Celióbriga, também documentada na historiografia antiga como Caelobriga, Coeliobriga ou Caliobriga, é um topónimo de matriz celta amplamente referenciado nas fontes clássicas da Antiguidade Peninsular. O vocábulo resulta da aglutinação do étimo indígena correspondente ao povo dos celernos com o sufixo -briga, que traduz a existência de uma povoação fortificada em altura ou de um oppidum. Na obra monumental Geografia, redigida no século II d.C. pelo astrónomo e geógrafo grego Cláudio Ptolomeu, a localidade surge cartografada com coordenadas geográficas precisas e é explicitamente identificada como a capital ou o principal núcleo urbano e administrativo do povo galaico dos celernos (Coelerni), integrando o território jurídico do Conventus Bracaraugustanus, cuja sede se fixava na atual cidade de Braga.

Durante vários séculos, a localização exata de Celióbriga constituiu um dos maiores focos de debate na historiografia do Noroeste Peninsular, dividindo investigadores em Portugal e na Galiza. A erudição tradicional portuguesa dos séculos XVII e XVIII, com particular destaque para os trabalhos do cronista Jerónimo Contador de Argote, procurou associar este topónimo romano às vilas modernas de Celorico de Basto ou Celorico da Beira, fundamentando essa tese quase exclusivamente em critérios de proximidade fonética. Contudo, as sondagens e escavações arqueológicas contemporâneas realizadas nestas regiões do território nacional não detetaram quaisquer vestígios materiais, estruturas defensivas ou marcadores epigráficos que pudessem validar uma ocupação humana compatível com a dimensão administrativa da capital dos celernos.

A resolução deste enigma geográfico e histórico acabou por ser alcançada através do cruzamento de dados epigráficos recolhidos a partir de meados do século XX. O primeiro indicador documental consolidado provém do Padrão dos Povos, uma coluna honorífica datada de 79 d.C. e situada junto à ponte romana da cidade de Chaves, onde os celernos são listados como uma das dez comunidades locais que financiaram a edificação daquela estrutura viária sob o reinado do imperador Vespasiano. No entanto, a confirmação definitiva ocorreu em 1970 com a descoberta da Tábula de Castromao, uma placa de bronze datada do ano 132 d.C. que regista um pacto de hospitalidade entre o magistrado romano Gneu António Aquilino e os líderes civis dos celernos, permitindo fixar a correspondência arqueológica de Celióbriga no Castro de Castromao, localizado no município de Celanova, na atual província de Ourense.

Atualmente, o sítio arqueológico de Castromao é reconhecido pela comunidade científica internacional como a verdadeira materialização de Celióbriga, oferecendo um testemunho preservado sobre o processo de transição cultural na Gallaecia antiga. As intervenções no terreno revelaram que o povoado começou por ser um forte reduto da Idade do Ferro, caracterizado por habitações de planta circular e muralhas defensivas robustas, que sofreu uma profunda reestruturação urbana a partir do período de Augusto. A progressiva integração no modelo imperial romano manifestou-se na abertura de arruamentos empedrados, na construção de edifícios públicos quadrangulares de cariz administrativo e no consumo em larga escala de bens importados, como a cerâmica do tipo terra sigillata, confirmando a relevância económica e estratégica que esta capital castreja deteve até ao seu progressivo abandono no período romano tardio.

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