Sir Alexander Chapman "Alex" Ferguson CBE (Glasgow, 31 de dezembro de 1941) é um ex-treinador e ex-futebolista escocês que atuava como atacante. Com 50 títulos conquistados, é considerado o técnico mais vitorioso da história do futebol mundial. Em 2019, figurou na 2ª posição da lista "Os 50 maiores treinadores de futebol de todos os tempos", da revista francesa France Football.

Alex Ferguson comandou o Manchester United de 1986 até 2013. Nos 27 anos em que treinou os Diabos Vermelhos, conquistou 38 títulos, alcançou idolatria máxima e tornou-se o treinador com mais jogos à frente do clube de Manchester.

Como jogador, atuou como atacante e defendeu diversos times escoceses, incluindo o Dunfermline Athletic e o Rangers. Pelo Dunfermline Athletic, foi artilheiro da Scottish Premiership (Campeonato Escocês) de 1965–66. Como técnico, treinou o East Stirlingshire, o St Mirren, a Seleção Escocesa e o Aberdeen, antes de assinar com o Manchester United. Pelo Aberdeen, ganhou diversos títulos importantes, o que era muito raro na época devido a larga dominância do futebol escocês por dois times, os rivais Celtic e Rangers.

Em 1999, tornou-se o primeiro treinador de uma equipe inglesa a ganhar a tríplice coroa, vencendo a Premier League, a Copa da Inglaterra e a Liga dos Campeões da UEFA na mesma temporada. No mesmo ano, foi agraciado pela Rainha da Inglaterra com o título de "Sir".

Carreira como jogador Alex Ferguson cresceu em Govan. Iniciou sua carreira no amador Queen’s Park, fazendo a sua estreia aos 16 anos na posição de atacante. Descreveu sua primeira partida como um "pesadelo" mesmo marcando um gol na vitória de 2–1 contra o Stranraer. Como Queen’s Park era uma equipe amadora ele também trabalhou nos estaleiros de River Clyde como um aprendiz de ferramenteiro, onde tornou-se um comissário de bordo ativo da loja do sindicato.

Talvez o seu jogo mais notável para o Queen’s Park foi a derrota por 7–1 para Queen of the South fora de casa em 1959. Embora tenha marcado 20 gols nos seus 31 jogos pelo Queen’s Park, ele não pode permanecer no clube e foi para o St. Johnstone em 1960. Embora tenha marcado gols regularmente em St. Johnstone, ele era incapaz de manter a titularidade, teve sua transferência solicitada por várias vezes. Ferguson pensou em ir para o Canadá. Embora o clube fosse a favor de sua saída, o treinador selecionou Ferguson para a partida contra os Rangers, em que ele marcou um hat-trick em uma surpreendente vitória. No verão de 1964, Ferguson assinou com o Dunfermline Athletic, tornando-se um jogador profissional por tempo integral. Era amigo de Michael Datnow.

Na temporada 1964–65, Dunfermline tinha a forte luta pelo título da Liga Escocesa (Scottish Premiership) e chegar a final da Copa da Escócia, mas foi derrubado nos jogos finais, depois de um desempenho fraco em um jogo da liga contra St. Johnstone. O Dunfermline perdeu na final contra o Celtic por 3–2, e então não conseguiu ganhar a Liga por um ponto. Na temporada 1965–66, Ferguson terminou aquela temporada com 45 gols em 51 jogos e dividiu a artilharia da Scottish Premiership com Joe McBride do Celtic, com 31 gols.

Em 1967, foi contratado pelo Rangers por 65 mil euros, uma transferência considerada recorde entre dois clubes escocesses. Foi responsabilizado pelo gol concedido na final de 1969 da Copa da Escócia em um jogo no qual foi designado para marcar o capitão do Celtic, Billy McNeill, e foi forçado a jogar ao lado dos juniores em vez da equipe principal. De acordo com seu irmão, Ferguson estava tão frustrado com a derrota que jogou a medalha para longe. Após se casar com Cathie, sofre discriminação por parte do clube, ao saberem da religião da esposa, que é católica; famoso pelo sectarismo em não contratar católicos, o Rangers estendia tal política também a protestantes casados com católicos e assim Fergie não teria seu vínculo renovado com o clube.

Em outubro do ano seguinte, o Nottingham Forest se mostrou interessado em assinar com Ferguson, mas sua esposa não estava disposta a mudar-se para a Inglaterra; em vez disso, preferiu assinar com o Falkirk. Foi promovido a jogador-treinador, mas quando John Prentice tornou-se treinador, decidiu tirar essa responsabilidade de Ferguson. Ferguson respondeu solicitando sua transferência e foi transferido para o Ayr United, onde encerrou sua carreia como jogador em 1974.

Carreira como treinador East Stirlingshire Em junho de 1974, Ferguson, aos 32 anos de idade, foi nomeado treinador do East Stirlingshire. Era um trabalho de meio período, seu salário era de 40 euros por semana, e nesse tempo o time não tinha um único goleiro.The Boss p. 108-9. Imediatamente ele ganhou a reputação de disciplinador, onde mais tarde um de seus jogadores disse que "Nunca tinha tido medo de qualquer um antes da chegada de Alex Ferguson". Seus jogadores o admiravam pela suas decisões táticas e o clube sofreu melhoras consideráveis.

No Outubro seguinte, Ferguson foi convidado a treinar o St Mirren. Embora estivesse abaixo do East Stirlingshire na liga, eles estavam entre os maiores clubes e embora Ferguson tivesse um grande sentimento de lealdade ao East Stirlingshire, ele decidiu se unir ao St Mirren, depois de aceitar os conselhos de Jock Stein.The Boss p. 117.

St Mirren Ferguson comandou a equipe de 1974 até 1978. Apesar de ter uma equipe com o orçamento pequeno, ele foi capaz de levar o time para disputar a Primeira Divisão Escocesa em 1977. No entanto, teve problemas com o presidente do clube, devido Ferguson querer fazer mudanças significativas no St Mirren. Ele foi despedido no ano seguinte, feito esse que fez o St Mirren ser o único clube a demitir Ferguson. Existem rumores de que o treinador já tinha concordado em transferir-se ao Aberdeen antes de sua disputa com o St Mirren.

Aberdeen Decepção adiantada miniatura|200px|Estátua de Alex Ferguson fora do Pittodrie Stadium, em Aberdeen

Ferguson chegou ao Aberdeen como treinador em junho de 1978. Ele substituiu Billy McNeill, que ficou no clube por apenas uma temporada antes de receber uma proposta para comandar o Celtic. Embora o Aberdeen fosse um clube importante da Escócia, eles não ganhavam a Liga desde 1955. A equipe estava jogando muito bem, no entanto, mesmo não perdendo uma partida desde dezembro do ano anterior, acabou ficando em segundo lugar na liga.The Boss p. 159. Ferguson agora tinha sido treinador por quarto anos, mas ainda não era mais velho que alguns jogadores e tinha problema para ganhar respeito de alguns jogadores, tais como Joe Harper.The Boss p. 171. A temporada com o Aberdeen não teve um final bom, alcançou a semifinal da Copa da Escócia e a final da Liga, mas perdeu os jogos e acabou em quarto lugar na liga.

Em dezembro de 1979, novamente voltaram a perder a final da Liga, desta vez para o Dundee United no segundo jogo. Ferguson assumiu a culpa da derrota, dizendo que ele devia ter feito mudanças na equipe para o segundo jogo.The Boss p. 174.

O Aberdeen tinha começado a temporada mal, mas sua performance melhorou dramaticamente no começo do ano e eles ganharam a liga escocesa com uma goleada por 5–0 no último jogo. Era a primeira vez em quinze anos que a liga não era vencida pelo Rangers ou pelo Celtic. Agora Ferguson sentiu que teve o respeito dos seus jogadores, mais tarde disse "Foi o feito que nos uniu. Eu finalmente fiz os jogadores acreditarem em mim".The Boss p. 175.

Ele ainda era rígido com a disciplina, os seus jogadores o apelidaram de Furious Fergie (Fergie Furioso). Ferguson multou um de seus jogadores, John Hewitt, por ultrapassá-lo em uma estrada publica,The Boss p. 179. e deu um pontapé no galão de chá dos jogadores no intervalo, depois de um primeiro tempo fraco.The Boss p. 180. Ferguson ficou insatisfeito com a atmosfera do Aberdeen e deliberadamente criou uma "mentalidade fechada" perto de acusar a imprensa escocesa de ser preconceituosa com o clube Glasgow, a fim de o convidar para motivar o time.The Boss p. 191. A equipe continuou seu sucesso, conquistando a Copa da Escócia em 1982. Ferguson foi procurado para assumir o cargo de treinador no Wolverhampton, mas recusou, preferindo continuar no Aberdeen.The Boss p. 195 Ele afirmou que seus planos e ambições não eram os mesmos da diretoria.The Boss p. 196.

Sucesso europeu Ferguson levou o Aberdeen ainda mais alto na temporada seguinte (1982–83). Eles se qualificaram para a Recopa Europeia, por ter conquistado a Copa da Escócia na temporada anterior, e impressionantemente ter nocauteado Bayern de Munique, que tinham batido o Tottenham por 4–1 na rodada anterior. De acordo com Willie Miller, isso deu-lhes a confiança para acreditar que eles poderiam passar a ganhar a competição,The Boss p. 201. que eles fizeram, com uma vitória sobre o Real Madrid por 2–1, na final, em 11 maio 1983. O Aberdeen foi a terceira equipe escocesa a ganhar um troféu europeu e agora Ferguson sentiu que "ele tinha feito algo de valor com sua vida".The Boss p. 203. O Aberdeen teve também um bom desempenho na liga nessa época, e conquistou a Copa da Escócia com uma vitória sobre o Rangers por 1–0, mas Ferguson não ficou contente com a performance de sua equipe. Onde até mesmo os jogadores descreveram como uma "vergonhosa performance", em uma entrevista televisionada após o jogo.The Boss p. 204.

Depois de um sub-padrão para iniciar a temporada 1983–84, o Aberdeen melhorou o time dando forma no estilo de jogo que venceu a Scottish Premiership e manteve a Copa da Escócia. Ferguson foi agraciado com a OBE em 1984, e durante a temporada foram oferecidos ao treinador empregos no Rangers, Arsenal e Tottenham. Na temporada 1984–85, o Aberdeen manteve o seu título no campeonato, mas teve uma temporada decepcionante em 1985–86, e mesmo ganhando as duas taças nacionais, terminou na quarta classificação. No início de 1986, Ferguson foi nomeado para o conselho administrativo do clube, mas em abril ele disse a Dick Donald, presidente do clube na época, que ele pretendia deixar o clube naquele verão.

Durante as Eliminatórias da Copa do Mundo FIFA de 1986, Jock Stein, então treinador da Seleção Escocesa, faleceu em 10 de setembro de 1985, após infarto em meio ao dramático confronto direto fora de casa contra o País de Gales por uma vaga na repescagem. Ferguson prontamente concordou em assumir o comando da Seleção Escocesa na repescagem, os escoceses venceram a Seleção Australiana e se classificaram para a Copa do Mundo de 1986. Para conseguir cumprir as suas obrigações internacionais, Archie Knox foi nomeado como seu auxiliar técnico no Aberdeen.

Em torno deste tempo, o Tottenham ofereceu a Ferguson a possibilidade de substituir Peter Shreeves como treinador, mas ele rejeitou a oferta; David Dobre, que estava no Luton Town, acabou assumindo o cargo. Houve também uma oferta do Arsenal para substituir Don Howe como treinador, mas Ferguson voltou a rejeitar. O posto de treinador do Arsenal acabou sendo assumido pelo seu compatriota, o escocês George Graham.

Naquele verão, havia especulações de que o treinador tomaria o cargo de Ron Atkinson no Manchester United, que havia caído para a quarta colocação no inglês. Embora Ferguson permanecesse no clube durante o verão, ele só assinou com a equipe do Old Trafford quando Atkinson foi demitido, em novembro de 1986.

Manchester United miniatura|200px|Ferguson em 1992

Em 6 de novembro de 1986, Alex Ferguson foi nomeado treinador do Manchester United. Sua preocupação inicial foi que muito dos seus jogadores, tais como Norman Whiteside, Paul McGrath e Bryan Robson estavam bebendo muito, o que deixou o técnico insatisfeito com o nível das atuações. No entanto, Fergie conseguiu elevar o nível dos atletas, com disciplina e união, e a equipe terminou a temporada na 11.ª colocação. A única vitória do United fora de casa na liga foi sobre o Liverpool, em Anfield, por 1–0. Para os Reds, essa foi a única derrota da equipe em casa na temporada, o que ajudou a acabar com defesa pelo título da liga.