Etelhardo (; ), Atelhardo (), Edelardo (; ), Atelardo (; ), Atilhardo (), Etelherdo () ou Etelardo (; m. ) foi bispo de Vintônia e então arcebispo da Cantuária na Alta Idade Média. Nomeado pelo rei Ofa da Mércia, Etelhardo teve dificuldades com os monarcas de Câncio e com um arcebispado rival no sul da Britânia, e foi deposto cerca de 796 por . Cerca de 803, Etelhardo, junto do rei mércio Cenúlfo, assegurou a remoção do arcebispo rival, novamente fazendo a Cantuária único arcebispado ao sul do Humber. Etelhardo morreu em 805, e foi tido como santo até seu culto ser suprimido após a conquista normanda em 1066.

Vida

Vintônia e Cantuária

thumb|upright=1.05|Pêni diademado de Ofa thumb|upright=1.05|Manco de Cenúlfo

Nada se sabe sobre seus familiares ou primeiros anos, porém se assume que foi nativo da Mércia. Sua primeira aparição nas fontes históricas registra-o como abade de um mosteiro em Louth, no Condado de Lincólnia antes de ser nomeado à diocese de Vintônia. Foi consagrado bispo de Vintônia em algum momento após 759 ou antes de 778. Etelhardo foi transladado da sé de Vintônia à sé da Cantuária em 792 e foi entronado como arcebispo em 21 de julho de 793. Devia sua nomeação ao rei Ofa e a entronização foi presidida pelo então bispo sênior: Higeberto de Lichfield. Ofa falou com Alcuíno sobre o procedimento adequado, pois o arcebispado de Lichfield foi recém-criado.

Por volta de 796, foi deposto por por sua nomeação por Ofa. Ofa morreu em 796 e Edberto controlou Câncio, forçando-o a fugir à corte do filho de Ofa, Egfrido da Mércia. Egfrido morreu antes de 796 e um parente distante chamado Cenúlfo tomou o trono. Alcuíno encorajou Etelhardo a retornar à Cantuária e sugeriu um compromisso pelo estatuto de Lichfield, que foi estabelecido por Ofa em rivalidade a Cantuária. O plano de Alcuíno teria permitido a Higeberto reter o estatuto arcebispal em vida, mas seria uma posição puramente cerimonial. Desse modo, a Cantuária reganharia o estatuto de único arcebispado ao sul do Humber e Etelhardo retornaria à Cantuária. Porém Etelhardo foi incapaz de fazê-lo enquanto Edberto ainda estava no poder. Alcuíno tinha afirmou que Lichfield foi elevado devido ao "desejo de poder", presumivelmente de Ofa, e não através de qualquer consideração sobre os méritos do plano.

Embora Alcuíno garantiu a libertação da Cantuária para Etelheardo, o papado viu de modo diferente. Leão III incitou Etelhardo a fugir e se recusar a submissão a Edberto, a quem Leão comparou ao imperador romano . Há indícios de que a comunidade de Câncio considerou a eleição de outro arcebispo enquanto Etelhardo estava no exílio.

Problemas com Lichfield

thumb|esquerda|Dioceses anglo-saxãs antes de 925

Por Lichfield ter sido estabelecida pelo papado, qualquer mudança em seu estatuto requiriu consentimento papal. A primeira embaixada de Cenúlfo para Leão III em 797 ao rebaixamento de Lichfield não foi bem sucedida, sobretudo porque Leão parece ter ressentido o implicado criticismo de seu predecessor Adriano I, que aprovou a eleição de Lichfield. A embaixada de Cenúlfo portava uma carta ao papa que solicitava o conselho papal sob como resolver os problemas em torno de Lichfield e Cantuária. Ele lembrou o velho esquema do papado de Gregório, o Grande para ter dois metropolitas na Britânia, um no norte e um no sul, com o sul sediado em Londres. A carta implicava que Cenúlfo estava pedindo que a sé metropolita de Etelhardo fosse transferida para Londres. A mesma embaixada também levava uma carta de Etelhardo, que não sobreviveu. O papa, porém, não concordou com a embaixada e em sua resposta afirmou que o arcebispado sul deveria permanecer na Cantuária, bem como excomungou Edberto e autorizou sua expulsão de Câncio se persistisse em manter Etelhardo fora da Cantuária.

Em 798, Cenúlfo invadiu Câncio e capturou Edberto, a quem cegou e aprisionou. Etelhardo foi restaurado na Cantuária, onde começou a restaurar as posses da sé. Ele também conseguiu assegurar profissões de obediência para alguns bispos sulistas, incluindo Edúlfo de Lindsey e Tifredo de Dummoc. Mas, Higeberto ainda era chamado de arcebispo em 799. O papa Leão estava envolvido em disputas em Roma durante 799 e 800 e foi incapaz de poupar atenção aos assuntos anglo-saxões e nenhuma decisão papal pôde ser feita nessa disputa. Etelhardo resolveu ir a Roma e consultou o papa sobre o declínio no poder da sé da Cantuária. O arcebispo foi a Roma junto do bispo Cineberto de Vintônia e levava duas cartas de Cenúlfo. Após algumas discussões, Leão apoiou a Cantuária e rebaixou Lichfield ao bispado. Após dessas ações papais, há indícios de que o clero catedrático da Cantuária nunca reconheceu a elevação de Lichfield.

Retorno do exílio

Etelhardo retornou em 803 e reuniu o Concílio de Clovecho, que decretou que nenhum arcebispado além da Cantuária seria estabelecido no sul da Britânia. Higeberto participou do concílio, mas como abade, o que deixa aparente sua resignação de sua sé antes do concílio. No mesmo concílio, Etelhardo também apresentou a decisão papal que declarava a liberdade das igrejas da autoridade secular. Enquanto no concílio, Etelhardo mais uma vez proclamou que o papado havia sido enganado para elevar Lichfield, e que era um "poder tirânico" que estivera por trás do esforço. Etelhardo presidiu ao menos 11 sínodos, ou mesmo 12. Etelhardo morreu em 12 de maio de 505 e foi sepultado na Cantuária. Ele foi mais tarde reverenciado como santo, com sua festa em 12 de maio, mas seu culto foi suprimido pelo arcebispo Lanfranco no final do e nunca foi revivido.

Ver também

Bibliografia

Categoria:Arcebispos da Cantuária Categoria:Bispos de Winchester Categoria:Concílio de Clovecho (803)