Christian Ludwig Endriß (Nürtingen, Alemanha, 13 de abril de 1855 - São Paulo (cidade), Brasil, 11 de janeiro de 1897), mais conhecido pelo nome brasileiro Christiano Endres, foi um imigrante alemão,Hamburg Passenger Lists, 1850-1934, www.ancestry.com artífice, mestre calceteiro e empresário da construção civilEudes Campos, A cidade de São Paulo e a era dos melhoramentos materiaes - Obras públicas e arquitetura vistas por meio de fotografias de autoria de Militão Augusto de Azevedo, datadas do período 1862-1863, Anais do Museu Paulista. São Paulo.N. Sér. v.15. n.1.p. 11-114. jan- jun. 2007 que se destacou na antiga província de São Paulo, Reino do Brasil, em especial, sendo um dos principais responsáveis pela construção e/ou supervisionamento da estrada velha de Santos, também conhecida como estrada da Maioridade,Baldin, Adriane Acosta "Tijolo sobre Tijolo: Os alemães que construíram São Paulo" (Edição 1). Editora Prismas, 2014 estrada do Vergueiro, Anchieta velha e Serra velha (hoje Rodovia Caminhos do Mar - SP-148), Rua da Glória, na Liberdade (1856), entulhamento do buraco unido à muralha do CarmoCorreio Paulistano, Publicação de 16 de outubro de 1858, http://bndigital.bn.br/acervo-digital/correio-paulistano/090972 (Hoje avenida Rangel Pestana) (1858), estrada da PenhaCorreio Paulistano, Publicação de 03 de novembro de 1865, http://bndigital.bn.br/acervo-digital/correio-paulistano/090972 (1865), obra do Porto GeralCorreio Paulistano, Publicação de 16 de novembro de 1866, http://bndigital.bn.br/acervo-digital/correio-paulistano/090972 (1866), estrada da Capital à Freguesia da PenhaCorreio Paulistano, Publicação de 22 de fevereiro de 1870, http://bndigital.bn.br/acervo-digital/correio-paulistano/090972 (1870), dentre outros, tendo trabalhado em conjunto com os primeiros engenheiros (inspetores de obras) do Brasil, tais como Carlos RathAdriane Acosta Baldin, Os Artífices Alemães na Construção de São Paulo entre 1855 e 1860 – A História que não foi contada, Anais do XXVI Simpósio Nacional de História – ANPUH • São Paulo, julho 2011 e William Elliot. É o patriarca da linhagem de sobrenome Endres no Estado de São Paulo, cuja descendência direta dá nome a "Vila Endres" (bairro), na avenida Carlos Ferreira Endres, localizada na cidade de Guarulhos.

Seu nome pode ser também encontrado em alemão como Christian Ludwig Enderess e Christian Enderess. Em português como Cristiano Endres, Christiano Enderess, Christiano Enderes, Christiano Enderez ou Christiano Enders.

Chegada ao Brasil thumb|esquerda|200px|Lista de Passageiros Saindo de Hamburg em 1855

Em meados do século XIX, a cidade de São Paulo crescia em decorrência do setor comercial próspero e dos investimentos públicos direcionados à capital. Esse desenvolvimento demandava a construção de estradas e exigia ampliação do sistema de abastecimento de água, melhoria nos acessos através de pontes e a implantação de equipamentos urbanos.

A partir de 1850 foram grandes os esforços para implementar obras na capital. Começaram a ser construídos em São Paulo os edifícios públicos necessários para absorver a demanda populacional e o crescimento urbano. Com esse novo panorama o governo provincial não tinha outra opção a não ser importar mão-de-obra para construção civil, assim como fez com os trabalhadores para a lavoura cafeeira.

thumb|esquerda|125px|Carlos Rath - um dos engenheiros (inspetor) que Christiano Endres trabalhou(http://www.alamy.com/ - resultado de pesquisa = photo-carlos-frederico-jos-rath-

Os efeitos do fim do tráfico de escravos já foram sentidos em 1852. A opção feita pelo governo provincial de São Paulo na década de 1850 foi trazer imigrantes da Europa, alemães em sua maioria. Para tanto, contratou a Vergueiro & Companhia, empresa do senador Vergueiro que já fazia habitualmente o agenciamento dos imigrantes alemães para as fazendas de café no interior do estado. Em 1854, portanto, depois de renovar o contrato com a Vergueiro & Companhia para a vinda de colonos germânicos para as fazendas, o governo provincial propõem ao Vergueiro a feitura de um novo contrato. Neste, a empresa deveria trazer operários para trabalhar em obras públicas na capital e nas estradas da província.

Foram 350 os artífices da construção civil contratados na Europa e que atuaram em São Paulo a partir de 1855. Destes, contabilizava-se 204 alemães. Esses profissionais atuaram na construção de uma nova cidade que começava a se configurar em 1850, amplamente fotografada em 1862 pelo fotógrafo Militão Augusto de Azevedo. Os artífices alemães foram preferidos em relação a outros povos por terem um conhecimento técnico apropriado para as reformas urbanas e estradas. Dentre os alemães, se encontrava Christian Ludwig Endriß, à época com 33 anos de idade. Sua vinda se deu por meio do navio americano vapor North Sea, do capitão Delano e secretário marítimo M. Valentin, saindo do porto de Hamburg na data de 10 de julho de 1855 e chegando ao porto de Santos. No Brasil, teve como sócio Francisco de Siqueira Queiroz no ramo da construção civil.

Outros alemães notáveis vieram à época, tais como Cristiano Seechrist, João Roos, Valentino Kanz e Conrad Thomas. Esses são alguns entre tantos outros nomes de operários alemães inscritos nas folhas de férias e pagamentos das diversas obras públicas ocorridas na capital naquele momento. Foi a mão-de-obra alemã preferencialmente escolhida por inspetores e engenheiros de obra, como Carlos Rath e William Elliot.

História da Vila Endres (bairro) na cidade de Guarulhos

thumb|esquerda|200px|Foto do local onde Christiano Endres residiu com sua família - Rua São Leopoldo, nº 54, Bairro Belenzinho, São Paulo, CEP 03.055-000

Christian Ludwig Endriß se casou no Brasil com Anna Maria Endres (1833-1917), tendo os seguintes filhos: Anna Endres, Maria Endres, Rosalina Endres, José Leopoldo Endres, Adolpho Otto Endres, Carlos Endres, Augusta Endres e Thereza Endres.

Sua família, filhos e netos se estabeleceram pelos bairros paulistanos do Brás e Belenzinho, bem como na cidade de Guarulhos. No entanto, é por meio de seu descendente Carlos Endres (1874-1937) que surgiu a denominada Vila Endres (bairro) na cidade de Guarulhos. Carlos Endres foi o responsável por adquirir um sítio na cidade de Guarulhos, indo suas terras da área onde existia à época a Industria Olivetti (hoje Shopping Internacional de Guarulhos) até o rio Itabegica e Cabuçu (divisa com o município de São Paulo). Tal compra decorreu dos reflexos da revolução de 1924. Em sua propriedade, juntamente com Cavadas e Ferreira, amigos de longa data, Carlos Endres instituiu, de forma periódica, corridas de cavalos, onde vinham puros-sangue de todo local do Estado para competição.

Com o passar do tempo, os três amigos decidiram urbanizar o local utilizado para as corridas, tendo Carlos Endres dividido suas terras em chácaras e Cavadas e Ferreira em lotes urbanos. Uma das várias ruas decorrentes deste desmembramento passou a se chamar "Rua Endres" e outra "Rua Cavadas". Também surgiu a "Avenida Ferreira & Endres", que atualmente é chamada de "Avenida Carlos Ferreira Endres". Em verdade, a figura histórica de Carlos Ferreira Endres nunca existiu, sendo a junção do nome de Carlos Endres e seu amigo Ferreira, em homenagem ao outrora empreendimento realizado em prol da população paulista.

Carlos Endres foi um dos primeiros proprietários de um veículo automotor na cidade de Guarulhos e frequentemente passava as férias com sua família na praia com o intuito de promover o turismo para a cidade de Guarulhos. Carlos Endres casou-se com Auta Veiga Endres (1876-1945), tendo os seguintes filhos: Armando Endres, Carlos Endres Filho, Luiz Endres, Helena Endres, Antonieta Endres e Auta Endres.

Patriarca do braço paulista da família Endres

thumb|esquerda|150px|Gustavo e Murilo Endres - jogadores de vôlei da seleção brasileira

Cristiano Endres é um dos poucos imigrantes alemães que desembarcaram no Estado de São Paulo com o sobrenome Enderess (Endriß), sendo, deste modo, um dos patriarcas da "família Endres" hoje existente no Estado de São Paulo.

Por meio do navio americano vapor North Sea, do capitão Delano e secretário marítimo M. Valentin, bem como outros vapores da época (Merck, Eduard & Elise, Johanne Elisabet, Johanne Elisabeth, Johanne Hansing, Margaretha & Elise, Boussole, Willnch, Willinckhttp://www.arquivoestado.sp.gov.br/site/acervo/repositorio_digital/lista_bordo), saindo tanto do porto de Hamburg, como de Bremen, diversos integrantes de nome Enderess (em alemão gótico - Endriß) residentes na Alemanha chegaram ao Brasil (Estado de São Paulo e Rio Grande do Sul) e aos Estados Unidos da América.http://forebears.io/surnames?q=enderess, http://forebears.io/surnames?q=enderess

Dentre as diversas cidades originárias dos integrantes do nome Enderess e suas variações (Endriß, Enders, Endress, Endres), destaca-se Nürtingen, no distrito de Esslingen, na região administrativa de Estugarda, Estado de Baden-Württemberg, cidade natal de Christiano Endres.

Uma das maiores concentrações do sobrenome Endres no Brasil pode ser encontrada no Estado do Rio Grande do Sul, na qual não possui qualquer relação com o braço paulista de Christiano Endres, cuja família (braço do Rio Grande do Sul) é originária de outra imigração alemã que houve à época para o Brasil (ancestral patriarca - Peter Joseph Endres, Liesenich, distrito (Kreis ou Landkreis) de Cochem-Zell, no estado da Renânia-Palatinado, AlemanhaMárcia Fabíola FONTANA COPETTI, Paulo Reinaldo FREITAG e Valmi Terezinha ENDRES NEUMANN. Artigo/Pesquisa "Família Endres", abril de 2015), inclusive, onde descende os atletas brasileiros de vólei de quadra da seleção brasileira Gustavo Endres e Murilo Endres.

Genealogia de Christiano Endres (Christian Ludwig Endriß)

Falecimento de Christiano Endres (Christian Ludwig Endriß)

Cristiano Endres faleceu na data de 10 de janeiro de 1897, sendo enterrado no dia 11 de janeiro de 1897, aos 74 anos de idade, por problemas cardíacos. Sua sepultura é considerada uma das primeiras do cemitério do Brás, localizada na Rua 1, na Quadra Geral (6ª) dos adultos, sepultura nº 23 (lado esquerdo). "O local demonstra bem a organização caótica deste cemitério à época. Novas sepulturas foram sendo abertas, ladeando o túmulo aqui e ali a ponto de deixá-lo completamente encaixotado, dificultando a visão do visitante. A alegoria semi-ajoelhada pede, com doçura, aos céus pela alma dos que estão ali. Ao que tudo indica, pelo estilo da escultura, esta imagem foi colocada anos depois para dar um toque de beleza à sepultura".Mirtes Timparado, "A morte como memória: imigrantes nos cemitérios da Consolação e do Brás". Orientador: Prof. Júlio Pimentel Pinto. Universidade de São Paulo, 2006

Imagem das obras e documentos históricos

Categoria:Brasileiros de ascendência alemã