thumb|260px|Sequoiadendron giganteum no Sequoia National Park. thumb|260px|Sequoiadendron giganteum (pinhas e uma semente).
Sequoiadendron giganteum é a única espécie extante do género Sequoiadendron da subfamília Sequoioideae da família Cupressaceae. A espécie é conhecida pelos nomes comuns de sequoia-gigante ou árvore-mamute (John Muir chamava-lhe apenas «the big tree»; «a grande árvore»), já que entre os seus espécimes estão as árvores com maior volume e peso presentemente existentes na Terra. A espécie tem distribuição natural restrita a matas situadas nas encostas oeste das montanhas da Sierra Nevada da Califórnia. Descrição O nome comum sequoia é geralmente aplicado às espécies Sequoiadendron giganteum e às restantes espécies de coníferas da subfamília Sequoioideae da família Cupressaceae, nomeadamente Sequoia sempervirens (sequoia-costeira) e Metasequoia glyptostroboides.
A etimologia do nome genérico foi presumida, inicialmente na obra The Yosemite Book da autoria de Josiah Whitney, publicada em 1868, como sendo uma homenagem a Sequoyah (1767-1843), o inventor do silabário Cherokee. Um estudo etimológico publicado em 2012 concluiu que austríaco Stephen L. Endlicher é realmente responsável pelo nome. Linguista e botânico, Endlicher correspondia-se com especialistas na língua cherokee, incluindo Sequoyah, personalidade que admirava. Endlicher também percebeu que coincidentemente o género poderia ser descrito em latim como sequi (que significa seguir) porque o número de sementes por cone no género recém-classificado alinhado em sequência numérica com os restantes quatro géneros que então integravam a subordem. Endlicher cunhou o nome Sequoia como uma descrição do género da árvore e uma homenagem ao homem indígena que admirava.
Alguns espécimes de sequoia-gigante são as árvores mais massivas do mundo. Estas árvores crescem até uma altura média de 50-85 m, com diâmetros de tronco à altura do peito que variam de 6-8 m. Foram medidas algumas árvores especialmente altas, tendo uma delas atingido os 94,8 m de altura. Têm sido apontados diâmetros do tronco de até 17 m, mas os dados parecem ter sido obtidos a partir de citações pouco credíveis por estarem fora do contexto. O espécime conhecido por ter o maior diâmetro à altura do peito é a árvore conhecida por General Grant, com 8,8 m, mas medidas recordes de sequoias como 115 metros de altura e 18 metros de diâmetro já foram reportadas. Entre 2014 e 2016 foi noticiado que teriam sido localizados espécimes de Sequoia sempervirens com diâmetros de tronco maiores do que todas as sequoias gigantes conhecidas, mas essa informação não foi verificada de forma independente ou afirmado em qualquer literatura académica. Os troncos das sequoias-costeiras afilam-se em alturas mais baixas do que os das sequoias-gigantes, que têm troncos colunares que mantêm grandes diâmetros até maior altura.
A sequoia-gigante mais idosa que se conhece tem - anos, idade determinada com base na dendrocronologia.H. Thomas Harvey, Evolution and History of Giant Sequoia. Presented at the Workshop on Management of Giant Sequoia, May 24–25, 1985, Reedley, California. Retrieved 2019-12-05. As sequoias-gigantes estão entre os organismos vivos com maior longevidade que se conhecem na Terra.
A casca da sequoia-gigante é fibrosa, enrugada e pode ter até 90 cm de espessura na base do tronco colunar. A seiva contém ácido tânico, composto que fornece proteção significativa contra danos infligidos pelo fogo. As folhas são perenes, em formato de agulha, com 3-6 mm de comprimento e dispostos em espiral nos ramos (filotaxia espiralada).
A sequoia-gigante regenera por sementes que se formam nos típicos cones característicos das coníferas. Os cones femininos apresentam 4-7 cm de comprimento, maturando 18–20 meses após a fecundação, embora normalmente permaneçam verdes e fechados por períodos que podem atingir os 20 anos. Cada cone tem de 30 a 50 escamas dispostas em espiral, com várias sementes em cada escama, o que leva a uma média de 230 sementes por cone. As sementes são castanho-escuras, com 4-5 mm de comprimento e 1 mm de largura, com uma asa alargada, com 1 mm de largura, com laivos amarelo-acastanhados ao longo de cada lado. Algumas sementes são libertadas quando as escamas do cone encolhem durante períodos de tempo quente e seco no final do verão, mas a maioria é libertada por danos mecânicos causados por insetos ou quando o cone seca com o calor de um incêndio florestal. Árvores jovens começam a produzir cones após os 12 anos de idade.
Até cerca dos 20 anos de idade, as árvores podem produzir rebentos a partir dos cepos após uma lesão, mas a partir dessa idade os rebentos não se formam nos cepos de árvores maduras como ocorre nas sequoias-costeiras. Sequoias-gigantes de todas as idades podem brotar do seu fuste quando os ramos são perdidos pelo fogo ou por quebra devido a tempestade.
Uma grande árvore pode ter até cones presentes na sua ramagem. A produção de cones é maior na parte superior da copa. Uma sequoia-gigante madura dispersa cerca de 300-400 mil sementes anualmente. As sementes aladas podem voar até 180 m da árvore progenitora.
Os ramos mais baixos morrem rapidamente quando sombreados, mas as árvores com menos de 100 anos retêm a maior parte de seus ramos mortos. Os troncos das árvores maduras nos bosques geralmente não têm ramos até uma altura de 20-50 m, mas as árvores solitárias retêm ramos mais baixos.
Por causa de seu tamanho, a árvore foi estudada para determinar a sua capacidade de extrair água do solo. A água absorvida pelas raízes pode ser empurrada apenas alguns metros por pressão osmótica, mas pode atingir alturas extremas devido às grandes pressões negativas geradas no xilema da árvore (os túbulos de água) e a subpressão da evaporação da água nas folhas.water pull at Cropsview (an agriculture science magazine) website As sequoias suplementam a água extraída do solo com captação de névoas, cujas gotículas são absorvidas por raízes aéreas alimentando ramos situados em alturas para além do nível até onde a água da raiz pode ser puxada.Studies on tree height limits, and the Sequoia in particular Distribuição A distribuição natural da espécie S. giganteum é restrita a uma área limitada ao oeste da Sierra Nevada da Califórnia, onde ocorre em bosques dispersos, com um total de 68 bosques, compreendendo uma área total de apenas 144,16 km2. Em nenhum lugar da sua área de distribuição a espécie ocorre em povoamentos puros, embora em algumas pequenas áreas os povoamentos se aproximem de uma condição pura. Os dois terços do norte da sua distribuição, do American River em Placer County ao sul até ao Kings River, tem apenas oito bosques disjuntos. Os bosques do sul restantes estão concentrados entre o Rio Kings e o Bosque de Deer Creek no sul de Tulare County. Os bosques variam em tamanho de 12,4 km2, com árvores maduras, a pequenos bosques com apenas seis árvores vivas. Muitos são protegidos no Sequoia National Park, no Kings Canyon National Park e no Giant Sequoia National Monument.
A sequoia-gigante é geralmente encontrada em áreas de clima húmido, caracterizado por verões secos e invernos nivosos. A maioria dos bosques de sequoias-gigantes estão em solos residuais e aluviais de base granítica. A altitude dos bosques de sequoia-gigante geralmente varia de 1400-2000 m no norte a 1700-2150 m para o sul. As sequoias-gigantes geralmente ocorrem nas faces voltadas para o sul das montanhas do norte e nas faces voltadas a norte das encostas mais a sul.
Altos níveis de reprodução não são necessários para manter os atuais níveis populacionais. Poucos bosques, no entanto, têm árvores jovens o suficiente para manter a densidade atual de sequoias-gigantes maduras para o futuro. A maioria dos bosques de sequoias-gigantes estão atualmente atravessando um período de declínio gradual em densidade desde a colonização europeia.
Embora a distribuição atual desta espécie seja limitada a uma pequena área da Califórnia, A espécie já foi muito mais amplamente distribuída nos tempos pré-históricos e foi uma espécie razoavelmente comum nas florestas de coníferas da América do Norte e da Eurásia até que a sua distribuição foi bastante reduzida pela última glaciação. Espécimes fósseis mais antigos identificados de forma confiável como sequoia-gigante foram encontrados em sedimentos da era Cretácea em vários locais da América do Norte e da Europa, e até mesmo em lugares distantes como a Nova ZelândiaJames E Eckenwalder. Conifers of the World, The Complete Reference. p. 586. Timber Press 2009. e Austrália.Bryan G Bowes. Trees and Forests, a colour guide. pp. 48–49. Manson Publishing 2010.
Em 1974, um grupo de sequoias-gigantes foi plantado pelo Serviço Florestal dos Estados Unidos nas Montanhas San Jacinto do Sul da Califórnia logo após um incêndio florestal que deixou a paisagem árida. As sequoias-gigantes foram redescobertas em 2008 pelo botânico Rudolf Schmid e sua filha Mena Schmidt durante uma caminhada no Black Mountain Trail através do Hall Canyon, constatndo que o agora designado Black Mountain Grove alberga mais de 150 sequoias-gigantes, algumas das quais com mais de 6,1 m de altura. Este bosque não deve ser confundido com o Black Mountain Grove na região sul da Sierra Nevada. O Lake Fulmor Grove, situado nas proximidades, alberga sete sequoias gigantes, a maior das quais tem 20 m de altura. Os dois bosques estão localizados a aproximadamente 282 km a sudeste do bosque de sequoias-gigantes que ocorre naturalmente mais ao sul, conhecido por Deer Creek Grove.
Mais tarde, foi descoberto que o Serviço Florestal dos Estados Unidos havia plantado sequoias-gigantes em todo o sul da Califórnia. No entanto, as sequoias-gigantes de Black Mountain Grove e das proximidades do lago Fulmor são as únicas que se conhece estarem a reproduzir-se propagar-se sem intervenção humana. As condições das Montanhas San Jacinto são similares às da Sierra Nevada, permitindo que as árvores se propaguem naturalmente por todo o vale. Ecologia As sequoias-gigantes estão, de muitas maneiras, adaptadas aos incêndios florestais. A sua casca é excecionalmente resistente ao fogo e os seus cones normalmente abrem imediatamente após um incêndio.National Geographic Magazine December 2012 Essa adaptação aos fogos leva a que as sequoias-gigantes tenham presentemente dificuldade em se reproduzir no seu habitat original (e muito raramente se reproduzem no cultivo) já que a ausência de fogos não permite que as sementes germinem e sejam capazes de crescer com sucesso a pleno sol em solos ricos em minerais e livres de vegetação concorrente. Embora as sementes possam germinar na primavera sobre o húmus de agulhas húmidas, as plântulas resultantes morrem à medida que o substrato seca no verão. Para uma reprodução com sucesso, a espécie exige incêndios florestais periódicos para limpar a vegetação concorrente e o húmus do solo antes que a regeneração bem-sucedida possa ocorrer. Sem o fogo, as espécies ciófitas que crescem à sombra das árvores adultas não permitem o desenvolvimento dos espécimes juvenis de sequoia, e em geral nem mesmo as sementes de sequoia germinam.
Quando totalmente crescidas, as árvores normalmente requerem grande quantidade de água e, portanto, muitas vezes se concentram perto de riachos. Várias espécies de esquilos e aves como os tentilhões e pardais consomem as plântulas recém-germinadas, impedindo seu crescimento.
Os fogos florestais também trazem ar quente para o alto da copa pela convecção gerada, que por sua vez seca e abre os cones. A subsequente libertação de grandes quantidades de sementes coincide com as condições ideais de sementeira pós-fogo. As cinzas soltas também podem atuar como uma cobertura que protege as sementes caídas a fase inicial de germinação dos danos causados pela radiação ultravioleta que resultariam de uma exposição irrestrita ao sol.