Michael James Owen (Chester, 14 de dezembro de 1979) é um ex-futebolista inglês que atuava como atacante.
Revelado nas categorias de base do Liverpool, ganhou destaque mundial na Copa do Mundo FIFA de 1998, após marcar um gol memorável num jogo contra a Argentina nas oitavas de final. Depois disso ajudou o Liverpool a reconquistar, cada vez mais, notoriedade no cenário do futebol internacional ganhando a Copa da UEFA de 2000–01 e conseguindo bons resultados na Premier League. Ele também ganhou a Bola de Ouro de 2001. Na Copa do Mundo FIFA de 2002, Owen também se destacou mas não conseguiu evitar a eliminação da Inglaterra nas quartas de final contra o Brasil.
Em 2004 foi contratado pelo Real Madrid, mas não conseguiu se firmar na equipe dos Galácticos, voltando ao seu país natal para jogar no Newcastle United em 2005. Quatro anos depois, o atacante foi uma das contratações do Manchester United na busca de suprir a ausência de Cristiano Ronaldo, que ironicamente havia sido contratado pelo Real Madrid.
Infância e juventude Michael Owen é filho de Janette e Terry Owen. Ele tem dois irmãos mais velhos, Andrew e Terry Junior, uma irmã mais velha, Karen, e uma irmã mais nova, Lesley. Ele é de ascendência escocesa e galesa.
O pai de Michael, Terry, já havia jogado anteriormente pelo Everton, e Michael frequentemente jogava futebol com seu pai e seus irmãos. Como um torcedor do Everton, ele insistia que era Gary Lineker sempre em que a família jogava.
Quando Michael tinha somente sete anos, Terry persuadiu o treinador de Mold Alexandra a deixá-lo em seu time de garotos de dez anos. Michael era um pouco mais novo que a maioria, e muito menor, mas ele foi logo mostrando sua habilidade e começou jogando na maioria das partidas, o que o tornou conhecido como a 'arma secreta' do time. No ensino fundamental, ele também jogou pela sua escola em Hawarden, Gales, quebrando todos os recordes locais envolvendo gols em sua primeira temporada.
Em seu segundo grau em Hawarden High School, Michael Owen também jogou pelo time escolar.
Seus recordes e sua habilidade atraíram muita atenção dos times de ponta ingleses, mas como ainda era um estudante "júnior", a escola tinha a palavra final e havia uma política de não autorizar pupilos assinarem contratos enquanto muito novos.
Carreira Liverpool Com 12 anos, Michael Owen ingressou na escola local, Hawarden High. Ele poderia agora acertar os termos de School Boy (garoto da escola/escolar) com algum clube, e teve conversações com Chelsea, Manchester United e Arsenal. Ele eventualmente assinou com o Liverpool, e foi o clube quem o persuadiu a cursar a Escola da FA de Excelência em Lilleshall, Shropshire com 14 anos. Nessa época, ele estudava na Idsall School, em Shifnal, Shropshire, e havia conquistado dez GCSE's (General Certificate of Secondary Education).
O Liverpool contratou Owen após ele se graduar em Lilleshall com 16 anos, e ele ingressou no clube no esquema de treinamento para jovens. Com a ajuda de Owen, o time de juniores do Liverpool ganhou a Copa da Inglaterra de Juniores em 1996. Depois de quatro meses, Michael assinou um contrato profissional com o clube mesmo tendo apenas 17 anos recém completados.
Michael Owen fez a sua estreia pelo Liverpool contra o Wimbledon em maio de 1997, entrando como substituto e marcando um gol. Com uma lesão de Robbie Fowler, ele foi posto imediatamente em ação como titular ao lado de jogadores como Paul Ince e Steve McManaman durante a temporada 1997–98. Owen terminou o torneio como artilheiro da Premier League, marcando dezoito gols (igual a Chris Sutton e Dion Dublin), e foi eleito como o jogador jovem do ano pela PFA.
Na Copa do Mundo FIFA de 1998, Michael Owen foi a estrela da Inglaterra e se tornou conhecido no mundo inteiro. Seu gol contra a Argentina surpreendeu o planeta, e é considerado por muitos um dos gols mais espetaculares da Inglaterra em Copas.
Nas eliminatórias para a Euro 2000, Owen estava sofrendo de distensão muscular e foi tratado pelo médico Hans Muller-Wolfhart, do Bayern de Munique.
Michael continuou a ser um goleador consistente pelo Liverpool, e em 2001, ajudou o clube a conquistar a mais gloriosa temporada em vários anos. O time ganhou a Copa da Liga, a Copa da Inglaterra e a Copa da UEFA, com Owen marcando dois gols nos últimos minutos contra o Arsenal na final da Copa da Inglaterra, para transformar o resultado completamente, e o que aparentava terminar por 1 a 0 foi uma virada de 2 a 1. Surpreendentemente, Owen não marcou na incrível vitória de 5 a 4 sobre o Alavés na final da Copa da UEFA, e foi substituído no decorrer da partida.
Devido às vitórias na Copa da Inglaterra e na Copa da UEFA, o Liverpool disputou a Supercopa da Inglaterra e a Supercopa da UEFA no início da temporada 2001–02. Os Reds ganharam ambas as partidas e, como de costume, Michael Owen não passou em branco e marcou gols nas duas partidas, sendo o segundo gol contra o Manchester United para finalizar o placar pela Supercopa da Inglaterra, e o terceiro gol na vitória de 3 a 2 sobre o Bayern de Munique. Essas vitórias fizeram do Liverpool o primeiro clube inglês a ganhar cinco títulos em uma temporada.
Uma semana depois, Owen e seus companheiros de Liverpool se encontrariam novamente com o goleiro Oliver Kahn, do Bayern, na vitória histórica inglesa de 5 a 1 sobre a Seleção Alemã na qual Michael Owen marcou três gols (hat-trick). Como o jogo foi em Munique, foi somente a segunda vez em que os alemães foram batidos jogando em casa em alguma Eliminatória para a Copa do Mundo FIFA.
No final do ano, Owen se tornou o primeiro jogador britânico em 20 anos a conquistar o prêmio de Jogador Europeu do Ano (mais conhecido como Ballon d'Or), superando craques como Francesco Totti.
Graças às contínuas campanhas fracas do Liverpool na Premier League e na Liga dos Campeões da UEFA, e à sua ambição de algum dia jogar Europa afora, Owen foi frequentemente ligado à transferências para outros clubes. Por 8 milhões de libras, teve sua contratação oficializada pelo Real Madrid no dia 13 de agosto de 2004, com a saída do meio-campista Antonio Nuñez para o clube inglês para fazer peso na transferência.
O Liverpool não teve escolha e só restou ao time aceitar a oferta, devido ao fato de que Owen só tinha mais onze meses de contrato antes dele poder assinar gratuitamente com outro clube (o que havia acontecido anteriormente quando o clube perdeu Steve McManaman em uma maneira similar). Apesar de Owen ter esclarecido que não deixaria o clube em uso da Lei Bosman, o fato do atacante não ter assinado um novo contrato com o Liverpool, que o propôs por 14 meses deixou um claro sinal aos fãs de sua intenção. Ainda assim, mesmo sendo uma das revelações mais bem-sucedidas da academia de jovens do clube em que serviu de maneira honrosa durante anos, a maneira como saiu ainda machuca torcedores que o acusam de ter forçado o clube a vendê-lo.
Real Madrid No dia 14 de agosto de 2004, Owen foi apresentado oficialmente no Estádio Santiago Bernabéu pelo presidente Florentino Pérez. Ao receber a camisa 11 das mãos de Alfredo Di Stéfano, ídolo do clube, o atacante afirmou:
miniatura|170px|Owen treinando em 2005 pelo time de Madrid
O inglês teve um início lento em sua carreira madridista, muito por conta da forte concorrência no ataque da equipe, que já contava com Raúl e Ronaldo como titulares. Além disso, Owen teve que aturar críticas de fãs e da imprensa espanhola devido à sua falta de condição física adequada, sendo regularmente confinado no banco de reservas durante as partidas. Entretanto, um excelente retorno à convocação com a Seleção Inglesa em outubro de 2004 acabara por reviver a sua moral, e no retorno para o time de Madrid, Owen marcou seu primeiro gol com seu novo clube, dando a vitória para o time contra o Dínamo de Kiev pela Liga dos Campeões da UEFA, num resultado de 1 a 0 na fase de grupos da competição. Owen rapidamente acharia de novo o caminho das redes com o seu primeiro gol na La Liga, novamente dando a vitória por 1 a 0, desta vez contra o Valencia. Também marcou mais três gols nos quatro jogos seguintes, o que culminou em uma série de cinco gols em sete partidas. Ele terminou a temporada com um respeitável número de 13 gols no Campeonato Espanhol (a maior média de gols marcados considerando o número de minutos jogados), e o Real Madrid finalizou com a segunda colocação no campeonato, atrás do seu rival Barcelona.
Em agosto de 2005, surgiram especulações de que Owen em breve deixaria o Real Madrid para voltar à sua terra natal e assegurar a posição de principal atacante da Seleção Inglesa. Outros acontecimentos que aumentaram as especulações foram as contratações por parte do Real Madrid de dois jogadores brasileiros: o atacante Robinho e o meia Júlio Baptista. Durante seu tempo no clube merengue, Michael Owen marcou em uma importante vitória de 4 a 2 sobre o poderoso rival Barcelona. Ironicamente, no final dessa temporada o Liverpool viria a se sagrar campeão da Liga dos Campeões, derrotando o Milan na final.
No dia 30 de agosto de 2005, o Newcastle, clube do lendário centroavante Alan Shearer, anunciou que havia acertado com o clube de Madrid a transferência de Michael Owen por uma verba recorde de 16 milhões de libras, apesar de eles ainda terem que negociar com o empresário do jogador. O Everton e seu arquirrival Liverpool entraram na disputa por Owen, mas ambos não conseguiram satisfazer o valor proposto pelo Real Madrid. Há um ano da Copa do Mundo, Owen decidiu reforçar os Magpies.
Newcastle United Em 31 de agosto de 2005, Owen finalmente assinou um contrato de quatro anos para jogar pelo Newcastle United, desmentindo as especulações iniciais de que ele retornaria ao Liverpool. 20 mil torcedores estavam presentes no St. James' Park, estádio do Newcastle, para a apresentação oficial do atacante. Ele marcou seu primeiro gol pelo clube em sua segunda partida, o segundo da vitória de 3 a 0 sobre o Blackburn no dia 18 de setembro – a primeira vitória do Newcastle na temporada. Owen marcou seu primeiro hat-trick pelo seu novo time em uma vitória de 4 a 2 contra o West Ham, em 17 de dezembro. Esse tipo de hat-trick é considerado perfeito, pois significa que ele marcou de pé esquerdo, pé direito e de cabeça.
miniatura|Owen durante um treino do Newcastle em 2007
Michael Owen, porém, conviveu com muitas lesões sérias desde que chegou ao Newcastle. No dia 31 de dezembro de 2005, ele quebrou o osso do metatarso no seu pé em uma partida contra o Tottenham. Owen passou por uma cirurgia bem-sucedida para pôr um pino no osso com a finalidade de ajudar a agilizar o processo de recuperação. O esperado era de que ele estivesse pronto até o final de março, mas seu processo de recuperação não correu como o esperado e no dia 24 de março, Michael passou por uma segunda operação. Owen então se preparou para estar pronto até as semanas finais da temporada com o Newcastle. Seu retorno aos campos finalmente veio contra o Birmingham no dia 29 de abril, quando ele saiu do banco de reservas aos 62 minutos de jogo. Após a partida, Owen comentou que não estava "100% feliz" com seu pé. Ele passou por um raio X e ficou indisponível para a última partida do Newcastle na temporada.