; é um movimento musical japonês que destaca a estética e expressão artística. Caracteriza-se por vestimentas elaboradas, extravagantes e frequentemente uma aparência andrógina. A definição de visual kei pode variar, ora sendo descrito como gênero musical, ora como cena ou estilo. No entanto, os artistas tocam variados gêneros musicais, geralmente relacionados ao rock e metal, fazendo suas apresentações e obras com a imagem típica do visual kei. Seu nome é derivado do slogan da banda X Japan, "Psychedelic Violence Crime of Visual Shock".
O movimento surgiu no final dos anos 1980 com a formação de bandas pioneiras como X Japan, Dead End, D'erlanger e Buck-Tick, porém ganhou seu nome oficial quando atingiu o auge na década seguinte. No ápice, artistas como Luna Sea, Kuroyume e L'Arc~en~Ciel conquistaram sucesso nacional e venderam milhões de discos. Malice Mizer, Shazna, Fanatic Crisis e La'cryma Christi foram intitulados "os quatro reis celestiais do visual kei dos anos 90" pelo programa de televisão japonês Break Out.
Posteriormente, grupos formados nos anos 2000 passaram a ser chamados por alguns críticos de "neo visual kei" devido às suas disparidades com a cena original. Foi quando o movimento ficou conhecido fora da Ásia, levando por exemplo bandas como The Gazette, Versailles e Mucc expandirem suas turnês para outros continentes. Algumas bandas formadas na década de 2010 iniciaram suas expansões internacionais por volta da década de 2020, como Jiluka, Acme e Deviloof. Outros artistas notáveis incluem Dir en grey e Miyavi, que desempenharam um papel significativo na popularização do estilo no Ocidente, e artistas que ficaram populares através de canções temas de animes, como Sid e Nightmare.
Etimologia O "visual kei", que literalmente significa estilo visual ou linhagem visual, foi nomeado como tal alguns anos depois do surgimento da cena, e foi baseado em um dos slogans da banda pioneira X Japan, "Psychedelic Violence Crime of Visual Shock" (em português: Crime de Violência Psicodélica do Choque Visual), estampado na capa de seu segundo álbum Blue Blood (1989). Seiichi Hoshiko, o editor fundador da revista Shoxx, criada em 1990 como a primeira dedicada ao visual kei, é creditado como o inventor do termo, que apareceu pela primeira vez em uma edição de 1991 da revista. Seiichi explicou em uma entrevista de 2018 para a JRock News que 'visual kei' foi tecnicamente cunhado, ou pelo menos inspirado pelo guitarrista do X Japan, Hide. Hoshiko também disse que na época eles eram chamados de , porém, "parecia... muito banal... mesmo que o X Japan fosse uma banda enorme e as pessoas usassem o termo 'Okeshou kei' para descrevê-los, ele ainda carecia de substância, não gostei dele de jeito nenhum! Por isso, tentei avisar todos os escritores a não usarem esse termo, pois 'eles não são okeshou kei, eles são visual-shock kei'. A partir daí, foi de 'Visual-shock kei' para 'Visual-kei' e 'V-kei', afirma Seiichi. "Depois de espalharmos a palavra, os fãs naturalmente abreviaram para 'V-kei'. Os japoneses adoram abreviar tudo, na verdade."
Ban gya "Ban gyaru" (バンギャル) ou "ban gya" (バンギ) é o nome dado a garotas jovens que são entusiastas de visual kei. Também pode ser usado para apelidar todos os admiradores de visual kei em geral, caso contrário, mulheres mais velhas são chamadas de "obangya" (オバンギャ) e garotos são chamados de "bangyaruo" (バンギャル男) ou "gyaruo" (ギャ男). Tetsushi Ichikawa ressalta que atualmente é um termo usado somente para admiradores de visual kei, porém, nos anos 90, servia para qualquer fã japonês(esa) de bandas de rock.Ichikawa, Tetsushi, 2018, p. 344.
História 1980–1990: Origens e ascensão O visual kei, embora ainda não nomeado como tal, surgiu na cena underground japonesa da década de 1980, precursionado por bandas como X Japan, Dead End, Buck-Tick, D'erlanger, Color e Aion.Utz & Lau 2013, p. 250 Semelhanças entre a aparência e o comportamento dos fundadores do visual kei e membros da subcultura delinquente japonesa yankī são frequentemente observadas. O movimento criou uma nova forma para o rock japonês influenciada pelo hard rock, rock gótico, punk rock, glam rock/metal e seus artistas ocidentais como David Bowie, Kiss, Twisted Sister, Mötley Crüe, bem como atos nacionais como Boøwy, The StalinLOVE ME, Yasue Matsuura, Takao Nakagawa; Shinko Music Publishing Company, Ltd. 1989. . The Willard e Gastunk. Boøwy é creditada pelo band boom (formação em massa de grupos musicais) dos anos no 90 Japão e seu guitarrista Hotei sugeriu que eles poderiam ter sido a primeira banda visual kei da história. Da mesma forma, foi notado como a estética de Gastunk foi coincidia com o visual kei.
Em The George Mason Review, Megan Pfeifle dividiu a cena em duas gerações, a primeira dividida em três eras de transição e durando mais de uma década. No final dos anos 1980 e início dos anos 1990, este movimento underground se estabeleceu mais firmemente e a popularidade dele começou a crescer em todo Japão, quando as vendas de álbuns dessas bandas começaram a atingir números recordes.
A primeira banda que alcançou notável sucesso com suas gravações foi o Dead End, cujo álbum independente Dead Line (1986) vendeu mais de 20.000 cópias. O álbum de estreia em grande gravadora (ou seja, major) Ghost of Romance (1987), lançado pela Victor Entertainment, alcançou a 14ª posição na parada de álbuns da Oricon. Este álbum e o subsequente Shámbara chegaram a ser lançados nos Estados Unidos pelo selo Metal Blade Records. Em 1987, o grupo Yokosuka Saver Tiger se separou e o fundador Hide entrou para o X Japan enquanto o vocalista Kyo entrou para o D'erlanger. Kamaitachi lançou o álbum Itachigokko em 1989, que alcançou a primeira posição na parada de álbuns independentes da Oricon. Em 1990, o segundo álbum de D'erlanger, Basilisk, alcançou o 5º lugar na parada principal. Também foi quando uma das revistas de cobertura visual kei mais importantes, Shoxx, foi fundada. No entanto, Dead End e D'erlanger encerraram as atividades neste ano e Kamaitachi o fez um ano depois.
Fãs vestindo cosplay do X Japan na era clássica.|thumb|right|250px Entre 1988 e 1989, Buck-Tick (que fez sua estreia major em 1986) e X Japan começaram a ganhar sucesso mainstream que persiste até hoje. O segundo single de Buck-Tick "Just One More Kiss" entrou em 6º lugar na Oricon e ganhou o prêmio de Novo Artista no Japan Record Awards. Seguidamente, os álbuns de estúdio Taboo (1989) e Aku no Hana (1990) ficaram em 1º lugar, enquanto eles foram a primeira banda japonesa de rock a fazer um concerto no Tokyo Dome. Quase todos os seus álbuns subsequentes alcançaram o top dez nas paradas e eles estão ativos até hoje. O primeiro álbum do X Japan, Vanishing Vision, independente, alcançou a 19ª posição em 1988, tornando-os a primeira banda indie a aparecer na parada de álbuns major da Oricon. Seu segundo álbum e estreia major Blue Blood (1989) alcançou a sexta posição e desde então vendeu mais de 712 mil cópias. Blue Blood é amplamente creditado como mais influente álbum de visual kei. O terceiro e mais vendido álbum Jealousy foi lançado em 1991, liderou as paradas e vendeu mais de 1 milhão de cópias. Eles então lançaram mais dois álbuns de estúdio, ambos número um, Art of Life (1993) e Dahlia (1996) e se separaram. Em 1992, o X Japan tentou entrar no mercado americano, chegando a assinar com a Atlantic Records para lançar um álbum nos Estados Unidos, mas isso não aconteceu.
Duas gravadoras fundadas em 1986, Extasy Records (em Tóquio) e Free-Will (em Osaka), foram fundamentais na promoção da cena visual kei. A Extasy foi criada pelo baterista e líder do X Japan, Yoshiki, e assinou bandas, não limitadas ao visual kei, que viriam a deixar sua marca na cena musical japonesa, como Zi:Kill e Gilles de Rais. Luna Sea e Glay, que venderam milhões de discos posteriormente, foram descobertos pela Extasy e tiveram seus primeiros álbuns lançados por ela em 1991 e 1994, respectivamente. Já a Free-Will foi fundada pelo vocalista e líder do Color, Dynamite Tommy, e embora na época não fosse tão popular quanto a Extasy, produziu artistas de sucesso moderado como By-Sexual e Kamaitachi. Futuramente, suas subdivisões produziram grandes atos como Dir en grey.
1991–2000: Auge e declínio Originalmente uma banda visual kei, Glay se tornou um dos artistas que mais venderam no Japão.|thumb|left|250px Por volta do início dos anos 1990, uma cena visual kei que dava mais ênfase a música e era semelhante ao rock gótico surgiu na região de Nagoya, e como tal foi mais tarde apelidada de Nagoya kei. Silver~Rose e Kuroyume foram considerados os pioneiros e com Laputaextrax Laputa, 1999, pp. 104–105 são creditados como os criadores do estilo Nagoya kei inicial. Durante a década de 1990, diversos outros subgêneros conceituais começaram a surgir.
Pfeifle descreveu que segunda era de transição começou em 1993 com bandas como L'Arc-en-Ciel, Glay (embora formado em 1988, seu primeiro álbum foi lançado em 1994) e Malice Mizer. Eles ganharam a consciência do mainstream, cujo grande sucesso posterior de Glay e L'Arc~en~Ciel foi acompanhado por uma mudança drástica em sua aparência, assim, muitas vezes eles não são mais associados ao visual kei. Um filme conceitual estrelando Hide e Tusk do Zi:Kill foi lançado em 1993, intitulado Seth et Holth. A partir de 1995, as bandas do movimento experimentaram um sucesso estrondoso no público japonês em geral, como por exemplo quando Luna Sea e Kuroyume alcançaram o topo da Oricon pela primeira vez com Style e Feminism respectivamente. Este sucesso estrondoso do visual kei durou mais quatro anos.
Hakuei, vocalista do Penicillin, em 2008. É uma das bandas que não fizeram pausas em sua carreira desde 1992.|thumb|right|200px De acordo com Pfeifle, a terceira era de transição começou em meados de 1997 com bandas como La'cryma Christi, Penicillin e Rouage. Na época, os considerados "quatro reis celestiais do visual kei" eram Malice Mizer, La'cryma Christi, Shazna e Fanatic Crisis. Este título foi criado pelo programa de televisão Break Out. Pokkun (Kuniaki Suzuki, ex editor-chefe da Shoxx) comentou que a cultura rebelde inicial do visual kei tornou-se cultura de idolatria com o sucesso mainstream e que certamente foi Shazna que dominou esta segunda linha. La'cryma Christi foi creditada por trazer o rock progressivo á cena e Fanatic Crisis chamou atenção pelos designs de moda pop. Malice Mizer impressionou por apresentar temática da Europa clássica e se tornou uma das bandas visual kei mais influentes fora do Japão.
1998 foi o ano que as vendas de CDs musicais atingiram seu pico no Japão. Foram lançados álbuns como Merveilles, Gold Sun and Silver Moon e Ultimate Velocity que se tornaram os mais bem sucedidos de suas respectivas bandas. Enquanto isso, Pierrot fazia sua estreia em uma grande gravadora (estreia major) e no ano seguinte, três singles de Dir en grey foram produzidos por Yoshiki. Eles foram chamados de "os dois gigantes" da cena neste momento e eram considerados rivais. A maioria das bandas desta era mencionadas venderam pelo menos mais de 100 mil cópias em um disco. Consequentemente, canções de artistas visual kei figuraram em dramas, programas de televisão, animes, comerciais e eventos esportivos.