Universal Music Group N.V., frequentemente abreviada como UMG e também chamada de Universal Music Group ou Universal Music, é uma corporação musical neerlandesa-estadunidense constituída segundo o direito dos Países Baixos. Sua sede corporativa fica em Hilversum, nos Países Baixos, e a sede operacional em Santa Mônica, Califórnia.
É a maior companhia musical do mundo e integra, com a Sony Music e a Warner Music Group, o grupo das três grandes companhias fonográficas globais. A Tencent adquiriu 10% da Universal Music Group em março de 2020 por € 3 bilhões e ampliou a participação em mais 10% em janeiro de 2021. A Pershing Square Holdings adquiriu posteriormente 10% da UMG antes de sua oferta pública inicial na Euronext Amsterdã. A família francesa Bolloré ainda detém cerca de 28% da UMG, 18% diretamente e 10% por meio da Vivendi, anteriormente chamada Vivendi Universal. A empresa abriu seu capital em 21 de setembro de 2021, com valor de mercado de cerca de € 46 bilhões.
Em abril de 2024, o catálogo da UMG reunia mais de três milhões de gravações e quatro milhões de composições.
História
Primeiros anos As origens da empresa remontam à criação da filial estadunidense da Decca Records em setembro de 1934. Seu nome e seu logotipo derivam da Universal Pictures, fundada por Carl Laemmle. Embora o estúdio cinematográfico e a companhia musical tenham uma origem empresarial comum, o primeiro pertence à Comcast, enquanto o negócio musical é uma companhia independente.
Durante a Segunda Guerra Mundial, muitas gravadoras entregaram suas matrizes metálicas para reciclagem ligada ao esforço de guerra. A Universal seguiu caminho diferente e doou mais de 200 mil matrizes históricas à Biblioteca do Congresso. A Decca Record Co. Ltd., do Reino Unido, separou a Decca estadunidense de suas operações em 1939. A MCA Inc. fundiu-se com a Decca estadunidense em 1962.
Em novembro de 1990, o conglomerado japonês Matsushita Electric concordou em adquirir a MCA por US$ 6,59 bilhões. Em 1995, a Seagram adquiriu 80% da MCA da Matsushita. Em 9 de dezembro de 1996, a empresa passou a se chamar Universal Studios, Inc., e sua divisão musical recebeu o nome Universal Music Group. A MCA Records permaneceu como selo da UMG. Em maio de 1998, a Seagram comprou a PolyGram e a incorporou à Universal Music Group no início de 1999. Os ativos de entretenimento da Seagram, entre eles a UMG, foram vendidos em 2000 ao conglomerado francês Vivendi.
2004: consolidação como subsidiária da Vivendi Em maio de 2004, a Universal Music Group passou a ter administração separada da Universal Studios quando a Vivendi vendeu 80% da Universal à General Electric, que depois fundiu o negócio com a NBC para formar a NBCUniversal. A mudança ocorreu dois meses após a separação da Warner Music Group da Time Warner. Em fevereiro de 2006, a Vivendi comprou os 20% restantes da UMG da Matsushita Electric. Em 6 de setembro de 2006, a Vivendi anunciou a compra da BMG Music Publishing por € 1,63 bilhão, equivalente então a US$ 2,4 bilhões. Após a aprovação regulatória da União Europeia, a aquisição foi concluída em 25 de junho de 2007.
2007–2012: aquisições da UMG e compra da EMI Em junho de 2007, a UMG adquiriu a Sanctuary, que deu origem à Bravado, divisão de merchandising de entretenimento e gestão de marcas da empresa. Em 2008, a Universal Music Group concordou em disponibilizar seu catálogo ao Spotify, então um novo serviço de streaming, para uso limitado fora dos Estados Unidos.
Doug Morris deixou o cargo de CEO em 1 de janeiro de 2011. O então presidente e CEO da Universal Music International, Lucian Grainge, foi promovido a CEO da empresa. Grainge substituiu Morris também na presidência em 9 de março de 2011. Morris tornou-se presidente da Sony Music em 1 de julho de 2011. Com a nomeação de Grainge como CEO da UMG, Max Hole foi promovido a diretor de operações da UMGI, com efeito em 1 de julho de 2010. Em janeiro de 2011, a UMG anunciou a doação de 200 mil matrizes gravadas entre as décadas de 1920 e 1940 à Biblioteca do Congresso, para preservação.
Em 2011, a EMI concordou em vender suas operações de música gravada à Universal Music Group por £ 1,2 bilhão, equivalentes então a US$ 1,9 bilhão, e sua editora musical a um consórcio liderado pela Sony por US$ 2,2 bilhões. A Warner Music Group, que também disputava a divisão de música gravada, teria feito uma oferta de US$ 2 bilhões."Warner Music Group Wants Part Of EMI", Radio-Info.com, 31 de outubro de 2011. A Independent Music Companies Association, conhecida pela sigla IMPALA, opôs-se à fusão. Em março de 2012, a União Europeia abriu uma investigação sobre a aquisição. A União Europeia consultou concorrentes e grupos de consumidores sobre a possibilidade de o negócio elevar preços e excluir concorrentes.
Em 21 de setembro de 2012, a venda da EMI à UMG foi aprovada na União Europeia e nos Estados Unidos, respectivamente pela Comissão Europeia e pela Comissão Federal do Comércio.Joshua R. Wueller, Mergers of Majors: Applying the Failing Firm Doctrine in the Recorded Music Industry, 7 Brook. J. Corp. Fin. & Com. L. 589, 602–04 (2013), cópia arquivada em 14 de maio de 2021. A Comissão Europeia condicionou a autorização à venda de um terço das operações totais da companhia resultante para empresas com experiência comprovada no setor musical. A UMG vendeu Mute Records, Parlophone, Roxy Recordings, MPS Records, Cooperative Music, Now That's What I Call Music!, Jazzland, Universal Greece, Sanctuary Records, Chrysalis Records, EMI Classics, Virgin Classics e os selos regionais europeus da EMI. A UMG manteve os Beatles, anteriormente na Parlophone, e Robbie Williams, anteriormente na Chrysalis. O catálogo dos Beatles foi transferido à Calderstone Productions, criada pela UMG, e o de Williams à Island Records.
2012–2017: integração da EMI e reorganização das divisões A Universal Music Group concluiu a aquisição da EMI em 28 de setembro de 2012. Em novembro, Steve Barnett foi nomeado presidente e CEO do Capitol Music Group. Ele havia sido diretor de operações da Columbia Records. Para cumprir as condições impostas pela Comissão Europeia após a compra da EMI, a Universal Music Group vendeu o catálogo da Mute à alemã BMG Rights Management em 22 de dezembro de 2012. Dois meses depois, a BMG adquiriu a Sanctuary Records por € 50 milhões, equivalentes então a US$ 58 milhões.
Em 8 de fevereiro de 2013, a Warner Music Group comprou o Parlophone Label Group, que reunia Parlophone, Chrysalis Records, EMI Classics, Virgin Classics e as divisões belga, tcheca, dinamarquesa, francesa, norueguesa, portuguesa, espanhola, eslovaca e sueca da EMI Records, por US$ 765 milhões, equivalentes a £ 487 milhões. No fim daquele mês, a Sony Music adquiriu a participação europeia da UMG em Now That's What I Call Music! por aproximadamente US$ 60 milhões. A Play It Again Sam adquiriu a Co-Operative Music por £ 500 mil em março de 2013.
Concluída a integração da EMI à Universal Music, as operações britânicas ficaram divididas em cinco unidades de selos: Island, Polydor, Decca, Virgin EMI e Capitol."Universal Music UK Announces Launch of Virgin EMI Records", Billboard, 18 de março de 2013, cópia arquivada em 18 de maio de 2019. Na Grécia, como parte das vendas exigidas, a Universal Music manteve a Minos EMI e vendeu a Universal Music Greece a investidores gregos, que a rebatizaram de Cobalt Music. A Edel AG adquiriu da Universal o catálogo da MPS em janeiro de 2014.
Em 20 de março de 2013, a UMG anunciou a ampliação mundial de seu acordo exclusivo de distribuição com o Disney Music Group, exceto no Japão. Pelo acordo, os selos e artistas da Disney Music Group passaram a ter acesso à rede de produtores e compositores da UMG em escala mundial. O acordo também concedeu à UMG acesso amplo aos direitos ligados ao catálogo de 85 anos de trilhas sonoras e álbuns da Disney. Em 2 de abril de 2013, as divisões de música gospel da Motown Records e da EMI foram reunidas em um novo selo, Motown Gospel."Motown Records and EMI Gospel Announce Joint Venture: Motown Gospel", EURweb, 2 de abril de 2013. Em maio de 2013, a japonesa SoftBank ofereceu US$ 8,5 bilhões à Vivendi pela UMG, mas a proposta foi rejeitada.
Em julho de 2018, o JPMorgan estimou que a UMG poderia valer até US$ 40 bilhões e elevou a estimativa para US$ 50 bilhões em 2019. Em agosto de 2013, a UMG tornou-se a primeira companhia nos Estados Unidos a ter nove das dez músicas mais vendidas no ranking digital da SoundScan. Semanas depois, foi a primeira a ocupar todas as dez primeiras posições da Billboard Hot 100. Em setembro de 2013, a UMG recebeu um American Scene Award da SAG-AFTRA por seu compromisso com a diversidade, exemplificado por seu "catálogo completo e quadro de artistas".
Em 1 de abril de 2014, a Universal Music anunciou a dissolução do Island Def Jam Music Group, um dos quatro grupos operacionais da companhia. Grainge explicou a decisão afirmando: "Por mais que trabalhássemos para construir 'IDJ' como marca, essa marca jamais poderia ser tão forte quanto cada uma das partes que formavam a IDJ". Island Records e Def Jam passaram a operar como gravadoras autônomas. David Massey e Bartels, que trabalhavam respectivamente na Island e na Def Jam, foram nomeados separadamente para dirigir os novos selos. Barry Weiss, que havia deixado a Sony Music para comandar o Island Def Jam em 2012, quando a Motown foi incorporada ao grupo, deixou a Universal Music. Como parte da reorganização, a Motown Records foi transferida para Los Angeles e passou a integrar o Capitol Music Group. Ethiopia Habtemariam, então vice-presidente da gravadora, foi promovida a presidente e CEO. Habtemariam deixou a Motown em 29 de novembro de 2022.
Um mês após a dissolução do Island Def Jam, o então CEO da Interscope Records, Jimmy Iovine, deixou a gravadora, encerrando uma relação de 29 anos com a UMG. A MCA havia adquirido a Interscope por US$ 200 milhões em 1995. A saída de Iovine abriu caminho para uma reorganização da Interscope Geffen A&M, e o diretor de operações John Janick tornou-se seu presidente e CEO. Grainge afirmou sobre Janick: "Desde que chegou à UMG há quase dois anos, ele tem mostrado repetidamente por que é amplamente visto como um dos executivos mais talentosos, inovadores e empreendedores da indústria musical e será um dos nomes da próxima geração de líderes do setor. John é o executivo ideal para escrever o próximo capítulo da história da IGA".
Em 2024, a UMG reorganizou seus selos em grupos das costas leste e oeste dos Estados Unidos. Island, Def Jam, Republic e Mercury Records passaram para o Republic Corps., sediado em Nova Iorque, enquanto Interscope, Geffen e Capitol Records ficaram sob o Interscope Capitol Labels Group, sediado em Santa Mônica.
A Universal Music Group entrou na produção de cinema e televisão ao comprar a Eagle Rock Entertainment em 2014. Sua primeira produção cinematográfica de grande porte foi Amy, vencedora do Oscar de melhor documentário, e a empresa também participou dos documentários Kurt Cobain: Montage of Heck e The Beatles: Eight Days a Week. Em janeiro de 2016, a UMG contratou David Blackman, então presidente de produção da Laurence Mark Production, para comandar o desenvolvimento e a produção de cinema e televisão, e o produtor teatral Scott Landis como consultor especial de desenvolvimento e produção teatral. A vice-presidente executiva da UMG Michele Anthony e a presidente e CEO do Universal Music Publishing Group, Jody Gerson, passaram a supervisionar a dupla. Em 11 de fevereiro de 2017, a PolyGram Entertainment foi relançada como unidade de cinema e televisão da Universal Music Group sob o comando de Blackman.