right|200px|thumb|Suposto ectoplasma saindo do nariz de Mary Marshall durante uma sessão — foto tirada por Thomas Glendenning Hamilton, 1932

Ectoplasma (do grego ektos,"externo", e plasma, "algo moldado ou formado") é o termo usado no espiritualismo para definir uma alegada energia espiritual "externizada" pelos mediums. O termo foi criado em 1894 pelo pesquisador Charles Richet. Blom, Jan Dirk. (2010). A Dictionary of Hallucinations. Springer. p. 168. O alegado fenômeno da exteriorização da substância chama-se ectoplasmia.

Embora o termo seja amplamente difundido na cultura popular, a existência de ectoplasmas não é aceita pela ciência "Ectoplasm" . Glossary of Key Words Frequently Used in Parapsychology, Parapsychological Association (2006-01-24). e muitos exemplos foram expostos como embustes feitos a partir de gaze, morim ou outros materiais naturais.

Fenômeno No espiritualismo, diz-se que o ectoplasma é formado pelo médium quando em transe. Este material é excretado como uma substância semelhante a uma gaze a partir de orifícios no corpo do médium — ouvidos, narinas, olhos, boca, mamilos, vagina ou mesmo do umbigo — e entidades espirituais dizem cobrir essa substância sobre seu corpo não físico, permitindo que interajam no universo físico e real. Alguns relatos afirmam que o ectoplasma começa claro e quase invisível, mas escurece e se torna visível à medida que a energia psíquica se torna mais forte. Outros relatos ainda afirmam que, em casos extremos, o ectoplasma pode exalar odor de Ozônio. De acordo com alguns médiuns, o ectoplasma não pode ocorrer em condições de luz, pois a substância ectoplásmica se desintegra.

O pesquisador psíquico Gustav Geley definiu o ectoplasma como sendo “muito variável na aparência, sendo às vezes vaporoso, às vezes como uma pasta plástica, às vezes como um feixe de fios finos, ou uma membrana com franjas, ou um material semelhante a tecido”. Arthur Conan Doyle descreveu como “uma substância viscosa e gelatinosa que parecia diferir de todas as formas conhecidas de matéria, na medida em que podia solidificar e ser utilizada para fins materiais”.

A ciência não aceita a existência física do ectoplasma, e algumas amostras testadas como ectoplasma foram encontradas como sendo várias substâncias não paranormais. Outros pesquisadores duplicaram, com materiais não sobrenaturais, os efeitos fotográficos que algumas vezes dizem provar a existência de ectoplasma.

Força ectênica

A ideia de ectoplasma foi fundida na noção de uma "força ectênica" por alguns pesquisadores psíquicos que buscavam uma explicação física para relatos de psicocinese em sessões espíritas. Sua existência foi inicialmente hipotetizada pelo Conde Agenor de Gasparin, para explicar os fenômenos de mesas girantes e batidas durante as sessões. A força ectênica foi nomeada pelo colega de Gasparin, M. Thury, professor de história natural na Academia de Genebra. Entre eles, Gasparin e Thury conduziram uma série de experimentos em força ectênica e reivindicaram algum sucesso. Seu trabalho não foi verificado de forma independente.Blavatsky H. P. "ISIS UNVEILED: A Master-Key to the Mysteries of Ancient and Modern Science and Theology", Theosophical University Press

Outros pesquisadores psíquicos que estudaram mediunidade especularam que, dentro do corpo humano, um "fluido" não identificado, denominado "psicodo", "força psíquica" ou "força ectênica" existia e era capaz de ser liberado para influenciar a matéria. Esta afirmação era sustentada por Camille FlammarionH. F. Prevost Battersby. (1988). Psychic Certainties. Kessinger Reprint Edition. pp. 125-126 e William Crookes, no entanto, um pesquisador psíquico posterior Hereward Carrington apontou que o fluido era hipotético e nunca foi descoberto. yout

O investigador psíquico William Jackson Crawford (1881–1920) alegou que uma substância fluida era responsável pela levitação dos objetos depois de testemunhar a médium Kathleen Goligher. Crawford, depois de testemunhar várias das suas sessões, obteve fotografias com flash das substâncias descrevendo-as depois como "plasma", Crawford afirmou que a substância não era visível a olho nu, mas podia ser sentida pelo corpo.Bernard M. L. Ernst, Hereward Carrington. (2003). Houdini and Conan Doyle: The Story of a Strange Friendship. Kessinger Reprint Edition. p. 67 Posteriormente, o físico e pesquisador psíquico Edmund Edward Fournier d'Albe investigou Kathleen Goligher em muitas sessões e chegou à conclusões opostas a Crawford; de acordo com D'Albe, nenhum fenômeno paranormal como a levitação ocorreu com Goligher, além disso, havia encontrado evidências de fraude. D'Albe alegou que a substância nas fotografias de Crawford era tecido de musselina comum.Julian Franklyn. (2005). A Survey of the Occult. p. 383Martyn Jolly. (2006). Faces of the Living Dead: The Belief in Spirit Photography. Miegunyah Press. pp. 84-86. Durante uma sessão, D'Albe notou a musselina branca entre os pés de Goligher.Edmund Edward Fournier d'Albe. (1922). The Goligher Circle. J. M. Watkins. p. 37

Fraude 250px|thumb|left|Foto de ectoplasma de Kathleen Goligher tirada por W. J. Crawford, 1921, mais tarde sendo revelada como um apenas um pedaço de musselina por D'Albe

O ectoplasma em muitas ocasiões provou ser fraudulento. Muitos médiuns usaram métodos de deglutição e regurgitação de morim ou gaze, tecidos alisados com fécula de batata e em outros casos o ectoplasma era feito de papel, tecido e clara de ovo morim.John Mulholland. (1975). Beware Familiar Spirits. Scribner. p. 142. Renée Haynes. (1982). The Society for Psychical Research, 1882-1982: A History. Macdonald. p. 144. "O material mais comum para 'ectoplasma', no entanto, parecia ser musselina, morim ou gaze, provavelmente engolido e regurgitado."Rosemary Ellen Guiley. (1994). The Guinness Encyclopedia of Ghosts and Spirits. Guinness World Records Limited. p. 105. "Sabe-se que os médiuns fraudulentos produzem ectoplasma composto apenas por tiras de musselina ou misturas de sabonete, gelatina e clara de ovo."Brad Clark. (2002). Spiritualism. Em Michael Shermer. The Skeptic Encyclopedia of Pseudoscience. ABC-CLIO. pp. 220-226.

Investigações sobre a mediunidade conduzidas pela Society for Psychical Research expuseram muitos mediuns fraudulentos que contribuíram para o declínio do interesse pela mediunidade física.Rosemary Ellen Guiley. (1994). The Guinness Encyclopedia of Ghosts and Spirits. Guinness Publishing. p. 311. Em 1907, Hereward Carrington expôs os truques de médiuns fraudulentos, como os usados na escrita em ardósia, em mesas girantes, toques de trombeta, materializações, leitura de cartas lacradas e na fotografia de espíritos.Hereward Carrington. (1907). The Physical Phenomena of Spiritualism. Herbert B. Turner & Co.

No início do século 20, o pesquisador psíquico Albert von Schrenck-Notzing investigou a médium Eva Carrière e insistiu que a materialização de seu ectoplasma não eram de espíritos, mas o resultado de "ideoplastia", onde o médium forma imagens de ectoplasma de sua mente.M. Brady Brower. (2010). Unruly Spirits: The Science of Psychic Phenomena in Modern France. University of Illinois Press. p. 120. Schrenck-Notzing publicou o livro Phenomena of Materialisation (1923) que incluiu fotografias do ectoplasma. Os críticos apontaram que as fotografias do ectoplasma revelaram marcas de recortes de revista, alfinetes e um pedaço de barbante.Carlos María de Heredia. (1922). Spiritism and Common Sense. P. J. Kenedy & Sons. pp. 186-198 Schrenck-Notzing admitiu que, em várias ocasiões, Carrière enganosamente escondia alfinetes na sala das sessões. O jesuíta e mágico Carlos María de Heredia reproduziu o ectoplasma de Carrière usando um pente, gaze e um lenço.

Donald J. West escreveu que os ectoplasmas de Carrière eram falsos, confeccionados de recortes de jornais e revistas nas quais era possível ver marcas de dobras. Uma fotografia de Carrière tirada da parte de trás do rosto do ectoplasma revelou que era feita de uma revista recortada onde apareciam escrito "Le Miro". O rosto bidimensional havia sido retirado da revista francesa Le Miroir.Donald West. (1954). Psychical Research Today. Chapter Séance-Room Phenomena. Duckworth. p. 49 Edições anteriores da revista também correspondiam a alguns dos outros rostos nos ectoplasmas de Carrière.Georgess McHargue. (1972). Facts, Frauds, and Phantasms: A Survey of the Spiritualist Movement. Doubleday. p. 187 As fotos de rostos recortados que ela usou incluem Woodrow Wilson, Fernando I da Bulgária, o presidente francês Raymond Poincaré e a atriz Mona Delza.Gordon Stein. (1996). The Encyclopedia of the Paranormal. Prometheus Books. p. 520.

Depois que Schrenck-Notzing descobriu que Carrière havia retirado as fotos das revistas para criar os ectoplasmas, ele a defendeu alegando que Carrière havia lido tais revistas e que portanto as imagens se materializaram em ectoplasmas a partir da lembrança dela daquelas imagens. Por causa disso, Schrenck-Notzing foi descrito como crédulo. Joseph McCabe escreveu: "Na Alemanha e na Áustria, o barão von Schrenck-Notzing é motivo de piada entre seus colegas médicos".Frank Harris. (1993). Debates on the Meaning of Life, Evolution, and Spiritualism. Prometheus Books. p. 77.

O médium dinamarquês Einer Nielsen foi investigado por um comitê da Universidade de Kristiania, na Noruega, em 1922 e descobriu-se em uma sessão que seu ectoplasma era falso.Universitetskomiteen, Mediet Einer Nielsen, kontrolundersøkelser av universitetskomiteen i Kristiania. (Kristiania 1922). ”Rapport fra den av Norsk Selskab for Psykisk Forskning nedsatte Kontrolkomité”, Norsk Tidsskrift for Psykisk Forskning 1 (1921-22). Nielsen também foi pego escondendo seu ectoplasma em seu reto.M. Brady Brower. (2010). Unruly Spirits: The Science of Psychic Phenomena in Modern France. University of Illinois Press. p. 171. Mina Crandon era uma médium famosa conhecida por produzir ectoplasmas durante suas sessões. Ela produziu uma pequena mão ectoplásmica de seu estômago que acenou na escuridão. Sua carreira terminou, no entanto, quando os biólogos examinaram a mão e descobriram que era esculpida de um pedaço de fígado animal.Ghosts, Apparitions and Poltergeists: An Exploration of the Supernatural through History Walter Franklin Prince descreveu o caso Crandon como "o mais engenhoso, persistente e fantástico complexo de fraudes na história da pesquisa psíquica".C. E. M. Hansel. (1989). The Search for Psychic Power: ESP and Parapsychology Revisited. Prometheus Books. p. 245.

Os pesquisadores psíquicos Eric Dingwall e Harry Price republicaram uma obra anônima escrita por um ex-médium intitulada "Revelations of a Spirit Medium" (1922), que expunha truques da mediunidade e os métodos fraudulentos pra se produzir "mãos de espíritos".Eric Dingwall, Harry Price. (1922). Revelations of a Spirit Medium. Kegan Paul, Trench, Trübner & Co. Originalmente todas as cópias do livro foram compradas por espiritualistas e deliberadamente destruídas.Georgess McHargue. (1972). Facts, Frauds, and Phantasms: A Survey of the Spiritualist Movement. Doubleday. p. 158. Sobre ectoplasmas e fraudes, John Ryan Haule escreveu: