A gente Quíncia () foi uma gente patrícia da Roma Antiga. Por toda a história da República Romana, seus membros ocuparam posições de destaque na magistratura e produziram alguns importantes oficiais durante o período imperial. Nos primeiros quarenta anos posteriores à expulsão dos reis os Quíncios não foram mencionados e o primeiro da gente obter o consulado foi Tito Quíncio Capitolino Barbato, em 471 a.C.. A partir daí, os Quíncios foram uma constante nos FastosSmith, QuinctiiLívio, Ab Urbe Condita I.30.Barthold Georg Niebuhr, History of Rome, ii. 291, 292..

Assim como foi o caso em outras famílias patrícias, no final do período republicano surgiram Quíncios plebeus. Alguns deles podem ter sido descendentes de libertos da gente ou Quíncios patrícios que voluntariamente se tornaram plebeus. É possível ainda que tenha existido pessoas não relacionadas à gente Quíncia que compartilharam do mesmo nome.

Segundo Plínio, o Velho, os Quíncios, inclusive as mulheres, não vestiam ornamentos de ouroPlínio, História Natural XXXIII 1. s. 6..

Origem A gente Quíncia era uma das casas patrícias de Alba Longa que foram forçadas a se mudar para Roma pelo rei Tulo Hostílio e listada por ele entre os patrícios. Por isso, era uma das chamadas "minores gentes". O nome "Quinctius" é um sobrenome patronímico baseado no prenome "Quintus", que deve ter sido utilizado por um ancestral da gente. A forma "Quintius" é comum em épocas tardias, mas "Quinctius" é a forma mais antiga e correta, presente em moedas e nos Fastos CapitolinosGeorge Davis Chase, "The Origin of Roman Praenomina", in Harvard Studies in Classical Philology, vol. VIII (1897)..

Prenomes Os principais prenomes utilizados pelos Quíncios foram Lúcio e Tito. A família utilizou ainda os nomes Cesão, Caio, Cneu e Quinto. Outros prenomes foram utilizados pelos Quíncios plebeus.

Ramos e cognomes As três grandes famílias patrícias da gente Quíncia utilizavam os cognomes "Capitolino", "Cincinato" e "Flaminino". Além destes, são conhecidos Quíncios com os sobrenomes "Ata", "Claudo", "Crispino", "Hirpino", "Escápula" e "Trogo". Uns poucos membros da gente não tinham cognome. O único que aparece em moedas é o de "Crispino Sulpiciano", da época de AugustoJoseph Hilarius Eckhel, Doctrina Numorum Veterum, v. 291..

Os mais antigos ramos da gente, os Capitolinos e os Cincinatos, podem ter se originado a partir de dois irmãos, Tito Quíncio Capitolino Barbato, cônsul por seis vezes, e Lúcio Quíncio Cincinato, ditador duas vezes, dois dos maiores romanos de sua época. Os Fastos revelam que os dois eram filhos e netos de um Lúcio e sabe-se que os dois se conheciamT. Robert S. Broughton, The Magistrates of the Roman Republic (1952)..

O cognome "Capitolino" é derivado do monte Capitolino, uma das sete colinas de Roma. O agnome "Barbato" utilizado por esta família significa "barbado". O cognome "Cincinato" refere-se a uma pessoa com o cabelo fino e encaracolado, um significado similar ao agnome "Crispino", utilizado pelos últimos Capitolinos. Uns poucos Quíncios tinham os dois cognomes, "Cincinato" e "Capitolino", e membros de ambas as famílias utilizaram o cognome "Peno" (). Segundo Isidoro, este cognome significava "afiado": "pennum antiqui acutum dicebant". É possível também que seja um derivado de "penna" ("pena" ou "asa")D.P. Simpson, Cassell's Latin & English Dictionary (1963).Isidoro de Sevilha, Origines xix. 19..

O sobrenome "Flaminino" é provavelmente derivado de "flamen" ("flâmine"), que também está ligado à gente Flamínia. É possível que o significado esteja relacionado a um ancestral que fora flâmine ou, talvez, o servo de um flâmine. Esta família aparece pela primeira vez durante a Segunda Guerra Púnica e foi particularmente proeminente no século seguinte.

Membros Quíncios Capitolinos Tito Quíncio Capitolino Barbato, cônsul em 471, 468, 465, 446, 443 e 439 a.C.. Tito Quíncio Capitolino Barbato, cônsul em 421 a.C.Lívio, Ab Urbe Condita, iv. 43.. Tito Quíncio Capitolino Barbato, tribuno consular em 405 a.C.Lívio, Ab Urbe Condita, iv. 61.Zonaras, Epitome Historiarum, vii. 20.. Tito Quíncio Capitolino, tribuno consular em 385 a.C. e mestre da cavalaria em no mesmo ano para o ditador Aulo Cornélio CossoLívio, Ab Urbe Condita, vi. 11.. Tito Quíncio Peno Capitolino Crispino, ditador em 361 a.C. e cônsul em 354 e 351 a.C.. Cneu Quíncio Capitolino, ditador clavi figendi causa em 331 a.C.Fasti CapitoliniLívio, Ab Urbe Condita, viii. 18.. Tito Quíncio Peno Capitolino Crispino, cônsul em 208 a.C., com Marco Cláudio Marcelo, durante a Segunda Guerra Púnica; ferido perto de Taranto, morreu perto do final do ano. Tito Quíncio (Peno Capitolino) Crispino Sulpiciano, cônsul em 9 a.C.Fasti Capitolini..

Quíncios Cincinatos Lúcio Quíncio Cincinato, cônsul em 460 a.C. e ditador em 458 e 439 a.C.. Cesão Quíncio Cincinato, filho do ditador, morreu no exílio. Lúcio Quíncio Cincinato, tribuno consular em 438, 425 e 420 a.C. e mestre da cavalaria em 437 a.C.Lívio, Ab Urbe Condita, iv. 16, 17, 35, 44.Diodoro Sículo, Bibliotheca Historica, xii. 38, xii. 81.. Tito Quíncio Cincinato Peno, cônsul em 431 e 428 a.C. e tribuno consular em 426 a.C.. Quinto Quíncio Cincinato, tribuno consular em 415 e 405 a.C.Lívio, Ab Urbe Condita, iv. 49, 61.Diodoro Sículo, Bibliotheca Historica, xiii. 34, xiv. 17.. Tito Quíncio Cincinato Capitolino, tribuno consular em 388 e 384 a.C. e ditador em 380 a.C.. Lúcio Quíncio Cincinato, tribuno consular em 386, 385 e 377 a.C.Lívio, Ab Urbe Condita, vi. 6, 32, 33.Diodoro Sículo, Bibliotheca Historica, xv. 25, 28, 61.. Caio Quíncio Cincinato, tribuno consular em 377 a.C.Lívio, Ab Urbe Condita, vi. 32.. Quinto Quíncio Cincinato, tribuno consular em 369 a.C.Lívio, Ab Urbe Condita, vi. 36.. Tito Quíncio Peno Cincinato Capitolino, tribuno consular em 368 a.C. e mestre da cavalaria em 367 a.C.Lívio, Ab Urbe Condita, vi. 38, 42.Diodoro Sículo, Bibliotheca Historica, xv. 78..

Quíncios Claudos Cesão Quíncio Claudo, cônsul em 271 a.C.Cassiodoro, Chronica, 354..

Quíncios Flamininos Cesão Quíncio Flaminino, um dos duúnviros responsáveis pela construção do Templo da Concórdia em 216 a.C.Lívio, Ab Urbe Condita, xxii. 33.. Lúcio Quíncio Flaminino, criado áugure em 212 a.C.Lívio, Ab Urbe Condita, xxv. 2.. Lúcio Quíncio Flaminino, um general sob o comando de seu irmão, Tito, na Segunda Guerra Macedônica contra Filipe V e cônsul em 192 a.C.. Tito Quíncio Flaminino, cônsul em 198 a.C. e censor em 189 a.C.; derrotou Filipe V da Macedônia na Batalha de Cinoscéfalos. Caio Quíncio Flaminino, pretor peregrino em 177 a.C.Lívio, Ab Urbe Condita, xli. 12.. Tito Quíncio Flaminino, embaixador na corte de Cótis, rei da Trácia, em 167 a.C.; criado áugure no mesmo anoLívio, Ab Urbe Condita, xli. 43, xlv. 42, 44.. Tito Quíncio Flaminino, cônsul em 150 a.C.Cícero, Cato Maior de Senectute, 5, Epistulae ad Atticum, xii. 5.Plínio, História Natural vii. 36.. Tito Quíncio Flaminino, cônsul em 123 a.C..

Outros Décimo Quíncio, de nascimento obscuro, ganhou uma grande reputação militar; comandou a marinha romana em Taranto em 210 a.C. durante a Segunda Guerra Púnica e acabou morto na Batalha de Sapriporte no mesmo anoLívio, Ab Urbe Condita, xxvi. 39.. Tito Quíncio Trogo, acusado pelo questor Marco SérgioMarco Terêncio Varrão, De Lingua Latina libri XXV, vi. 90-92, ed. Müller.. Tito Quíncio Ata, um poeta cômico romano que morreu em 78 a.C.. Públio Quíncio, defendido por Cícero em sua primeira grande oração, Pro Quinctio, em 81 a.C.Cícero, Pro Quinctio.. Lúcio Quíncio, pretor em 67 a.C., adversário da constituição de Sula e rival de Lúculo. Tito Quíncio Escápula, aliado de Pompeu durante a Guerra Civil de César. Quíncio Hirpino, amigo do poeta HorácioHorácio, Carmina ii. 11, Epistulae, i. 16.. Tito Quíncio Crispino Sulpiciano, cônsul em 9 a.C. via Questia Públio Quíncio Escápula, mencionado por Plínio, o Velho, como uma pessoa a ter falecido de um mal súbitoPlínio, o Velho, História Natural, vii. 53, s. 54.. Caio Quíncio Ático, cônsul sufecto em 69.

Notas

Ligações externas

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