A cidade de São Carlos é um importante centro regional industrial,FIESP. Diretores Regionais Fiesp – Interior. s.d. link. com a economia fundamentada em atividades industriais e na agropecuária (neste setor, destaca-se a produção de cana-de-açúcar, laranja, leite e frango). Servida por sistemas rodoviário e ferroviário, São Carlos conta com uma unidade comercial da multinacional suíça Leica GeosystemsLEICA-GEOSYSTEMS. Homepage. s.d. link. e com unidades de produção de algumas empresas multinacionais, dentre as quais a Volkswagen,VOLKSWAGEN. Homepage. s.d. link . Faber-Castell (a subsidiária são-carlense é a maior do grupo em todo o mundo, produzindo 1,5 bilhão de lápis por ano),FABER-CASTELL. Homepage. s.d. link . ElectroluxELECTROLUX. Homepage. s.d. link. Tecumseh,TECUMSEH. Homepage. s.d. link. Husqvarna,HUSQVARNA. Homepage. s.d. link. LATAM MRO/LATAM MRO,LATAM. Homepage. s.d. link. Serasa ExperianSERASA EXPERIAN. Homepage. link. e Grupo Segurador BB-MAPFRE. Algumas unidades de produção de empresas nacionais, dentre as quais Toalhas São Carlos,TOALHAS SÃO CARLOS. Homepage. link . s.d. Tapetes São Carlos,TAPETES SÃO CARLOS. Homepage. s.d. link . Papel São Carlos,PAPEL SÃO CARLOS. Homepage. s.d. link . Prominas Brasil,PROMINAS. Homepage. s.d. link. Latina,LATINA. Homepage. s.d. link. Engemasa,ENGEMASA. Homepage. s.d.link. ApramedAPRAMED. Homepage. s.d. link e Piccin.

Agropecuária e mineração thumb|Casa na zona rural Com relação à cultura dos antigos povos indígenas da região, apesar de haver alguns estudos sobre, não são discutidos os hábitos alimentares e agrícolas de tais grupos.SCHIAVETTO, S. N. O. Arqueologia regional e educação: propostas de estudos sobre um "passado excluído" de Araraquara/SP. Tese (Doutorado) Universidade Estadual de Campinas – Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, Campinas, 2007. link. Quanto aos primeiros posseiros, no início do século XIX, após a derrubada de matas, sabe-se que formavam pequenas lavouras de subsistência, nas quais cultivavam arroz, feijão, milho, além de apascentar gado. Mais tarde, com a expropriação das terras destes pequenos lavradores por latifundiários, passam a ser implantadas grandes fazendas, com lavouras comerciais.TRUZZI, 2000, p. 38.

A primeira atividade econômica da região, então denominada de "campos de Araraquara", foi a criação de gado bovino em fazendas. O primeiro cultivo de cana-de-açúcar data de 1825, sendo que, a partir daí, passaram a surgir fazendas mistas, com produção de cana e criação de gado. A lavoura de cana se consolidaria após 1840, em termos de importância e industrialização. O grande mercado consumidor e distribuidor dos produtos da região era, à época, Piracicaba.TRUZZI, 2000, p. 30. Quando da fundação da cidade de São Carlos, em 1857, pouco havia na região além de algumas fazendas tocadas a braço escravo, lidando com a criação de alguns bovinos e suínos, além de um incipiente cultivo de cana-de-açúcar.TRUZZI, 2000, p. 25.

Os primeiros pés de café da região foram plantados em 1831, entretanto, a produção cafeeira só ganharia relevo a partir da abertura da ferrovia em 1884, concomitante à incorporação de mão-de-obra imigrante no trabalho rural.TRUZZI, 2000, p. 80. Nessa época, ocorreram grandes feitos locais, como obras públicas, e a elevação da Vila à categoria de Cidade, em 1880, que era um título honorífico do período imperial. Isso levou a um certo ufanismo em comparações feitas com a vizinha Araraquara, elevada a Cidade apenas em 1889. Data daí a rivalidade com a cidade vizinha, que manteve-se por todo o século XX, e que perdura até hoje, ainda que atenuada.TRUZZI et al., 2008. No final da década de 1910, entretanto, os cafezais começaram a entrar em decadência, possivelmente pelo envelhecimento dos cafeeiros, ou ainda, pela despreocupação dos fazendeiros em conservar a riqueza do solo.TRUZZI, 2000, p. 81.

Após a crise de 1929, a produção cafeeira conseguiu se manter ainda por alguns anos graças à política de valorização do café. Entretanto, o período de 1934 a 1950 seria marcado por um inequívoco retrocesso do setor agrícola em São Carlos.TRUZZI, 2000, p. 98. Concorreram para isso a dificuldade de substituir o café por policulturas, em razão do problema de fertilidade do solo, além da rigidez da estrutura agrária, uma vez que a pequena propriedade se difundiu lentamente no município, em comparação com regiões vizinhas como Araraquara ou Rio Claro.TRUZZI, 2000, p. 100. Nesse mesmo período, seria intenso o êxodo rural, além de que a população total do município diminuiria, havendo migrações para outras cidades mais a oeste, em áreas pioneiras recém-abertas, onde os colonos imigrantes tinham mais condições de se tornarem proprietários.TRUZZI, 2000, p. 104-5. Embora, a partir dos anos 1930-40, tenha havido um crescimento do número de pequenas propriedades rurais, com a divisão de terras entre herdeiros das grandes fazendas,ROSSI, F. R. Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) da agricultura familiar no município de São Carlos: impactos socioeconômicos nos agricultores familiares beneficiários. Dissertação (Mestrado em Ciências Exatas e da Terra) - Universidade Federal de São Carlos, São Carlos, 2012. link. além da ação da Companhia de Agricultura, Imigração e Colonização (CAIC),PICCINI, A. A Casa de Babylônia: estudo da habitação rural no interior de São Paulo. São Paulo, SP: Annablume, 1996. 165 p. link. resumo.] tal processo se deu de forma tímida, uma vez que o acesso à terra pelos imigrantes e outras populações era extremamente limitado.TRUZZI, 2000, p. 71.

A decadência da cidade seria atribuída, na imprensa da época, à falta de civismo dos são-carlenses, ou às lutas políticas locais. A década de 1940 seria permeada por campanhas buscando a projeção e reerguimento da cidade, as quais, não raro, desembocaram em bairrismo, havendo disputas com cidades vizinhas, e conferiram a São Carlos um ar provinciano, de certo modo.TRUZZI, 2000, p. 107-111.

Ainda no final da década de 1930, entendendo o caráter mais ou menos permanente da crise do café, os agricultores de São Carlos saíram em busca de uma alternativa, reorganizando a produção em suas terras com vistas à criação de gado leiteiro. Em 1937, esses produtores organizaram uma cooperativa de laticínios. Mais tarde, o município constituiria uma importante bacia leiteira.TRUZZI, 2000, p. 104.DOTTA, J. B.; PIZA, M. E. T.; LUCCAS, P. F. Gestão de Sistemas Cooperativistas: estudo da experiência da Cooperativa de laticínios de São Carlos-SP. Trabalho de Conclusão de Cursos (Especialização em Gestão e Economia no Setor Público), EESC/USP, São Carlos, 2008. link. Após o domínio da bacia leiteira nos anos 1970 e 1980, passa a crescer em importância a produção de cana-de-açúcar, com os incentivos do Proálcool.MACIEL, L. M. O sentido de melhorar de vida: arranjos familiares na dinâmica das migrações rurais-urbanas em São Carlos-SP. Dissertação (Mestrado em Sociologia), Unicamp, 2012. link.

Em 1991, o município passa de sede de Delegacia a sede de Divisão Regional Agrícola,SÃO PAULO. Decreto n. 33.010 de 22 de fevereiro de 1991. Dispõe sobre a abertura da Divisão Regional Agrícola de São Carlos e dá providência correlatas. São Paulo, 1991. link. em razão do desenvolvimento da atividade industrial.TAVARES, J. C. As instituições administrativas e o planejamento territorial paulista: 1938-1967. Urbana, v. 6, n. 8, p. 218-239, jun. 2014.

Atualmente, no setor agropecuário do município, destacam-se as redes agroindustriais de produção: sucroalcooleira, de citricultura, de laticínios, de carne bovina, de avicultura de corte, e de silvicultura, com florestamentos de Eucalyptus sp. e Pinus sp.SÃO CARLOS. Processo de Elaboração do Plano Diretor do Município de São Carlos. Base das apresentações da Conferência da Cidade, 24 ago. 2002. São Carlos, 2003. link.SOUZA, I. M. M. Mudanças de uso da terra na paisagem cultural. Caso de estudo: município de São Carlos, SP. Tese (Doutorado em Ecologia e Recursos Naturais), Universidade Federal de São Carlos, 2015. link.

Nas últimas décadas, muitas áreas de pastagem estão sendo substituídas por áreas de lavoura. No caso das lavouras temporárias, a maior parte é destinada ao cultivo de cana-de-açúcar, enquanto a maioria das lavouras permanentes é destinada ao cultivo de laranja. A propósito, a cidade se insere na bacia do rio Mogi-Guaçú, região que constitui os principais complexos agroindustriais citrícola e canavieiro paulistas.GONÇALVES, D. B. Mar de cana, deserto verde? Dilemas do desenvolvimento sustentável na produção canavieira paulista. Tese (Doutorado em Ciências Exatas e da Terra) - UFSCar, 2005. link.

Na mineração, o município não possui grandes jazidas com significância no mercado nacional, produzindo apenas insumos voltados para o setor da construção civil, especialmente areia e a brita.FERNANDES, A. L. Oferta e demanda de agregados para a construção civil no município de São Carlos. Dissertação (Mestrado em Mestrado em Desenvolvimento Regional e Meio Ambiente) - Centro Universitário de Araraquara, Uniara, 2007. link.

Em termos de estrutura fundiária, na área rural, predominam pequenas e médias propriedades. Embora o município conte com mais de mil propriedades rurais, as unidades de produção agrícola giram em torno de apenas 800. Essa diferença se deve ao processo de desmembramento de pequenas propriedades com fins não agrícolas, como chácaras de lazer e moradias rurais,BRASIL. Incra. Sistema de Certificação de Imóveis Rurais. s.d. [Cf. "São Carlos", listagem de cerca de 100 propriedades cadastradas.] link.SÃO CARLOS. Anexo 4: Zoneamento do Município (mapa). In: Plano diretor de São Carlos. Lei nº 13.691/05. São Carlos: PMSC, 2005. [Cf. mapeamento de cerca de 200 propriedades rurais de grande porte.] link. surgidas a partir dos anos 1970.LIMA, R. P. O processo e o (des)controle da expansão urbana de São Carlos (1857-1977). Dissertação (Pós-graduação em Arquitetura e Urbanismo) - Escola de Engenharia de São Carlos, Universidade de São Paulo, São Carlos-SP, 2007. link.

Indústria O processo inicial de industrialização em São Carlos e, de modo geral, no Brasil, é tributário da acumulação de capitais gerada pela cultura cafeeira no Estado de São Paulo no final do século XIX e início do século XX.TRUZZI, 2000, p. 113. Com o fim da escravidão, os fazendeiros paulistas preferiram adotar o regime de mão-de-obra livre, com trabalhadores assalariados, a verem esfacelado o sistema de latifúndios. Assim, introduziram um pré-requisito do sistema industrial, a economia monetária, que minaria a autossuficiência e o patriarcalismo dos domínios rurais. Surgiu, assim, uma classe média urbana, intermediária entre os fazendeiros e colonos, desempenhando muitos ofícios novos ou antes desempenhados pelos escravos nos latifúndios: ferreiros, mecânicos, maquinistas, carpinteiros, marceneiros, pedreiros, serralheiros, sapateiros, guarda-livros, farmacêuticos, administradores, capatazes, etc. Embora não fossem assalariados agrícolas, exploravam indiretamente as necessidades do meio rural. Essa classe média, que ampliava o mercado de consumo, antes restrito às elites rurais, se tornaria dominante no século XX.TRUZZI, 2000, p. 113-114.

thumb|Máquina beneficiadora de café, numa tulha da fazenda Santa Maria do Monjolinho

A importação de imigrantes europeus favoreceu também a indústria por vários motivos, trazendo novas atitudes, técnicas e atividades. Por exemplo, os imigrantes tinham mais condições de resistir ao patrimonialismo dos fazendeiros, que, muitas vezes, tentavam retribuir o trabalho com outras maneiras além do salário. Além disso, traziam novas técnicas e experiências profissionais obtidas no Velho Mundo, podendo atuar como mão-de-obra especializada, ou mesmo como pequenos empreendedores. Enfim, não havia, praticamente, uma população paulista nativa com um estilo de vida urbano, o que favoreceu a iniciativa industrial pelos imigrantes.TRUZZI, 2000, p. 115, 146.