Os destroços do RMS Titanic estão depositados em uma profundidade de 12 500 pés (3 800 metros), a cerca de 600 km a sul-sudeste ao largo da costa da Terra Nova. Repousam em duas peças principais, a cerca de 600 metros de distância uma da outra. A proa está ainda amplamente reconhecível com muitos interiores preservados, apesar da deterioração e dos danos sofridos ao alcançar o fundo do mar. Em contraste, a popa está completamente arruinada. O campo de detritos contém centenas ou milhares de itens expelidos do navio enquanto afundava. Os corpos dos passageiros e da tripulação também teriam sidos distribuídos pelo fundo do mar, mas foram consumidos por outros organismos.

O Titanic afundou em 1912, quando atingiu um iceberg durante sua viagem inaugural. Os destroços não foram localizados na época e não foram descobertos até 1985. Inúmeras expedições tentaram usar sonar para mapear o leito oceânico na esperança de o localizar, mas sem sucesso. Os destroços foram finalmente localizados por uma expedição franco-americana liderada por Jean-Louis Michel do IFREMER e Robert Ballard da Woods Hole Oceanographic Institution. Os restos do navio tem sido foco de intenso interesse desde sua descoberta por inúmeras expedições, incluindo operações que recuperaram de maneira controversa milhares de itens que foram conservados e exibidos ao público.

Através dos anos após seu naufrágio, muitos planos impraticáveis, caros e muitas vezes fisicamente impossíveis foram propostos para retirar o Titanic de seu lugar de descanso. Houve ideias de encher os destroços com bolas de ping-pong, injetar 180 000 toneladas de vaselina ou usar 500 mil toneladas de nitrogênio líquido para encaixá-lo dentro de um iceberg gigante que o flutuaria de volta à superfície. Entretanto, os destroços estão em estado total de fragilidade e são agora protegidos por uma convenção da UNESCO.

Resgatando o Titanic miniaturadaimagem|Rota do Titanic até o local de seu naufrágio Quase imediatamente após o naufrágio do Titanic em 15 de abril de 1912, propostas foram lançadas para salvar o navio de seu local de descanso no Norte do Oceano Atlântico, apesar de sua exata localização e condições permanecerem desconhecidas. As famílias de diversas vítimas abastadas do desastre – os Guggenheims, os Astors e os Wideners – formaram um consórcio e contrataram a Merritt and Chapman Derrick and Wrecking Company para elevar o Titanic. O projeto foi logo abandonado pois era impraticável que os mergulhadores atingissem uma mínima fração da profundidade necessária, onde a pressão é de mais de 2 720 libras (410 bar). A falta de uma tecnologia de submarinos na época bem como a possível eclosão da Primeira Guerra Mundial adiou tal projeto. A companhia considerou soltar dinamite em cima da área de destroços para desalojar os corpos que flutuariam até à superfície, mas finalmente desistiu após oceanógrafos sugerirem que a extrema pressão transformaria os corpos em pedaços gelatinosos. (De fato, isto estava incorreto. O fenômeno conhecido como Whale fall quando um cetáceo cai em zona batial ou abissal, não conhecido até 1987 – coincidentemente, pelo mesmo submergível usado na primeira expedição tripulada ao Titanic no ano anterior – demonstram que cadáveres cheios de água, neste caso, cetáceos podem ir para o fundo essencialmente intactos. A alta pressão e temperatura gélida da água teria preservado quantidades significativas de gás formados durante a decomposição, impedindo que os corpos das vítimas do Titanic subissem de volta à superfície.)

Nos anos posteriores, inúmeras sugestões foram apresentadas para salvar o Titanic. Entretanto, todas ruíram devido às dificuldades práticas e tecnológicas, falta de financiamento e, em muitos casos, falta de compreensão das condições físicas no local do naufrágio. Charles Smith, um arquiteto de Denver, propôs em março de 1914 para que fossem afixados eletroímãs a um submarino que seria irresistivelmente atraído pelo casco de aço do naufrágio. Tendo encontrado sua exata posição, mais eletroímãs seriam enviados para baixo de uma frota de barcaças que levaria o "Titanic" à superfície. Um custo estimado de $1,5 milhão (£ 35 milhões hoje) e pouco prático significou que a ideia foi deixada de lado. Outra sugestão envolvendo levantar o Titanic prendendo balões em seu casco usando eletroímãs. Uma vez que a quantidade suficiente de balões fosse presa, o navio flutuaria suavemente para a superfície. Novamente, a ideia não saiu do papel.

Propostas de salvamento nos anos 1960 e 1970

Na metade dos anos 1960, um trabalhador de Baldock chamado Douglas Woolley elaborou um plano para achar o Titanic usando um batiscafo (como o Trieste, usado para atingir o fundo da Fossa das Marianas em 1960) e içar os destroços inflando balões de nylon que seriam ligados ao seu casco. O objetivo declarado era "levar os destroços até Liverpool e os converter em um museu flutuante". A Titanic Salvage Company foi estabelecida para gerenciar o plano e um grupo de empresários de Berlim Ocidental criou uma entidade chamada Titanic-Tresor para apoia-la financeiramente. O plano desmoronou quando seus defensores descobriram que não podiam superar o problema de como os balões seriam inflados em primeiro lugar. Cálculos mostraram que poderia levar dez anos para gerar gás suficiente para superar a pressão da água.

Uma variedade de audaciosos mas igualmente impraticáveis planos foram sugeridos durante a década de 1970. Um deles sugeria que 180 mil toneladas de cera derretida (ou, alternativamente, vaselina) fossem bombeados para dentro do Titanic, elevando-o para a superfície. Outra proposta envolvia preencher o Titanic com bolas de ping pong, mas negligenciava o fato de que as bolas seriam esmagadas pela pressão bem antes de atingir a profundidade dos destroços. Uma ideia similar envolvia o uso de esferas de vidro, que poderiam suportar a pressão, mas foi abandonada quando o custo do número de esferas necessárias foi calculado em mais de $ 238 milhões. Um trabalhador de transportes desempregado de Walsall chamado Arthur Hickey propôs transformar o Titanic em um iceberg, congelando a água ao redor dos destroços os encasulando em uma invólucro flutuante de gelo. Assim, sendo mais leve que a água líquida, flutuaria para a superfície e poderia ser rebocado para a costa. A The BOC Group calculou que isso exigiria 500 000 toneladas de nitrogênio líquido fossem bombeadas até o fundo do mar. Em seu thriller de 1976 Raise the Titanic!, o herói do autor Clive Cussler, Dirk Pitt repara os buracos no casco do Titanic, bombeia ar comprimido e consegue fazê-lo "sair das ondas como um submarino moderno soprando seus tanques de lastro", uma cena descrita nos posters do subsequente filme. Embora isto tenha sido um destaque "artisticamente estimulante" do filme, feito usando um modelo de 17 metros do Titanic, não seria fisicamente possível. Na época em que o livro foi escrito, ainda se acreditava que o navio afundara intacto.

Robert Ballard da Woods Hole Oceanographic Institution tinha longo interesse em encontrar o Titanic. Apesar de negociações antecipadas com possíveis apoiantes sendo abandonadas quando surgiu que eles queriam transformar o naufrágio em lembranças como pesos de papel, apoiantes mais simpáticos se juntaram a Ballard para formar uma empresa chamada Seasonics International Ltd. como um veículo para redescobrir e explorar Titanic. Em outubro de 1977 ele fez sua primeira tentativa de achar o navio com a ajuda do navio de salvamento em águas profundas da Alcoa Corporation, o Seaprobe. Ele era essencialmente um navio de perfuração com equipamentos de sonar e câmeras anexadas ao final do tubo de perfuração. Poderia levantar objetos do fundo do mar usando uma garra mecânica controlada remotamente. A expedição terminou em fracasso quando o tubo de perfuração falhou, mandando 900 metros de tubo e equipamentos eletrônicos no valor de 600 000 dólares para o fundo do mar.

Em 1978, a The Walt Disney Company e a revista National Geographic consideraram montar uma expedição conjunta para achar o Titanic, usando um submersível de alumínio, o Aluminaut. O Titanic estaria bem dentro dos limites de alcance do submersível mas os planos foram abandonados por razões financeiras.

No ano seguinte, o bilionário britânico Sir James Goldsmith montou a Seawise & Titanic Salvage Ltd. com o envolvimento de mergulhadores subaquáticos e especialistas em fotografia. Seu objetivo era usar a publicidade de encontrar o Titanic para promover sua nova revista, NOW!. Uma expedição ao Atlântico Norte foi agendada para 1980 mas foi cancelada devido a dificuldades financeiras. Um ano depois, a revista NOW! fechou após 84 edições com Goldsmith incorrendo em enormes prejuízos financeiros.

Fred Koehler, um técnico em eletrônica de Coral Gables, Flórida, vendeu sua loja de eletrônicos para financiar um submersível de mar profundo para duas pessoas chamado Seacopter. Ele planejava mergulhar até o Titanic, entrar no casco e recuperar uma fabulosa coleção de diamantes que, segundo rumores, estaria escondida no cofre de um comissário de bordo. Entretanto, ele não conseguiu obter apoio financeiro para sua planejada expedição. Outra proposta envolvia o uso de uma plataforma semi-submersível montada em guindastes, sob dois super tanques de água, isso levantaria o naufrágio do fundo do mar e posteriormente para a costa. Um dos proponentes foi citado dizendo: "É como a Grande Muralha da China – com tempo, dinheiro e pessoas suficientes, você pode fazer qualquer coisa". O tempo, o dinheiro e as pessoas não estavam disponíveis e a proposta não obteve mais sucesso do que qualquer um de seus antecessores.

Expedições de Jack Grimm, 1980–1983 Em 17 de julho de 1980, uma expedição patrocinada pelo dono de petrolífera texano Jack Grimm partiu de Port Everglades, Flórida, no navio de pesquisa H.J.W. Fay. Grimm tinha previamente patrocinado expedições para achar a Arca de Noé, o Monstro do Lago Ness, o Pé-grande e o buraco gigante no Pólo Norte previsto pela hipótese pseudocientífica da Terra oca. Para angariar fundos para sua expedição ao Titanic, obteve patrocínio de amigos com quem jogava pôquer, vendeu direitos de mídia através da William Morris Agency, encomendou um livro e obteve os serviços de Orson Welles para narrar o documentário. Adquiriu apoio científico da Universidade Columbia doando 330 000 dólares para o Lamont–Doherty Earth Observatory para a compra de um sonar de varredura ampla, em troca do uso por cinco anos de equipamentos e serviços de técnicos. Os doutores William B. Ryan da Universidade Columbia e Fred Spiess da Scripps Institution of Oceanography na Califórnia se juntaram à expedição como consultores. Eles quase permaneceram em terra quando Grimm os apresentou a um novo consultor – um macaco chamado Titan, que foi treinado para apontar um ponto no mapa para supostamente indicar onde o Titanic estava. Os cientistas lançaram um ultimato: "Ou nós ou o macaco." Grimm preferiu o macaco, mas prevaleceu a ideia de levar os cientistas e deixar o macaco.

Os resultados foram inconclusivos, pois em três semanas de levantamento em mau tempo quase contínuo durante julho e agosto de 1980 não tinham conseguido encontrar o Titanic. O problema foi exacerbado por limitações tecnológicas; o sonar Sea MARC usado pela expedição tinha uma resolução relativamente baixa e era um equipamento ainda não testado totalmente. Se passaram 36 horas para o primeiro lançamento quando a cauda foi lacerada durante uma curva acentuada, destruindo o magnetómetro, que seria vital na detecção do casco do Titanic. No entanto, conseguiu pesquisar uma área de cerca de 500 milhas náuticas quadradas e identificou 14 possíveis alvos.