O HMS Rodney foi um couraçado operado pela Marinha Real Britânica e a segunda e última embarcação da Classe Nelson, depois do . Sua construção começou em dezembro de 1922 nos estaleiros da Cammell Laird em Birkenhead e foi lançado ao mar em dezembro de 1925, sendo comissionado na frota britânica em dezembro de 1927. Era armado com uma bateria principal composta por nove canhões de 406 milímetros montados em três torres de artilharia triplas, possuía deslocamento de 38 mil toneladas e alcançava uma velocidade máxima de 23 nós.

O Rodney passou sua carreira em tempos de paz junto com a Frota do Atlântico e com a Frota Doméstica, alternando serviço como capitânia com o Nelson, participando de vários eventos cerimoniais e realizando viagens para portos estrangeiros. A Segunda Guerra Mundial começou em 1939 e o navio inicialmente foi usado para caçar corsários alemães, também participando da Campanha da Noruega e da escolta de comboios pelo Oceano Atlântico. O Rodney enfrentou e ajudou afundar o couraçado alemão em maio de 1941 junto com o .

A embarcação depois disso escoltou comboios para Malta e deu suporte em novembro de 1942 para a invasão da Argélia durante a Operação Tocha. O Rodney então apoio para a invasão da Sicília e invasão da Itália em 1943, enquanto no ano seguinte proporcionou suporte de artilharia durante a invasão da Normandia. Foi transferido para deveres de escolta de comboios para a União Soviética no final de 1944, mas foi tirado de serviço em 1945 por estar em condições muito ruins, resultado de grande uso e pouca manutenção. Foi descomissionado em 1946 e desmontado em 1948.

Características

thumb|esquerda|240px|Desenho da Classe Nelson Os navios da Classe Nelson eram, essencialmente, versões reduzidas e mais lentas do projeto dos couraçados da Classe N3, que tinham sido cancelados por excederem os limites impostos pelo Tratado Naval de Washington de 1922. O projeto das embarcações foi aprovado seis meses depois da assinatura do tratado e tinha um armamento de nove canhões de 406 milímetros com o objetivo de se igualar ao poder de fogo da Classe Colorado da Marinha dos Estados Unidos e da Classe Nagato da Marinha Imperial Japonesa, mas com um deslocamento padrão dentro do limite de 36 mil toneladas.

O Rodney tinha 216,5 metros de comprimento de fora a fora, boca de 32,3 metros e calado de 9,2 metros. Seu deslocamento padrão era de toneladas e o deslocamento carregado de toneladas. Seu sistema de propulsão tinha oito caldeiras Almirantado que alimentavam dois conjuntos de turbinas a vapor Brown-Curtis, cada uma girando uma hélice. A potência indicada era de 46,2 mil cavalos-vapor (34 mil quilowatts) para uma velocidade máxima de 23 nós (43 quilômetros por hora). Tinha uma autonomia de sete mil milhas náuticas (treze mil quilômetros) a dezesseis nós (trinta quilômetros por hora). Sua tripulação normalmente tinha oficiais e marinheiros, mas podia crescer para quando usado como capitânia.

O armamento principal era composto por nove canhões Marco I calibre 45 de 406 milímetros montados em três torres de artilharia triplas, todas instaladas à vante da superestrutura, com a segunda torre sobreposta às outras duas. O armamento secundário tinha doze canhões Marco XXII calibre 50 de 152 milímetros em seis torres de artilharia duplas na superestrutura de ré, três de cada lado. A bateria antiaérea era originalmente composta por seis canhões Marco VIII calibre 40 de 120 milímetros em montagens únicas e oito canhões Marco VIII de 40 milímetros em montagens únicas. Também era equipado com dois tubos de torpedo submersos de 622, um em cada lateral. O cinturão principal de blindagem tinha entre 330 e 356 milímetros de espessura, sendo fechado em cada extremidade por anteparas transversais de 102 a 305 milímetros. O convés blindado ficava entre 95 e 159 milímetros. As torres de artilharia principais tinham frentes de 406 milímetros, laterais entre 229 e 279 milímetros e tetos de 184 milímetros, ficando em cima de barbetas com 305 a 381 milímetros de espessura. A torre de comando era protegida por laterais de 305 a 356 milímetros e teto de 170 milímetros.

Modificações thumb|240px|Um Supermarine Walrus sendo içado a bordo em 1940 Os diretórios de controle de disparo, telêmetros e suas respectivas plataformas foram removidos e substituídos em março de 1930 por um diretório de Sistema de Controle de Ângulo Elevado Marco I. Os canhões de 40 milímetros e o diretório de torpedo de estibordo foram removidos em julho de 1932 e substituídos por uma montagem de oito canos a estibordo da chaminé e por um telêmetro de 2,7 metros à ré do teto da ponte de comando. Uma montagem a bombordo só foi instalada anos depois na posição ocupada pelo diretório de torpedos, enquanto diretórios antiaéreos para as duas montagens foram adicionados na estrutura da ponte. O Rodney foi equipado entre 1934 e 1935 por duas montagens quádruplas de metralhadoras Vickers de 12,7 milímetros na superestrutura de vante. Recebeu em 1937 uma catapulta de aeronaves no topo da terceira torre de artilharia junto com um guindaste desmontável para içar os aviões da água. Uma versão hidroavião do torpedeiro Fairey Swordfish foi inicialmente usada, mas logo substituída por um Supermarine Walrus. Outra montagem de oito canos de 40 milímetros foi adicionada ao tombadilho em outubro de 1938 junto com um protótipo de radar de aviso prévio Tipo 79Y no alto do mastro. O Rodney foi o primeiro couraçado equipado com um radar desse tipo.

O radar Tipo 79Y foi substituído em meados de 1940 por um sistema aprimorado Tipo 279, enquanto dois canhões Oerlikon de 20 milímetros foram instalados no topo da segunda torre de artilharia principal. Estas armas foram substituídas no ano seguinte por uma montagem quádrupla de 40 milímetros, ao mesmo tempo que duas montagens de oito canos foram colocadas no lugar dos diretórios de 152 milímetros de ré. Um conjunto completo de radares também foram instalados: um radar Tipo 281 substituiu o Tipo 279, um radar de varredura de superfície Tipo 271 foi adicionado junto com um radar de artilharia Tipo 284 no teto do diretório de vante. O armamento antiaéreo foi reforçado no início de 1942 com dezessete Oerlikons em montagens únicas no topo das torres de artilharia, na superestrutura e convés. As metralhadoras foram substituídas por diretórios Marco III para as armas de 40 milímetros, com outros três sendo instalados para as montagens de ré, todos os quais também tinham um radar de controle de disparo Tipo 282. O Sistema de Controle de Ângulo Elevado Marco I foi substituído por um Marco III e quatro diretórios antiaéreos com radares Tipo 283 foram adicionados nas torres de artilharia principais. Os radares na mesma época também foram aprimorados, com um sistema Tipo 273 substituindo o Tipo 271, enquanto um radar de aviso prévio Tipo 291 foi adicionado junto com um radar de controle de disparo Tipo 285 no teto do diretório do Sistema de Controle de Ângulo Elevado.

Outros quatro canhões Oerlikon foram instalados no tombadilho mais adiante em 1942. Escudos foram adicionados aos canhões de 120 milímetros em maio de 1943, já a catapulta de aeronaves na terceira torre de artilharia foi removida. Mais Oerlikons foram instalados nesta mesma época, 36 em montagens únicas e dez em montagens duplas, o que deixou o total de armas desse tipo em 67. Mais dois canhões do mesmo tipo em montagens únicas foram adicionados em preparação para os Desembarques da Normandia junto com um gerador de interferência de rádio Tipo 650. Estas adições aumentaram o deslocamento do Rodney para 43,8 mil toneladas e a tripulação para a homens.

Carreira Tempos de paz thumb|esquerda|200px|O Nelson, Rodney e três couraçados da Classe Revenge em uma revista naval O Rodney foi nomeado em homenagem ao almirante lorde George Rodney, 1º Barão Rodney, o sexto navio da Marinha Real Britânica com esse nome. Seu batimento de quilha ocorreu em 28 de dezembro de 1922 nos estaleiros da Cammell Laird em Birkenhead como parte do Programa Naval de 1922. Foi lançado ao mar em 17 de dezembro de 1925 e batizado pela princesa Maria, Viscondessa Lascelles, depois de três tentativas de quebrar a garrafa de vinho. Foi finalizado em agosto de 1927 e iniciou seus testes marítimos, sendo comissionado em 7 de dezembro sob o comando do capitão Henry Kitson. Seu custo de construção foi de libras esterlinas. Os testes marítimos do navio continuaram mesmo depois do seu comissionamento formal e ele só foi entrar em serviço em 28 de março de 1928. Foi designado para a 2ª Esquadra de Batalha da Frota do Atlântico, renomeada em 1932 para Frota Doméstica, formação que permaneceu até 1941. Kitson foi substituído em 21 de abril pelo capitão Francis Tottenham. O Rodney no mês seguinte foi para Invergordon a fim de se juntar ao resto da Frota do Atlântico para os exercícios anuais. Voltou para o sul em agosto a fim de participar da Semana de Cowes, recepcionando no dia 11 o rei Jorge V e a rainha Maria. O couraçado então seguiu para o Estaleiro Real de Devonport para participar de um evento de caridade em que 67 mil pessoas visitaram o estaleiro. Passou por manutenção no seu casco no início de outubro no Estaleiro Gladstone em Glasgow.

O Rodney estava visitando Torquay no País de Gales no início de julho de 1929 quando recebeu ordens para ajudar os submarinos HMS H47 e HMS L12, que tinham colidido em Milford Haven no dia 9. Navegou em velocidade máxima e chegou no Estaleiro de Pembroke na manhã seguinte para embarcar equipamentos de resgate. O clima ruim para mergulho adiou sua chegada, que só ocorreu na tarde seguinte, mas nesta altura já era muito tarde para resgatar sobreviventes do H47. O couraçado foi para o Estaleiro Real de Portsmouth em setembro porque seus maquinários estavam dando problema e permaneceu sob manutenção até o final do ano. O capitão Andrew Cunningham assumiu o comando em 15 de dezembro.

O navio visitou Portrush na Irlanda do Norte em junho de 1930 onde uma rua foi nomeada em sua homenagem, fazendo então uma viagem para a Islândia com o objetivo de participar das celebrações do aniversário de mil anos do Parlamento Islandês. Cunningham foi substituído em 16 de dezembro pelo capitão Roger Bellairs. A tripulação do Rodney participou em meados de setembro de 1931 do Motim de Invergordon, quando marinheiros se recusaram a seguir ordens de partirem para exercícios no mar, porém acabaram cedendo depois de vários dias quando o Almirantado Britânico reduziu o tamanho dos cortes de salários que tinham causado o motim. Entretanto, o Almirantado ficou insatisfeito com o modo que Bellairs lidou com a tripulação durante o motim e ele acabou substituído no comando em 12 de abril de 1932 pelo capitão John Tovey.

Seu irmão encalhou em janeiro de 1934 e o Rodney se tornou temporariamente a capitânia do almirante lorde William Boyle, 12º Conde de Cork e Orrery, o comandante da Frota Doméstica, fazendo um um cruzeiro de inverno para as Índias Ocidentais Britânicas nessa função. Visitou dois portos na Noruega no caminho de volta para casa. O capitão Wilfred Custance assumiu o comando em 31 de agosto. O couraçado voltou paras as Índias Ocidentais no cruzeiro de inverno do ano seguinte, em seguida visitando os Açores e Gibraltar entre 15 de janeiro e 17 de março. Participou em 16 de julho da revista naval em celebração do jubileu de prata do rei Jorge V e então também recepcionou o monarca na Semana de Cowes. O capitão William Whitworth assumiu em 21 de fevereiro de 1936, sendo por sua vez substituído pelo capitão Ronald Halifax em 25 de julho.