Polifonia, em música, é uma técnica compositiva que produz uma textura sonora específica, em que duas ou mais vozes se desenvolvem preservando um caráter melódico e rítmico, em contraste privada à monofonia, onde só uma voz existe ou, se há outras, seguem a principal em uníssono ou à distância de oitava(s), ou apenas tecem floreios em torno da principal; à monodia, onde uma voz melódica é acompanhada ou não de acordes sem caráter melódico próprio,Ocasionalmente monodia e monofonia são usados como sinônimos e à homofonia e ao contraponto, onde as várias vozes se movem com ritmo idêntico ou muito semelhante de modo a formar acordes nítidos, podendo elas ou não ter um caráter melódico próprio e pronunciado.Griffiths, Paul. The Penguin Companion to Classical Music. (2005). ISBN 0-14-051559-3.Randel, Don Michael. The Harvard Concise Dictionary of Music and Musicians. (2002). A palavra vem do grego e significa várias vozes.
No contexto da música erudita do ocidente, polifonia usualmente se refere à música composta na Idade Média tardia e no Renascimento, quando era a técnica de composição mais usual, mas formas barrocas como a fuga também são claramente polifônicas. Num sentido estrito, significando simplesmente várias vozes, a polifonia também engloba a homofonia e o contraponto.
Desde o princípio dos tempos a música é feita de maneira homofônica, ou seja, uma melodia única, linear, com somente acompanhamento rítmico. Na Europa medieval, a monodia prevaleceu com o Cantus Firmus e o Canto Gregoriano. No século X iniciou-se a prática de escrever música para vozes em intervalos de oitavas e quintas. Este processo se desenvolveu e teve seu apogeu no século XV, onde a técnica do contraponto era altamente difundida. Tem-se por contraponto a técnica de contrapor melodias, ou seja, cantar melodias diferentes ao mesmo tempo.
Este procedimento criou uma resultante musical nova, que era a verticalidade musical, ou seja, notas sobrepostas, soando ao mesmo tempo. Com o temperamento esta nova técnica musical resultou na harmonia.
Polifonia na linguagem Na linguística, polifonia refere-se à coexistência de múltiplas vozes (ou “locutores”) dentro de um mesmo enunciado, conforme discutido por teóricos como Oswald Ducrot. Segundo essa perspectiva, um enunciado não é apenas a expressão de um único falante, mas pode projetar diferentes pontos de vista, criando uma estrutura argumentativa complexa. RODRIGUES, Simone Ramos Silveira; AZEVEDO, Gioconda Maria Medeiros. “Diante do exposto, julgo: An Analysis of the Polyphony of Speakers in a First Instance Criminal Sentence under Ducrot’s Framework”. Cadernos de Linguística, v. 6, n. 5, 2025, p. e805. DOI: 10.25189/2675-4916.2025.v6.n5.id805.
Estudos aplicando essa teoria a textos institucionais — por exemplo, sentenças judiciais — mostram que mesmo gêneros muito formais podem ser polifônicos. No caso de decisões judiciais, a voz do juiz incorpora ou dialoga com vozes de outras partes (Ministério Público, defesa, testemunhas, réu), usando recursos linguísticos como verbos dicendi (“dizer”, “alegar”), aspas, operadores argumentativos e alternância entre discurso direto e indireto. RODRIGUES; AZEVEDO, 2025.
Essas marcas evidenciam como a polifonia orienta a argumentação: o enunciado final (como a decisão de um juiz) não surge apenas de sua voz, mas da articulação, hierarquização e resposta a outras vozes.
História As primeiras obras polifônicas surgem na alta Idade Média, ainda no ambiente profano, sob a forma de cânones. A prova mais antiga existente de uma tentativa para estabelecer regras na polifonia primitiva da música ocidental se encontra em um método publicado no Século IX com o título em Latim, Musica enchiriadis.Grout, Donald J.& Claude V. Palisca, History of the Western Music, W. W. Norton & Company, Londres: História da Música Ocidental, pag.98, 4º edição, Gradiva, Janeiro 2007. A música religiosa desenvolve o estilo a partir dos organum. A maioria das músicas desse período até o início do barroco serão predominantemente polifônicas. No século XX, a polifonia ainda alcançará um grande destaque com a técnica dodecafônica criada por Arnold Schoenberg, onde ela volta a assumir um aspecto linear como os contrapontos renascentistas, em oposição à harmonia movimentada, também chamada de contraponto, vigente no século XIX.
Cronologia Século IX - primeiras formas polifônicas em que se tem o registro (organum). "Musica enchiriadis" é publicado. Século XII - auge da composição de organa. Século XIV - formas polifônicas da Ars Nova. Séculos XV e XVI - contraponto renascentista. Século XVII - contraponto barroco. Século XIX - contraponto no estilo de Albrechtsberger (harmonia movimentada). Século XX - contraponto dodecafônico de Schoenberg.
Ver também Canto gregoriano o gênero precursor no uso da polifonia---a monodia (música) Organum - as primeiras formas polifônicas Fuga - gênero musical da música barroca com vasto uso de polifonia Invenção (música) outro gênero musical da música barroca com vasto uso de polifonia
Categoria:Textura (música) Categoria:Harmonia (música)