Drakengard, chamado no Japão de , é uma série de jogos eletrônicos de RPG de ação. A série é formada pelo primeiro jogo epônimo, sua sequência, uma prequela e três spin-offs: Nier, Nier: Automata e Nier Reincarnation. A ideia que virou Drakengard foi originalmente concebida por Takamasa Shiba e Takuya Iwasaki como um híbrido das jogabilidades apresentadas na série Ace Combat e no jogo Dynasty Warriors 2. A história do primeiro título foi desenvolvida por Shiba, Iwasaki, Yoko Taro e Sawako Natori, que influenciaram-se por folclores europeus e filmes e séries de anime contemporâneos. Shiba, Yoko e Natori tiveram envolvimento em quase todos os jogos subsequentes.
O mundo ficcional em que os jogos da série principal se passam chama-se Midgard e é uma fantasia sombria no estilo norte-europeu onde humanos e criaturas mitológicas e lendárias vivem lado a lado, enquanto os dois spin-offs se passam em uma Terra pós-apocalíptica gerada a partir de um dos possíveis finais do jogo original. Os enredos geralmente focam-se nas aventuras e personalidades de um pequeno grupo de protagonistas diretamente ou indiretamente conectados e afetados pelos eventos da história. Temas e enredos sombrios e diferentes finais tornaram-se marcas registradas da série. A popularidade de Drakengard no Japão resultou em várias adaptações e mídias adicionais na forma de romantizações e mangás.
A série é considerada altamente popular no Japão, tendo bons números de vendas e adquirido uma reputação cult, porém está restrita a nichos no ocidente. Os jogos principais tornaram-se famosos por suas histórias sombrias e mistura de combates aéreos e terrestres, enquanto os dois títulos Nier destacaram-se por causa da mistura de estilos de jogabilidade. A série teve uma recepção mista por parte da crítica especializada tanto no Japão quanto no ocidente: a maior parte dos elogios foram direcionados para sua história e personagens, enquanto a jogabilidade foi criticada por ser repetitiva a má projetada. Números de vendas para todos os títulos foram medianos, a exceção de Nier: Automata que foi um enorme sucesso comercial mundialmente.
Títulos Jogos +Linha do tempo 2003 –Drakengard 2004 2005 –Drakengard 2 2006 2007 2008 2009 2010 –Nier 2011 2012 2013 –Drakengard 3 2014 2015 2016 2017– –Nier: Automata 2018 2019 2020 2021– –Nier Reincarnation Drakengard: o primeiro jogo da série, foi lançado exclusivamente para PlayStation 2 em setembro de 2003 no Japão e em março e maio de 2004 respectivamente na América do Norte e Europa. A história se passa durante uma guerra religiosa entre a União e o Império, acompanhando Caim, um príncipe deposto da União que forma um pacto com o dragão vermelho Angelus a fim de se vingar do Império.
Drakengard 2: o segundo título da série e uma sequência direta do primeiro jogo, foi lançado exclusivamente para PlayStation 2 em junho de 2005 no Japão e em fevereiro e março de 2006, respectivamente, na América do Norte e Europa. A história segue Nowe, um menino criado pelo dragão Legna, que parte em uma luta contra a tirânica facção dos Cavaleiros do Selo, da qual fazia parte.
Nier: um spin-off da série principal, foi lançado mundialmente em abril de 2010 para PlayStation 3 e Xbox 360. No Japão tinha duas versões diferentes: Nier Replicant no PlayStation 3 possuindo um protagonista mais jovem e Nier Gestalt no Xbox 360 com um protagonista mais velho; esta versão foi a lançada no ocidente e em ambas as plataformas apenas como Nier. A história acompanha Nier em sua busca para encontrar uma cura para a doença conhecida como Rabisco Negro, a qual Yonah, sua filha ou irmã dependendo da versão, está sucumbindo.
Drakengard 3: o terceiro título da série principal e uma prequela do jogo original, foi lançado exclusivamente para PlayStation 3 em dezembro de 2013 no Japão e em maio de 2014 na América do Norte e Europa. A história acompanha Zero, uma mulher que se junta ao dragão Mikhail com o objetivo matar suas cinco irmãs mais velhas que dominam o mundo.
Nier: Automata: uma sequência de Nier, foi lançado para PlayStation 4 em fevereiro de 2017 no Japão, para PlayStation 4 e Microsoft Windows em março na América do Norte e Europa e para Xbox One em junho de 2018. A história se passa milhares de anos depois de Nier e segue os andróides 2B, 9S e A2 enquanto lutam uma guerra por procuração em nome da humanidade contra robôs alienígenas invasores.
Nier Reincarnation: um derivado de Nier e Nier: Automata lançado para dispositivos Android e iOS em fevereiro de 2021 no Japão e em julho mundialmente. A história se passa durante uma época não-especificada dentro de uma área infinita de torres conhecida apenas de A Jaula, seguindo uma menina sem memórias e sua companheira semelhante a um fantasma chamada Mama enquanto exploram o local lidam com uma fera desconhecida que se alimenta de sonhos.
Outras mídias Os jogos da série Drakengard já receberam várias adaptações em outras mídias e conteúdos de história adicionais na forma de romantizações, mangás e outros tipos de materiais suplementares. O primeiro jogo recebeu duas romantizações: Drag-On Dragoon: Side Story lançada em 28 de novembro de 2003 e Drag-On Dragoon: Magnitude "Negative" lançado em 23 de janeiro de 2004. O primeiro foi escrito por Emi Nagashima sob o pseudônimo de Jun Eishima, enquanto o segundo foi obra de Takashi Aizawa. A romantização de Drakengard 2 também foi escrita por Nagashima, sendo lançada em 30 de setembro de 2005.
Nagashima escreveu histórias de personagens e mangás para complementarem Drakengard 3 antes de seu lançamento. Os mangás foram Drag-On Dragoon: Utahime Five, uma era prequela que acompanhas as principais personagens antagonistas, e Drag-On Dragoon: Shi ni Itaru Aka, que servia de sequência para os eventos do primeiro final do jogo, enquanto que os outros finais levam a linhas do tempo alternativas. O livro Drag-On Dragoon 3 Story Side foi lançado em 24 de agosto de 2014 e detalha a conexão entre Drakengard 3 e o primeiro Drakengard, servindo também como uma espécie de quinto final. Drag-On Dragoon 3 Complete Guide + Setting, também de 2014, é um guia completo do jogo com elementos extras explicando a cronologia do título e contendo uma novela cujos eventos se passam depois de Shi ni Itaru Aka.
Nier foi expandido por um áudio drama que contava os eventos imediatamente após o quinto final de Drakengard, além de um livro suplementar chamado Grimoire Nier que continha histórias extras e artes conceituais junto com uma espécie de quinto final para o jogo. A Square Enix também fez uma parceria com a WildStorm para criar uma história em quadrinhos digital detalhando histórias pregressas de alguns dos personagens e do mundo. A banda japonesa YoRHa já se apresentou com músicas de Drakengard 3 e realizou em 2015 uma apresentação teatral escrita por Yoko Taro que relaciona-se diretamente com Nier: Automata. A história ficcional da própria banda afirma que suas membros são andróides militares de batalha similares aos personagens principais do jogo. Também houve uma romantização, chamada Nier: Automata: Long Story Short, que inclui detalhes novos sobre a história, e uma coleção de contos intitulada Nier: Automata: Short Story Long, ambas escritas por Eishima.
Desenvolvimento História thumb|left|Logotipo da série no Japão. A ideia para Drakengard foi concebida em 1999 por Takamasa Shiba e Takuya Iwasaki. A jogabilidade foi idealizada como uma mistura de elementos de Ace Combat e Dynasty Warriors 2. A equipe de desenvolvimento da Cavia inicialmente chamou o jogo pelo apelido "Projeto Dragonsphere". O diretor Yoko Taro juntou-se à equipe mais adiante, sendo a força motora por trás da atmosfera sombria do título. Este foi o primeiro trabalho de Shiba como produtor. Vários finais diferentes foram criados pois Yoko tinha sido informado que não haveria uma sequência. Referências a elementos como tabus sexuais foram censuradas quando o jogo foi localizado para o ocidente. Além disso, o nome foi alterado pois o original Drag-On Dragoon foi considerado errado para um público ocidental. Drakengard foi um sucesso suficiente para que uma sequência fosse encomendada. Vários membros da equipe retornaram, porém Yoko estava muito ocupado com outros projetos e foi substituído na direção por Akira Yasui. Yoko ainda assim teve um papel no desenvolvimento, com ele e Yasui tendo várias desavenças criativas durante o processo de produção. Yasui acabou fazendo de Drakengard 2 um oposto temático do primeiro jogo, empregando um tom mais leve e uma paleta de cores mais abrangente.
Nier originou-se quando Yoko e Shiba uniram-se para criar um terceiro título Drakengard. Entretanto, o projeto tornou-se cada vez mais distante da continuidade principal enquanto as ideias progrediam e eventualmente foi desenvolvido como um spin-off. Apesar do produto final, Yoko considera Nier como o verdadeiro terceiro jogo da série. A Cavia foi fechada depois do lançamento de Nier e absorvida pela AQ Interactive, com Yoko deixando a empresa. Uma tentativa seguinte de produzir um novo título de Drakengard na AQ Interactive falhou por aquilo que Shiba descreveu como uma tendência na época de se produzir jogos mais leves para a comunidade em geral. Ele e Yoko posteriormente juntaram-se outra vez para criar uma verdadeira sequência, com a intenção que fosse um RPG eletrônico que agradaria os jogadores mais fanáticos. Drakengard 3 acabou desenvolvido pela Access Games, tendo a adição de vários membros acostumados na produção de jogos de ação. Yoko e o produtor Yosuke Saito tinham interesse de produzir uma sequência de Nier, porém os baixos números de vendas do título fizeram a publicadora Square Enix desistir da ideia. Entretanto, a boa recepção que Nier teve entre os fãs fez a Square Enix reconsiderar e entrar em contato com a PlatinumGames, que concordou em desenvolver Nier: Automata sob a direção de Yoko.
Narrativa e arte thumb|260px|Arte feita pelo artista regular da série Kimihiko Fujisaka, mostrando Caim e Angelus (Drakengard), Nowe e Legna (Drakengard 2), Zero e Mikhail (Drakengard 3), e a versão jovem de Nier e Grimório Weiss (Nier). As histórias dos personagens do primeiro Drakengard foram escritas por Yoko, Shiba e Iwasaki, enquanto o roteiro foi criado por Sawako Natori, que escreveria os títulos seguintes da série. Yoko concebeu os elementos mais sombrios como um contraste e completo oposto das franquias Dragon Quest e Final Fantasy. O diretor criou os personagens ao redor da premissa de que pessoas que matam milhões à procura de seus objetivos e tiram satisfação disso são naturalmente "insanas". Apesar de alguns elementos narrativos sombrios terem sido mantidos em Drakengard 2, muitos outros foram remodelados para que se tornassem atraentes a um público mais amplo. O foco de Yoko mudou durante a produção de Nier, com ele querendo escrever uma história em que todos os lados acreditassem estar agindo pelos motivos certos. Drakengard 3 foi pensado para voltar à estética sombria do primeiro jogo, porém também incluindo momentos de humor e conexões com Nier. Por sua vez, a equipe de Nier: Automata definiu os temas principais como amor e "agaku", palavra japonesa que significa lutar para sair de uma situação ruim.