Otto Maria Carpeaux, pseudônimo de Otto Maria Karpfen, nascido Otto Karpfen, 1900. (Viena, 9 de março de 1900 – Rio de Janeiro, 3 de fevereiro de 1978), foi um historiador, crítico e jornalista de origem austríaca que se naturalizou brasileiro em 1944. e foi aclamado pela crítica e público pelas obras Pequena bibliografia crítica da literatura brasileira, , pp. 1, 4: “Pequena bibliografia crítica da literatura brasileira, incomparável contribuição à nossa história literária, de Otto Maria Carpeaux, esse homem [que] vem esmerilhando o nosso patrimônio literário com um carinho e uma minúcia bibliográfica que em geral faltaram aos nossos críticos e historiadores”. — , p. 7: “Brasileiro, com pouco mais de dez anos de Brasil e de contato com a nossa literatura, Carpeaux é dos que entendem do assunto [...] De onde as qualidades excepcionais do trabalho em questão, no qual o pesquisador se pôs a serviço do crítico e do historiador literário.” — , 1955: “[...] seja como repositório de referências biobibliográficas utilíssimas e que foi Carpeaux o primeiro a reunir, no Brasil, numa obra que abrange todas as fases e escolas da literatura brasileira; seja como orientação crítica [...] a Pequena bibliografia crítica da literatura brasileira vem incluir o nome de Otto Maria Carpeaux na lista dos europeus a quem a nossa vida cultural ficará sempre devendo”. — , 1952: “Doravante, disporemos, porém, de um trabalho [...] que servirá de base, no particular, a qualquer estudo literário entre nós. O seu autor presta com ele [...] um relevante e imorredouro serviço a nossos estudos literários”. — , 1952: “Para os trabalhos de história e crítica literária, como para os estudos didáticos de literatura brasileira, esta obra se torna agora valiosa e mesmo imprescindível.” , 1953: “Um fato pouco comum no Brasil: esgotou-se a primeira edição (10 mil exemplares) da Pequena bibliografia brasileira [sic], [produzida] por Otto Maria Carpeaux para o Serviço de Documentação do Ministério da Educação. Informa-se, agora, que aquele escritor acaba de entregar os originais da segunda edição, que aparecerá emendada e aumentada...” Uma nova história da música e, sobretudo, História da literatura ocidental, reputadas entre as mais importantes que se publicaram no Brasil no século XX.
Biografia Na Europa Otto Karpfen nasceu a 9 de março de 1900 na casa paterna,, 1900, p. [67-B] (col. 1): “Ort der Geburt, Wohnung der Eltern: — II. Kaiser Josefstr. 35” [Local do nascimento; residência dos pais: — 2.º distrito, rua Kaiser Josefstrasse, n.º 35]“na casa paterna”: , f. 33: “De documentos redigidos em idioma alemão, que me foram apresentados nesta data, consta que o Dr. Otto Maria Karpfen, nascido em Viena II (Áustria), à rua Kaiser Josefstrasse, 35, aos nove de março de mil e novecentos, é filho legítimo de Max Karpfen” (grifamos). situada no prédio de apartamentos na rua Kaiser Josefstrasse, n.º 35,“Kaiser Josefstrasse”: renomeada “Heinestrasse” [Heinestraße] em 1919 (In: , “Kaiser-Joseph-Straße (2)”, em Wien Geschichte Wiki); e referida, atualmente, pela grafia “Kaiser-Joseph-Strasse” [Straße].“...n.º 35”: o edifício de n.º 35 foi alvo de qualquer de cinco bombardeios que se lançaram sobre o distrito (“bairro”) entre 10 set. 1944 e 15 jan. 1945, últimos meses de Segunda Guerra. Outros dois prédios de apartamentos, relevantes panos de fundo da biografia de Carpeaux, foram com aquele simultaneamente bombardeados: na mesma via, o de n.º 30; aos fundos deste, o de n.º 1 na travessa Aloisgasse, todos três exatamente alinhados, pelo que se presume tenham sido alvo de única bomba ou bateria. — Sobre os 55 bombardeios lançados contra Viena, dos quais cinco sobre o distrito de Leopondstadt, vide , Luftkrieg, em Wien Geschichte Wiki. — “Inventário visual” de edifícios destruídos ou condenados disponível em mapa histórico fornecido pela Prefeitura de Viena: “Kriegssachschädenplan, um 1946”. em Leopoldstadt, isto é, no segundo distrito da “Capital Imperial e Real e Cidade Residencial de Viena” (k. k. Reichshaupt- und Residenzstadt Wien), como era o seu nome oficial sob a Coroa habsburga; “capital imperial”, no entanto, apenas para a porção germânica do Império Austro-Húngaro, o qual se constituía do estado soberano do Império Austríaco, de que os Karpfen eram naturais, e do Reino da Hungria, que tinha Budapeste por capital. Seu pai era o israelita de ascendência morávia, . — Abraham Karpfen (1775-1861), Hermann K. (1809-1890) e Anton David K. (1844-1916), respectivamente bisavô, avô e pai de Dr. Max, eram naturais de Pohorelice, cidadezinha do Margraviato da Morávia. Dr. Max Karpfen (Viena, 1869-1931), doutor em Direito titulado, com toda a probabilidade, na Universidade de Viena;“formado, com toda a probabilidade, na Universidade de Viena”: Max Karpfen declarou-se Juris Doctor (“JDr.”) ano pós ano na lista de endereços Lehmann (vide notas 19 e 21), sem referência à instituição, obviamente; instituição, por fim, presumivelmente de sua terra natal e não alhures. irmão mais novo de Friederike Engel (1868-1937) e tio dos meninos Ernst e Oskar;, . e agente de seguros na Versicherungs-Gesellschaft “Donau”,“Karpfen”, em , p. 591 (col. 1): “Max, JDr., Bmt. d. Versich. Ges. ‚Donau‛”, i.e., “Max, Juris Doctor, Beamter des Versicherungs-Gesellschaft ‚Donau‛” [Max, Doutor em Direito, agente da Companhia de Seguros “Donau”]. a sesquicentenária “Companhia de Seguros Danúbio”, que ainda hoje, há mais de século e meio, ocupa o casarão: “Die ab 1867 bestehende Donau-Versicherung zog [...] 1874 in den Donauhof (1., Schottenring 13-15) um, wo sie bis heute ihren Firmensitz hat” [A Donau-Versicherung, que existia desde 1867, mudou-se para o [casarão] Donauhof (1.º distrito, Schottenring 13-15) em 1874, onde ainda hoje tem a sua sede]. onde Herrn Max trabalhou entre 1904 e 1931;“entre 1904 e 1931”: conforme registros nos volumes de 1905 a 1931 do anuário de endereços Lehmann (posteriomente Wiener Adressbuch), cujas publicações eram contratadas até o terceiro trimestre do ano precedente. Os referidos registros acham-se digitalizados nas seguintes páginas (acessíveis mediante serviço de VPN): 1905; 1906; 1907; 1908; 1909; 1910; 1911; 1912; 1913; 1914; 1915; 1916; 1917; 1918; 1919; 1920; 1921-1922; 1923; 1924; 1925; 1926; 1927; 1928; 1929; 1930; 1931. — e sua mãe, a israelita de origem polonesa Gisela Schmelz (1880-1942), natural de Cracóvia, capital do grão-ducado austríaco homônimo, e irmã mais velha do engenheiro Dr. Ernst Moriz Schmelz (1883-1962), . — Ernst Moriz Schmelz, nascido Moriz (“Ernst M.” em dez. 1908), natural de Viena, Doutor em Engenharia Elétrica pelo k.k. Polytechnisches Institut (Instituto Politécnico Imperial e Real), posteriormente designado Technische Universität Wien (TU Wien); naturalizado americano em 1912 (In: , , vol. 19.896, f. 31, 29 set.-24 nov. 1916.); esposo da austríaca da Boêmia Auguste Bertha (1884-?), e residente em Detroit e ali sepultado. Decerto em visita ao sobrinho Otto Maria, Dr. Schmelz esteve no Rio de Janeiro em agosto de 1955 (In: , , Washington, D.C., 1 ago. 1955; documento bilíngue acompanhado de retrato fotográfico). e, por fim, vítima dos nacional-socialistas entre abril e outubro de 1942,; , 2018. período no qual seu filho, que lhe ignorava o paradeiro em meio à guerra, preparava no Rio de Janeiro sua primeira obra de língua portuguesa, A cinza do purgatório: ensaios, publicada na primeira quinzena de dezembro de 1942..
“O ambiente em que vivia a família”, escreveu Renard Perez em artigo biográfico, “era burguês sem riqueza”, e Otto, filho único, “fez os estudos primários em Viena: mas esse período de sua vida”, observa o jornalista, “se encontra quase totalmente esquecido, e daria trabalho para um psicanalista a tentativa de sua reconstituição. Também o ginásio (8 anos) foi feito em Viena”., p. 3.
Por desejo do pai, iniciou em 1918, 2016, p. 180. o curso de Direito, mas o abandonou um ano depois, por não sentir a vocação., p. 3. Por volta de 1922, 2002, p. 22, nota 3: "Em Viena, no início do século XX, o título de doutor não era obtido em cursos de pós-graduação como hoje. Após frequentar oito semestres, apresentar a defesa de uma tese e conseguir aprovação nos exames finais, o estudante obtinha o referido título" (grifos nossos). até 1925 estudou na Faculdade de Filosofia da Universidade de Viena, frequentando cursos de filosofia e química e graduando-se em Química em 29 de junho de 1925, obtendo o título de Doutor em Filosofia com a tese Über die Hypohirnsäure, ein neues Triaminomonophosphorsulfadit aus Menschenhirn,. publicada em 1926 na revista Biochemische Zeitschrift., f. 131. Embora não seguisse a profissão,, 2011. continuou na Universidade de Viena de 1925 a 1927, exercendo o cargo de assistente da Faculdade de Filosofia., f. 131., .
Num período ainda não esclarecido (antes de 1922 ou depois de 1927), Carpeaux ainda teria estudado na Faculdade de Filosofia da Universidade de Leipzig,, f. 131. bem como Literatura Comparada na Faculdade de Filosofia da Universidade de Nápoles, f. 131., 2002, p. 22. e Sociologia e Política na Hochschule für Politik (Escola Superior de Política), de Berlim., 2002, p. 22. — A julgar por , f. 131, Carpeaux teria cursado Sociologia e Política na Haute École des Sciences Politiques, de Paris.
De 1927 a 1929, segundo registros da Fundação Getúlio Vargas,, f. 131. Carpeaux teria percorrido a Europa, especializando-se em universidades e atuando, a partir de 1928, como correspondente de jornais vienenses, em Paris, Londres, Roma e Amsterdã. Em 1927 ou 1928, teria se formado na Haute École des Sciences Politiques, de Paris; em 1928 na Faculté de Lettres de Genebra. Entre 1928 e 1929, conforme revela Homero Senna, "teria trabalhado em Berlim redigindo roteiro para o cinema mudo",Homero Senna, 'A literatura brasileira vista por um europeu', em República das Letras (3ª ed., Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1996), p. 295, apud VENTURA, 2002, p. 22. atividade a que Carpeaux se referiu em um pronunciamento, em 15 de julho de 1942, no Rio, durante um "debate sobre cinema silencioso e sonoro"..
De volta a Viena, casou-se em 22 de fevereiro de 1930, na Sinagoga Hietzinger,. — O casamento, que consta do 'Index of Jewish Records of Vienna and Lower Austria', ocorreu "im Tempel XIII, Eitelbergg.", ou seja, no Templo do "13.º distrito" de Viena, a Hietzinger Sinagoge, antigamente localizada na rua Eitelbergergasse, n.º 22, destruída em novembro de 1938 pelos nazistas. com a cantora Helene Silberherz (Ottynia, 18 de setembro de 1899. – Rio de Janeiro, c. 1988, p. 295, nota 61.) que ele já conhecia havia anos e, no ano seguinte, morre-lhe o pai., p. 3. Meses antes, em 1931, teria começado a escrever ensaios e resenhas literárias e musicais para alguns periódicos, como a revista Die Literatur, 1931-1932, p. 605 et seqq. (Stuttgart), o jornal Neue Freie Presse, 1931b, p. 27. (Viena), a revista Der Querschnitt, 1932. (Berlim) e, de 1931 a 1934, a revista musical Signale für die musikalische Welt, 1931a, pp. 746-748. (Berlim).