João Paulo Lorenzon (São Paulo, 17 de julho de 1979) é um ator e diretor teatral brasileiro. Em 2012 foi indicado ao Prêmio Shell como melhor ator e representante do país no Festival Internacional de Avignon, na França, em 2015 e 2026 - neste último levou dois espetáculos brasileiros, um como ator, e outro como diretor. Fundou e dirige a Espaço Mágico Escola de Teatro e a Companhia Espaço Mágico.

Biografia e carreira Em 2002, João Paulo funda sua própria escola de teatro (Espaço Mágico Escola de Teatro) ao lado de seu amigo de infância Daniel de Luccia, que depois torna-se seu patrocinador oficial desde o seu segundo espetáculo: "O Funâmbulo", de Jean Genet (2009).

Em 2008, atuou no monólogo centrado no universo de Jorge Luis Borges, "Memória do Mundo". O crítico Luiz Fernando Ramos escreveu o seguinte sobre a atuação do ator: "Lorenzon atinge uma intensidade verdadeiramente teatral nas partes menos verbalizadas, distantes das palavras cristalinas do escritor." No ano seguinte, estreou o espetáculo solo "O Funâmbulo", centrado no poema de Jean Genet. Lorenzon viajou até Paris para conversar com os detentores dos direitos autorais, e disse que nunca havia visto "tanta exigência" para liberar os direitos de uma peça. miniaturadaimagem|João Paulo Lorenzon em "Nijinsky" Em 2010, chega ao seu terceiro monólogo: "De Verdade", adaptação do livro homônimo de Sándor Márai, encerrando "A Trilogia da Solidão", sob a direção de Antonio Januzelli, Janô. O crítico Dirceu Alves Pinto escreveu sobre este ciclo: "Lorenzon se destaca na difícil seara dos Monólogos. Convence e emociona ao retratar um homem que não conseguiu se entregar às duas mulheres de sua vida."

Em 2011, se une ao fotógrafo e artista plástico Maurizio Mancioli e cria um espetáculo-performance: "Água", monólogo em que o ator fica imerso em 3 toneladas de água. O espetáculo fez duas temporadas na galeria de arte contemporânea Parahaus.

Lorenzon foi indicado ao Prêmio Shell em 2012 por sua atuação como o escritor cego argentino Jorge Luis Borges no espetáculo "Eu Vi O Sol Brilhar em toda a sua Glória". Este espetáculo foi selecionado pela Funarte como o monólogo paulistano a representar o país no programa " Ano do Brasil em Portugal - Mostra de Teatro do Brasil ", no Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa, Portugal.

Em 2015, interpretou o bailarino russo Nijinsky na peça "Nijinsky - Minha Loucura é o Amor da Humanidade", único espetáculo brasileiro selecionado pelo Festival Internacional de Avignon na França. alt=|miniaturadaimagem|Joao Paulo Lorenzon encarna Van Gogh miniaturadaimagem|Foto Divulgação: Lançamento da Série "A Vida Secreta dos Casais", HBO Brasil Em 2018, Lorenzon estreia “Todos os Sonhos do Mundo”, espetáculo inspirado no universo de Fernando Pessoa e realiza simultaneamente, ao lado do fotógrafo italiano Maurizio Mancioli, a mostra de fotografia “Das Trevas Sonho”, celebrando a parceria de 10 anos dos dois artistas. Mancioli, neste período registrou com sua câmera os últimos seis trabalhos de Lorenzon. O filósofo e psicanalista Alan Victor Meyer, curador da exposição, define a essência da mostra: “ A trajetória de Lorenzon é a de um poema épico, 10 anos, 10 peças, um verdadeiro “tour de force” voltado a trazer o que há de mais belo e significativo nas nossas letras para o palco. É um privilégio ter esses momentos captados pelo olhar sensível de Mancioli e, com isso, toda essa inquietação pessoal do nosso ator, dramaturgo e diretor, como aquela de toda uma geração, preservada em suas fotos. A mensagem de Lorenzon é a procura de um lugar onde apesar de tudo seja possível reencontrar a vitalidade e a alegria de viver”.

Em 2019, encarna Van Gogh em seu décimo trabalho autoral, Van Gogh, Sombra do Invisível, criado a partir de Cartas a Théo, sob direção de Helena Fraga, no pequeno porão do Teatro Viga. O editor do Caderno 2, do jornal O Estado de S. Paulo, Ubiratan Brasil, escreveu: “Van Gogh - A Sombra do Invisível traz a união da coragem e da fraqueza. O Monólogo comprova que, por mais que pudesse ser errático e difícil, por mais que sofresse de colapsos nervosos e depressões, Van Gogh estava longe de ser o maluco consagrado pelo mito, mas, sim, o homem com uma determinação férrea de aprender e crescer como artista. João Paulo Lorenzon se inspira em Van Gogh para falar sobre superação”. O espetáculo prorrogou e ficou no total 5 meses em cartaz na cidade de São Paulo, onde realizou uma série de debates e diálogos durante sua temporada.

Lorenzon se especializou em monólogos, de 2008 a 2018 produziu dez trabalhos autorais experimentais, sendo cinco monólogos consecutivos, entre 2008 e 2012 e mais um em 2019. miniaturadaimagem|Encerramento do Festival Magico de Teatro 18a Edição Na virada de 2019 para 2020, o Festival Mágico de Teatro, realizado pela Escola de Teatro Espaço Mágico chegou a sua décima oitava edição. miniaturadaimagem|Cena do espetáculo "Eu Vi o Sol Brilhar em Toda a Sua Glória" - 2012 Em janeiro de 2021, a Cia. Espaço Mágico foi convidada a integrar o livro "Teatro de Grupo na Cidade de São Paulo e na Grande São Paulo: Criações Coletivas, Sentidos e Manifestações em Processos de Lutas e de Travessias", uma celebração ao teatro paulistano. O livro é um registro histórico do teatro que pulsa em suas salas e ruas, reunindo textos de 194 coletivos, com seus processos criativos, e artigos de 16 especialistas. A obra é um lançamento da Associação dos Artistas Amigos da Praça (Adaap), instituição que rege a escola de teatro, em parceria com a Secretaria Municipal de Cultura. A organização e curadoria foi realizada por Alexandre Mate e Marcio Aquiles e direção executiva de Ivam Cabral, que afirma: “Este livro certamente vai se tornar uma referência e fonte para pesquisadores, estudantes e artistas do mundo todo. Provavelmente é a obra mais completa sobre o fenômeno teatro de grupo publicada no Brasil até hoje. Além de produzir novos conhecimentos, o objetivo é difundi-los de forma a popularizar essas centenas de coletivos, dar mais visibilidade a seus trabalhos e legitimar uma produção que gera frutos notórios para a economia e a cultura do país”.

Em 2023, a Espaço Mágico Escola de Teatro, que completou 20 anos de história no ano anterior, foi selecionada pela Revista Vogue entre as escolas de teatro paulistanas de referência. A publicação destacou a proposta da instiuição de oferecer formação voltada também a pessoas sem intenção de seguir carreira profissional, com foco no desenvolvimento da expressão e da criatividade. Nas palavras do diretor teatral e ator Élcio Nogueira Seixas, a Escola Espaço Mágico é um “centro teatral de exploração das potencialidades criadoras humanas, onde Lorenzon compartilha com seus amigos-alunos sua filosofia cênica do conhecimento de si e do universo que o contém.” esquerda|miniaturadaimagem|João Paulo Lorenzon interpreta grandes enfrentamentos da condição humana em "Quase Infinito" Em 2024, Lorenzon estreou o monólogo “Quase Infinito” em duas temporadas. No teatro do SESC Pompeia em maio e junho, e no Teatro FAAP, entre agosto e setembro. Baseada no universo das obras do dramaturgo Jorge Luis Borges, a peça - em cinco atos - apresenta grandes enfrentamentos da condição humana no mundo moderno: o confronto com a tentação do ódio; o confronto com o nada e o esquecimento, como ameaças de esvaziamento de si próprio e do mundo; o confronto com a incomunicabilidade; e as chances de renascimento disponíveis para agarrarmos a cada novo dia. Quase Infinito é o sétimo monólogo de Lorenzon e o terceiro inspirado no universo de Jorge Luis Borges. O espetáculo foi muito bem recebido, com grande repercussão na imprensa e entre grandes nomes do teatro que assistiram e gravaram depoimentos ao ator. miniaturadaimagem|João Paulo Lorenzon em cena no espetáculo "Quase Infinito" O filósofa Camila Salles escreveu o seguinte sobre a atuação do ator: “João Paulo Lorenzon é um autor, poeta e ator contemporâneo. Ouvi o ódio de Macbeth -  mas também de muitos nós outros (ou mesmos) - da grande literatura que nos deu forma e que tirou esta que pretendemos ostentar. É claro que João nos lembra todos os grandes autores do século XX, que nos atingem em profundidade, sobretudo os da literatura e da filosofia. O julgamento absurdo, o encarceramento, a crueldade, o Nada, o Tempo...O inapreensível si mesmo, a ternura “malgré tout” e, é claro, Charles Chaplin. O script lembra todos porque é original. O toque brechtiano fica por conta dos co-atores cenográficos e iluminadores. É teatro poético-contemporâneo porque secreta passado - ainda que de forma relutante.”

Em 2026, onze anos depois de ser aclamado por público e crítica pelo solo Nijinsky — Minha Loucura É o Amor da Humanidade, Lorenzon retorna ao Festival D’Avignon, na França, com dois espetáculos inéditos. No teatro LaScierie, realiza onze apresentações de Nietzsche, Do Cavalo Nada Sabemos, texto dele com a psicanalista Renata Zambonelli, dirigido por Denise Stoklos e Alessandra Maestrini, a peça parte de um episódio real ocorrido com o filósofo alemão Friedrich Nietzsche (1844-1900), em 1889, em Turim. Ao ver um cavalo sendo espancado por seu criador,  Nietzsche agarra ao pescoço do animal para tentar salvá-lo da violência — esse teria sido o gatilho para seu colapso mental.

O crítico Manuel Piolat Soleymat do jornal La Terrasse escreveu o seguinte sobre a atuação do ator: “O compromisso visceral de um ator partindo dessa breve narrativa e com o torso nu, João Paulo Lorenzon lança-se em uma performance que mergulha nas próprias fontes da vida… O ator brasileiro explora as bases da loucura e da violência em uma performance que se destaca pela potência de seu diálogo com os sentidos e a fisicalidade… Uma performance que deslumbra e desdobra uma série de alegorias, perspectivas físicas, visuais e reflexivas… As sequências de teatro físico deixam uma marca profunda e duradoura… Ao golpear as próprias costas com uma corda ou estalar um chicote no ar, João Paulo Lorenzon desloca nossa perspectiva e assume a condição de um cavalo.  A experiência sensorial que ele constrói dilui a fronteira entre o animal e o humano, explorando formas alternativas de existir no mundo.”

João também escreveu e dirigiu Nunca Se Tem Tanta Força Como Quando Não se Tem Força Nenhuma, inspirado no universo de Sarah Kane, com Julia Setubal, no Théâtre des Vents, em Avignon, sobre a força para uma mulher que não tem mais nada a perder.

Filmografia Teatro miniaturadaimagem|Foto Divulgação do Espetáculo "Havemos de Amanhecer" miniaturadaimagem|"Abismo", foto integrante da exposição "Das Trevas Sonho" (2018) Ano Título Papel Nota 2008Memória do MundoJorge Luis Borges/ArgosDireção: Élcio Nogueira Seixas 2009O FunâmbuloAbdallah BentagaDireção: Joaquim Goulart. Direção de arte: Daniela Thomas 2010 De VerdadePétérDireção: Antônio Januzelli 2011ÁguaVários personagens Direção: Maurizio Mancioli e João Paulo Lorenzon 2012Eu Vi o Sol Brilhar em Toda a Sua GlóriaJorge Luis Borges/AlephDireção: João Paulo Lorenzon 2013Holher Mumem – Até onde se misturam um homem e uma mulher?HolherDireção: Arieta Corrêa e João Paulo Lorenzon 2014NIJINSKY - Minha Loucura é o Amor da HumanidadeNijinsky Direção: Gabriela Mellão e João Paulo Lorenzon 2015Havemos de Amanhecer Homem solitário Direção: João Paulo Lorenzon2018Todos os Sonhos do MundoPalhaçoDireção: João Paulo Lorenzon2019Van Gogh - A Sombra do InvisívelVan GoghDireção: Helena Fraga2024Quase InfinitoO HomemDireção: Elcio Nogueira Seixas

Séries para Televisão Ano Título Papel Nota 2017-2019 A Vida Secreta dos CasaisDaniel Madureira9 episódios

Filmes para Televisão Ano Título Papel Nota2000 De Cara Limpa Fábio 2003 Cheque de Terceiro Kid Curta-metragem

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