O FIAT G-91 é um caça-bombardeiro leve desenvolvido e fabricado pela Fiat Aviazione, na Itália, de 1958 a 1977.

O avião foi o vencedor de uma competição da NATO, com o objectivo de encontrar um caça de ataque ligeiro, barato, com baixo custo de manutenção, capacidade para operar a partir de pistas curtas e rudimentares e capaz de boas performances e desempenho.

Foi introduzido e operado pela Italiana, posteriormente pela Deutsche Luftwaffe da Alemanha e Força Aérea Portuguesa, ao serviço da qual efectuou missões de combate, na denominada Guerra Colonial Portuguesa.

Vários países ignoraram o projecto ou cancelaram as suas encomendas, o caso da Grécia, da Turquia, da França, da Áustria e dos Estados Unidos, apesar destas contrariedades foi produzido ao longo de 19 anos e manteve-se operacional por mais de 35, os pilotos Alemães e Portugueses alcunharam-no de "Gina" de forma carinhosa.

Desenvolvimento e Produção

Numa tentativa de obter um padrão nos equipamentos e suas capacidades a NATO anunciou em 1954 um concurso para equipar os países membros com um caça-bombardeiro moderno de apoio táctico, obedecendo aos seguintes parâmetros: thumb|300px|direita|G.91Y Capaz de atacar veículos blindados, concentração de tropas, instalações petrolíferas e ou industriais e alvos de oportunidade em movimento. Capaz de missões de interdição, nomeadamente comboios, barcaças ou outros transportes similares de tropas. Capaz de operar a partir de autoestradas, pistas não preparadas ou rudimentares e com uma corrida à descolagem para ultrapassar um obstáculo de 15 metros de altura, não superior a 1 100 metros. Capaz de sustentar a velocidade de mach 0.95 durante pelo menos 30% da missão, um raio de acção de 280 Km e permanecer na área do alvo durante 8 a 10 minutos. Boa manobrabilidade e alta taxa de rolamento ventral. Protecção blindada contra fragmentos de explosões e fogo de armas ligeiras, para o piloto e tanques de combustível. Armado com quatro metralhadoras ou dois canhões, assim configurados: 4x12.7mm ou 2x20mm ou 2x30mm, com provisão para 300, 200 e 120 tiros respectivamente. Capaz de transportar armamento externo em pelo menos uma estação debaixo de cada asa, com capacidade de até 230Kg. Peso vazio de 2 000Kg e máximo à descolagem de 4 700Kg ou superior. Equipado internamente com pelo menos: rádio na banda UHF, identificador IFF e sistema de navegação táctico TACAN.

Em 1956 a FIAT apresentou o protótipo do G.91, o qual tinha algumas semelhanças com o maior F-86K, então construído sob licença. Era um avião pequeno com asas em flecha, trem de aterragem em triciclo e canopy espaçosa em forma de bolha. Em voo mostrava-se ligeiro e manobrável e com capacidade de transporte para vários tipos de armamento. Os testes de voo tiveram início em 1957 e demonstraram uma superioridade clara do G.91 em desfavor dos oponentes Franceses, Dassault Étendard VI e Breguet Taon.

Apenas em 1958 foi anunciada a vitória do G.91 na competição, devido essencialmente a querelas políticas organizadas pela França, que nunca se mostrou conformada com a eliminação dos seus aviões. A boa impressão causada pela aeronave Italiana, motivaram um interessante número de encomendas, ou intenções de compra. A Itália encomenda 50 R/1 a própria França encomendou 50 G.91R/2, a Grécia e a Turquia colocaram encomendas para 25 G.91R/4 para cada Força Aérea, a Alemanha encomendou 50 unidades do modelo R3, logo seguida de uma nova encomenda de 294 exemplares do mesmo modelo, mas construídos por um consórcio Alemão liderado pela Dornier e do qual faziam parte a Messerschmitt e a Heinkel.Foram os primeiros aviões a serem construídos em solo Alemão, após o final da segunda guerra Mundial. A Áustria encomendou 12 G.91R/3 e dois da versão de treino ainda em desenvolvimento, a Suíça e a Argentina demonstram um acentuado interesse e os estudos tendentes a obter uma versão de longo alcance destinada à Noruega encontravam~se em estado avançado. 275px|left|thumb|Fiat G-91R/3 "Gina" (Luftwaffe serial 99+03) No início de 1961, quatro G.91 foram transportados para os Estados Unidos, a bordo de um C-124 Globemaster II e colocados dois à disposição do Exército dos Estados Unidos em Fort Rucker no Alabama e os restantes dois à disposição da USAF na base aérea de Kirkland no Novo México. Após intensos e variados testes, durante os quais foi perdida uma aeronave em acidente operacional,No qual perdeu a vida o piloto de testes, Comandante R. Big namini tendentes a avaliar o G.91 como futuro avião de suporte aéreo táctico do Exército dos Estados Unidos. Uma mudança na doutrina táctica nas forças armadas Americanas, que atribuiu à USAF a missão de apoio às forças terrestres com aviões de asa fixa, deitou por terra a eventual compra do G.91, já que o mesmo foi declarado não satisfatório pela Força Aérea dos Estados Unidos.

Após o revés Norte-Americano, rivalidades políticas e querelas mal resolvidas após a Segunda Guerra Mundial, ditaram a anulação das encomendas da França, logo seguida da Áustria que alegou um conflito fronteiriço, da Grécia que apesar de já ter recebido quatro exemplares, declinou os restantes, optando pelo F-5A Freedom Fighter oferecido pelos Estados Unidos ao abrigo do programa de ajuda mútua, o mesmo sucedeu com a Turquia. A Noruega Suíça e Argentina não voltaram a manifestar interesse na aquisição.

+Produção do FIAT G.91 - excepto a versão YQuantidadeN.º construçãoMatrículaUtilizadorNotasProtótipo1NC.1n/aFIATProtótipo3NC.1b,2,3MM 565-567ItáliaPré-Produção27NC.4-30MM 6238-6264ItáliaMM 6251, 53, 57 e 59 construídos como G.91R, posteriormente convertidos para G.91PAN e matriculados 6238-44, 6248-56, 6259-61 e 6264-??G.91R/123NC.54-89MM 6238-6287ItáliaG.91R/350NC. 54-89, 91-97, 102-10830+01 a 30+43AlemanhaG.91R/450NC:90, 98-101, 109-153FAP, 5401-5440Alemanha/PortugalOriginalmente destinados à Grécia e a Turquia, foram adquiridos pela Luftwaffe. Em 1965 (40) foram transferidos para PortugalG.91R/1A25NC.154-178MM 6290-6314ItáliaMM 6310, 6311, 6614 convertidos para G.91PANG.91R/1B50NC.179-228MM 6375-6424ItáliaG.91R/3294NC.301-59430+44 a 30+99 31+01 a 31+99 32+01 a 32+99 33+01 a 33+23Alemanha/Portugal96 R/3 e T/3 tansfridos para Portugal entre 1974 e 1982.Protótipos G.91T2NC.1 e 2MM6288-6289ItáliaG.91T/344NC.1-4434+01 a 34+41AlemanhaG.91/T165+34NC.45-119 NC.120-153MM6315-6374 MM6425-6438 MM54392-54426ItáliaG.91T/322NC.601-62234+41 a 34+62Alemanha/PortugalTotais690FIAT Aviazione(Aeritalia) - 373Dornier Werke Gmbh - 316

Operadores 640px|center|thumb|Azul: Operadores, Azul claro: Encomendado mas cancelado, Vermelho: Testado mas não encomendado.

Reclama quatro Fiat G.91 R/4 capturados juntamente com outro material de guerra abandonado por Portugal na sequência do processo de independência, teriam estado no activo até 1982, apesar da sua capacidade operacional ser questionável. Outras fontes afirmam que teriam sido abandonados apenas dois ou três FIAT que teriam sido o embrião da nova Força Aérea Angolana, nunca foi encontrada uma evidência que suporte esta afirmação. Oficialmente as autoridades Portuguesas afirmam que todos os G.91 regressaram a Portugal.

A Alemanha operou um total de 460 aeronaves Fiat G.91R3 / R4 e T/3, das quais 294 foram de construção doméstica e as restantes de fabrico Italiano, nas quais se incluem 50 Fiat G.91R4 destinados à`Turquia e à Grécia, mas por ambos os países recusados, deste conjunto de 50 aeronaves 40 foram transferidas para a FAP em 1966. A Alemanha retirou o seu último Fiat em 1982.

25 G.91R/4 encomendados e recusados. Apenas um foi entregue em 1961 e devolvido no mesmo ano, veio a ser em 1966 o 5401 da FAP.

O primeiro G.91 foi entregue ao 103º Gruppo, 5ª Aerobrigata da Força Aérea Italiana em Agosto de 1958 a qual recebeu um total de 229 aeronaves de todas as versões incluindo as de pré-produção assim distribuídas: 125 - Fiat G.91R/1 (25 R/1A e 50 R/1B) 101 - Fiat G.91T/1 67 - Fiat G.91Y O último foi retirado em 1995

Necessitando de um avião de apoio aéreo próximo, para usar nos territórios africanos, Portugal comprou em 1966 à então Alemanha Ocidental 40 FIAT G91R/4 do lote inicial de 50 aeronaves destinadas à Grécia e Turquia, mas por ambos os países recusadas. Parte do negócio é uma contrapartida pela cedência de instalações para treino das tripulações alemâs, em Beja.Neste lote de 40 unidades está incluído o primeiro G.91R/4 fornecido à Grécia e que foi devolvido, tendo-se tornado também o primeiro ao serviço da FAP com o n.º de cauda 5401, os restantes seguiram a numeração até 5440. No verão de 1974 a Alemanha Ocidental ofereceu a Portugal a preços de baixo custo a possibilidade de compra de vários T/3 e R/3, entregues faseadamente entre 1976 e 1982 tendo sido adquiridos 96 aeronaves dos dois tipos, mas apenas 33 R/3 e 11 T/3 serviram operacionalmente, os restantes foram, ou canibalizados, ou serviram como alvos, ou ainda como bancada de testes e treino em diversas unidades da FAP. Os R/3 foram matriculados com os n.ºs de cauda 5441 a 5473 e os T/3 de 1801 a 1811, anteriormente e por um breve período de tempo foram matriculados na série 5400. Com o incremento de aeronaves disponíveis foram criadas duas esquadras:

Esquadra 301 "Jaguares", sediada na Base Aérea n.º 6 (BA6) constituída por G.91R/3 e G.91T/3.A Esquadra 301 "Jaguares" só assim foi designada a partir de 1978, desde a sua formação em Agosto de 1974, era designada esquadra 62 "Jaguares", formada com os Fiat vindos de Africa Esquadra 303 "Tigres", alojada na Base Aérea n.º 4 (BA4) nos Açores, constituída por G.91R/4 e G.91T/3.Começou por ser um destacamento da Esquadra 301 "Jaguares" composto por oito aviões e seis pilotos, criado em Agosto de 1980. Em Novembro de 1981 é formada a esquadra 301 "Tigres", que teve vida curta pois foi desactivada em 13 de Janeiro de 1990.

Em 1980 e 1985 aviões FIAT G.91R/3 da Esquadra 301 "Jaguares" ganharam o troféu de prata da reunião anual de esquadras "Tiger" dos países pertencentes à NATO, que premeia o vencedor da competição "Tigermeet", defrontando oponentes como o F-4 Phantom II, F-16 Fighting Falcon, Dassault Mirage F1 e F-111. Finalmente a 15 de Junho de 1993 realiza-se o último voo oficial, após mais de 75 000 horas de voo ao longo de 27 anos.

Envolvimento Operacional

Guiné-Bissau Em Março de 1966, foram embarcados os oito FIAT G.91R/4 que iriam constituir a Esquadra 21 "Tigres" na Base Aérea n.º 12 em Bissalanca ex Guiné Portuguesa, a qual se tornou operacional em finais de Junho do mesmo ano. Regressaram a Portugal em 1974, após mais de 14 000 horas de voo em missões de combate, com um saldo de um piloto perdido e sete aeronaves abatidas:

22 de Fevereiro de 1967 - Fiat G.91R/4 "5407", pilotado pelo Major Armando Augusto dos Santos Moreira (Comandante da Esq. 121). Devido à explosão prematura de uma bomba. 28 de Julho de 1968 - Fiat G.91R/4 "5411", pilotado pelo Tenente-coronel Francisco da Costa Gomes (Comandante do Grupo Operacional 1201), devido a disparos de arma de 12,7mm no lado de lá da zona de fronteira com a Guiné-Conakry. 25 de Março de 1973 - Fiat G.91R/4 "5413", pilotado pelo Tenente Miguel Cassola Cardoso Pessoa, abatido por um míssil SAM-7 "Grail". 28 de Março de 1973 - Fiat G.91R/4 "5419", pilotado pelo Tenente-coronel José Fernando de Almeida Brito (Comandante do Grupo Operacional 1201),O piloto Tenente-coronel José Fernando de Almeida Brito, faleceu na sequência deste abate. abatido por um míssil SAM-7 "Grail". 1 de Setembro de 1973 - Fiat G.91R/4 "5416", pilotado pelo Capitão Carlos Augusto Wanzeller, devido a problemas mecânicos. 4 de Outubro de 1973 - Fiat G.91R/4 "5409", pilotado pelo Capitão Alberto Roxo da Cruz, devido a falha mecânica.