Giovanni Silva de Oliveira, ou simplesmente Giovanni (Belém, 4 de fevereiro de 1972), é um ex-futebolista brasileiro que atuava como meia-atacante.

Meia-atacante de estilo clássico e elegante, dono de grande domínio de bola, passes bons e rápidos, dribles e finalização precisa, Giovanni viveu fases extraordinárias na carreira ao mesmo tempo em que sofria críticas quanto a suposta "lentidão" em campo. Embora não jogasse em uma posição propriamente goleadora, também demonstrou dotes de artilheiro, como no Campeonato Paulista de 1996, onde foi o maior goleador, com 24 gols. Chegou a ser artilheiro também de uma edição do campeonato grego, pelo Olympiacos, um dos clubes em que foi um grande ídolo e onde passara a se posicionar de forma mais ofensiva.UNZELTE, Celso (julho 2005). O herdeiro da 10 do Rei. Placar Coleção de Aniversário n. 6 - Os Maiores Artilheiros. Editora Abril, p. 51

Defendia que "futebol precisa ter um tempero especial, não é só feijão com arroz. Tem que ser ousado, tem que tentar, mesmo que perca o lance". Ademir da Guia, também famoso pela "falsa lentidão", declarou que "ele pode não parecer veloz, mas sempre chega na hora certa e engana o adversário. É um craque e ainda sabe fazer gol", e outro paraense, Sócrates, assinalou que Giovanni jogava "solto, voltado para o gol, tem um passe excepcional e uma visão de jogo sem igual", visão esta amplificada por sua posição ereta e cabeça erguida. Como ele, Giovanni era alto mas com pé pequeno, que no meio do futebol traz convicção de um jogador bastante técnico. A movimentação aparentemente "lenta" era provocada pelo comprimento longo dos seus passos, permitindo-lhe cobrir uma grande distância com poucas passadas. Giovanni, que sabia usar seu tamanho incomum para proteger-se de roubadas de bola inclusive obstruindo-a da visão dos adversários, aproveitava a sensação que causava de "ser sonso" para driblá-los colocando-lhes a bola entre as pernas quando eles esticavam uma delas para tentar tirarem-na dele.

Giovanni consagrou-se nacionalmente a partir de 1995, com um repertório de dribles, passes, chutes e um domínio de bola no peito (popularmente chamado de "matada") que, segundo Rivellino, lembrava Pelé, abrindo bem os braços, que lhe deixavam com 1,90 metros de envergadura. Foi eleito o melhor jogador do Brasileirão daquele ano, em que chegou também à seleção brasileira. Foi apelidado de "Messias", originou uma torcida organizada chamada de "Testemunhas de Giovanni", significando o orgulho de uma torcida que se encontrava ferida há vários anos e que via nele a esperança de dias melhores.OLIVEIRA, Evaldo Rodrigues (2021). GIOVANNI (1994-1996; 2005-2006; 2010; 2016). Almanaque dos Craques - Santos F.C.. São Paulo: Editora Onze Cultural, p. 122 Em 2025, júri promovido pela revista Placar apontou Giovanni como o segundo maior meio-campista da história santista, abaixo somente do próprio Pelé.Um quê a mais de magia (janeiro de 2025). Placar n. 1519. São Paulo: Editora Abril, pp. 42-45 De fato, foi visto por anos como o maior craque que o clube teve desde a Era Pelé.Dinheiro na mão é vendaval (janeiro 1997). Placar n. 1123. Editora Abril, p. 21 Giovanni também é considerado o jogador mais velho a ter atuado pelo Santos, pela participação, aos 44 anos de idade, em amistoso em 2016.

No ano seguinte ao seu momento de maior brilho no Santos, transferiu-se ao Barcelona,CUNHA, Odir; UNZELTE, Celso (2012). 84 - Giovanni, o Messias. Santos 100 Anos, 100 Jogos, 100 Ídolos. Belo Horizonte: Editora Gutenberg, p. 146 onde também teve destaque, sobretudo em El Clásico com o Real Madrid e em outros dérbis; à altura de 2022, era na principal rivalidade espanhola o atacante brasileiro com maior número de vitórias (cinco), segundo com maior quantidade de gols (também cinco) e segundo melhor aproveitamento (63%). Vice-campeão mundial com o Brasil na Copa do Mundo FIFA de 1998, e dono da melhor estatística dentre os jogadores com retrospecto invicto pela seleção, ele também está entre os jogadores que defenderam os três grandes clubes do seu Estado natal do Pará: Tuna Luso, Remo e Paysandu. Inclusive, embora seja avaliado como destacado somente na Tuna, marcou um dos gols do último clássico Re-Pa realizado na primeira divisão do Brasileirão, em 1993.

Carreira em clubes Início no Pará e Sãocarlense Antes de 1993 Seu início no futebol começou aos 6 anos de idade, no time mirim de futebol de salão do Remo.DA COSTA, Ferreira (2014). Giovanni - Brilhou no Santos, Barcelona e na seleção. Gigantes do futebol paraense. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 149-151 Embora seja torcedor declarado do rival Paysandu, onde chegou a praticar voleibol, ele ainda teria nova passagem pelo futsal remista, entre os 11 e os 16 anos. Após a transferência de seu pai, servidor do Departamento de Estradas de Rodagem, a Abaetetuba, passou a jogar por pequenos clubes desta cidade, incluindo o Jaderlândia, Tok Disco e Palmeiras; uma vez famoso, chegaria a contribuir com um dos principais times locais, o Vênus.VÊNUS (outubro de 2003). Placar n. 1263-A - Especial "500 Times do Brasil". Editora Abril, p. 51

Chegou às divisões de base da Tuna Luso em 1990, descoberto após jogar contra ela no ano anterior pelo Palmeiras de Abaetetuba. Nos dois anos em que esteve na base tunante, marcou 50 gols, que lhe renderiam um prêmio chuteira de ouro da Federação Paraense de Futebol. Na condição de campeã paraense de futebol de juniores de 1990, o clube participou da Copa São Paulo de Futebol Júnior de 1991.DA COSTA, Ferreira (2013). Tuna participa da 22ª Copa São Paulo de Futebol Juniores. Memorial Cruzmaltino. Belém: ArtGráfica, p. 251 Em 1992, participou do tetracampeonato estadual na categoria sub-23, campanha na qual Giovanni chegou a marcar dois gols em vitória de 5–1 no clássico com o Remo, na decisão do primeiro turno. Na penúltima rodada do segundo turno, houve um clássico com o Paysandu, dérbi em que Giovanni abriu de pênalti o placar e forneceu assistência para o segundo gol do triunfo por 3–1, em data especialmente festiva: além do tetracampeonato sub-23 ficar bastante encaminhado, naquele mesmo dia a equipe adulta da Tuna venceu o campeonato brasileiro da terceira divisão daquele ano.

Giovanni estreou no time profissional em 6 de julho de 1992,DA COSTA, Ferreira (2013). A Tuna na Copa do Brasil. Memorial Cruzmaltino. Belém: ArtGráfica, pp. 249-250 já após a campanha cruzmaltina campeã nacional, encerrada no mês anterior.DA COSTA, Ferreira (2013). 1992: Terceira Divisão - Campeã Brasileira. Memorial Cruzmaltino. Belém: ArtGráfica, pp. 175-179 A estreia foi em jogo contra o CSA, no Estádio Evandro Almeida, pela Copa do Brasil de 1992. Giovanni, que não tinha chances com o treinador Nélio Pereira, foi usado como titular pelo novo treinador, Fernando Oliveira, e terminou sendo o melhor em campo: marcou os dois gols da vitória de virada por 2–1. Fernando Oliveira era o mesmo treinador que lhe "descobria" ao enfrentar o Palmeiras em 1989 e, como jogador, havia sido um zagueiro ídolo na própria Tuna.DA COSTA, Ferreira (2014). Fernando - Ex-zagueiro lançou Giovanni no futebol. Gigantes do futebol paraense. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 142-143 Aquela foi a estreia também do clube na própria história da Copa do Brasil, da qual só participou também em 2003. Apesar do ótimo debute de Giovanni, a equipe terminou eliminada no jogo de volta, em Alagoas, onde foi derrotada por 4–0.

No segundo semestre de 1992, quando foi realizado o campeonato paraense daquele ano, seguiu se destacando: naquela edição, Giovanni marcou 17 gols, em bela dupla com Ageu Sabiá, que fez 18. Giovanni chegou a marcar 5 em um único jogo, em um 8–0 contra o Tiradentes, até recebendo 200 mil cruzeiros de um incontido torcedor tunante. Em um dos clássicos contra o Paysandu, marcou certa vez o gol da vitória em um 1–0 naquele Parazão, conquistado pelo adversário.DA COSTA, Ferreira (2013). Com 4 vitórias de 1 a 0 sobre o Remo, Papão assegurou a faixa de campeão. Parazão Centenário. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, p. 267-270

1993

Apesar do bom momento individual na Tuna, a recente conquista do clube na terceira divisão de 1992 viera com campanha financeiramente deficitária a ponto de o departamento de futebol tunante ter sua própria extinção cogitada em 1993. Nesse ano, Giovanni manifestou desejo de jogar em outro clube. Inicialmente, o presidente tunante Genésio Mangini conseguiu espaço na equipe portuguesa do Vitória de Guimarães, na pré-temporada dos torneios europeus de 1993-94. Giovanni passou 15 dias em Portugal, mas foi restrito a amistosos, sem emplacar; segundo ele, não firmou-se por ser usado como centroavante pelo treinador, Bernardito Pedroto. Giovanni não seria o tipo de jogador pretendido e um desacordo financeiro também impediu a transferência. Outra razão para ela acabar descartada foi a preferência do Vitória por priorizar a contratação do esloveno Zlatko Zahovič, curiosamente futuro colega de Giovanni no Olympiacos.

Com a recusa do Vitória, Giovanni terminou então emprestado ao Remo, que jogaria no segundo semestre a elite do Brasileirão; esse clube, ainda sem Giovanni, havia acabado de voltar a ser campeão paraense de 1993.DA COSTA, Ferreira (2013). Remo contrata Cacaio, artilheiro, e se torna campeão invicto. Parazão Centenário. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, p. 267-270 O "Leão Azul" havia adquirido por empréstimo diversos outros jogadores da Tuna, a exemplo de Ageu Sabiá. O campeonato brasileiro começou em 4 de setembro e Giovanni inicialmente ausentou-se das primeiras quatro partidas, realizadas na primeira quinzena daquele mês;Tabelão Placar 93 (outubro 1993). Placar n. 1088. Editora Abril, pp. 1-8 ele apareceu pela primeira vez na sexta rodada, substituindo o próprio Ageu aos 9 minutos do segundo tempo e abriu, já aos 42, o placar de 2–0 sobre o Ceará, em 26 de setembro, no Baenão. Também marcou nos dois jogos seguintes: também no Baenão, fez o terceiro gol dos 6–0 sobre o , aos 43 minutos, em 29 de setembro; depois, em 6 de outubro, no Mangueirão, abriu o placar de 1–1 no Re-Pa, aos 37 minutos. Por esses jogos, recebeu uma nota 6, uma nota 7,5 e novamente nota 6 na avaliação da revista Placar,Tabelão Placar 93 (novembro 1993). Placar n. 1089. Editora Abril, pp. 1-8 com um início considerado interessante pelos três gols em três jogos.

Aquele clássico com o Paysandu segue sendo o último já realizado na primeira divisão do Brasileirão; no lance do seu gol, Giovanni cabeceou quase embaixo da rede uma bola cruzada, segundo o Diário do Pará, por Alex Dias. Depois de outras duas partidas, Giovanni marcou seu quarto gol pelo Remo, em triunfo de 2–0 em 17 de outubro no Baenão sobre o Vitória, futuro vice-campeão daquele Brasileirão. Fez aos 22 minutos do segundo tempo o segundo gol azulino que Dida sofreu na ocasião. Porém, Giovanni gradualmente iniciou uma longa fase de fortes críticas, embora os colegas encaminhassem uma ótima campanha, terminando em oitavo, na melhor performance de um clube da Região Norte do Brasil na elite nacional.Um Remo de dar inveja aos grandes (janeiro 1994). Placar n. 1090. Editora Abril, p. 41 Ao longo da má fase individual, Giovanni passou a ser rotineiramente xingado pelos torcedores azulinos de "preguiçoso", "lento", "enganador", "lesma" e afins. Outras críticas apontavam até que parecia a tremer em campo. Cézar Magalhães, jornalista que lhe acompanhava desde 1989, defendeu-o em 1995 afirmando que "no Remo, colocaram o Giovanni como atacante fixo. Um erro. Ele sempre foi armador que vai ao ataque".