O Cortiço é um romance do escritor brasileiro Aluísio Azevedo, publicado em 1890, considerado a principal obra do Naturalismo no Brasil. Ambientado no Rio de Janeiro do final do século XIX, o romance retrata a vida cotidiana em uma estalagem popular — o cortiço — e analisa as relações sociais ali estabelecidas, evidenciando mecanismos de exploração econômica, determinismo social e degradação moral. Influenciado pelo Naturalismo Europeu, especialmente pela obra de Émile Zola, O Cortiço apresenta uma visão crítica da sociedade urbana brasileira e permanece como um dos romances mais estudados da literatura nacional.

Estilo Alfredo Bosi destaca que Azevedo não se importa em construir um enredo, mas em criar personagens convincentes:

Segundo análise de Antonio Candido no ensaio De Cortiço a Cortiço, no cortiço de Aluísio Azevedo, a natureza brasileira "desempenha papel essencial como explicação dos comportamentos transgressivos, como combustível das paixões e até da simples rotina fisiológica. Aluísio aceita a visão romântico-exótica de uma natureza poderosa e transformadora, reinterpretando-a em chave naturalista."

De acordo com Valentin (2013), O Cortiço é um dos primeiros romances brasileiros a apresentar representações da homossexualidade. A esse respeito, afirma o autor:

Sinopse A obra descreve a ascensão social do comerciante português João Romão, dono de uma venda, uma pedreira e um cortiço, próximo ao sobrado de um patrício endinheirado, o comendador Miranda. A rivalidade entre os dois aumenta à medida que cresce o número de casinhas do cortiço, alugadas, na sua maioria, pelos empregados da pedreira, que também fazem compras na venda de João Romão, que, desse modo, passa a enriquecer rapidamente. Com a intenção obsessiva de tornar-se rico, João Romão economiza cada moeda e explora quem quer que seja sempre que tem oportunidade, como o faz com a escrava fugida chamada Bertoleza, que o auxilia no trabalho duro e para quem ele forjou um documento de alforria.

O sonho de João Romão é adquirir prestígio social, como seu patrício Miranda. Este, à medida que o vendeiro vai enriquecendo, passa a considerar a possibilidade de oferecer-lhe a mão de sua filha, Zulmira; assim, um amigo em comum, Botelho, se faz de intermediário das negociações e tudo fica arranjado. João Romão fica noivo de Zulmira, alcançando assim um patamar mais alto na escala social. O único inconveniente é a escrava Bertoleza, que não aceita ser descartada, para a qual João Romão arma um plano: denuncia Bertoleza como escrava fugida a seu verdadeiro dono, que vai com a polícia prendê-la. João Romão faz de conta que não sabe de nada e a entrega. Bertoleza percebe que Romão, sem coragem de mandá-la embora ou de matá-la, preparou essa armadilha para devolvê-la ao cativeiro; desesperada, ela se mata.

A narração desses fatos da vida de João Romão entrelaça-se com a narração de vários episódios dos moradores do cortiço, cuja luta pela sobrevivência é dura e cruel. O caso de Jerônimo é exemplar da visão naturalista de Azevedo; Jerônimo é um operário português contratado por João Romão para trabalhar na pedreira. É sério e honesto, casado com Piedade, também portuguesa. Eles têm uma filha criança e vivem bem como família – mas, no cortiço, Jerônimo começa a sofrer influência daquele ambiente desregrado, então apaixona-se pela mulata Rita Baiana; por ela, mata um rival e abandona a família.

Acompanhando a evolução social de João Romão, o cortiço também se desenvolve, principalmente depois de um grande incêndio, quando passa por reformas e transforma-se na "Avenida São Romão", com melhor aparência e uma população mais ordeira. A população mais baixa e miserável se transfere para outro cortiço, o "Cabeça de Gato", mantendo-se assim a engrenagem do sistema social em que predomina a lei do mais forte.

Adaptação para o cinema

Em 1978, o livro foi adaptado para o cinema com interpretações de Armando Bogus, Betty Faria, Mário Gomes, Beatriz Segall e outros, direção de Francisco Ramalho Jr.

Ver também

Naturalismo Aluísio de Azevedo O mulato Casa de pensão

Ligações externas O Cortiço no Portal Domínio Público.

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