Flávia Júlia Helena (; Drepanon, 246/248 - Constantinopla, 330), também conhecida como Santa Helena, Helena Augusta, e Helena de Constantinopla, foi a primeira mulher de Constâncio Cloro, e mãe do imperador romano Constantino. Como nunca recebeu o título oficial de 'Imperatriz de Roma' como esposa do imperador, a maior parte dos historiadores defende que Helena nunca foi casada oficialmente com Constâncio, tendo sua união recebido apenas um reconhecimento superficial. De acordo com a tradição cristã, teria sido ela quem descobriu o local de crucificação de Jesus Cristo, tendo sido lá erguida a Basílica do Santo Sepulcro.
Venerada como santa, sua festa litúrgica é em 18 de agosto.
Origens familiares Helena nasceu numa família modesta de Drepanon, cidade na província de Bitínia, na Ásia Menor (atual Turquia). Quando conheceu Constâncio Cloro era apenas uma serva e este ainda não tinha o título de César. Por esta razão, não existiu uma oposição à relação. Por motivos políticos, Constâncio divorciou-se de Helena para se casar com Flávia Maximiana Teodora, que era filha natural ou adotiva do imperador Maximiano, que o tinha nomeado como co-regente.
Augusta Quando Constantino se tornou imperador em 306, Helena saiu da situação marginal em que se encontrara nos últimos treze anos. Helena adquiriu poder, tendo financiado a construção da nova capital do império, Constantinopla. Em 324 recebeu o título de Augusta, junto com a sua nora, Flávia Máxima Fausta.
Helena converteu-se ao cristianismo e algumas tradições fazem dela responsável pela conversão do filho, que em 313 tinha mandado publicar o Édito de Milão através do qual se passava a tolerar o cristianismo. thumb|left|Sarcófago Santa Helena - Museo Pio-Clementino (Vaticano). Helena gostava muito do seu neto mais velho, Crispus Caesar (filho de Constantino e de Minervina, uma relação ocorrida antes do casamento com Fausta), que foi nomeado pelo pai governante da Gália. Contudo, por volta de 326 Constantino decretou a execução de Crispus, então com vinte anos, que teria tentado seduzir a madrasta. Em vingança pela morte do neto, Helena teria mandado matar Fausta, embora não existam provas cabais disso.
Escavações de Helena em Jerusalém thumb|left|230px| Por volta dos 80 anos de idade, Helena empreendeu uma viagem a Jerusalém. Sócrates Escolástico escreve que ela o fez após receber instruções em um sonho.Sócrates Escolástico. História Eclesiástica. Livro I, cap. 17 O mesmo é relatado pela "Cronografia de Teófanes": «ela teve uma visão na qual lhe foi ordenado ir a Jerusalém e trazer à luz os locais divinos que haviam sido fechados pelos ímpios».«Cronografia» de Teófanes, ano 5817 (pela era alexandrina) (324/325 d.C.) Recebendo o apoio de seu filho nesta empreitada, Helena partiu em peregrinação:
Em busca das relíquias da Paixão de Cristo, Helena realizou escavações no Gólgota, onde, ao escavar a caverna na qual, segundo a tradição, Jesus Cristo foi sepultado, encontrou a Cruz Vivificante, os cravos e o título INRI. Também com a peregrinação de Helena a Jerusalém, a tradição do século IX, embora não baseada em crônicas históricas, associa a origem da Escada Santa.Scala-Santa (em inglês). Encyclopædia Britannica. A descoberta da Cruz por ela deu origem à celebração da Exaltação da Santa Cruz. Helena contou com a ajuda do bispo de Jerusalém Macário I e de um residente local mencionado em apócrifos, Judas Ciriaco.
Esta história foi descrita por muitos autores cristãos da época: Ambrósio de Milão (c. 340—397), Rufino de Aquileia (345—410),Rufino de Aquileia. História Eclesiástica. Livro I, cap. 7 Sócrates Escolástico (c. 380—440),Sócrates Escolástico. História Eclesiástica. Livro I, cap. 9 Teodoreto (386—457),Teodoreto. História Eclesiástica, I, 18 Sulpício Severo (c. 363—410),Sulpício Severo. Crônica, II, 33—34 Sozomeno (c. 400—450)Hermias Sozomeno. História Eclesiástica. II, 1 e outros.Por exemplo, Paulino de Nola. Cartas, 31, 4—5; Nicéforo Calisto, livro VIII, cap. 29.
A viagem e a benevolência de Helena durante a peregrinação são descritas na obra «Vida de Constantino» por Eusébio de Cesareia, escrita após a morte de Constantino para glorificar o imperador e sua família:
thumb|210px|
Viajando por todo o Oriente com esplendor real, ela espalhou inúmeros benefícios tanto para a população das cidades em geral, quanto, em particular, para cada um que a procurava; sua mão direita recompensava generosamente as tropas, ajudava enormemente os pobres e desamparados. A uns ela prestava auxílio financeiro, a outros fornecia roupas em abundância para cobrir a nudez, a outros libertava de grilhões, livrava do trabalho árduo nas minas, resgatava de credores e a alguns trazia de volta do exílio.
thumb|left|190px|
Os historiadores mais antigos (Sócrates Escolástico, Eusébio de Cesareia) relatam que, durante sua estada na Terra Santa, Helena fundou três templos em locais de eventos evangélicos: no Gólgota — o Templo do Santo Sepulcro; em Belém — a Basílica da Natividade; no Monte das Oliveiras — a igreja sobre o local da Ascensão de Cristo.
A hagiografia de Santa Helena, escrita mais tarde (século VII), contém uma lista mais extensa de construções, incluindo: no Getsêmani — a igreja da Sagrada Família; em Betânia — a igreja sobre o túmulo de Lázaro; em Hebrom — a igreja junto ao Carvalho de Mamre; junto ao Mar da Galileia — o Templo dos Doze Apóstolos; no local da ascensão de Elias — um templo em nome do profeta; no monte Tabor — um templo dedicado a Jesus Cristo e aos apóstolos Pedro, Tiago e João; no sopé do monte Sinai, junto à Sarça Ardente — uma igreja dedicada à Mãe de Deus.
De acordo com Sócrates Escolástico, Helena dividiu a Cruz Vivificante em duas partes: uma deixada em Jerusalém e a outra enviada a Constantino, que a teria colocado em sua estátua na Coluna de Constantino em Constantinopla. Helena também enviou ao filho dois cravos da Cruz (um colocado no diadema e o outro no freio do cavalo). No caminho de volta, ela fundou vários mosteiros, como Stavrovouni em Chipre
Datação das atividades de Helena A data exata da descoberta da Cruz é incerta. Historiadores debatem os seguintes marcos: 325-326 d.C. — Data proposta por Teófanes, o Confessor (séc. IX) e aceita por muitos cronistas tradicionais. 3 de maio de 326 — Data defendida pelo orientalista Giuseppe Simone Assemani no século XVIII. 320 d.C. — O teólogo russo Mikhail Skaballanovich, baseando-se em crônicas alexandrinas do século VI, sugere esta data, argumentando que Helena teria falecido por volta de 325.
Referências
Bibliografia LIGHTMAN, Marjorie; LIGHTMAN, Benjamin - Biographical Dictionary of Greek and Roman Women. Checkmark Books, 2000.
Ligações externas
Helena Constantinopla Categoria:Rainhas católicas Categoria:Santos crúzios Categoria:Dinastia constantiniana Helena Categoria:Bitínia Categoria:Mulheres do Império Romano Categoria:Mulheres do século III Categoria:Mulheres do século IV Categoria:Santos do século IV Categoria:Constâncio Cloro Categoria:Calvário Categoria:Monarcas canonizados Categoria:Imperatrizes romanas Categoria:Augustas romanas e bizantinas Categoria:Cristãs Categoria:Vera Cruz (cristianismo) Categoria:Santos do Império Romano