Liberalismo contemporâneo americano é a vertente dominante do liberalismo nos Estados Unidos. É caracterizada pelo liberalismo social, defesa das liberdades civis, da igualdade com justiça social e da economia mista. Portanto, o conceito de liberalismo contemporâneo americano liga-se ao sentido dado ao termo "liberal", naquele país, sendo normalmente aplicado a pessoas identificadas politicamente com a esquerda política ou centro-esquerda.
O liberalismo americano contemporâneo opõe-se a cortes na rede de proteção social (incluindo serviços de saúde e educação, proteção no desemprego e apoio a populações vulneráveis), e é favorável à ações do governo no combate a desigualdades, além de defender certas regulamentações da atividade econômica e proteção do meio ambiente. Outras importantes questões sociais pautadas pelos liberais americanos incluem a defesa das ações afirmativas e do direito a voto para as minorias, dos direitos reprodutivos e da mulher, além do apoio à causa LGBT e a reforma nas leis de imigração.Hugo Helco, em The Great Society and the High Tide of Liberalism, Sidney M. Milkis & Jerome M. Mileur, editors, Universidade de Massachusetts, 2005, ISBN 978-1-55849-493-0 Em geral, essas pautas se identificam com a plataforma do Partido Democrata.
O liberalismo americano contemporâneo tomou forma no século XX, tendo raízes nos movimentos chamados Novo Nacionalismo (de Theodore Roosevelt), Nova Liberdade (de Woodrow Wilson), New Deal (de Franklin D. Roosevelt), Fair Deal (de Harry S. Truman), Nova Fronteira (de John F. Kennedy) e Grande Sociedade (de Lyndon B. Johnson). Os liberais americanos normalmente se opõem aos conservadores em muitas questões, mas não em todas. O liberalismo contemporâneo americano está associado ao liberalismo social e ao progressivismo, embora liberais e progressistas nem sempre estejam na mesma página.The Center for American Progress, "The Progressive Intellectual Tradition in America," "Eric Rauchway, "What's The Difference Between Progressives And Liberals?" The New Republic, Michael Lind, "Is it OK to be liberal again, instead of progressive?" Salon, Thomas Nagel, "Progressive but Not Liberal", The New York Review of Books
John F. Kennedy, em 1960, definiu assim o liberalismo americano:Eric Alterman, Why We're Liberals: A Political Handbook for Post-Bush America (2008) p. 32Authur M. Schlesinger, Jr., A Thousand Days, John F. Kennedy in the White House, p. 99, Mariner Books, 2002, ISBN 978-0-618-21927-8.
Franklin Delano Roosevelt, em 1941, definiu partido liberal como:
A teoria keynesiana tem desempenhado um importante papel no pensamento econômico no liberal americano.Kevin Boyle, The UAW and the Heyday of American Liberalism, 1945-1968 (1998) p. 152 Os liberais americanos contemporâneos acreditam que a prosperidade nacional depende do controle governamental do cenário macroeconômico, de modo a manter o desemprego em baixa, a inflação sob controle e o crescimento econômico alto. Eles também valorizam as instituições de combate à desigualdade econômica. No seu livro The Conscience of a Liberal, Paul Krugman declara: "Eu acredito em uma sociedade relativamente igualitária, apoiada por instituições que limitem os extremos da riqueza e da pobreza. Eu acredito na democracia, em liberdades civis e no Estado de direito. Isso faz de mim um liberal, e eu tenho orgulho disso." Liberais costumam apontar para a prosperidade que vários países com economias mistas tiveram após a Segunda Guerra Mundial.Moyra Grant, Key Ideas in Politics (Nelson Thornes, 2003) p 12. Eles também costumam elogiar o chamado "Modelo nórdico", onde os países da Escandinávia mesclaram com sucesso os ideias do estado de bem-estar social.Andrew Heywood, Political Ideologies: An Introduction (Houndmills: Macmillan Press, 1998), 93. Os liberais americanos acreditam que a liberdade existe quando as necessidades básicas de subsistência do ser humano, como assistência à saúde e oportunidades econômicas, são acessíveis para todos.Larry E. Sullivan. The SAGE glossary of the social and behavioral sciences (2009) p 291. Eles também defendem causas ambientais e o crescimento sustentável.John McGowan, American Liberalism: An Interpretation for Our Time (2007)Starr P. (1 de março de 2007). "War and Liberalism." The New Republic."Hays, Samuel P. Beauty, Health, and Permanence: Environmental Politics in the United States, 1955–1985 (1987)
O liberalismo americano é normalmente associado ao Partido Democrata, enquanto o conservadorismo é associado ao Partido Republicano.Pew Research Center for the People & the Press, "More Now See GOP as Very Conservative". Página acessada em 20 de abril de 2017.
No começo de 2016, segundo uma pesquisa de opinião feita pelo site da Gallup Poll, os eleitores americanos, em sua maioria, identificavam-se ideologicamente como conservadores (37%) ou moderados (35%) em vez de liberais (24%), mas o liberalismo de esquerda vem crescendo no país desde 1992, especialmente entre a população jovem. Uma outra pesquisa, feita em 2015, afirma que a população socialmente liberal tem crescido bastante nos Estados Unidos, desde 1999. A mesma pesquisa mostrou haver uma equivalência numérica entre aqueles que se consideram socialmente liberais e os socialmente conservadores (ambos os grupos com 31%), enquanto a inclinação para a esquerda continua crescendo.
Segundo um estudo feito em 2005 pelo Pew Research Center, os liberais tendem a ter maior grau de educação formal do que os conservadores. Daqueles que se consideravam liberais (de esquerda), 49% tinham diploma universitário e 41% tinham ganhos anuais iguais ou superiores a US$ 75 000 dólares, enquanto que, para o total da população americana, os percentuais eram 27% e 28%, respectivamente. O liberalismo de esquerda tem se tornado a ideologia mais difundida entre os integrantes do mundo acadêmico, sendo que cerca de 44% a 62% das pessoas desse grupo se identificam como 'liberais', dependendo de qual termo era utilizado na pesquisa - um crescimento considerável se comparado a algumas décadas atrás (40-46%, entre 1969 e 1984). Os pesquisadores e intelectuais das áreas de ciências sociais e humanas são mais liberais, enquanto aqueles em áreas empresariais e de engenharia tendem a pender menos a esquerda, apesar de mesmo nos departamentos de negócios, liberais estão mais presentes do que conservadores. Duas pesquisas feitas em 2008 e 2010 afirmam que pessoas que se auto-identificam como "liberais" tendem a ir mais para faculdade do que aqueles que se veem como conservadores. A parcela da população dos Estados Unidos em geral que mais apoia ideais liberais de esquerda são os jovens e pessoas no começo da vida adulta. Pesquisas recentes, contudo, veem um aumento dos jovens que se identificam como "moderados" ou "centristas". Os locais nos Estados Unidos onde os liberais são mais fortes são nas regiões Nordeste, dos Grandes lagos e na Costa Oeste. As populações das grandes cidades e centros urbanos, como Denver, Chicago, Detroit, Nova Iorque, Los Angeles e Seattle, também tendem a pender para a esquerda.
Ver também Esquerda e direita (política) Liberalismo social Nova Esquerda Terceira Via Conservadorismo nos Estados Unidos
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