Martin Gardner ( — ) foi um escritor de matemática recreacional e literatura de divulgação científica e matemática, mas com interesses que englobavam micromágica (prestidigitação), ilusionismo, literatura em especial os trabalhos de Lewis Carroll e G. K. Chesterton, filosofia, ceticismo científico, pseudociência e religião. Ele escrevia a coluna Mathematical Games para a revista Scientific American de 1956 a 1981 e a coluna Notes of a Fringe-Watcher para a revista Skeptical Inquirer de 1983 a 2002 e publicou mais de 100 livros.
Biografia thumb|left|Martin Gardner no seu álbum da escola em 1932.
Juventude e Educação Gardner era filho de um geólogo de petróleo, e cresceu em Tulsa, Oklahoma. Desde pequeno ele demonstrou interesses em quebra cabeças e jogos e o seu melhor amigo de infância, John Bennett Shaw, depois se tornou "um dos maiores colecionadores de artigos de Sherlock Holmes".Dirda, Michael (2012), "Sherlock Lives!", NYRBlog (2 de fevereiro de 2012). Ele foi aluno da Universidade de Chicago onde se formou em bacharel de filosofia em 1936. Alguns dos seus primeiros empregos foram o de repórter do Tulsa Tribune, escritor nos escritórios de relações com a imprensa da Universidade de Chicago e voluntário para a Administração de Auxílio da região Black Belt em Chicago (um gueto composto por favelas e cortiços). Durante a Segunda Guerra, ele serviu por quatro anos na Marinha dos Estados Unidos como marinheiro em serviços administrativos a bordo do destroier de acompanhamento USS Pope no Atlântico. Seu navio ainda estava no Atlântico quando a guerra terminou após a rendição dos japoneses em agosto de 1945.
Após a guerra, Gardner voltou para a Universidade de Chicago. Em 1950 ele publicou um artigo na Antioch Review chamado "The Hermit Scientist, (O Heremita )" um trabalho pioneiro do que explicava o que mais tarde se começou a chamar de pseudocientistas.Gardner, Martin, "The Hermit Scientist", Antioch Review, Inverno de 1950-1951, pág.447-457.
Foi a primeira publicação de natureza cética de Gardner e dois anos depois ela foi publicada em uma versão muito mais volumosa no livro: In the Name of Science ("Em nome da Ciência"), seu primeiro livro.
Início da Carreira
No início dos anos 50, Garner se mudou para Nova Iorque e se tornou um escritor e designer na revista Humpty Dumpty onde por oito anos ele escreveu artigos e histórias para outras revistas infantis. Seus quebra cabeças de dobraduras de papel (publicação irmã da Children's Digest na época e agora publicação irmã da revista Jack and Jill) levaram ao seu primeiro trabalho para a Scientific American. Por muitas décadas, Gardener e sua esposa Charlotte e seus dois filhos viveram em Hastings-on-Hudson, Nova Iorque, onde ele ganhava sua como um autor independente, publicando livros com diversas editoras diferentes, e também escrevendo para centenas de revistas e artigos de jornais. Apropriadamente dado o seu interesse por lógica e matemática ele vivia na Avenida Euclid. No ano de 1960 foi lançada a edição do seu maior best seller de todos os tempos, Alice Edição Comentada,, tendo sido publicado em várias edições das quais ele vendeu mais de um milhão de cópias em diversas línguas.,
Jogos Matemáticos
Por mais de um quarto de século (1956-1981), Gardner escreveu uma coluna com o assunto "divertimento matemático" (recreational mathematics) para a revista Scientific American. Tudo começou com o seu único artigo publicado na revista hexaflexagon que saiu na edição de dezembro de 1956. O editor da Scientific American sugeriu que ele escrevesse uma coluna periódica chamada Mathematical Games (Jogos Matemáticos). Essas colunas foram pela primeira vez editadas em um livro em 1959 com o nome de The Scientific American Book of Mathematical Puzzles and Diversions (O livro de quebra-cabeças e divertimentos da Scientific American). Outros 14 livros foram publicados nas quatro décadas seguintes. Em 1980 a coluna passou a ser esporádica. Outros autores começaram a escrever para coluna e em maio de 1986 a coluna deixou de ser publicada. Em 1979 Gardner e sua mulher se aposentaram (pelo menos em parte) e se mudaram para Hendersonville na Carolina do Norte.
Homenagens a Gardner Gardner era notoriamente tímido e se recusou a aceitar muitas homenagens quando ele descobria que ele precisaria estar presente para receber o prêmio.Robert P. Crease, Gathering for Gardner, The Wall Street Journal, p. W11, 2 de abril de 2010 (Ele disse uma vez a Colm Mulcahy que ele "nunca dava palestras em sua vida se ele não soubesse como") Entretanto, em 1993 em Atlanta, Georgia o colecionador de quebra-cabeças Tom Rodgers convenceu Gardner a comparecer a uma tarde dedicada a resolução dos quebra-cabeças dele. A reunião teve uma segunda edição com a presença de Gardner, o que convenceu a Rodgers e seus amigos a transformá-la em um evento periódico. Ela tem se realizado em anos alternados, próximo a Atlanta, e o programa consiste em qualquer assunto que tenha sido de interesse de Gardner durante o seu período como escritor. Esse evento é chamado "Gathering for Gardner", e é abreviado como "G4Gx" onde x é o número do evento. Por exemplo, em 2010 o evento se chamou G4G9, mas Gardner só compareceu aos eventos de 1993 e 1996.
A esposa de Gardner morreu em 2000 e dois anos depois ele voltou para Norman em Oklahoma onde seu filho, James Gardner, era professor na Universidade de Oklahoma.Interview with Martin Gardner, Notices of the American Mathematical Society, Vol. 52, N°. 6, junho/julho de 2005, pp. 602-611 Ele morreu em 22 de maio de 2010.
Interesses e Visões Matemática Recreacional Martin Gardner manteve um interesse muito grande nos divertimentos matemáticos nos EUA através de suas publicações por boa parte do século XX. Ele é muito conhecido por seus esforços de décadas em popularizar a matemática e jornalismo científico, particularmente através da sua coluna "Mathematical Games" (Jogos Matemáticos) na revista Scientific American.
Ironicamente, Gardner tinha dificuldade para aprender cálculo e nunca mais estudou matemática depois do ensino médio. Ele era um editor da revista infantil Humpty Dumpty para crianças pequenas quando em 1956 o editor da Scientific American lhe convidou para que ele começasse a escrever uma coluna sobre divertimentos matemáticos, logo depois que ele publicou o seu artigo sobre flexágonos.
A coluna "Mathematical Games" (Jogos Matemáticos) de 1956 a 1981 foi em vários casos a introdução de diversos assuntos para um maior público incluindo: Flexágonos (em inglês) O Jogo da Vida de John Horton Conway Poliminó Cubo soma Ojogo de tabuleiro "Nash"(por causa de John Nash, também chamado de "Hex", criado por Piet Hein e John Forbes Nash Hare and Hounds (em inglês) Tangram Mosaico de Penrose Criptoanálise/Criptografia de chave pública/decifrando o alçapão/o desafio criptográfico RSA-129 Os trabalhos de M. C. Escher Fractais.
Muitos desses artigos foram agrupados em uma série de livros que começaram com Mathematical Puzzles and Diversions (Divertimentos Matemáticos e Quebra-Cabeças), com a primeira edição em 1956.
Com a saída de Gardner em 1981 da Scientific American, a coluna passou a ser escrita por Douglas Hofstadter intitulada "Metamagical Themas", um nome que é uma anagrama de "Mathematical Games". Gardner nunca se aposentou como autor, mas continuou sua pesquisa literária e escrever, em especial atualizando muitos dos seus antigos livros, como o Origami, Eleusis, and the Soma Cube, ISBN 978-0-521-73524-7, publicado em 2008.
Gardner também escreveu um "conto de quebra-cabeças" para a revista Asimov's Science Fiction (publicada de 1977-1986), produzido 111 colunas no total.
Pseudociência As atitudes inflexíveis de Gardner para combater a pseudociência fizeram dele um dos mais conhecidos polemista antipseudociência do século XX.Magazine Nomes dos dez maiores céticos do Século., Skeptical Inquirer Em seu livro Fads and Fallacies in the Name of Science (Modas e Falácias em Nome da Ciência de 1952, revisado em 1957) foi um trabalho clássico que ajudou a iniciar o movimento cético. Ele explora uma miríade de alegações dúbias e projetos incluindo Fletcherismo (a crença em mastigar a comida e líquidos muitas vezes é saudável), criacionismo, dietas da moda, Charles Fort, Rudolf Steiner, Cientologia, Dianética, Óvnis, Radiestesia, Percepção extrassensorial, o Bates method (Método de Beates), e a Telecinésia. Esse livro e seu livro seguintes (Science: Good, Bad and Bogus - Ciência: Bom, Ruim e Fraudulento, 1981; Order and Surprise, 1983, Gardner's Whys & Wherefores, 1989, etc.) deram a ele um grande conjunto de detratores das "ciências marginais" e Filosofia da Nova Era, com os quais ele manteve diálogos públicos e privados por décadas.
Em 1976, Gardner foi o fundador e membro do Committee for the Scientific Investigation of Claims of the Paranormal (Comitê pela Investigação Científica e pelo Paranormal CSICOP), e escrevia uma coluna chamada "Notes of a Fringe Watcher" (Anotações de um Observador Marginal) (Originalmente "Notes of a Psi-Watcher") desde 1983 até 2002 para o jornal Skeptical Inquirer. Esses artigos foram transformados em cinco livros: New Age: Notes of a Fringe Watcher (1988), On the Wild Side (1992), Weird Water and Fuzzy Logic (1996), Did Adam and Eve Have Navels (2000), e Are Universes Thicker than Blackberries (2003). Gardner era um membro sênior emérito do CSICOP e proeminente cético do paranormal.
Em 21 de agosto de 2010, Gardner foi homenageado postumamente por suas contribuições no campo do ceticismo, pelo Independent Investigations Group durante o baile de 10° aniversário.
Religião e Filosofia Gardner era fascinado com a crença religiosa. Ele era um fideísta deísta, que acreditava em Deus como sendo o criador, mas crítico da religião organizada. Ele foi citado como tendo dito que ele acha que a parapsicologia e outas pesquisas do paranormal como sendo equivalente a "Testar Deus" o procurar por "Sinais e Milagres". Ele afirmava que apesar de ele esperar que os testes sobre a eficácia das orações darem resultados negativos, ele não afastava a priori a possibilidade de que alguma força sobrenatural ainda desconhecida pudesse influenciar o mundo físico.The Whys of a Philosophical Scrivener por Martin Gardner, Editora: Quill, 1983, páginas 238-239
Gardner escreveu várias vezes sobre figuras públicas como Robert Maynard Hutchins, Mortimer Adler, e William F. Buckley, Jr. e acreditava que suas crenças eram logicamente consistentes. Em alguns casos, ele atacava figuras religiosas proeminentes como Mary Baker Eddy baseando-se no argumento de que suas alegações eram insustentáveis. Em seu livro semiautobiográfico The Flight of Peter Fromm ele fala de um homem cristão protestante tradicionalista que luta com sua fé, ao examinar sua crença a luz dos estudiosos bíblicos do século XX e os movimentos intelectuais que por fim termina rejeitando o cristianismo enquanto se mantém um teísta.
Ele descreveu suas próprias crenças como sendo um teísmo filosófico inspirado na teologia do filósofo Miguel de Unamuno. Mesmo sendo crítico de religiões organizadas, Gardner acreditava em um deus, afirmando que sua crença não poderia ser confirmada ou desmentida pela ciência. Ao mesmo temo, ele era cético quanto a afirmações de que algum deus tivesse se comunicado com seres humanos através de palavras ou revelação telepática ou ainda por milagres no mundo natural.