Encélado ou Enceladus é o sexto maior satélite natural de Saturno.Planetary Body Names and Discoverers. Recuperado em 22 de março de 2006. Foi descoberto em 1789 por William Herschel.Herschel, W.; Account of the Discovery of a Sixth and Seventh Satellite of the Planet Saturn; With Remarks on the Construction of Its Ring, Its Atmosphere, Its Rotation on an Axis, and Its Spheroidical Figure, Philosophical Transactions of the Royal Society of London, Vol. 80 (1790), pp. 1–20
Encélado possui um oceano global de água líquida sob sua superfície gelada.Folha: Cientistas encontram novas provas de que existe água em lua de Saturno Criovulcões no polo sul ejetam grandes jatos de vapor de água e outros voláteis como algumas partículas sólidas (cristais de gelo, NaCl, N e O contendo moléculas orgânicas, etc.) para o espaço (aproximadamente 200 kg por segundo). Uma parte dessa água cai de volta sobre a lua como “neve”, outra parte é adicionada aos anéis de Saturno, enquanto outra parcela atinge o planeta. Acredita-se que o anel E de Saturno foi feito a partir dessas partículas de gelo. Devido à água provavelmente estar sobre ou próxima à superfície, Encélado pode ser um dos melhores locais para que os seres humanos busquem por vida extraterrestre. Em contrapartida, a água que se acredita existir em Europa, uma lua de Júpiter, está bloqueada sob uma superfície muito grossa de gelo.
Até a passagem das duas sondas espaciais Voyager próximo a Encélado, no começo da década de 1980, muito pouco se sabia sobre essa pequena lua além da identificação de água sobre sua superfície. As Voyagers mostraram que o diâmetro de Encélado é de apenas 500 quilômetros (310 mi), aproximadamente um décimo de Titã, maior lua de Saturno, e que reflete quase toda luz solar que a atinge. A sonda Voyager 1 descobriu que Encélado orbita na parte mais densa do difuso anel E de Saturno, indicando uma possível associação entre os dois. Enquanto que a sonda Voyager 2 revelou que, apesar do pequeno tamanho da lua, Encélado possui uma grande variedade de terrenos que variam de idade, superfície cheia de jovens crateras, terreno tectonicamente deformado e com algumas regiões jovens na superfície com 100 milhões de idade. Em 2005, a sonda espacial Cassini realizou vários voos rasantes próximos a Encélado, revelando a superfície da lua e do seu meio ambiente com maior detalhe. Em especial, a sonda descobriu uma pluma de ventilação rica em água na região do polo sul. Essa descoberta, juntamente com a presença de escape de calor interno e a pouca quantidade (se houver) de crateras de impacto na região do polo sul, mostra que Encélado é geologicamente ativa nos dias de hoje. Luas nos extensivos sistemas de satélites de planetas gigantes gasosos, frequentemente, ficam presas em ressonâncias orbitais que conduzem forças para libração ou excentricidade orbital; a proximidade com Saturno pode levar ao aquecimento de maré no interior de Encélado, oferecendo uma possível explicação para a atividade.
Encélado é um dos únicos três corpos do Sistema Solar exterior, junto com Io (lua de Júpiter) com seus vulcões de enxofre e Tritão (lua de Netuno) com “gêiseres” de nitrogênio, onde é possível observar erupções ativas. As análises da liberação de gás sugere que se origina a partir de uma massa de água líquida no subsolo, o que, juntamente com a composição química original encontrada na pluma, alimentou especulações de que Encélado pode ser um local importante para estudos em astrobiologia.Cassini Images of Enceladus Suggest Geysers Erupt Liquid Water at the Moon’s South Pole. 22 de março de 2006 A descoberta da pluma ainda acrescentou peso ao argumento de que o material liberado por Encélado é a fonte do anel E. Em maio de 2011, cientistas da NASA na Enceladus Focus Group Conference relataram que Encélado “está emergindo como o local mais habitável do Sistema Solar fora da Terra para a vida como a conhecemos”. Em 2015, cientistas da NASA anunciaram que após dez anos de estudos das imagens e da telemetria enviada à Terra pela sonda Cassini, foi constatada a existência de um oceano global entre o núcleo rochoso e a superfície de gelo do satélite. Em abril de 2017, a NASA anunciou que Encélado tem os elementos necessários para abrigar vida. Os dados que servem como base para o estudo foram coletados pela sonda Cassini, que explora Saturno e suas 62 luas.
Nome Encélado leva o nome de um gigante da mitologia grega que foi derrotado pela deusa Atena durante a gigantomaquia (a guerra dos deuses contra os gigantes) e enterrado na ilha da Sicília. O nome Encélado – como os nomes de cada um dos primeiros sete satélites de Saturno a serem descobertos – foi sugerido por John Herschel, filho de William Herschel, em sua publicação "Resultados das Observações Astronômicas realizadas no Cabo da Boa Esperança", de 1847.Relatado por William Lassell, Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, Vol. 8, No. 3, pp. 42–43 14 de Janeiro de 1848 Ele escolheu esse nome porque Saturno, conhecido na mitologia grega como Cronos, era o líder dos Titãs.
As formações geológicas de Encélado são nomeadas pela União Astronômica Internacional (IAU) de acordo com a tradução de Burton de As Mil e uma Noites.Blue, J.; (2006) Categories for Naming Planetary Features. de 16 de Novembro de 2006 As crateras de impacto são nomeadas com personagens, enquanto os outros tipos de formações, como fossae (longas e estreitas depressões), dorsa (cristas), planitia (planícies) e sulci (longas ranhuras paralelas), são nomeadas com lugares. 57 formações foram oficialmente nomeadas pela IAU: 22 dessas formações geológicas foram nomeadas em 1982, com base nos resultados da passagem da sonda Voyager, e 35 foram aprovadas em novembro de 2006, com base nos resultados de três sobrevoos da sonda Cassini, em 2005.Blue, J.; (2006); New Names for Enceladus, 13 de Novembro de 2006, retirado em 16 de Novembro de 2006
História de observação e exploração Encélado foi descoberto em 28 de agosto de 1789 por William Herschel. As primeiras imagens a partir de sondas em visita a Encélado foram tiradas pelas duas sondas Voyager. A Voyager 1 apenas observou a lua de longe em Dezembro de 1980, a Voyager 2, em Agosto de 1981, conseguiu tirar imagens de muito melhor resolução, revelando uma superfície jovem e uma complexidade geológica inesperada.
Para que se desvendassem os segredos de Encélado foi necessário esperar mais de vinte anos. Em 30 de Junho de 2004, a sonda Cassini chegou a Saturno para revelar os segredos do planeta, dos anéis e das suas luas.
Dadas as imagens surpreendentes da Voyager 2, Encélado foi considerado uma prioridade, e foram planejados vários sobrevoos a km da superfície e outras oportunidades de visionamento a 100 mil quilômetros de Encélado. Até hoje, foram feitos três encontros com Encélado, que desvendaram mais segredos sobre esta lua; um dos mais surpreendentes foi a descoberta de fontes de vapor de água do pólo sul, uma zona geologicamente activa.
Na primavera de 2008, Cassini visitou novamente este pequeno mundo a apenas 350 km de distância. Os cientistas da missão colocam Encélado ao lado de Titã como uma das prioridades futuras, afirmando um deles que Saturno deu-nos dois mundos excitantes para explorar.
Características
Órbita thumb|right|250px|A órbita de Encélado em torno de Saturno, mostrando sua posição na região das luas internas de Saturno. (Apenas as maiores luas são mostradas) Encélado é um dos maiores satélites interiores de Saturno. É o décimo quarto satélite quando se ordena pela distância do planeta e orbita dentro da parte mais densa do anel E, o mais externo dos anéis de Saturno, um disco extremamente amplo, mas muito difuso de material gelado ou poeira microscópica, iniciando na órbita de Mimas e terminando em algum lugar ao redor da órbita de Reia.
Encélado orbita Saturno a uma distância de km do centro do planeta e km do topo das nuvens, entre as órbitas de Mimas e Tétis, fazendo a translação em 32,9 horas (rápido o suficiente para o seu movimento ser observado ao longo de uma única noite de observação). Atualmente tem uma ressonância orbital média de 2:01 com Dione, completando duas órbitas em Saturno para cada órbita completada por Dione. Sua ressonância ajuda a manter a excentricidade orbital de Encélado (0,0047) e fornece uma fonte de aquecimento para a atividade geológica do satélite.
Como na maioria dos maiores satélites de Saturno, Encélado gira em sincronia com seu período orbital, mantendo uma face apontada para Saturno. Ao contrário da Lua da Terra, Encélado não parece fazer a libração em torno de seu eixo de rotação (mais de 1,5º). Contudo, a análise da forma de Encélado sugere que em algum momento esteve em uma libração forçada de spin-órbita secundária 1:4. Essa libração, como a ressonância com Dione, pode ter fornecido uma fonte de calor adicional.
Interação com o anel E 250px|thumb|esquerda|Brilhante e gelada pluma ejetada a mais de dezenas de milhares de quilômetros de Encélado para o anel E, realimentando-o com novas partículas O anel E é o mais extenso e externo anel de Saturno. Porém, mesmo sendo extremamente extenso, o disco é bastante difuso de gelo ou poeira microscópica, começando na órbita de Mimas e se estendendo em torno da órbita de Réia. Embora algumas observações sugerissem que se estenda para além da órbita de Titã, fazendo-o ter uma extensão de um milhão de quilômetros. No entanto, vários modelos matemáticos mostram que tal anel é instável, com uma vida útil entre dez mil e um milhão de anos. Assim, o anel deve ser reabastecido de novas partículas. Encélado orbita dentro desse anel, em um local onde ele é mais estreito, porém, presente em sua maior densidade. Portanto, várias teorias suspeitam que Encélado seja a principal fonte de matéria para o anel E. Esta hipótese foi apoiada após os sobrevoos da sonda Cassini.
Na realidade, existem dois mecanismos distintos que alimentam o anel com novas partículas. O primeiro, e provavelmente o mais importante, é a fonte de matéria que é ejetada das plumas criadas pelos criovulcões na região do polo sul de Encélado. Embora a maioria das partículas caia de volta sobre a superfície, algumas delas escapam da gravidade de Encélado e entram na órbita em torno de Saturno, já que a velocidade de escape de Encélado é de apenas 860,4 km/h. O segundo mecanismo vem do bombardeio de meteoritos em Encélado, erguendo as partículas de poeira da superfície. Este mecanismo não é único de Encélado, mas de todas as luas de Saturno que orbitam dentro do anel E.
Tamanho e forma 200px|thumb|direita|Ilustração para comparar o tamanho da Grã-Bretanha com o de Encélado. A lua possui apenas 505 quilômetros de diâmetro Encélado é uma lua relativamente pequena, com um diâmetro médio de 505 quilômetros (314 milhas), apenas um sétimo do diâmetro da Lua da Terra. Em diâmetro, Encélado é pequena o suficiente para caber confortavelmente dentro do comprimento da ilha da Grã-Bretanha. Ele poderia também caber dentro do estado brasileiro do Rio Grande do Sul ou do estado norte-americano do Arizona. No entanto, como é um objeto esférico, a área de sua superfície é muito maior, porém, apenas mais de km² ( mi²), quase o mesmo que Moçambique, ou 15% maior do que o Texas. 180px|thumb|esquerda|Encélado (superior, à esquerda) em trânsito com Titã, visto pela Cassini em 5 de fevereiro de 2006. A câmera se encontrava a 4,1 milhões de quilômetros de Encélado e 5,3 milhões de quilômetros de Titã. Sua massa e diâmetro fazem de Encélado a sexta mais massiva e largo satélite de Saturno, depois de Titã ( km), Reia ( km), Jápeto ( km), Dione ( km) e Tétis ( km). Encélado é também um dos menores satélites esféricos de Saturno, pois todos os satélites menores possuem um formato irregular, exceto Mimas (390 km).