O Museu da Inclusão é um projeto cultural da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, que conta a história e trajetória do movimento social no Brasil e no mundo dando ênfase aos acontecimentos ocorridos no fim da década de 70 e início da década de 80. O Museu está localizado no bairro da Barra Funda, na cidade de São Paulo. Um dos propósito principal do museu é o de informar e conscientizar a população brasileira sobre os direitos e capacidade dessa parcela da sociedade tão excluída e renegada mesmo nos dias atuais. Nesse espaço disposto no Memorial da América Latina é realizado estudos, debates, pesquisas, simpósios, seminários, cursos e palestras, sempre voltados para a relevância da participação das pessoas com deficiência na sociedade e os seus direitos.
O Museu foi inaugurado em três de dezembro de dois mil e nove e contém fotografias, documentos, manuscritos, áudios e vídeos sobre os indivíduos e episódios marcantes na luta desse movimento social e político dessas pessoas em seus direitos no contexto maior dos direitos humanísticos. São doze ambientes com diversos painéis com logotipia recortada e aplicada em alto relevo, assim como tato, visão, audição e olfato. O Museu disponibiliza visitas orientadas para professores, alunos, crianças, jovens aprendizes, visitas de cidadãos comuns e grupos em geral.
Atuação do museu Entre outras ações, o museu desenvolve o projeto "Memórias", que consiste em registrar e propagar discursos de líderes e atuantes do movimento das pessoas com deficiência. Alguns desses argumentos acrescentados de outros constituem o documentário da invisibilidade á cidadania: Os Caminhos das pessoas com deficiências, produzido no ano de dois mil e quatorze pelo memorial em parceria com a TV Cultura.
Com a finalidade de propagar os Estudos sobre a deficiência, O Memorial realizou em parceria com O Diversitas (FFLCH/USP) e o USP Legal, entre os dias dezenove e vinte de Junho de dois mil e treze, o acontecimento conflitos, direitos e diversidade - I Simpósio Internacional de Estudos sobre a deficiência, que contou com a participação de pesquisadores na área de insuficiência física de todo o Brasil e do Mundo.
O local também promoveu o curso Direitos da Pessoa com deficiência: diversidade humana e igualdade, cujo objetivo foi sensibilizar dois mil agentes públicos de âmbitos estadual e municipal para que desempenhem suas atividades de modo que respeitem e propaguem os direitos dos deficientes.
E,afim,de oferecer um perspectiva histórica, essencial para que a sociedade ao todo e os próprios cidadãos com condições especiais estejam a par da luta desse seguimento da sociedade, em defesa dos seus direitos, a exposição possui três versões itinerantes, que agem como ação extra muros, alcançando os municípios do Estados.
O Museu disponibiliza atendimento em inglês para os visitantes estrangeiros. O seu site virtual está disponível em três línguas distintas (português, inglês e espanhol). E foi inaugurado no dia vinte e quatro de fevereiro.
Ambiente O museu possui um ambiente temático complementar, a Sala dos Sentidos, um espaço sensorial que não tem iluminação, com objetos e texturas distribuídos ao longo das paredes. Além dos objetos, a sala possui sons, onde os visitantes são convidados a experimentar e refletir sobre os sentidos (tato, visão, audição). O Memorial da Inclusão Social oferece também um ambiente para exposições temporárias, na qual o expositor sugere, organiza e apresenta uma exposição que costure e ao mesmo tempo se destoe do discurso da produção fixa. Dessa maneira, visa impulsionar e práticas de acessibilidade inovadoras e condizentes com as condições do expositor a fim de refletirmos sobre a adaptação razoável e da reabilitação baseada na comunidade. miniaturadaimagem|Parte externa do Memorial
Arquitetura Situado dentro do espaço chamado Memorial da América Latina, um complexo composto de 7 edifícios espalhados entre 2 praças unidas por uma passarela, o prédio redondo do Memorial da Inclusão, mais conhecido como o local onde antigamente era encontrada a sede do Parlamento Latino-Americano, foi arquitetado em 1991 por Oscar Niemeyer, após os outros edifícios, porém com as mesmas características plásticas dos demais.
Acessibilidade Para atender ao seu público-alvo: as pessoas com deficiência, o Museu aposta na acessibilidade. Assim conta com a presença de piso tátil, material em braile, recursos de áudio em tubos sonoros (acionados por sensores de presença), visitas com acompanhamento por mediadores que falam a Língua Brasileira dos Sinais, vídeos legendados, elevadores e rampas para pessoas com difícil locomoção (como cadeirantes), espaço amplo e plano para a fácil locomoção. Ainda conta com textos de leitura facilitada para a melhor compreensão de pessoas com deficiência intelectual.
Conteúdo da exposição A exposição conta com vídeos e trechos de entrevistas de militantes que participaram da passeata mobilizadora da causa dos deficientes ocorrida no dia 7 de abril de 1981; uma das líderes que aparece nos depoimentos é Lia Crespo, consultora do Memorial da Inclusão, na época uma jovem militante. miniaturadaimagem|Interior da exposição Em um dos painéis centrais da exposição, sob o título "Movimento Social", contém o retrato de 60 pessoas que participaram da mobilização em 1981 e uma lista com aproximadamente 100 outros nomes de militantes. Pois a curadoria, ao mesmo tempo que intencionava registrar a história do movimento social também almejava homenagear os ativistas.
Banco de memórias O registro das histórias orais começou a ser feito pelo Memorial logo após sua inauguração, em dezembro de 2009, tendo início nos primeiros meses de 2010. Ao longo de 2010, foram realizadas 38 entrevistas com os ativistas retratados no painel "Movimento Social" da exposição. Em sua maioria, os entrevistados acompanharam direta ou indiretamente a feito do museu e estiveram presentes em sua inauguração.
O convite à coleta de suas histórias orais foi formulado diretamente pela curadora da Exposição, informando o convidado que o entrevistador o procuraria para agendar a entrevista. A maior parte das narrativas foram executadas na casa do entrevistado.miniaturadaimagem|Obra do acervo
No ano de 2011 e de 2012, ocorreu à transcriação e edição das entrevistas. O material seria incorporado ao livro dos 30 Anos do AIPD e nele foi dado continuidade ao registro da história oral dos demais atuantes de reconhecido desempenho no movimento social dos indivíduos com deficiência, prioritariamente daqueles que participaram do AIPD. As entrevistas de 2010, bem como as transcriações e as edições dos vídeos foram efetuados por um historiador com experiência em história oral, que cuidou de todos os procedimentos diretamente. As entrevistas, já transcritas, seguiram um roteiro prévio elaborado pela historiadora responsável e a equipe do Memorial da Inclusão.
O Banco de Memórias está vinculado ao Centro de Documentação do Memorial da Inclusão e está disponível no Memorial da Inclusão virtual, como material de consulta para pesquisadores e demais interessados na temática do Projeto.
A campanha de captação de doações para formação do Centro de Documentação foi lançado no segundo semestre de 2011, e a recepção de tais doações foi acompanhada de entrevistas com os doadores mediante a mesma metodologia da história oral aplicada em 2010.
Em 2012, o Projeto Memorial da Inclusão promoverá o Simpósio Internacional de Estudos sobre Deficiência visando criar as bases de constituição do Núcleo de Estudos sobre Deficiência, para o qual o Centro de Documentação e o Banco de Memórias se oferecem como rica fonte de pesquisa.
1981: Ano Internacional das Pessoas com Deficiências Na década de 1970 surgiu o “movimento político das pessoas com deficiência” que consistia na politização dos portadores de deficiência, ao final desse ano o movimento ganhou visibilidade e essa parcela da população passou a atuar ativamente na política a fim de transformar a sociedade. No ano de 1980 aconteceu o primeiro Encontro Nacional de Pessoas Deficientes, onde a finalidade foi obter diretrizes para a organização do movimento no Brasil, determinar uma pauta comum de pedidos e também estipular critérios para as entidades que poderiam ser reconhecidas como integrantes da Coalização. Ainda no primeiro Encontro criou-se a Comissão Executiva na qual era responsável por aprimorar os trabalhos e realizar a criação da Federação Nacional das Entidades de Pessoas Deficiente e cogitar as atividades da Coalizão.
No contexto histórico a ditatura militar e a restauração da democracia brasileira o movimento estava em evidência, tudo isso contribuiu para que a ONU promulgasse o ano de 1981 como o Ano Internacional das Pessoas Deficientes.
Essa data foi extremamente marcante e importante para a luta dos portadores de deficiência, tanto é que diversas emissoras fizeram matérias com os líderes militantes que organizarão essa passeata no Brasil, e o Memorial conta com trechos de vídeos da manifestação e das entrevistas realizadas.
Exposição itinerante O Museu da Inclusão conta também com apresentações itinerantes, desde 2010, que tem o propósito de divulgar o movimento social e conscientizar a população brasileira da importância dos deficientes na construção da sociedade como um todo e de evitar a exclusão deles na participação de tomadas de decisões relevantes. Essa apresentação é constituída por painéis autoportantes e adesivados de ambos os lados, elas têm o mesmo tema que a exposição fixa e viaja por todo o Brasil.
A apresentação já passou por diversas cidades, como: Americana, Araçatuba, Araraquara, Arealva, Assis, Avaré, Bananal, Barra Bonita, Barretos, Batatais, Bauru, Botucatu, Caçapava, Campinas, Campos do Jordão, Catanduva, Fartura, Franca, Garça, Guarulhos, Itapetininga, Itapeva, Jundiaí, Lençóis Paulista, Limeira, Marília, Mogi das Cruzes, Mogi Guaçú, Mogi Mirim, Novo Horizonte, Olímpia, Osasco, Ourinhos, Pariquera Açu, Piracicaba, Presidente Prudente, Santa Fé do Sul, São Caetano do Sul, São Carlos, São José do Rio Preto, São José dos Campos, São Vicente e São Carlos.
Na cidade de São Paulo, onde reside a exposição fixa, o Memorial andarilho já visitou instituições como MASP, Colégio São Luis, Faculdade Campos Sales e Senac; já passou pela feira Reatech; pelas Unidades Lapa e Morumbi da Rede de Reabilitação Lucy Montoro; pelo Tribunal Regional do Trabalho; Juizado Especial Federa; Ordem dos Advogados do Brasil e também pelo Palácio das Convenções no Anhembi durante a Feira + Fórum Reabilitação.
Fora do Estado de São Paulo, o museu esteve presente em Brasília, na Câmara dos Deputados, e em Curitiba, a convite da Universidade Livre para a Eficiência Humana. Outros países também foram palco da exposição itinerante, como Piriápolis no Uruguai, durante o Seminário Latinoamericano de Formación de Líderes Sociales con Discapacidad e foi apreciada por .
Grandes Nomes, Grandes Feitos Em 2017, na cidade de Piracicaba, ocorre a exposição "Grandes Nomes, Grandes Feitos" fruto da parceira entre a Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, através do Memorial da Inclusão, e o Gabinete do Vereador André Bandeira. A mostra apresenta doze personalidades brasileiras e estrangeiras que desenvolveram ações em diferentes áreas do conhecimento. Os nomes em destaque participaram da luta por direitos humanos e pelo acesso à arte a e à cultura, deixando sua marca no processo de constante busca pela melhoria da qualidade de vida em sociedade. Além disso, possuem um aspecto comum: a deficiência.