A Fazenda do Pocinho é uma propriedade localizada às margens do rio Paraíba do Sul, entre as cidades de Barra do Piraí e Vassouras, sendo oficialmente pertencente ao município de Vassouras, no estado do Rio de Janeiro, no Brasil. Foi um polo cafeeiro durante seu período ativo.
História Antecedentes Sua origem se deu na década de 1820, na zona da Sesmaria do Ypiranga, local onde se localizava a Fazenda Imperial de Santa Cruz. Uma planta da fazenda foi elaborada no ano de 1831 pelo engenheiro César Cordolino.
Histórico de posses Século XIX
A Fazenda do Pocinho foi primeiramente ocupada e posteriormente concedida a Joaquim José Pereira de Faro, o primeiro Barão do Rio Bonito. Com a sua morte, ela foi herdada pelo filho Camilo José Pereira de Faro, cujos herdeiros a venderam ao primo José Pereira de Faro, o terceiro e último Barão do Rio Bonito. Em 18 de Janeiro de 1875, a fazenda foi vendida a Joaquim Gonçalves de Moraes, posteriormente hipotecando-a ao Banco do Brasil, que tomou sua posse no ano de 1881. Em 22 de Maio de 1891, o Comendador Domingos Farani adquiriu a propriedade, sendo ela negociada com o Barão de Guaraciaba, Francisco Paulo de Almeida em 14 de Janeiro de 1897. O mineiro distinguia-se dos demais barões por ser o único negro, e era dono de um vasto território com fazendas que se estendiam pelo Vale do Paraíba, sendo a Fazenda do Pocinho, a sua última aquisição de propriedades cafeeiras.
Século XX
Com a morte do Barão de Guaraciaba em 1901, a fazenda, com área de 327 alqueires, foi herdada por suas filhas, Mathilde e Adelina. Carlos de Almeida e Souza (Tãozinho), filho de Mathilde, e suas irmãs, Leonor, Olga, Mathilde e Helena. Administraram a fazenda até sua venda em 1989. Foi tombada como patrimônio histórico e cultural fluminense pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural, em 1987. Já em 31 de Agosto de 1989, A propriedade foi vendida pelas irmãs Souza à Carlos Cézar Matoso Furtado, com a premissa de torná-la um hotel-fazenda. Porém nunca foi transformada em tal empreendimento. Foi abandonada até se transformar em ruínas.
Atualidade Por motivos de negligência à manutenção do local em sua totalidade pelos proprietários atuais, a Fazenda do Pocinho atualmente encontra-se abandonada e deixada em ruínas, restando apenas o seu antigo engenho e o aqueduto. Dita situação acaba refletindo a decadência do sistema agroindustrial da região, que outrora foi um grande gerador de riquezas ao país em seu período imperial.
Diante da negligência e arruinamento, acarretando inclusive em parcial demolição do imóvel histórico sem autorização, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro entrou com ação judicial contra o atual proprietário (Hotel Fazenda do Pocinho), a Prefeitura da cidade de Vassouras e o Governo do Estado do Rio de Janeiro.
Arquitetura Características
Seguindo o modelo padrão de arquitetura rural de fazendas no Vale do Paraíba, o partido arquitetônico da Fazenda do Pocinho foi elaborado na década de 1820, e tem a forma de um quadrilátero funcional, onde ao seu redor se encontram os engenhos, a casa grande, as senzalas, as tulhas, o aqueduto e os demais serviços necessários para o funcionamento da unidade. Na área onde estavam presentes os terreiros de lavagem e secagem de café da fazenda, encontra-se a planta das principais zonas da edificação. Seu traçado quadrangular segue uma forma predominante em "U". Diferentemente das demais fazendas presentes na região, a Fazenda do Pocinho não teve a sua casa grande materializada, sendo assim, uma zona de servico foi adaptada para moradia da herdeira do Barão de Guaraciaba, Mathilde e seu esposo Joaquim Pinto e Souza, como também os filhos, que vieram do Rio de Janeiro para administrá-la. Em seu projeto idealizado, a casa grande deveria ser construída do lado oposto do engenho de café e com vista direta para o rio Paraíba do Sul. As demais composições da propriedade foram concluídas de fato. É importante ressaltar que a propriedade é cortada até hoje pela estrada RJ 127, que atravessa as suas terras, separando a zona do quadrilátero funcional das zonas destinadas à agricultura cafeeira e também a pecuária.
Métodos Construtivos As principais edificações da fazenda são predominantemente elaboradas em pau-a-pique, contudo destaca-se também o uso de madeira para a construção do engenho de café, uma edificação com três pavimentos em madeira, situados dentro de uma obra clássica, recebendo notório destaque por sua altura, que faz com que a edificação se sobressaia entre todo o conjunto da fazenda. Também e percebido a utilização de pedra para a elaboração de certos elementos do conjunto, como as colunas do portão de entrada da fazenda e outras edificações.
Ver também
Fazenda Santa Eufrásia Fazenda Imperial de Santa Cruz Fazenda Babilônia
Pocinho Categoria:Arquitetura colonial no Brasil