Ten é o álbum de estreia da banda grunge americana Pearl Jam, lançado em 27 de agosto de 1991 através da Epic Records. Após a saída do baixista Jeff Ament e do guitarrista Stone Gossard de seu grupo anterior Mother Love Bone, os dois recrutaram o vocalista Eddie Vedder, o guitarrista Mike McCready e o baterista Dave Krusen para formar o Pearl Jam em 1990. A maioria de suas canções começaram como jams instrumentais, a que Vedder adiciona letras sobre temas como depressão, desabrigados e abuso.

Ten não foi um sucesso imediato, mas no final de 1992 ele tinha alcançado o 2º lugar na parada Billboard 200. O álbum produziu três singles de sucesso: "Alive", "Even Flow" e "Jeremy", além da canção "Black", que não foi um single, mas também teve sucesso. Enquanto o Pearl Jam foi acusado de saltar para o grunge na época, Ten foi fundamental na popularização do rock alternativo no mainstream.Pearlman, Nina. "Black Days". Guitar World. Dezembro de 2002. O álbum foi certificado treze vezes platina pela RIAA nos Estados Unidos, e vendeu mais de 20 milhões de cópias em todo o mundo. É o álbum mais bem sucedido do Pearl Jam.

Antecedentes O guitarrista Stone Gossard e o baixista Jeff Ament tocavam juntos em uma banda pioneira do grunge, chamada Green River. Depois da separação do Green River em 1987, Ament e Gossard tocaram juntos na banda Mother Love Bone, no final dos anos 1980. A carreira do Mother Love Bone foi marcada pela morte do vocalista Andrew Wood em 1990, causada por overdose, pouco antes do lançamento do seu álbum de estreia, Apple. Devido a isto, Gossard e Ament levaram meses para voltarem a querer tocar juntos. Gossard passou a escrever o material que foi mais pesado do que ele vinha fazendo anteriormente. Depois de alguns meses, Gossard começou a praticar com o guitarrista de Seattle, Mike McCready, que tinha acabado de sair da banda Shadow; McCready foi quem encorajou Gossard a voltar a tocar com Ament. Os três então entraram no estúdio em sessões separadas com o baterista do Soundgarden, Matt Cameron, e com o ex-baterista do Shadow, Chris Friel, para gravar algumas demos instrumentais.Greene, Jo-Ann. "Intrigue and Incest: Pearl Jam and the Secret History of Seattle (Part 2)". Goldmine. 20-08-1993. Cinco das canções gravadas - "Dollar Short", "Agytian Crave", "Footsteps", "Richard's E" e "E Ballad" - foram compiladas em uma fita cassete chamada Stone Gossard Demos '91 que utilizaram na esperança de encontrar um vocalista e um baterista para o trio.

O músico de San Diego, Eddie Vedder, adquiriu uma cópia desta demo em setembro de 1990, quando lhe foi dada pelo ex-baterista do Red Hot Chili Peppers, Jack Irons. Vedder ouviu a demo, foi surfar, e escreveu a letra no dia seguinte para "Dollar Short", "Agytian Crave" e "Footsteps". "Dollar Short" e "Agytian Crave" foram mais tarde renomeadas como "Alive" e "Once", respectivamente. Gossard e Ament escutaram a demo com a letra e a voz de Vedder, e foram com Vedder para Seattle para uma audição. Enquanto isso, Vedder havia escrito a letra para "E Ballad", renomeada "Black". O vocalista chegou dia 13 de outubro de 1990 e ensaiou com o resto do grupo (agora com Dave Krusen na bateria) durante uma semana, escrevendo onze canções no processo. Pouco depois contrataram Vedder como vocalista e assinaram um contrato com a Epic Records logo em seguida.

Desenvolvimento e gravação A banda, então nomeada Mookie Blaylock, entrou no London Bridge Studio em Seattle, Washington, em março de 1991 com o produtor Rick Parashar para gravar seu álbum de estreia. Algumas faixas foram anteriormente gravadas no London Bridge em janeiro, mas somente "Alive" foi realizada ao longo dessa sessão. As sessões do álbum foram rápidas e duraram apenas um mês, principalmente devido a banda já ter escrito a maioria do material para a gravação. "Porch", "Deep", "Why Go" e "Garden" foram as primeiras a serem gravadas durante as sessões do álbum, tudo o que havia sido previamente gravado durante as sessões da demo em algum ponto. McCready disse que "Ten foi principalmente Stone e Jeff; eu e Eddie estávamos de acompanhantes naquele momento".Weisbard, Eric, et al. "Ten Past Ten". Spin. Agosto de 2001. Ament declarou, "Nós sabíamos que estávamos ainda muito longe de ser uma banda de verdade nesse ponto".Coryat, Karl. "Godfather of the 'G' Word". Bass Player magazine. Abril de 1994.

As sessões de gravação de Ten foram completadas em maio de 1991. Krusen saiu da banda logo que as sessões foram concluídas, entrando na reabilitação. De acordo com Krusen, ele estava sofrendo de problemas pessoais na época. Krusen disse, "Foi uma grande experiência. Senti desde o início dessa banda que era algo especial", e acrescentou, "Eles tiveram que me deixar ir. Eu não conseguia parar de beber, e isso estava causando problemas. Eles me deram muitas chances, mas eu não poderia tê-las".Acrylic, Kim. "Interview with Dave Krusen of The Kings Royal". Punk Globe. Janeiro de 2009. A banda juntou Tim Palmer em junho, na Inglaterra, para a mixagem. Palmer decidiu mixar o álbum no Ridge Farm Studios, em Dorking, uma fazenda transformada, que de acordo com Palmer, era "tão longe de um estúdio de Los Angeles ou Nova York, que se podia ter". Palmer fez algumas adições às canções já gravadas, tendo incluído McCready terminando o solo de guitarra em "Alive" e aprimorando a introdução de "Black". Palmer fez um overdub com um saleiro e um extintor como percussão na faixa "Oceans".

Anos mais tarde, os membros do Pearl Jam manifestaram descontentamento com a maneira de mixagem no álbum. Em 2001, Ament disse: "Adoraria remixar Ten. Ed, certamente, estaria de acordo comigo…Não tem nada a ver com a mudança de nossas apresentações, basta tirar um pouco da reverb". Em 2002, Gossard disse: "Éramos muito novos no estúdio e passamos muito tempo gravando, fazendo tomadas diferentes, matando vibrações e overdubbing tons de guitarra. Tem muito reverb no álbum"."Interview with Stone Gossard and Mike McCready". Total Guitar. Novembro de 2002. Em 2006, Vedder disse: "Posso escutar as gravações anteriores [exceto] a primeira… é apenas o som da gravação. Era uma espécie de mistura de uma forma que foi… era uma espécie de produção".Hiatt, Brian. "Eddie Vedder's Embarrassing Tale: Naked in Public" Rolling Stone. 20-06-2006. Visitada em 28-04-2008.

Composição thumb|200px|O vocalista Eddie Vedder escreveu todas as letras de Ten. Muitas das canções em Ten começaram como composições instrumentais que Vedder depois acrescentou as letras após sua entrada para a banda. Quanto as letras, Vedder disse, "Tudo que eu realmente acredito é neste momento, como agora. E isso, na verdade, é o que todo o álbum fala".Neely, Kim. "Right Here, Right Now: The Seattle Rock Band Pearl Jam Learns How to Celebrate Life". Rolling Stone. 31-10-1991. As letras de Vedder para Ten lidam com temas como depressão, suicídio, solidão e morte. O álbum também aborda questões sociais como a falta de moradia ("Even Flow")Clay, Jennifer. "Life After Love Bone". RIP. Dezembro de 1991. e o uso de hospitais psiquiátricos ("Why Go").Vedder, Eddie. "Interview with David Sadoff" KLOL FM, Houston, Texas. Dezembro de 1991. Visitada em 28-05-2008. A canção "Jeremy" e o seu vídeo foram inspirados em uma história real em que um estudante do ensino médio atira em si mesmo na frente de seus colegas.Miller, Bobbi. "Richardson Teen-ager Kills Himself in Front of Classmates". The Dallas Morning News. 08-01-1991.Black, Johnny. "The Greatest Songs Ever! Jeremy" . Blender. Setembro de 2002. Visitada em 29-04-2008.

Muitos ouvintes interpretaram "Alive" como um hino inspirador devido à sua instrumental e coro. Vedder, desde então, revelou que a canção narra o conto semi-biográfico de um filho, descobrindo que seu pai é na verdade seu padrasto (o seu verdadeiro pai ter morrido há muito tempo), enquanto a tristeza de sua mãe transforma-a em abraçar sexualmente seu filho, que se parece muito com o pai biológico. "Alive" e "Once" partem de um ciclo de canções em que Vedder depois descreveu como uma "mini-ópera" intitulada Mamasan (a terceira canção, "Footsteps", apareceu como uma B-side no single "Jeremy"). Vedder explicou que a letra conta a história de um jovem cujo pai morre ("Alive"), causando-lhe para ir em uma matança ("Once") que leva à sua captura e execução ("Footsteps"). Mais tarde foi revelado que as letras de Vedder foram inspiradas por sua longa e guardada dor na descoberta aos 17 anos que o homem que ele pensava ser seu pai não era, e que seu verdadeiro pai já tinha morrido.

Embora Ten lide com temas sombrios, ele se tornou um dos destaques do rock alternativo dos anos 1990, por causa da voz de Vedder, extraordinariamente profunda e forte (e mais tarde muito imitada) alternando entre solidez e vibrato contra o desenfreado, a guitarra pesada, o som hard rock com influências de Led Zeppelin e outras bandas de rock dos anos 1970. O estilo musical de Ten, influenciado pelo rock clássico, combina um "vocabulário harmônico expansivo" com um som de hino. Stephen Thomas Erlewine do Allmusic declarou que as canções do álbum fundem "o riff-pesado do rock de estádio dos anos 70 com a coragem e a raiva do pós-punk dos anos 80, sem nunca deixar de lado os ganchos e os coros."Erlewine, Stephen Thomas. [ "Pearl Jam > Biography"]. Allmusic. Visitada em 22-06-2007.

Ten apresenta uma faixa em duas partes intitulada "Master/Slave" que tanto abre e fecha o álbum. A primeira parte começa o álbum, antes de "Once" começar, e a segunda parte fecha o álbum, após "Release". Inicia-se cerca de dez segundos depois da última faixa do álbum, "Release", como uma faixa oculta, mas ambas contam como uma faixa no CD. A canção é inteiramente instrumental (por exceção de palavras ininteligíveis aleatórias que Vedder murmura) com uma linha dominante de baixo, juntamente com alguns sons de guitarra e de bateria confusos. O produtor Rick Parashar afirmou em 2002: "Pelo que me lembro, acho que Jeff tinha uma linha de baixo…Eu ouvi a linha de baixo e depois começamos a colaborar na sala de controle, e então eu comecei a programar no teclado todo este material; ele improvisava por cima e simplesmente saiu assim."

Canções retiradas Os singles do álbum apresentaram duas B-sides das sessões de gravação de Ten que não foram incluídas no álbum, "Wash" e "Yellow Ledbetter". A primeira foi uma B-side no single de "Alive" enquanto a última foi apresentada no single de "Jeremy" e eventualmente se tornou um sucesso de rádio em 1994. Ambas as canções foram incluídas na coleção de raridades Lost Dogs de 2003, embora a versão incluída de "Wash" seja uma tomada alternativa. A canção "Alone" também foi originalmente gravada para Ten; uma versão regravada de 1992 da canção está no single de "Go". Outra versão de "Alone", com vocais regravados, aparece em Lost Dogs.Cohen, Jonathan. "The Pearl Jam Q & A: Lost Dogs". Billboard. 2003. Visitada em 09-05-2008. De acordo com McCready, "Alone" foi cortada de Ten porque a banda já tinha canções de meio tempo suficientes para o álbum. A canção "Dirty Frank," que foi lançada como uma B-side no single "Even Flow" e muitas vezes pensada ser deixada de Ten, foi gravada depois que Ten foi lançado. Assim, "Dirty Frank" não é das sessões de gravação de Ten.

A canção "Footsteps" começou como uma demo instrumental e foi compilada para a fita Stone Gossard Demos '91. Vedder adicionou vocais para esta versão depois que recebeu a fita demo. A música de "Footsteps" também foi usada para a canção "Times of Trouble" do Temple of the Dog. "Footsteps" foi apresentada como uma B-side no singe de "Jeremy", no entanto, esta versão é tirada de uma aparição de 1992 no programa de rádio Rockline."Pearl Jam: 1992 Concert Chronology". FiveHorizons.com. Visitada em 30-04-2008. Essa versão de "Footsteps" é também vista em Lost Dogs, embora uma introdução de gaita tenha sido sobreposta sobre a gravação.