"Faroeste Caboclo" é uma canção composta por Renato Russo em 1979 e lançada por seu grupo, Legião Urbana, no álbum Que País É Este, de 1987. Ganhou bastante atenção quando do lançamento do álbum e, por isso, foi lançada como o terceiro single promocional em 1988. Por motivo de censura, houve a necessidade de editar a canção para a aprovação pela censura federal.
Em 2013, a canção ganhou uma adaptação cinematográfica, dirigida por René Sampaio e com roteiro de Victor Atherino.
Histórico e composição A canção foi composta em 1979, na chamada fase "Trovador Solitário" de Renato Russo.Fuscaldo (2016), p. 50 Foi apresentada pela primeira vez em 1983, sob vaias, num show da banda no Morro da Urca.
Em entrevista para Leoni, Renato Russo revelou que escreveu a música em duas tardes e que o roteiro foi improvisado, escrevendo-se os versos seguintes tomando em consideração as rimas a serem feitas com os versos anteriores. O próprio compositor, porém, entende que o enredo tem falhas, como não explicar por que João aceita ir no lugar do boiadeiro para Brasília ou por que Maria Lúcia se casou com Jeremias.
Flávio Lemos, baixista da banda Capital Inicial e ex-colega de Renato Russo na banda Aborto Elétrico, em entrevista concedida em 2004, disse que a música se refere a uma situação acontecida entre ele e Russo:
Russo, porém, em entrevista de 1988, disse que a música é completamente fictícia, e explica seu enredo:
A inspiração para Russo, segundo o próprio autor, foi "Hurricane", canção de Bob Dylan presente no álbum Desire, de 1976, que conta a história do boxeador Rubin Carter. Ainda sobre suas inspirações, o compositor cita "Domingo no Parque" (1968), de Gilberto Gil, além de Raul Seixas e a tradição oral do povo brasileiro.
Enredo e estrutura Narra a história de João de Santo Cristo, que, ao ver toda sua família morta, se rebela e vai para Salvador. Lá chegando, encontra um boiadeiro que vai para Brasília mas que pede para João ir no seu lugar. Ele vai e começa uma nova vida lá. Porém, diante de dificuldades econômicas, vira traficante, seguindo os passos de um peruano chamado Pablo. Posteriormente, ele tenta se redimir ao apaixonar-se por uma mulher chamada Maria Lúcia. Ao ver-se, porém, ameaçado por um homem rico e influente, decide trabalhar no contrabando de produtos bolivianos para se armar, se distanciando de Maria Lúcia e passando a morar em Planaltina. Ao voltar a ver sua amada, vê que um traficante rival, Jeremias, se casou com, e engravidou, Maria Lúcia; João, então, decide marcar um duelo com ele em Ceilândia, e acaba morrendo levando um tiro pelas costas. Ainda agonizando, ele recebe sua arma de Maria Lúcia e dá cinco tiros em Jeremias. Maria Lúcia também morre.
A canção tem 168 versos. Segundo o jornalista e historiador Marcelo Fróes, no manuscrito original com a letra de "Faroeste Caboclo" havia uma anotação de Renato dizendo que imaginava a música como um baião cantado por Luiz Gonzaga.
Com 9'03", a canção tem uma duração incomum, porém, outras duas composições de Renato são ainda mais extensas: "Metal Contra as Nuvens" (11'22") e "Clarisse" (10'32"). Em sua gravação original, a canção tem andamento moderado, com tempo de 140 bpm sendo executada na tonalidade sol maior. Levou uma semana para ser trabalhada em estúdio e os integrantes demoraram para conseguir tocar a base inteira sem errar ao menos uma vez – na verdade, a versão final acabou saindo com um erro: uma batida incorreta na caixa do baterista Marcelo Bonfá, que acabou sendo editado em estúdio para sugerir um som de cenário.
Lançamento e recepção A canção foi censurada, junto com "Conexão Amazônica", do mesmo disco. "Faroeste" pela presença de palavrões, enquanto "Conexão" por causa da temática, já que falava sobre o tráfico de drogas. Porém, em "Faroeste", foi feita uma edição onde se colocou um sinal sonoro sobre os palavrões. Com isso, a música foi liberada para radiodifusão. Outras rádios optaram por fazer edições,Fuscaldo (2016), p. 51 como a 89 FM, que fez uma edição de 8'49" para retirar os palavrões. Apesar disto, a música foi um grande sucesso, tendo sido a 24ª mais tocada de 1988.
Ao final de 1987, o jornalista Arthur Dapieve afirmou que a canção era uma "incontestável obra-prima, narrando a paixão e a morte do tal João de Santo Cristo, traficante que, oscilando entre o banditismo e a santidade, encarna o próprio Brasil". Ele apreciou o fato da faixa começar country, passar pelo reggae e terminar em rock.
Legado Ainda hoje, a canção é uma das mais bem lembradas da banda, estando em todas as coletâneas e álbuns ao vivo dela. Foi, ainda, regravada por Toni Platão no álbum Renato Russo - Uma Celebração, de 2006, e pela banda Tianastácia no álbum Tianastácia no País das Maravilhas de 2009.
Adaptação cinematográfica
Em 30 de maio de 2013, foi lançado Faroeste Caboclo, adaptação da canção, dirigida por René Sampaio e com roteiro de Victor Atherino e Marcos Bernstein a partir da letra original, e com distribuição da Europa Filmes. No elenco, atuaram Fabrício Boliveira (João de Santo-Cristo), Ísis Valverde (Maria Lúcia), Felipe Abib (Jeremias) e César Troncoso (Pablo).
Faixas
Vendas e certificações
Bibliografia
Ligações externas Videoclipe da canção, em versão acústica gravada em 1992.
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