Quinto Júnio Bleso (; m. ) foi um senador romano nomeado cônsul sufecto em 10 com Sérvio Cornélio Lêntulo Maluginense. É conhecido principalmente por ter sido tio do poderoso prefeito da Guarda Pretoriana do imperador Tibério, Lúcio Élio Sejano.

Carreira Nada se sabe sobre a vida de Bleso antes do consulado ou sobre os eventos de seu consulado. A exceção é um lingote de chumbo gravado com seu nome e cargo de procônsul da Sicília, provavelmente do reinado do imperador AugustoWerner Eck, "Über die prätorischen Prokonsulate in der Kaiserzeit. Eine quellenkritische Überlegung", Zephyr 23/24 (1972/73), p. 239.

Depois do consulado, Bleso aparece comandando exércitos na Panônia durante um motim ocorrido em 14 depois da morte de Augusto. Segundo Tácito, depois de servir durante a Grande Revolta da Ilíria, seus soldados estavam descontentes por terem recebido como pagamento terras pantanosas e montanhosas na Panônia e queriam ser restituídos. Para acalmar os ânimos, Bleso ofereceu tirar sua própria vida, mas foi ignoradoTácito, Anais I.18. Segundo o historiador romano Dião Cássio, os soldados prenderam e torturaram os escravos de Bleso e tentaram matá-lo. Porém, ele conseguiu restaurar a ordem depois de convencer os rebeldes a enviarem emissários ao Senado RomanoDião Cássio, História Romana LVII.4. Em resposta, Tibério enviou Druso, seu filho, acompanhado de Sejano e duas coortes pretorianas para sufocar a revolta.

O posto seguinte de Bleso foi de procônsul da África entre 21 e 23, um cargo que ele aparentemente só conseguiu por influência de Sejano, que era seu sobrinho. Só o fato de os dois serem parentes aparentemente foi suficiente para que Marco Emílio Lépido, o outro candidato ao posto, desistisse da posiçãoTácito, Anais III.35. Durante seu mandato, Bleso conseguiu derrotar as forças do general rebelde Tacfarinas, o que lhe valeu a ornamenta triumphaliaTácito, Anais III.72, III.73.

A carreira de Bleso terminou em 31, quando Sejano foi acusado de traição e executado por ordem de Tibério. Por sua ligação com ele, Bleso também foi julgado e condenado à morte como um de seus cúmplices. Contudo, enquanto esperava a execução, Bleso preferiu tirar sua própria vidaTácito, Anais V.7.

Casamento e família A identidade da esposa de Bleso é desconhecida, assim como a data de seu casamento. Porém, sabe-se que o casal teve pelo menos dois filhos: Quinto Júnio Bleso, cônsul sufecto em 26, Lúcio Júnio Bleso, cônsul sufecto dois anos depoisSyme, R. Augustan Aristocracy (1989), pp. 163, 304. Os dois cometeram suicídio em 36 quando Tibério transferiu a outros os sacerdócios prometidos antes à famíliaTácito, Anais VI.40.

O último descendente conhecido de Bleso foi um neto, Júnio Bleso, governador da Gália Lugdunense, assassinado em 69 pelo imperador VitélioTácito, Anais II.38.3.

Ver também

Bibliografia

Categoria:Iunii Categoria:Cônsules do Império Romano Categoria:Romanos antigos do século I Categoria:Nascidos no século I a.C. Categoria:Ano de nascimento desconhecido Categoria:Governadores romanos da Sicília Categoria:Procônsules da África Categoria:Romanos antigos que cometeram suicídio Categoria:Grande Revolta da Ilíria