A língua páez ou nasa yuwe é uma língua não classificada da Colômbia, falada pelo povo Paez.

É falada por 33,4% da segunda maior etnia indígena colombiana, os Paez ou Nasa, no norte do Departamento de Cauca, no sudoeste da Colômbia e em outros departamentos da Colômbia como Huila, Valle e Tolima.

Na língua, as palavras são modificadas por sufixos, e, em alguns casos, também prefixos, possibilitando diversas variações. Utiliza vogais abertas e nasalisadas e diversas consoantes palatalizadas, aspiradas e palatalizadas-aspiradas.

Etimologia Páez, exônimo da língua, é também o nome pelo qual a etnia é conhecida. O termo se originou da palavra paeces, que os espanhóis usaram para se referir aos habitantes locais, que por sua vez é uma espanholização de pats, "à direita" (do rio Cauca), e também significava "verdadeiro".

Nasa yuwe, endônimo da língua, também se relaciona à denominação daquele povo. Na língua páez, nasa significa "gente", "pessoa", além de ser o nome do próprio povo. Já yuwe significa, entre outros, "idioma".

Distribuição Região De acordo com o Departamento Nacional de Planejamento (DNP), havia em 2004 103 reservas pertencentes ao povo nasa na Colômbia, em uma área de 390.509 hectares, contabilizando 137.812 pessoas. Essas reservas estão distribuídas nos Departamentos de Caquetá, Cauca, Huila, Meta, Putumayo, Tolima e Valle del Cauca, Não se identifica diáspora.

Dialetos São identificados os dialetos Pitayo e Paniquita

Línguas relacionadas Paul Rivet e outros no século XX classificaram a língua páez como chibchana,Rivet, Paul (1952) "Langues de l'Amerique du Sud et des Antilles"; Meillet A. et M. Cohen . Les langues du monde (em francês). Paris. porem Adolfo Constenla Umaña considera que não é uma língua propriamente chibchana. Mais recentemente, foi proposto um filo macro-chibcha, que incluiria o páez e a família Barbacoana. Na mesma linha da proposta macro-Chibcha, Greenberg propõe uma macro-família Chibchano-Paezana.Greenberg, Joseph H. (1987) Language in the Americas (em inglês). Stanford, California: Stanford University Press. ISBN 0-8047-1315-4 Para Jon Landaburo, ainda não há razões suficientes para manter esas clasificações.Landaburu, Jon (2000). "Clasificación de las lenguas indígenas de Colombia". Lenguas Indígenas de Colombia. Una visión descriptiva. Bogotá: Instituto Caro y Cuervo, p.p. 25-48 Outros autores propõem uma família "barbacoana-paezana". No entanto, estrutural e lexicamente, Paez e Barbacoano são muito diferentes e formas lexicais semelhantes poderiam ser devidas a empréstimos, dada a proximidade geográfica dessas línguas.Curnow, Timothy J. (1998) "Why Paez is not a Barbacoan language: The nonexistence of "Moguex" and the use of early sources". International Journal of American Linguistics, 64 (4): 338-351.

Para outros Nasa Yuwe é uma língua independente,Gordon, Raymond G., Jr. (Ed.). (2005). Ethnologue: Languages of the world (15th ed.) Dallas, TX: SIL International. ISBN 1-55671-159-X (em inglês) embora sua relação com o Andaquí,Jolkesky, Marcelo Pinho de Valhery (2016) Estudo arqueo-ecolinguístico das terras tropicais sul-americanas. Doutorado em Linguística. Universidade de Brasília. e talvez com outras línguas extintas possa ser aceita.Adelaar, Willem F. H.; & P. C. Muysken, 2004. The languages of the Andes (em inglês). Cambridge University Press. Não há consenso e as opiniões variam amplamente.Campbell, Lyle. (1997) American Indian languages: The historical linguistics of Native America (em inglês). New York: Oxford University Press. ISBN 0-19-509427-1

História thumb | histórias da língua Nasa A história da língua está intimamente ligada à história do povo. O povo páez é indígena e camponês, e sua maioria vive no vale do Cauca. Cerca da metade fala atualmente a língua páez como língua materna. Buscaram resistir à colonização espanhola, e a região central de sua área só foi invadida culturalmente pelos missionários católicos no século XVII, seguida pelo assentamento de colonos espanhóis no século seguinte. Assim, buscaram também manter a língua, apesar do impacto da colonização.

História da documentação

Os primeiros trabalhos sobre a língua páez relacionam-se com a evangelização. O primeiro estudo sobre a língua foi feito por Castillo y Orosco, padre de Tálaga, entre 1730 e 1755. Ele elaborou um dicionário páez-castelhano, um catecismo e dois textos de ensino religioso, além de noções gramaticais. Uma segunda referência é de Uricoechea, que em 1877 publicou a obra de Castillo y Orosco, junto com um dicionário castelhano-páez, correções e uma lista de palavras comuns entre Páez e quechua.

Ensino A lei 1381 de 2010, da Colômbia, conhecida como Lei de Línguas Indígenas, busca fortalecer o ensino e preservação das línguas indígenas, entre elas o páez. Os principais aspectos que estimulam o ensino são a exigência de educação bilíngue (língua materna e espanhol) nas comunidades indígenas e a criação de materiais educativos em línguas indígenas, para garantir seu uso ativo nas escolas e comunidades.

Fonologia Vogais O páez tem quatro vogais orais y quatro nasais (i, e, a, u) e registra vogais curtas e longas, portanto, o número de segmentos vocálicos em oposição fonológica é 16:Gerdel, Florence L. and others. (1973). Sistemas fonológicos de idiomas colombianos 2:132. Bogotá: Ministerio de Gobierno and Instituto Lingüístico de Verano. Anteriores Centrais Posteriores Fechadas Médias Abertas Consoantes A língua Paez possui 38 fonemas consonânticos, sendo sua particularidade a abundância de consoantes palatalizadas, aspiradas e palatalizadas-aspiradas.Nieves Oviedo, Rocío; Tulio Rojas y Marcos Yule. (1991) Estudios Fonológicos de la Lengua Paez (Nasa Yuwe); Descripciones 6; Colciencias – Universidad de los Andes, Bogotá. LabialAlveolarLamino-palatalVelarGlotal simples palat. simples palat. simples palat. simples palat. simples palat. oclusiva surda aspirada prenasalizada nasal fricativas surda sonora lateral aproximantes

Ortografia A língua Páez usou uma forma do alfabeto latino desenvolvida por missionários, que não apresenta as letras H, K, R, U, mas usa as formas bj, by, vcj, cy, ch, chj, dy, dj. fy, jy, ll, ñ, py, pj, sh, ty, ts, tsj, zh. Atualmente usa um alfabeto unificado com os desenvolvidos por linguistas de organizações indígenas.Rojas Curieux, Tulio (2002) “Desde arriba y por abajo construyendo el alfabeto nasa. La experiencia de la unificación del alfabeto de la lengua páez (nasa yuwe) en el departamento del Cauca - Colombia”; ponencia presentada en el simposio La lingüística al servicio de los idiomas indígenas, Universidad de Texas, Austin, Latin American Network Information Center. Consultado em 12 de setembro de 2021. +Tabela grafema-fonemaGrafemaFonemaa/a/ã/ã/e/e/ẽ/ẽ/i/i/ĩ/ĩ/u/u/ũ/ũ/b//bj/by//c/c//cj//cy//ch//chj//d//dy/dj//f//fy//g//j/h//jy//l//ll//m//n//ñ//p/p//py/pj//q///s//sh//t/t//ty//ts///tsy/tsj//v//vy//w//y//z//zh//'//

O acento agudo indica um tom crescente na palavra. É utilizado quando a última sílaba possui tom crescente ou no caso de certas partículas que sempre são acentuadas. O til (~) indica que uma vogal é nasalizada. Adicionalmente, a ortografia representa o "saltillo" (parada glotal), pelo símbolo " ' ".

Gramática A língua páez é considerada uma língua aglutinante. Algumas de suas características podem ser destacadas:Rojas Curieux, Tulio; Roció Nieves Oviedo, y Marcos Yule Yatacue. (1991) Estudios Grammaticales de la Lengua Paez (Nasa Yuwe). Descripciones 7; Colciencias – Universidad de los Andes, Bogotá. Pronomes Pessoais

Os pronomes pessoais da primeira e da segunda pessoa do singular são diferentes para os gêneros feminino e masculino. Para todos os casos, o plural deriva da forma feminina. A terceira pessoa é neutra. + Pronome pessoal sujeito 1ª2ª3ªsingularMandy / andya'indy / indya'Fũ'cue / ũ'cue'i'cue / i'cue'neutrotyãa / tyãa' pluralcue'sh / cue'sha'i'cue'sh / i'cue'cha'tyãawe'sh / tyãawe'sha' Verbos Na língua paez há verbos regulares e irregulares. Os verbos podem se alterar segundo: NúmeroSingular e pluralPessoa e gêneroPrimeira, segunda (masculina, feminina e feminina familiar) e terceiraModoInfinitivo (infinitivo, gerúndio e particípio), indicativo e imperativoTempoPresente, futuro e seis tipos de passado, além do progressivoVozAtiva e passiva

O verbo é conjugado com sufixos de tempo, modo e aspecto e na segunda pessoa com sufixo do gênero feminino ou masculino. Podem ter prefixos de intensidade.

+Exemplo - Verbo falar (we'we-) - Presente do indicativoPessoaConjugação1ª singularwe'we-'tj2ª singular masculinowe'we-'ng2ª singular femininowe'we-'i'cue2ª singular feminino familiarwe'we-'i'cha3ª singularwe'we-'c1ª pluralwe'we-'tja'w2ª pluralwe'we-'i'cue3ª pluralwe'we-'ty

Verbos regulares

Para os verbos regulares, a raiz não se altera. Nos casos em que a raiz termina em vogal, são adicionados diretamente os sufixos pronominais. Caso a raiz do verbo termine em consoante, uma vogal formativa é adicionada antes dos sufixos. +ExemplosRaiz do verbo (modificação)SufixoVerbo conjugadoVerbo regular com raiz terminada em vogalpa'ya-

chamar -ty (3ª pessoa do plural, pretérito)pa’yaty

chamaramVerbo regular com raiz terminada em consoantepu'ch- (pu’chji-)

ajudar -tyna (3ª pessoa do plural, futuro)pu'chjityna

ajudarão Com certos sufixos, pode haver deslocamento da sílaba tônica. No presente e no futuro, a vogal ao final da raiz também pode apresentar modificações.

+ExemplosRaiz do verbo (modificação)SufixoVerbo conjugadoVerbo regular com raiz terminada em vogalwete—(wetée-)

(cair) -tyna (3ª pessoa do plural, futuro)wetéetyna

(cairão)Verbo regular com raiz terminada em consoanteapj- (apjáa-)

(fechar) -na (3ª pessoa do singular, futuro)apjáana

(fechará)

Pode ainda haver alteração vocálica na raiz, no imperativo.

Verbos irregulares

Para os verbos irregulares, pode haver alteração na raiz além das alterações de vogais dos verbos regulares. Há três grupos de alterações:

-supressão do -j- central da raiz no presente, futuro e progressivo. Exemplo: tyujnde- >> tyunde- (separar)

- supressão do -j- central da raiz, com extensão da vogal. Exemplo: tejca- >> teega- (subir)

- supressão do -j ao final da raiz, com extensão da vogal. Exemplo: dej- >> dee- (dormir)

Substantivos Os substantivos são declinados por sufixos que marcam casos nominativos, acusativos, dativos, ablativos, locativos e instrumentais, com posposições em vez de preposições.

Os substantivos podem ser primitivos, derivados ou compostos:

Substantivos primitivos: não se originam de nenhuma outra palavra

+Exemplos de substantivos primitivosSubstantivoTraduçãonasagentecusemãonuschuva

Substantivos derivados: formados por uma palavra mais um prefixo ou sufixo +Exemplos de substantivos derivadosSubstantivo derivado (tradução)Substantivo primitivo (tradução)n-piitstjẽ’j (chefe)piitstjẽ’j (homem)p-dyi’p (cara a cara)dyi’p (cara)p-chi’c (filho com pai e mãe, prefixo usado para indicar dualidade, um par de parentes)chi’c (filho, filha)

Substantivos compostos: compostos por duas ou mais palavras +Exemplos de substantivos compostosSubstantivoFormaçãoqui’sen (domingo)qui's- (densansar), en (dia)yu’walayu' (água), wala (grande)

Os substantivos derivados podem se classificar em diversas origens, caracterizados pelo sufixo ou prefixo correspondente. Entre os tipos de substantivos derivados estão o aumentativo, o diminutivo, o coletivo, o derivado de raízes verbais, o adjetivo ou adverbial e o derivado de substantivos, adjetivos ou verbos. Podem ainda se classificar segundo o significado, em concreto e abstrato, e segundo a extensão, em comum ou próprio.

Número

De forma geral, usa-se a forma singular, tanto para a finalidade singular quanto para plural. O número é indicado pelos sufixos agregados ao substantivo. Os substantivos abstratos não possuem plural.

Caso