Banda Calypso foi uma banda brasileira de calypso, com influências de ritmos regionais do estado de origem. O conjunto foi formado em Belém no estado do Pará, em 1999, pela cantora e dançarina Joelma Mendes e pelo guitarrista e produtor musical, Cledivan Almeida Farias, mais conhecido como Chimbinha. Após iniciarem um relacionamento amoroso, Chimbinha ofereceu a proposta de montar uma banda a Joelma, que aceitou instantaneamente, e no ano seguinte liberaram, de forma Independente, o álbum de estreia homônimo do grupo, que vendeu 500 mil exemplares e conquistou um certificado de platina no Brasil.

A popularidade do grupo seguiu em constante crescente com o lançamento de uma série de discos de sucesso, eles atraíram a atenção da mídia a partir do lançamento de seus dois primeiros DVDs ao vivo, Ao Vivo em São Paulo (2003) e Na Amazônia (2005) e seu quinto álbum de estúdio, Volume 8, que solidificaram a permanência da banda no cenário musical brasileiro. O registro Banda Calypso pelo Brasil (2006) foi responsável pelo maior recorde de vendas da carreira do grupo, tendo comercializado, ao todo, mais de 2 milhões de exemplares, estabelecendo-se como um dos álbuns com maior vendagem de todos os tempos no Brasil, e recebendo certificação de disco de diamante quíntuplo pela sua comercialização, sendo a única banda musical brasileira a conseguir este feito.

Lançando treze álbuns de estúdio, dez álbuns ao vivo e oito álbuns de vídeo que geraram singles de êxitos como "Dançando Calypso", "Disse Adeus", "Cúmbia do Amor", "Pra Te Esquecer", "A Lua Me Traiu", "Pra Me Conquistar", "Acelerou", "Chá de Maracujá" e diversos outros. O casal atingiu o auge comercial de sua carreira na década de 2000, tornando-se líderes absolutos na vendagem de discos no país: com mais de 15 milhões de obras musicais comercializadas, o que fez com que ambos figurassem entre os recordistas de vendas no país. A banda desfrutou do sucesso em todo o Brasil e firmou-se no exterior com apresentações pela África, América Latina, América do Norte e Europa.

Em 2007, em levantamento realizado pelo instituto Datafolha, Joelma e Chimbinha foram contatados como os artistas mais populares do país. Em 2015, eles se divorciaram e encerraram as atividades profissionais em conjunto. Em 15 anos de carreira, o grupo concorreu a diversos prêmios importantes da música, incluindo o Melhores do Ano, Prêmio Multishow de Música Brasileira, Prêmio da Música Brasileira, Prêmio Extra de Televisão e o Troféu Internet, além de concorrer três vezes ao Grammy Latino.

História 1999—2003: Formação e ínicio da carreira Cledivan Almeida Farias, mais conhecido como Chimbinha, nasceu em Oeiras do Pará, no Pará. Começou a tocar guitarra ainda aos 12 anos, sendo influenciado por artistas do estado. Junto com eles, reinventou o ritmo calypso. Aos 18 anos já era o produtor musical mais conhecido de Belém. Joelma da Silva Mendes nasceu em Almeirim, no mesmo estado. Embora desejasse ingressar na profissão de advogada, por ser um sonho de infância, Joelma começou a cantar por intermédio de um colega de escola que a incitava a cantar com ele em pequenos bares e festivais locais. Aos 19 anos, tornou-se conhecida na região depois de se apresentar na Feira de Arte e Cultura de Almeirim (FEARCA). Por esta época, ela foi descoberta por uma proprietária da Banda Fazendo Arte que a convidou para ir à Belém realizar um teste que pudesse integrá-la aos vocais do grupo. Com certo reluto, Joelma recusava o convite, no entanto, acabou aceitando-o e foi selecionada. Sua saída da banda, aos 23 anos de idade, impulsionou-lhe a decisão de gravar um álbum solo e estava a procura de um produtor musical que produzisse este trabalho, sendo apresentada pelo cantor e compositor Kim Marques a Ximbinha. Logo depois de se conhecerem e concluírem o disco, ambos iniciaram um relacionamento amoroso e não queriam a divisão no ramo profissional por conta da relação. À vista disso, decidiram fundar, juntos, uma banda musical, batizada de Banda Calypso. O primeiro show do grupo ocorreu em junho do mesmo ano, em uma pequena casa noturna em Belém, conhecida como Xodó.

thumb|260px|esquerda|Joelma e Ximbinha durante concerto da banda em Brasília, em 2003. O álbum de estreia e de mesmo nome da banda, que a princípio seria o primeiro da carreira solo de Joelma, foi lançado em novembro de 1999. O projeto obteve dificuldade para ser lançado, pois mesmo com os contatos de Ximbinha foi complicado encontrar uma produtora que aceitasse a tarefa de produzir um estilo tão desconhecido em todo o Brasil, até que conseguiram uma parceria que possibilitou uma tiragem inicial de mil unidades da obra, que foram esgotados em uma semana. Apesar da modesta recepção comercial inicial, as vendagens da obra começaram a se elevar pouco depois, impulsionada, principalmente, pela alta rotação que canções como "Vendaval", "Disse Adeus", "Dançando Calypso" e "Loirinha" — esta última interpretada pelo vocalista de apoio do grupo —, começaram a receber nas rádios do Nordeste brasileiro. Com isso, o álbum conseguiu receber certificação de platina e ultrapassou a marca de 500 mil exemplares vendidos.

Determinados a propagarem a cultura musical do Pará pelo Brasil, Joelma e Ximbinha migraram para o Nordeste e foram recebidos com grande apreço pelo público do estado de Pernambuco, fazendo da capital Recife o segundo lar do conjunto musical. Segundo Thiago Henrique de Melo, autor do artigo O Som Do Pará: Calypso o Gosto Que Não se Discute, o apadrinhamento pela imprensa pernambucana rendeu notoriedade e projetou a Banda Calypso para um patamar até então pouco conquistado por outros grupos e artistas, isso sem dúvidas contribuiu para o alcance exponencial da dupla paraense nas demais regiões do país. Em 2002, o grupo assinou contrato fonográfico com a Sony Music, por onde liberaram o seu primeiro álbum ao vivo, gravando em Recife. Em entrevista, Joelma explicou a parceria com a gravadora: "É um disco de produção independente que, depois, negociamos com a Sony. Durante um ano a gravadora foi a responsável pela distribuição, mas, no fim do contrato, passamos a ser irresponsáveis também por essa parte". Lançado em março de 2002, o disco gerou singles como "Cúmbia do Amor" e "Como uma Virgem". A obra manteve o sucesso comercial de seu predecessor, vendeu mais de 750 mil unidades e recebeu certificado de ouro pela Pro-Música Brasil (PMB).

O segundo e terceiro álbuns de estúdio da banda – O Ritmo Que Conquistou o Brasil! (2002) e Volume 4 (2003) – venderam, respectivamente, mais de 750 mil e 600 mil unidades no país e extraíram os singles "Chamo por Você", "Temporal" e "Maridos e Esposas", bem como "Pra Te Esquecer", "Nenê" e "Imagino". Nessa mesma época, passaram a serem apoiados por Gilberto Barros, mais conhecido como Leão, na qual trabalhava como animador e apresentador do programa Sabadaço, na Rede Bandeirantes. Neste programa, apresentaram seu trabalho por diversas vezes, assim conquistando outras partes do país onde seu alcance ainda era restrito. Em 27 de agosto de 2003, gravaram, em São Paulo, o seu segundo álbum ao vivo e primeiro de vídeo, Ao Vivo. Comercialmente, recebeu certificado de diamante duplo pela comercialização superior a 300 mil exemplares.

2004—05: Ascensão thumb|235px|direita|A banda durante a gravação do álbum Na Amazônia. Em 16 de outubro de 2004 chega às lojas o sexto álbum da banda, intitulado Volume 6. O single liberado, "A Lua Me Traiu", tornou-se o maior destaque do projeto, convertendo-se, posteriormente, na canção de assinatura do grupo e uma das canções mais executadas nas rádios brasileiras em 2005. Em julho de 2005, a revista estadunidense Billboard publicou a informação de que o trabalho havia atingido a quinta colocação em vendas no Brasil. Até julho de 2015, a obra já havia sido adquirida mais de 1 milhão de vezes em todo o país. Dando continuidade aos trabalhos, a banda providenciou ainda em 2004 a gravação de seu segundo registro audiovisual. O show foi realizado no dia 14 de novembro no sambódromo de Manaus, reunindo um público de aproximadamente 50 mil pessoas. Esta apresentação foi incluída no terceiro álbum ao vivo do grupo, intitulado Na Amazônia, que foi lançado em 20 de fevereiro de 2005. A Billboard informou que o trabalho conquistou a terceira colocação em vendas no Brasil, enquanto na parada de álbuns da revista Época, obteve o primeiro lugar entre os 20 DVDs mais comprados do país. Até dezembro de 2005, Na Amazônia já havia chegado a marca de meio milhão de exemplares vendidos.

No começo de 2005, foram convidados para se apresentarem pela primeira vez no Domingão do Faustão da Rede Globo. Durante a participação no programa, o apresentador enalteceu o trabalho realizado de forma independente pelo grupo, os premiando com certificações pela alta vendagem dos seus dois últimos trabalhos lançados. Em seguida é iniciada a primeira turnê internacional dos artistas, passando por países como EUA, Itália, Portugal e Suíça. Entre os singles liberados para também promover Na Amazônia; "Imagino", mostrou ser um grande acerto ao ser relançada, tornando-se a sexta canção mais demasiadamente executada pelas estações de rádio em março de 2006.

Em outubro de 2005, o casal lançou seu quinto disco de estúdio, Volume 8. O projeto lançou como singles "Isso É Calypso", "Tchau pra Você", "Pra Me Conquistar" e "Esqueça Meu Coração", e foi responsável pela primeira indicação da banda ao Grammy Latino, concorrendo na categoria Melhor Álbum de Música de Raízes em Língua Portuguesa. A faixa "Tô Carente" foi, posteriormente, inclusa a trilha sonora do filme Ó Paí, Ó (2007), protagonizado por Lázaro Ramos. Volume 8 saltou para o topo dos álbuns mais comprados no país e comercializou mais de um milhão e oitocentos mil exemplares até 2011. Em 25 de dezembro, a banda foi condecorada na décima edição do Melhores do Ano, da Rede Globo, como a revelação musical de 2005. No final do ano, chamavam a atenção por serem os únicos artistas a terem quatro discos dentro da parada dos 50 mais vendidos do país.

2006—08: Auge do sucesso comercial thumb|250px|esquerda|Joelma e Ximbinha em 2006. Em 3 de setembro de 2006, a banda se apresentou para um público de 1,5 milhão de pessoas em Nova Iorque, durante o festival Brazilian Day. Uma semana depois, lançaram seu quarto álbum ao vivo e terceiro de vídeo, Banda Calypso pelo Brasil, gravado em cinco capitais brasileiras, sendo elas Brasília, Rio de Janeiro, Recife, Salvador e Belém. O projeto obteve a sexta posição entre os dez mais comprados do país, com quinhentas mil cópias vendidas no período de duas semanas; rendendo uma certificação de diamante quíntupla pelas vendas de sua edição em vídeo – convertendo a banda na única em toda a história da música brasileira a conseguir este feito – e vendeu mais de 2,5 milhões de cópias.

Em janeiro de 2007, eles lançaram seu sexto álbum de estúdio, 10, que contou com a participação dos cantores Bell Marques e Leonardo, e gerou como singles "Louca Sedução", "Acelerou" e "Nessa Balada". O álbum, condecorado com o disco de diamante, vendeu mais de um milhão de cópias e figurou no top 10 de álbuns estrangeiros mais vendidos no Japão. No mesmo ano, a Banda Calypso foi homenageada no Carnaval de Manaus pela escola de samba Balaku Blaku. Também em 2007, uma pesquisa publicada pelo instituto Datafolha apontava a Banda Calypso como o artista mais popular do Brasil. Em novembro, foi lançado o quinto álbum ao vivo e quarto álbum de vídeo, Ao Vivo em Goiânia, gravado nos dias 5 e 6 de outubro do mesmo ano, com participação especial da dupla Edu & Maraial. O projeto lançou como singles "Arrepiou" e "Muito Além do Prazer".