, rorikon ou loli-con é uma abreviatura de lolita complex, ou seja, complexo de lolita em inglês. Na cultura popular japonesa, o termo é associado ao gênero de mídia (principalmente em anime, mangá e jogos eletrônicos) que tem como foco personagens femininas infantis (ou com traços infantis), particularmente em uma maneira sugestiva ou erótica, sendo essa a definição mais comum fora do Japão.

As leis japonesas consideram que mangás e animes sobre lolicon não são ilegais desde que crianças de verdade não sejam empregadas na sua produção, permitindo o surgimento de um grande mercado para esse tipo de produto.

Etimologia esquerda|miniaturadaimagem|236x236px|As imagens de lolicon mostram personagens com características infantis sugerindo erotismo, seja de forma subjetiva, como nesse exemplo, ou de forma mais explícita Lolicon é uma abreviação japonesa de "Lolita complex" (, rorīta konpurekkusu), um termo inglês e wasei-eigo derivado do romance Lolita (1955) de Vladimir Nabokov, mas que no Japão é mais associado com The Lolita Complex (1966, traduzido 1969) de Russell Trainer, uma obra de psicologia popular na qual o autor usa o termo para descrever a atração de homens adultos à meninas púbere e pré-púberes. Em japonês o termo foi adotado para descrever sentimentos amorosos e lascivos por garotas jovens em vez de mulheres adultas, com esse significado permanecendo o comum. Devido a sua associação com a cultura otaku (fãs de anime e mangá), no entanto, o termo hoje é mais comumente usado para descrever desejos em relação à personagens femininas jovens ou com aparência jovem (, "loli") que geralmente se entende que existem e são satisfeitas na ficção. Entretanto, o significado do termo é contestado e a palavra continua carregando a conotação de pedofilia e pode se aplicar a pornografia infantil ou a pedófilos para o público japonês em geral, enquanto no Ocidente seu significado é menos amplo. Lolicon também se refere à obras sexualizadas que contém esses tipos de personagens e fãs dessas. É distinto de palavras mais formais para pedofilia (yōji-zuki ou pedofiria; clinicamente shōniseiai ou jidōseiai) e pornografia infantil (jidō poruno).

A palavra é soletrada em japonês lolicon, e não lolicom, devido à fonologia da língua japonesa. Outra forma de se escrever é rorikon.

O significado de "lolicon" no contexto otaku desenvolveu-se no início dos anos 1980, durante o "boom do lolicon" nos mangás adultos. Segundo o editor e crítico Akira Akagi, o termo evoluiu do significado original de um par sexual entre um homem mais velho e uma menina mais jovem para descrever o desejo pela "fofura" e "feminilidade" em mangás e animes. Outros críticos definem lolicon como o desejo por "coisas fofas", personagens "semelhantes a mangás" ou "semelhantes a animes", "redondeza" e o "bidimensional" em oposição ao "real". Na época, todo erotismo em estilo mangá que apresentava personagens bishōjo era associado ao termo. Sinônimos de "Lolita complex" incluíam "complexo bidimensional", "fetichismo bidimensional" (nijikon fechi), "síndrome bidimensional" (nijikon shōkōgun), "síndrome de garotas fofas" (bishōjo shōkōgun) e simplesmente "doença" (byōki). Com o passar do tempo, à medida que os tipos de corpos se tornavam mais variados após o fim do "boom do lolicon", a abrangência do termo foi reduzida para representar apenas personagens com aparência mais jovem.

Lolicon tornou-se uma palavra-chave em debates após a prisão de Tsutomu Miyazaki, um assassino em massa de meninas jovens que foi retratado como um otaku em reportagens da mídia, em 1989. Como lolicon foi misturado com o desejo por crianças reais em debates sobre "mangás prejudiciais", o significado inicial foi trocado entre otaku por moe, palavra que se refere a sentimentos de afeto e amor por personagens de forma mais geral. Assim como moe, lolicon ainda é usado por otaku para referir-se a uma atração que é conscientemente distinta da realidade; alguns otaku se identificam como "lolicon bidimensional" (nijigen rorikon) para esclarecer a sua atração por personagens. O termo tem se tornado uma palavra-chave em críticas de mangá e sexualidade dentro do Japão, bem como globalmente com a difusão da cultura popular japonesa.

História Contexto Nos anos 1970, mangás shōjo (com público-alvo feminino) passaram por um renascimento no qual artistas experimentaram novas narrativas e estilos e introduziram temas como psicologia, gênero e sexualidade. Estes desenvolvimentos atraíram homens adultos fãs de mangá shōjo, que ultrapassavam as fronteiras de gênero para produzir e consumí-lo. A primeira aparição do termo "Lolita complex" em mangá foi em Kyabetsu Batake wo Tsumazuite (), uma obra de Shinji Wada inspirada em Alice no País das Maravilhas publicada na edição de junho de 1974 da revistá de mangá Bessatsu Margaret, na qual o personagem masculino chama Lewis Caroll de um homem que tem um "caráter estranho de gostar apenas de crianças pequenas" como piada interna para leitores adultos. Os primeiros trabalhos artísticos lolicon foi influenciada com artistas masculinos imitando o estilo de mangás shōjo, bem como mangás eróticos criados por artistas femininas para leitores masculinos.

A imagem da shōjo (menina jovem) se tornou dominante na mídia japonesa nos anos 1970 como idealização da fofura, inocência e um "Eros idealizado", atributos que se apegaram à imagem de garotas mais jovens ao passar do tempo. Fotografias nuas de shōjo, concebidas como belas artes, ganharam popularidade: uma coleção de fotos entitulada "Ninfeta: O Mito dos 12 Anos" foi publicada em 1969 e em 1972 e 1973 houve um "boom de Alice" em fotos nuas tematizadas de Alice no País das Maravilhas. Revistas adultas especializadas que continham fotos nuas, histórias fictícias e redações sobre o apelo de garotas jovens emergiram nos anos 1980; esta tendência se desvaneceu no fim dos anos 1980, devido à reação adversa e porque muitos homens preferiam imagens de shōjo em mangá ou anime. A disseminação de tais imagens, tanto em fotografia quanto em mangá, pode ter sido impulsionada por proibições na exibição de pelos pubianos sob as leis japonesas de obscenidade.

Décadas de 1970 e 1980 A ascensão de lolicon como gênero começou na Comiket (Comic Market), uma feira dedicada à venda de dōjinshi (obras autopublicadas) fundada em 1975 pelo grupo Meikyu, composto de adultos masculinos fãs de mangá shōjo; em 1979, um grupo de artistas masculinos publicou a primeira edição da fanzine , cuja obra de destaque era uma paródia erótica de Chapeuzinho Vermelho feita por Hideo Azuma, conhecido como o "Pai do Lolicon". Antes de Cybele, o estilo dominante em seinen e mangás pornográficos era o gekiga, caracterizado por realismo, ângulos agudos, hachura escura e traços grossos. O trabalho de Azuma, em contraste, exibia sombreamento leve e linhas limpas e circulares, que ele via como "integralmente erótico" e compartilhando com o mangá shōjo uma "ausência de realidade". A combinação dos corpos robustos das obras de Osamu Tezuka e as faces emotivas de mangás shōjo marcou o advento da bishōjo e a estética do "erotismo fofo". Embora que erótico, mangás lolicon foi inicialmente visto, principalmente, como humorístico e paródico, mas uma grande base de fãs logo cresceu em resposta à alternativa ao gekiga pornográfico que representavam. Mangás eróticos começaram a afastar-se de combinar corpos realísticos e rostos de desenho animado, em direção a um estilo totalmente não realístico. Mangás lolicon desempenhou um papel importante em atrair fãs do gênero masculino para o Comiket, cujo participantes eram 90 por cento do gênero feminino em 1975; em 1981, a proporção de participantes masculinos e femininos era igual. Mangás lolicon, em sua maioria criados e direcionados a homens, serviram como uma resposta aos mangás yaoi (que representam o homoerotismo masculino), estes criados e consumidos sobretudo por mulheres.

No começo dos anos 1980, verificou-se um "boom do lolicon" na arte profissional e amadora. A popularidade do lolicon na comunidade otaku atraiu a atenção de algumas editoras, que fundariam publicações dedicadas ao gênero, como a Lemon People e a Manga Burikko, ambas em 1982. Outras revistas do boom são a , Melon Comic e . A ascensão do gênero estava intimamente ligada ao desenvolvimento simultâneo da cultura otaku e à crescente consciência dos fãs, a própria palavra otaku surgiu originalmente na revista Manga Burikko em 1983. Originalmente fundada como uma revista gekiga pouco lucrativa, a publicação foi transformada em uma revista lolicon pelo editor Eiji Ōtsuka, cuja intenção era publicar "mangá shōjo para meninos". Refletindo a influência do mangá shōjo, havia um espaço cada vez menor na arte lolicon para personagens realistas e representações explícitas de sexo; em 1983, os editores da Burikko cederam às demandas dos leitores, removendo fotografias de gravure idols das suas páginas introdutórias, publicando uma edição com o subtítulo "Revista de Quadrinhos Totalmente Bishōjo". Revistas focadas em conteúdo lolicon regularmente publicavam obras de artistas do gênero feminino, por exemplo e , e artistas do gênero masculino, como Aki Uchiyama, apelidado de "Rei do Lolicon", que produziu 160 páginas de mangá por mês para atender à demanda. Os trabalhos de Uchiyama foram publicados tanto em revistas de nicho como a Lemon People, quanto na popular Shōnen Champion. A primeira série de anime pornográfico foi Lolita Anime, uma série de OVA lançado em episódios durante 1984 e 1985.

thumb|Eiji Ōtsuka, editor da revista lolicon Manga Burikko, desempenhou um papel chave no boom de lolicon.

Incluído em personagens icônicos do boom de lolicon estão Clarisse do filme Lupin III: O Castelo de Cagliostro (1979) e Lana da série de televisão Mirai Shōnen Conan (1978), ambos dirigidos por Hayao Miyazaki. Clarisse era especialmente popular e inspirou uma série de artigos discutindo seu apelo nas revistas especializadas em anime , e Animage, assim como uma onda de obras de fãs denominadas "revistas Clarisse" que não eram explicitamente sexuais, mas de natureza "feminina" e remetendo aos "contos de fadas". Muitas obras lolicon combinavam elementos mecha e bishōjo; a estreia de abertura de Daicon III na Nihon SF Taikai é um exemplo notável da proeminência de ficção científica e lolicon na nascente cultura otaku da época. Programas de anime voltados para meninas e protagonizados por heroínas jovens, como Magical Princess Minky Momo, ganharam uma nova audiência composta de homens adultos, que começaram fã-clubes e eram buscados pelos criadores.

O boom de lolicon em mangás eróticos durou apenas até 1984. Perto do fim do boom, uma vez que "os fãs não tinham apego ao lolicon em si" e "não tinham [meninas jovens] como objetos de desejo sexual", a maioria dos leitores e criadores de mangás eróticos se voltaram às obras diversificadas de bishōjo apresentando personagens "com seios grandes e rostos de bebê", que já não eram considerados lolicon. Na Comiket, a popularide de mangás lolicon diminuiu por volta de 1989, com os desenvolvimentos em dōjinshi erótico, incluindo novos gêneros de fetichismo e a crescente popularidade de erótica softcore popular entre homens e mulheres, particularmente a de mangás yuri (caracterizado por temas lésbicos).

Década de 1990 ao presente