada Graça Alegria do Amor Madre Aparecida Chibata Avó Curta-metragem O Armário de Gisélia Tia Gisélia2024 O Sertão Vai Vir ao Mar Maria José Umbilina e sua Grande Rival MorteOperação Borboleta Dona Leila 2023 O Alecrim e o Sonho Joana Eulália 2021 Currais Zezita Deserto Particular Tereza Acqua Movie Avó 2020 Não me esqueças, me ame para sempre Gegê Curta-metragemRemoinho Vó2019 Pacarrete Chiquinha Ambiente Familiar Rezadeira Marés Marli 2016 Reza a Lenda Deinha 2015 Olhos de Botão Curta-metragem A História da EternidadeDona das Dores 2013 Os Pobres Diabos Zezivalda 2012 Boa Sorte, Meu Amor Empregada 2011 Mãe e Filha Laura 2010 Olhos Azuis Dora Ferrolho Odete O Sonho de Inacim Mãe Aninha 2009 Azul 2007 Baixio das Bestas 2006 O Céu de Suely Zezita 2005 Cinema, Aspirinas e Urubus Mulher da Galinha 2001 A Canga Esposa Curta-metragem1965 Menino de Engenho
Teatro
Prima Dona Quebra-quilos As Velhas
Prêmios e indicações AnoPrêmioIndicaçãoTrabalhoResultadoref2010Festival de Curta-Metragem de PernambucoMelhor AtrizAzul2011Festival de Cinema no CearáMãe e FilhaFestCine GoiâniaFestCine Maracanau2012Prêmio Guarani de Cinema BrasileiroMelhor Atriz CoadjuvanteFestival Nacional de Curta Metragem de TaquaritingaMelhor AtrizHomenagem2014Festival Internacional de Cinema da FronteiraA História da EternidadeFestival Paulínia de Cinema2016Academia de Cordel do Vale do ParaíbaHonra ao Mérito CulturalHomenagem 2021 Festival Sesc Melhores Filmes Melhor Atriz Nacional Pacarrete Grande Prêmio do Cinema Brasileiro Melhor Atriz Coadjuvante Prêmio Guarani de Cinema Brasileiro Melhor Atriz Coadjuvante Cine PE - Festival do Audiovisual Melhor Atriz Coadjuvante Deserto Particular 2022 Prêmio Guarani de Cinema Brasileiro Melhor Atriz Coadjuvante Festival Sesc Melhores Filmes Melhor Atriz Nacional Currais
Ligações externas
Categoria:Naturais de Pilar (Paraíba) Categoria:Atrizes da Paraíba