Gabalas VI (), também citado como Jabalá ibne Alaiame (Jabalah ibn al-Ayham, lit. "Jabalá, o irresistivelmente corajoso") em árabe, foi o último rei gassânida, uma tribo árabe cristã que habitou o noroeste da Arábia. Quando questionado por emissários muçulmanos, recusou-se a se converter ao islamismo e lutou ao lado dos bizantinos nas campanhas contra os invasores muçulmanos. Após a derrota na Batalha de Jarmuque em 636, submeteu-se ao califado, mas ao ser obrigado a se converter, fugiu para o Império Bizantino.
Vida
thumb|upright=1.05|Tremisse de Heráclio thumb|upright=1.05|Vista sobre o local da batalha de Jarmuque
Gabalas foi rei e sucessor de . Em 628-629, Maomé enviou os emissários e à corte gassânida para converter os gassânidas ao islã. Eles foram bem recebidos por Gabalas, mas ele não aceitou a conversão. Entre 632–636, o Reino Gassânida foi paulatinamente conquistado com as cidades árabes da fronteira do Império Bizantino caindo sob proteção muçulmana e como reação o imperador Heráclio nomeou Gabalas como rei de todos os árabes como contra-medida. Segundo um selo de cobre, datado de 630 ou os anos imediatamente seguintes, ele também foi nomeado patrício. Durante as expedições bizantinas para expelir os invasores muçulmanos do Levante, Gubazes foi um dos principais comandantes a servirem sob Heráclio e esteve entre aqueles com quem o imperador se consultou. Em 636, reuniu-se com Vaanes, Nicetas e Teodoro Tritírio para confrontar os árabes. Ele liderou o efetivo árabe cristão do exército (segundo Baladuri uma vanguarda de árabes naturalizados da Síria oriundos das tribos dos lacmitas, judamitas, etc.) na Batalha de Jarmuque (15-20 de agosto). Antes do confronto, Vaanes, comandante supremo do exército, enviou-o para negociar com os muçulmanos o que, contudo, se revelou infrutífero.
Após a derrota, decidiu converter-se. De acordo com Baladuri, quando aproximou-se de Meca, foi bofeteado por um indivíduo dos muzainaítas, que foi convocado pelo general Abu Ubaida ibne Aljarrá para interrogatório. Em outra ocasião, como relatado pelo mesmo autor, o rei dirigiu-se ao califa Omar e questionou-o se ele deveria pagar o , que era um imposto destinado aos nômades, o que colocaria-o numa situação de inferioridade. Omar teria respondido que ele poderia pagar a jizia em seu lugar. Em 638, Gabalas reuniu aproximados 30 mil apoiantes e partiu em direção ao Império Bizantino. É provável que a rota de fuga do Califado Ortodoxo ao território bizantino foi Raca ou Calínico, na Alta Mesopotâmia. Gabalas foi assentado em Carsiano, próximo de Melitene, onde viveu até 645, quando faleceu. Os gassânidas foram dispersos na Ásia Menor.
Posteridade
Segundo Guy Le Strange, foi o construtor do porto de Balatunus, na Síria. O poeta árabe dos séculos VI e VII Haçane ibne Tábite dedicou-lhe um panegírico. Segundo um relato lendário, durante o Cerco de Constantinopla de 674–678 conduzido pelo futuro califa omíada , era possível ouvir gritos de jubilação vindos de duas tendas separadas, uma árabe e outra bizantina, que ecoavam a medida que os soldados agiam em combate. Ao saber que numa das tendas estava a filha do imperador e na outra a filha de Gabalas, Iázide empenhou-se muito para capturá-la. Alguns autores muçulmanos, dentre eles Almaçudi, alegaram que o imperador era membro dos jafênidas e descendente de Gabalas. ibne Saíde Almagribi alegou que o rei dos catalães (etnônimo utilizado pelos árabes para descrever os cristãos do norte da Península Ibérica) descendia de Gabalas, enquanto Alumari alega que os catalães eram fruto de uma mistura entre francos e os árabes descendentes do rei gassânida. Sabe-se também que os residentes de Carsiano viam-se como descendentes dos gassânidas de Gabalas.
Bibliografia
Categoria:Gassânidas Categoria:Bizantinos do século VII Categoria:Árabes do século VII Categoria:Generais de Heráclio Categoria:Patrícios do Império Bizantino do século VII Categoria:Bizantinos envolvidos nas guerras bizantino-árabes