Donald Herbert Davidson (Springfield, 6 de março de 1917 — Berkeley, 30 de agosto de 2003) foi um filósofo americano; leccionou na Universidade da Califórnia, Berkeley, de 1981 a 2003, após experiência substancial como professor de filosofia nas universidades de Stanford, Rockefeller, Princeton e Chicago.

Filosofia

O trabalho principal da Davidson tem-se distinguido na aplicação da filosofia da linguagem à filosofia da mente e teoria da acção. Procurou aplicar a teoria formal da verdade de Tarski à semântica da linguagem natural, sublinhando a ideia de que para uma linguagem poder ser aprendida a sua semântica tem de depender de um número finito de axiomas. A semântica de Davidson foi elaborada na prática apenas para minúsculos fragmentos de inglês, embora o próprio Davidson tenha apresentado uma análise detalhada da forma lógica de frases que contêm verbos de acção.

A teoria formal do significado de Davidson é complementada por uma teoria da interpretação. Ao interpretar a linguagem de um falante nativo, pressupomos ideais de racionalidade e adoptamos um princípio de caridade ao tentar compreender as suas elocuções. Estes princípios normativos de racionalidade não podem ser assimilados a um discurso puramente científico. No entanto, são cruciais para o que é ser um ser humano e, efectivamente, ter estados mentais. Atribuir significados a elocuções, intenções a acções, e estados mentais como crenças e desejos a agentes, estão todos sujeitos a uma explicação holística que pressupõe que os seres humanos são em geral racionais e são geralmente coerentes no que pensam, dizem e fazem. Davidson também usa este argumento como base para a rejeição do cepticismo extremo, a posição de que todas as crenças acerca do mundo podem ser falsas.

Na filosofia da mente, Davidson defende uma versão de materialismo não redutivo a que chamou “monismo anómalo”. Embora cada acontecimento mental seja idêntico a um acontecimento neurofisiológico, não há afirmações universais verdadeiras com a forma “acontecimentos mentais do tipo F são idênticos a acontecimentos neurofisiológicos do tipo G”. De igual modo, embora toda a acção seja causada por crenças e desejos, não há leis universais que liguem crenças e desejos a acções. A psicologia não é redutível à física.Dicionário de Filosofia coordenado por Thomas Mautner. Edições 70, 20110

Davidson emprega o conceito de triangulação em diversos momentos de sua obra, e o expõe com mais detalhe no artigo intitulado "Three Varieties of Knowledge" (1991). A triangulação é uma relação estabelecida entre três vias distintas de acesso epistêmico à realidade, constituídas pelas dimensões subjetiva, intersubjetiva e objetiva. Para Davidson, cada um desses três tipo de conhecimento é direta ou indiretamente dependente do outro, não sendo nenhum deles, contudo, redutível a qualquer dos outros dois.

Obra filosófica Sua obra exerceu considerável influência em diversas áreas da filosofia a partir dos anos de 1960, e em especial nas áreas de filosofia da mente, filosofia da linguagem, e teoria da acção. Embora costumasse publicar na forma de breves ensaios, os quais não guardavam relação explícita com uma teoria geral, sua obra se destaca por um caráter fortemente unificado:

Actions, Reasons, and Causes, 1963 Truth and Meaning, 1969 Mental Events, 1970 Essays on Actions and Events, 1980 Inquiries into Truth and Interpretation, 1984 Homem do pântano (Swampman) um experimento de um pensamento filosófico, 1987 Subjective, Intersubjective, Objective, 2001 Problems of Rationality, 2004

Uma lista não-exaustiva de temas davidsonianos externismo sobre o conteúdo mental

holismo

intencionalidade

monismo anômalo

triangulação

Ligações externas

Jeff Malpas Donald Davidson, 2009. Stanford Encyclopedia of Philosophy Vladimir Kalugin, 2006. Internet Encyclopedia of Philosophy Artigos de e sobre Donald Davidson. PhilBrasil

Bibliografia Davidson, D. (1980), Essays on Actions and Events (2001), 324pp. Oxford: Clarendon Press.

Davidson, Donald