A Força Aérea Checoslovaca (Československé vojenské letectvo) foi a força aérea das forças armadas da Checoslováquia. Era chamada de Força Aérea do Exército Checo (Československé letectvo) de 1918 a 1939. Em 1993 foi dividida entre a Força Aérea da República Checa e Força Aérea da Eslováquia.

História Sob a Primeira República 1918–38

Quando a Primeira República da Checoslováquia foi fundada em 1918, era um país sem costa marítima e cercado de vizinhos potenciamente hostis. Seu governo percebeu que precisava de uma força aérea e rapidamente fundou uma com o lema "Nosso mar está no ar".

A nova república herdou da Áustria-Hungria apenas três aeródromos militares e algumas aeronaves Hansa-Brandenburg. Na Primeira Guerra Mundial poucos checos ou eslovacos haviam servido na Força Aérea do Império Austro-Húngaro ou na Marinha Austro-Húngara, ou estavam em exílio no Exército do Ar Francês ou no Serviço Aéreo da Rússia Imperial.

thumb|Biplano Aero A.30 (bombardeiro leve e de reconhecimento) Entretanto, a Checoslováquia herdou muito da indústria Áustro-Hungara e rapidamente desenvolveu uma indústria aeronáutica. No início, teve a tendência de produzir projetos estrangeiros e motores sob licença. Ao se desenvolver, começou a projetar motores e aeronaves próprios. Os fabricantes checos de aeronaves incluem a Aero, Avia, Beneš-Mráz, Letov, Praga, Tatra e a Zlin. Os fabricantes de motores incluíam a ČKD, Walter e a Škoda.

A Aero (Aero továrna letadel) estava no quarteirão de Vysočany de Praga. Suas aeronaves de construção mista (madeira, metal e tela) e de metal eram competitivos no início da década de 1930, mas em 1938 apenas seu MB.200 (uma versão licenciada da Bloch) não estava completamente obsoleto.

thumb|Caça Avia B-534 A Avia (Avia akciová společnost pro průmysl letecký Škoda), uma marca da enorme indústria de maquinário pesado e militares Škoda Works (Škodovy závody), era diferente. Fundada em 1919 em uma antiga refinaria de açúcar nos subúrbios de Praga, Letňany e Čakovice, a Avia fez aviões próprios desde o início. Muitos de seus motores eram projetos licenciados da Hispano-Suiza. Ela produziu o caça checo padrão do final da década de 1930, o B-534, do qual 568 aeronaves foram produzidas. O B-534 e seus derivados ficaram entre os últimos caças biplanos a serem utilizados.

thumb|Biplano Letov Š-328, um derivado do Š-28 A fábrica estatal Letov (Vojenská továrna na letadla Letov), também de Letňany, empregava no final da década de 1930 cerca de 1.200 pessoas. Construiu o avião de reconhecimento Š-28, do qual mais de 470 foram construídos. A estrutura inteira era soldada junta. Não era parafusada nem rebitada. A fábrica Letov era a única Checoslovaca a produzir hélices de metal.

thumb|Bombardeiro médio Tupolev SB No final da década de 1930, os bombardeiros checos estavam obsoletos e a velocidade na qual a Alemanha Nazista estava se tornando uma ameaça, não houve tempo dos checos desenvolverem um novo bombardeiro próprio. Desta forma, em 1937, o governo adquiriu bimotores Tupolev SB da União Soviética, além de uma licença de produzir mais aeronaves, designado Avia B-71. 60 bombardeiros soviéticos SB foram entregues em Abril e Maio de 1938. Das versões produzidas pela Avia e pela Aero, 101 aeronaves foram produzidas.

O treinamento dos recrutas da força aérea se desenvolveram ao longo de vários meses durante a década de 1920 até o final da década de 1930. Em 1936 o Reichsmarschall Hermann Göring escreveu "A Força Aérea Checoslovaca deve ser considerada como uma das forças aéreas líderes em termos de pessoal, e considerando suas limitadas possibilidades financeiras, mais do que satisfatório em termos de material e equipamento".

Crise e ocupação 1938–39 Com a crise dos sudetos na Alemanha piorando, o Exército Checoslovaco e a Força Aérea se mobilizaram parcialmente em 21 de Maio de 1938 e completamente em 23 de Setembro. A força aérea tinha mais de 100 aeródromos e 1.300 aeronaves a disposição, das quais 650 eram aeronaves de frente. Mas em 29 de Setembro o Reino Unido e a Terceira República Francesa concordaram em deixar a Alemanha anexar a terra dos sudetos, com as forças checoslovacas sendo incapazes de resistir.

O Acordo de Munique foi seguido em 2 de Novembro de 1938 pela Primeira Arbitragem de Viena, na qual a Alemanha e a Itália Fascista permitiram que a Hungria anexasse o sul da Eslováquia. Então, em 15 de Março de 1939 a Alemanha ocupou a Checoslováquia, criou o Protetorado da Boêmia e Morávia e permitiu que o remanescente da Eslováquia se tornasse a República Eslovaca. A Alemanha permitiu que a Eslováquia mantivesse um pequeno exército e força aérea, mas ordenou que o governo da Boêmia e Morávia dissolvessem suas forças armadas.

A Luftwaffe confiscou todas as aeronaves da Força Aérea Checoslovaca. Todas as indústrias aeronáuticas checoslovacas foram convertidas para produzir aeronaves e motores alemães.

A Luftwaffe tentou recrutar pilotos checoslovacos inativos para algumas tarefas, como voos de translado ou meteorológicos, mas sem sucesso. Confiscaram também as aeronaves checoslovacas e tentaram fazer com que os pilotos os levassem para a Alemanha, mas de sete pilotos que decolaram do Aeródromo de Hradec Králové na Morávia, nenhum chegou na Alemanha. Três voaram para a Polônia, dois para a União Soviética e os outros dois caíram com suas aeronaves sem se machucar, mas as aeronaves foram destruídas. Após estes incidentes, a Alemanha desistiu em usar os pilotos checoslovacos.

A emigração era estritamente controlada e os ex-militares da força aérea eram proibidos de deixar o país. Entretanto, muitos pilotos checoslovacos conseguiram emigrar para a Polônia. Destes, alguns entraram na Força Aérea Polaca, mas a maior parte continuou para a França.

Segunda Guerra Mundial 1939–45 thumb|upright|Ás Josef František serviu nas forças Checoslovaca, Polaca, Francesa e Inglesa Os pilotos checoslovacos que entraram para a Força Aérea Polaca entraram em ação em Setembro de 1939 quando a Alemanha invadiu a Polônia. Muitos lutaram com distinção e 55 foram condecorados. Josef František estava entre os mais condecorados, recebendo a Ordem Virtuti Militari. Após a União Soviética se unir na invasão da Polônia, suas forças armadas capturaram alguns pilotos checoslovacos. Outros escaparam enquanto a Polônia ruía, alcançando primeiramente a Romênia e então indo pelos Balcãs e pela Síria ou Líbano para se juntar a seus compatriotas que já haviam chego na França.

Em primeiro momento, a França insistiu que todos os pilotos checoslovacos se juntassem à Legião Estrangeira Francesa. Apenas após a França declarar guerra contra a Alemanha ela concordou com o Comitê Nacional Checoslovaco em Paris para deixar seus homens serem transferidos para a Força Aérea da França e ter seus títulos de volta. Eles precisariam ser retreinados em aeronaves francesas, mas alguns completaram seu treinamento a tempo de lugar na Batalha de França em Maio e Junho de 1940. Destes, sete receberam a condecoração militar francesa mais alta, a Ordem Nacional da Legião de Honra, e cinco receberam a Medalha Militar. 70 pilotos checoslovacos incluindo Josef František e Karel Kuttelwascher, receberam a Croix de Guerre.

Reserva de Voluntários da RAF 1940–45 thumb|Pilotos do Esquadrão 310 em RAF Duxford na frente de um Hawker Hurricane Mk I, Setembro de 1940 Após o Armistício de 22 de junho de 1940, muitos pilotos checoslovacos escaparam pelas costas francesas do Mediterrâneo ou do Atlântico, ou pelo norte da África controlado pela França. Alguns foram para o Reino Unido, onde o General de brigada Karel Janoušek rapidamente fez um acordo com o Departamento de Guerra do Reino Unido para eles aderirem à reserva da RAF (). Em 12 de Julho de 1940, uma superintendência checoslovaca foi criada, com Janoušek como superintendente geral e com o cargo da RAF de Air Commodore.

Um depósito checoslovaco foi criado na RAF Cosford em Shropshire. A RAF rapidamente criou novos esquadrões formados de pilotos checoslovacos. A primeira unidade de caça foi o Esquadrão No. 310, formado em 10 de Julho de 1940 e imediatamente se juntou à Batalha da Grã-Bretanha. No fim de Julho uma unidade de bombardeiros, Esquadrão No. 311, foi criada. Outras unidades de caça seguiram: Esquadrão No. 312 em Agosto de 1940 e o Esquadrão No. 313 em Maio de 1941.

Os checoslovacos rapidamente se adaptaram à estrutura, táticas e tipos de aeronaves da RAF. Hugh Dowding, que liderou o Comando de Caça da RAF na Batalha da Grã-Bretanha, posteriormente recordou: thumb|Três aeronaves Vickers Wellington 1C do Esquadrão No. 311 em voo, Março de 1941 Devo confessar que estava um pouco duvidoso do efeito que a experiência que tiveram em seus próprios países e na França teria nos pilotos poloneses e checoslovacos, mas minhas dúvidas logo sumiram, pois todos os três esquadrões entraram na batalha com um ímpeto e entusiasmo que está além de elogios. Eles foram inspirados por um ódio ardente pelos alemães que os fez oponentes muito mortais.

De 1940 a 1942, o Esquadrão No. 311 era parte do Comando de Bombardeiros da RAF. O comandante do grupo disse que o 311 "fez um show maravilhoso" e que tinha "os melhores navegadores no Comando de Bombardeiros".

thumb|Sete pilotos do Esquadrão No. 312 na RAF Harrowbeer em Devon, logo após o presidente Edvard Beneš tê-los condecorados. Cinco possuíam a Cruz de Guerra Checoslovaca (1939–1945) e quatro o que parece ser a Československá medaile Za chrabrost před nepřítelem ("Medalha por Bravura frente ao Inimigo"). A maioria dos militares da força aérea que escaparam da Checoslováquia ocupada eram tripulantes. A RAF estava escassa em pessoal de solo checoslovaco, então novos esquadrões continuaram a ser formados em parte por militares do Reino Unido e outras nacionalidades. Vários tripulantes checoslovacos foram destacados em mais de 60 outras unidades da RAF, incluindo 11 esquadrões da linha de frente.

Foram destacados checoslovacos o suficiente no Esquadrão No. 68 da RAF para formar uma esquadrilha inteira. O esquadrão até adotou um lema em checo: Vždy připraven ("Sempre pronto"). O ás checo Josef František foi aclamado por um autor da época como "um dos maiores pilotos checoslovacos, talvez um dos melhores combatentes de todos os tempos", serviu na Batalha da Grã-Bretanha no esquadrão polonês No. 303. Karel Kuttelwascher, um ás de caça noturno de apelido "Ceifador da Noite" (), serviu no Esquadrão No. 1.

Força Aérea Soviética Outros pilotos checos e eslovacos lutaram contra a Alemanha sob comando soviético.

Força Aérea da República da Eslováquia 1938–45 Após a separação alemã da Checoslováquia em 1938, a Eslováquia ficou com uma pequena força aérea (Slovenské vzdušné zbrane ou SVZ) equipada primariamente com aeronaves checoslovacas. Em 1939 a SVZ defendeu a Eslováquia contra a Hungria na Guerra Eslováquia-Hungria e lutou ao lado de forças alemãs na invasão eslovaca da Polônia.

Na invasão alemã à Rússia a SVZ prestou cobertura aérea por forças eslovacas lutando contra a União Soviética na frente oriental. Durante a campanha, os biplanos eslovacos obsoletos foram substituídos com aeronaves alemãs, incluindo o Messerschmitt Bf 109. A força aérea foi enviada de volta à Eslováquia após fadiga de combate e a deserção ter diminuído a efetividade dos pilotos.

Unidades aéreas eslovacas participaram da Revolta Nacional Eslovaca contra a Alemanha a partir do final de Agosto de 1944.

Terceira República 1945–48 thumb|Desfile de despedida dos esquadrões checoslovacos na RAF Manston em Kent, no dia 3 de Agosto de 1945. John Slessor, com uma bengala, inspeciona alguns dos homens. Janoušek pode ser visto atrás dele.