José Augusto da Conceição (Itinga do Maranhão, 19 de março de 1974), mais conhecido como Zé Augusto, é um ex-futebolista brasileiro que atuava como atacante. É o maior artilheiro no século XXI do Paysandu, período em que marcou 90 gols dos 112 que fez pelo time, do qual também é o sétimo maior artilheiro, defendendo-o quase que seguidamente entre 1996 a 2012. Também é o segundo maior campeão pela equipe, com onze títulos. Está abaixo somente de Quarentinha, considerado o maior ídolo alviazul (e maior futebolista do Pará no século XX), que obteve um troféu a mais.DA COSTA, Ferreira (2013). Quarentinha - O craque do século XX. Gigantes do futebol paraense. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 247-250
Zé Augusto é também um dos jogadores mais vezes presentes em decisões pelo Paysandu, tendo disputado quarenta. Possui diversos outros apelidos perante a torcida: "Zé Maluco", "Zé da Fiel", "Zé da Galera" e "O Terçado Voador". Não possuía uma técnica acentuada, sendo querido pela torcida por ser obstinado, iluminado e decisivo.
Carreira Primeiros anos: sem se firmar no Paysandu
Nascido e crescido no interior do Maranhão, Zé Augusto já era adepto do Paysandu por lá, revelando em 2013 que "O Paysandu é amor eterno. A primeira camisa que vesti de um time como torcedor foi a do Paysandu. Foi uma história desde criança, pois eu morava no Itinga (Maranhão), quando uma pessoa que trabalhava em um posto fiscal de Belém me deu uma camisa do clube de presente. Nasci para vestir essa camisa". Sua primeira equipe como jogador, porém, poderia ter sido a Tuna Luso, cujo treinador de goleiros sondou Zé Augusto quando este ainda tinha 17 anos. Seus pais não autorizaram.
Quando já tinha 19 anos, apareceu no futebol adulto paraense: foi pelo Pedreira, onde havia sido levado por um amigo para realizar testes. Pela equipe do distrito de Mosqueiro, disputou o campeonato paraense de 1996. O clube foi no primeiro turno derrotado por apenas 1-0 pela dupla Remo e Paysandu, mas teve resultados piores exatamente contra outras equipes menores, ficando em oitavo entre nove participantes. No segundo turno, houve um retrospecto inverso, goleado pela dupla (por respectivamente 4-1 e 5-1) mas melhorando contra os demais, terminando em sexto, mas sem se livrar de um rebaixamento.
Apesar da queda, Zé Augusto terminou contratado pelo Paysandu, para a disputa da segunda divisão brasileira, após ter sido observado por um dos diretores alviazuis em partida realizada no estádio do clube contra o Sport Belém. "Foi tudo muito rápido pra mim. Cinco meses antes, eu era um jogador de futebol amador em Barra do Corda e cinco meses mais tarde eu estava jogando o Campeonato Brasileiro pelo Paysandu. Nem acreditava", declararia em 2011. O clube não avançou da fase de grupos nacional, se livrando do rebaixamento somente na última partida.DA COSTA, Ferreira (2018). 1996 - PAYSANDU CONSEGUE SE SEGURAR NA SEGUNDA DIVISÃO. A enciclopédia do Esporte Paraense. Belém: Valmik Câmara, p. 250 Pela competição, Zé Augusto disputou seu primeiro Re-Pa, em derrota por 3-2 em 1 de setembro, onde entrou no decorrer da partida substituindo Osmar para formar dupla ofensiva com Nuno.DA COSTA, Ferreira (2015). 1996. Remo x Paysandu - Uma "Guerra" Centenária. Belém: Valmik Câmara, pp. 176-178
Zé Augusto disputou quatro Re-Pas em 1997, ainda sem vencer e marcar gols. Foi o ano em que o "Papão", sem ele em campo, encerrou um jejum de 33 jogos sem vencer o clássico,DA COSTA, Ferreira (2015). 1997. Remo x Paysandu - Uma "Guerra" Centenária. Belém: Valmik Câmara, pp. 178-179 o que não impediu o time de terminar o estadual de 1997 na vice-colocação para o rival. Zé Augusto marcou seis vezes, sendo o terceiro na artilharia do elenco bicolor.DA COSTA, Ferreira (2013). 1997 - Remo levanta o segundo Pentacampeonato de sua história. Parazão Centenário. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 284-288 Na segunda divisão nacional de 1997, o time fez boa primeira fase mas caiu no primeiro mata-mata, definido em três partidas no clássico com a Tuna Luso. Zé Augusto não esteve nas duas primeiras, em vitória alviazul por 2-1 e empate em 0-0, entrando no decorrer da terceira, uma derrota de 4-0.DA COSTA, Ferreira (2018). 1997 - BOA CAMPANHA NA SEGUNDA DIVISÃO GARANTE 11º LUGAR. A enciclopédia do Esporte Paraense. Belém: Valmik Câmara, p. 250
Assim, o clube vinha sofrendo anos de descrédito no início de 1998. Fase superada com vitória no Re-Pa para garantir a vaga em disputa no seletivo à Copa Norte de Futebol de 1998;DA COSTA, Ferreira (2002). 1998 - Papão vence seletivo à Copa Norte. Papão - O Rei do Norte. Belém: Valmik Câmara, p. 131 e sobretudo pelo título invicto do estadual daquele ano, o primeiro ganho desde 1992. Zé Augusto marcou cinco gols em dezessete participações na campanha, da qual foi o vice-artilheiro do elenco campeão, alternando-se no ataque com Wagner, Bebeto, Maracanã e Luís Carlos Trindade.DA COSTA, Ferreira (2013). 1998 - Ricardo Rezende comanda a recuperação do Paysandu, campeão invicto. Parazão Centenário. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 289-292DA COSTA, Ferreira (2002). 1998 - Campeão Paraense de Futebol Profissional. Papão - O Rei do Norte. Belém: Valmik Câmara, pp. 132-134 Na Série B do Brasileirão daquele ano, o clube chegou ao quadrangular-semifinal.DA COSTA, Ferreira (2018). 1998 - PAYSANDU É CAMPEÃO PARAENSE INVICTO E FAZ DESTACADA CAMPANHA NA SEGUNDA DIVISÃO. A enciclopédia do Esporte Paraense. Belém: Valmik Câmara, p. 251-252 Zé Augusto, na campanha, marcou um dos gols da vitória por 2-0 sobre o Fluminense, que havia se recusado a jogar na Curuzu, no que foi respondido pela manobra da diretoria alviceleste em vender ingressos no Mangueirão a três reais. 60 mil pessoas presenciaram a partida, decisiva para o time carioca ser, adiante, rebaixado à terceira divisão; o jogo valeu pela antepenúltima rodada da fase de grupos e a distância entre os dois times terminou sendo em precisamente três pontos, após a justiça desportiva negar tentativa carioca de impugnar a escalação do bicolor Ney. Em depoimento dado cerca de 25 anos depois a O Liberal, Zé Augusto assim relembrou a partida e como ela foi fundamental para que começasse a angariar popularidade ante a torcida:
Em 1999, o Paysandu venceu novamente o seletivo paraense à Copa Norte daquele ano, com Zé Augusto de titular.DA COSTA, Ferreira (2002). 1999 - Bicampeão do Torneio Seletivo à Copa Norte. Papão - O Rei do Norte. Belém: Valmik Câmara, p. 134 Depois, deu a impressão de que conseguiria o bicampeonato estadual. Havia vencido quatro dos cinco primeiros Re-Pas do ano e empatado o outro. Venceu o primeiro turno e vinha acumulando uma invencibilidade de quarenta partidas pelo campeonato, até perdê-la exatamente no sexto clássico, na penúltima rodada do segundo turno, ganho pelo arquirrival. Em uma série de três finalíssimas, prevaleceu o momento ascendente do rival, que venceu a primeira e a terceira partidas, só sendo derrotado na segunda. Zé Augusto entrou nas duas últimas, sempre como reserva.DA COSTA, Ferreira (2013). 1999 - Uma luta titânica, mas, no final, Ailton anotou o gol do título do Remo. Parazão Centenário. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 293-297
A partir de então, Zé Augusto foi sucessivamente emprestado: para a Série B de 1999, foi repassado à Tuna Luso. Foi inicialmente titular, mas perdeu o posto, marcando um único gol, na sexta partida que fez. Apesar de contar também com Belterra e Edil Highlander, os cruzmaltinos terminaram rebaixados.DA COSTA, Ferreira (2013). 1999 - Segunda Divisão. Memorial Cruzmaltino. Belém: ArtGráfica, pp. 209-214 O mesmo, por sinal, ocorreu ao Paysandu,DA COSTA, Ferreira (2018). 1999 - PAYSANDU É REBAIXADO À TERCEIRA DIVISÃO. A enciclopédia do Esporte Paraense. Belém: Valmik Câmara, pp. 253 o que não impediu que Zé Augusto continuasse fora do "Papão": para o estadual de 2000, foi emprestado ao São Raimundo. "Eu não sabia qual era o meu futuro no Paysandu, então de alguma forma tinha de mostrar trabalho para não sair do time, mesmo que fosse preciso fazer gols contra o próprio Paysandu", contou em 2011 a respeito dessa situação.
Tornando-se ídolo na melhor fase do clube thumb|right|250px|Erguendo em 2016 com Albertinho e Vandick a Copa dos Campeões de 2002. Como jogador do São Raimundo no estadual de 2000, Zé Augusto conseguiu regularidade, marcando oito gols pelo time de Santarém, sendo o artilheiro do "Pantera" no torneio. Dois desses gols ocorreram empate em 3-3 contra o Paysandu em plena Curuzu na rodada final do segundo turno. Este resultado que deu o título do turno ao Castanhal - que, a despeito de somar mais pontos no total do torneio, terminaria vice-campeão para os alviazuis após três finais contra eles, campeões do primeiro turno.DA COSTA, Ferreira (2013). 2000 - Paysandu torna-se o último clube campeão do Século XX. Parazão Centenário. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 298-304
O atacante voltou ao ex-clube para disputar a Copa João Havelange, que resgatou os bicolores da terceira divisão, mantendo-os no Módulo Amarelo, equivalente à segunda. Na competição, Zé Augusto marcou pela primeira vez no Re-Pa, em derrota por 3-2 em 12 de novembro.DA COSTA, Ferreira (2015). 2000. Remo x Paysandu - Uma "Guerra" Centenária. Belém: Valmik Câmara, pp. 185-187 A partida foi válida pelo terceiro lugar, que oferecia a última vaga do módulo aos mata-matas contra equipes dos demais módulos. O rival confirmaria a vaga ao segurar empate em 1-1 no jogo da volta.DA COSTA, Ferreira (2018). 2000 - NA COPA JOÃO HAVELANGE, REMO ALCANÇA O 16º LUGAR ENTRE 18 TIMES NO GRUPO B. A enciclopédia do Esporte Paraense. Belém: Valmik Câmara, pp. 170-171 A decepção foi seguida por outra em poucos meses, com a perda da Copa Norte de Futebol de 2001 nos minutos finais contra o São Raimundo de Manaus.
Contudo, o "Papão" viria a engatar grande fase a partir daquele trauma. No estadual de 2001, o time foi campeão sem muita dificuldade. Zé Augusto foi titular e artilheiro do elenco (com nove gols, incluindo um em vitória por 5-2 no clássico com a Tuna e três no 5-0 sobre o Carajás), com sua dupla ofensiva sendo revezada entre Albertinho e Vandick.DA COSTA, Ferreira (2013). 2001 - Paysandu manteve Givanildo Oliveira e assegurou o bicampeonato. Parazão Centenário. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 305-308 Aquele título fez o "Papão" voltar a se igualar ao rival Remo como maior campeão estadual, com cada um somando 37 conquistas.DA COSTA, Ferreira (2015). 2001. Remo x Paysandu - Uma "Guerra" Centenária. Belém: Valmik Câmara, pp. 188-189 Zé terminou vendido ao futebol europeu, contratado pela equipe portuguesa da Estrela Amadora.
Após dois meses, porém, já estava de volta à Curuzu, explicando dez anos depois que a estadia no exterior "não foi uma experiência muito boa. Fui para Portugal em 2001, mas fiquei lá apenas dois meses disputando alguns amistosos. Eu tive problemas financeiros e decidi voltar. E graças a Deus que eu resolvi voltar, porque nesse mesmo ano eu disputei o Brasileiro e o Paysandu foi campeão". Zé Augusto reestreou na sétima rodada, precisamente em Re-Pa, vencido por 3-1. Na ocasião, entrou no lugar de Vandick,DA COSTA, Ferreira (2002). 2001 - Segunda Divisão - Campeão Brasileiro de Futebol. Papão - O Rei do Norte. Belém: Valmik Câmara, pp. 148-157 que conquistara a titularidade ao lado de Albertinho. Zé Augusto esteve atrás de ambos na artilharia dos campeões, marcando nove vezes.