O Mosteiro de São Martinho de Tibães, localiza-se na freguesia de Mire de Tibães, município de Braga, distrito do mesmo nome, em Portugal. Foi até a extinção das ordens religiosas em Portugal, um mosteiro masculino beneditino, Casa-Mãe da congregação para Portugal e Brasil.Ficha na base de dados SIPA/DGPC

O conjunto, que engloba a Igreja de Tibães e o Cruzeiro de Tibães, foi classificado como Imóvel de Interesse Público em 1944. e Monumento nacional pelo decreto n.º 05/2024, de 30 de outubro. thumb|Mosteiro de Tibães: interior da igreja.

História O mosteiro terá sido fundado por São Martinho de Dume, no século VI, dedicado a São Martinho de Tours, perto de uma antiga vila romana denominada Palatini que serviu de palácio ao rei suevo Teodomiro que deu o seu nome a freguesia de Mire de TibãesJoseph-Maria Piel, "Os nomes germânicos na toponímia portuguesa".

O mosteiro foi reconstruído por D. Velasquides, em 1060, e seria de novo requalificado por D. Paio Guterres da Silva. Entre 1071 e 1078, é doado à Sé de Braga. Henrique de Borgonha, conde de Portucale e D. Teresa, em 1110, doam as terras adjacentes ao mosteiro, com uma área total superior a 700 ha, abarcando as atuais freguesias de Padim da Graça, Mire de Tibães, Parada de Tibães, Frossos, Panóias, Merelim São Paio e Merelim São Pedro, e outorgam-lhe a Carta de Couto com os privilégios associados de exoneração de impostos, e o direito de exercer a sua própria justiça. Transformando assim o mosteiro num latifúndio, com direitos senhoriais.O mosteiro de Tibães e a reforma dos beneditinos portugueses no século XVI, Geraldo J. A. Coelho Dias

D. Afonso Henriques faria mais duas doações ao Mosteiro: a primeira em 1135, do Couto de Donim (Guimarães), e a outra em 1140 com a doação de Santa Maria da Estela (Póvoa de Varzim). Após decisão do Concílio de Trento (1545-1563) que impôs a união das Ordens Religiosas em Congregações sob a direção de um Abade-Geral, funda-se em 1567 a “Congregação dos Monges Negros de São Bento dos Reinos de Portugal”, e o Mosteiro de São Martinho de Tibães é designado como Casa-Mãe da Ordem para Portugal e Brasil, por bula papal de Pio V, talvez por ser o mais antigo, e ter mais monges (15 monges e 5 noviços).

O que obrigou a uma profunda renovação do mosteiro, assim os edifícios principais atualmente existentes foram todos erguidos entre os séculos XVII e XVIII, a igreja foi construida entre 1621 e 1661 pelos arquitetos Manuel Álvares e Frei João Turriano a mando de Frei Leão de São Tomás. O estaleiro do Mosteiro (igreja, hospício, hospedaria..), foi um centro de aprendizagem de onde irradiaram mestres, escultores e imaginários e exerceu uma enorme influência na arte barroca e rococó do norte de Portugal e das colónias ultramarinas. O seu interior permite-nos um percurso pela história da arte barroca em Portugal, desde o maneirismo final ou proto-barroco no Coro Alto, onde se pode admirar um impressionante cadeiral, passando pelo barroco joanino, com paragem obrigatória no rococó da capela-mor e dos retábulos do transepto, e acabando mesmo no neoclássico dos seus retábulos mais recentes. De facto, entre 1757 e 1760, o arquiteto André Soares desenhou o retábulo principal e a talha do arco triunfal da capela-mor, bem como os púlpitos e os retábulos laterais, todos eles marcos da arte rococó portuguesa. A talha dourada foi executada pelo Frei José de Santo António Vilaça e muitas estátuas da igreja e da sacristia são da autoria de outro célebre escultor, Frei Cipriano da Cruz, ambos irmãos beneditinos do Mosteiro de Tibães. Destaque-se ainda nos jardins, várias lindas fontes alimentadas por um aqueduto e uma elegante escadaria barroca pontilhada de fontes, que culmina na Capela de São Bento. A Congregação, chegou a possuir 22 mosteiros e duas casas menores (S. João da Foz do Douro e a Procuradoria, ou Hospício, de Braga) em Portugal, e 13 mosteiros na Província Beneditina do Brasil até 1827. E o mosteiro de Tibães detinha terras em Monção, Viana do Castelo, Nóbrega, Ponte da Barca, Amares, Prado, Barcelos, Braga, Guimarães e Esposende.

O saque de 1809 Com a chegada dos franceses em 20 de março de 1809 no quadro da segunda invasão francesa de Portugal, o mosteiro foi saqueado, principalmente pelos populares da zona só depois pelos franceses.

O saque só parou pedindo ajuda aos franceses, e foi o próprio marechal Jean de Dieu Soult a mandar para lá uma guarda:

Só escaparam a Igreja, a livraria e a sacristia e o que foi previamente escondido: Venda do Mosteiro Com a extinção das ordens religiosas ocorrida em 1834, foi vendido em hasta pública, com exceção da igreja, sacristia e claustro do cemitério. As terras logo em 1838 por 7.860$00, mas os restantes edifícios só em 1864 por 3.605$00. E em 1894, o que tinha sido evitado em 1809, ocorreu mesmo, um grande incêndio destruiu o claustro do refeitório, o refeitório, a casa dos fogões, o noviciado, o coristado, o hospício, as oficinas, a casa das pinturas e os dormitórios (nascente e sul) Compra pelo Estado e recuperação do mosteiro

thumb|400px|esquerda|Recuperação dos edifícios

Manteve-se nas mãos de privados até 1986, e embora classificado como Imóvel de Interesse Público desde 1944 estava em ruína completa quando foi adquirido pelo Estado Português pela quantia de 110 000 000$ . Desde então iniciou-se o processo de recuperação do espólio. Pelas suas características singulares, o mosteiro foi o palco escolhido para a XXIII Cimeira Ibérica que se realizou nos dias 18 e 19 de Janeiro de 2008.

Após um investimento de 15 milhões de euros, desde novembro de 2009 uma comunidade da família missionária internacional "Donum Dei", do grupo das Trabalhadoras da Imaculada, pertencente à Ordem Carmelita, está instalada numa ala do mosteiro. Em 11 de fevereiro de 2010, abriu ao público uma hospedaria com 9 quartos, e o restaurante "Eau Vive de Tibães", com capacidade de 50 pessoas.

Em 21 de janeiro de 2015, a Assembleia da República recomendou ao Governo que classifique o Mosteiro de Tibães como monumento nacional, o que aconteceu 9 anos depois em 2024.

O museu do mosteiro Ao longo de sua história, e dada a sua importância no Império Português, o mosteiro reuniu o maior e mais valioso espólio da região. Nele se destacavam a pintura, a escultura a arte sacra, a numismática e uma vasta coleção de livros em português, latim, francês, inglês, espanhol e italiano, sobre variados temas mas principalmente Teologia e História , com em 1823, cerca dez a doze mil títulos, grande parte destas edições do séc. XVIII, mas também dos sécs. XVI, XVII, e um número considerável de incunábulos. Após a alienação do imóvel, em 1834, a maior parte do espólio foi perdido. O atual museu conserva apenas um fragmento desse espólio, ao qual se somam novas peças relacionadas com a história do mosteiro e a congregação Beneditina. É ainda possível percorrer o "Percurso Museológico", onde se aprecia a área envolvente ao Mosteiro, a sua arquitetura, as ruínas de edifícios anteriores, a mata e os jardins.

A cerca do Mosteiro thumb|esquerda|Fonte do tanque com o brasão da congregação A propriedade de 40 ha está cercada por 2,7 km de murro de pedra de mais de três metros, e é dividida entre uma zona agrícola, um jardim e a mata, e um conjunto de casas para animais e atividades agrícolas: os palheiros, a adega, o lagar, a casa do azeite, a casa da fruta, a casa do alambique, a capoeira, a coelheira, a casa dos boieiros, as cortes (porcos, ovelhas), casa dos cães, a casa do hortelão e a da madeira.

A zona agrícola contém hortas ( linho, lúpulo, nabal e batatal), vinha, pomares, olivais, laranjais, pastagens e milheirais.

A mata é composta por pinheiros e eucaliptos, mas com cada vez mais espécies autóctones (Gibaldeira, Azevinho, carvalho, loureiro, aveleira, medronheiro...).

Os jardins são relevante pelo seu escadório (1731-34) com um chafariz e sete fontes, que representam as sete virtudes: quatro Cardeais – Prudência, Justiça, Fortaleza e Temperança; e três Teologais – Fé, Esperança e Caridade, que "eleva" o visitante para a capela de São Bento mandada construir entre 1553/1565 por Frei Bernardo da Cruz e reconstruida pelo Abade Frei Paulo da Assunção (1725-1727). Perto da capela um tanque com o brasão da Congregação Beneditina que alimenta as fontes e o chafariz. Também temos um lago (1795-1798) de forma elíptica do barroco final. Alimentado pela água que vem das minas, servia para alimentar o engenho de serrar madeira, dois moinhos e um engenho de azeite era também um importante reservatório de água para rega e um espaço de silêncio e meditação. De facto, um conjunto de cinco minas alimenta em água um aqueduto com arcadas em alvenaria de granito que delimite um lado da horta e que abastece o mosteiro em água.

Principais figuras de Tibães

Frei Leão de São Tomás Frei José de Santo António Vilaça Frei Cipriano da Cruz

Frei João Torriano

José Teixeira Barreto ou Frei José da Apresentação

Bispo João de São José de Queirós da Silveira

Arcebispo Vicente da Soledade e Castro

Cardeal Saraiva Classificações

1910 Classificação do cruzeiro como Monumento Nacional.

1944 A igreja, o mosteiro e demais construções arquitetónicas da cerca foram classificados como Imóveis de Interesse Público.

1949 Criação da Área Especial de Proteção.

1994 Alargamento da Zona Especial de Proteção. 2010 Um Pinus pinaster Aiton, vulgarmente conhecida por pinheiro bravo; dois Cedrus deodara (Roxb.) G.Don, árvores vulgarmente conhecidas por cedros-do-himalaia, da cerca do mosteiro, foram classificadas de interesse público. 2024 O Decreto n.º 05/2024, de 30 de outubro, amplia a área classificada do Mosteiro, altera a Zona Especial de Proteção do conjunto monástico, redenomina o monumento como Mosteiro de São Martinho de Tibães e reclassifica-o como conjunto de interesse nacional, atribuindo-lhe a designação de "Monumento Nacional".

Ver também Lista de património edificado no distrito de Braga Lista de fontes do Mosteiro de Tibães Notas

Ligações externas

Site oficial do Mosteiro Site oficial da Hospedaria Convento de Tibães Mosteiro de São Martinho de Tibães no site da Direção Regional de Cultura do Norte Página facebook do "Grupo de Amigos do Mosteiro de Tibães" Blog do Mosteiro Video do IPPAR sobre a restauração da igreja e do mosteiro.

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