Sweetener é o quarto álbum de estúdio da artista musical estadunidense Ariana Grande, lançado em 17 de agosto de 2018 através da Republic Records. As sessões de gravação e composição iniciaram-se em julho de 2016, meses após o lançamento de Dangerous Woman. Grande queria experimentar novas direções musicais e, para isso, contou com a ajuda do compositor e produtor Pharrell Williams, com quem primeiramente desenvolveu "Sweetener", que definiu a musicalidade e o tema do álbum, além de servir como seu título, uma mensagem de transformar uma situação ruim numa melhor. As gravações foram interrompidas com o atentado ocorrido em 22 de maio de 2017 durante um show da Dangerous Woman Tour em Manchester; no período de pausa da turnê, a artista sofreu ataques de pânico e ansiedade, o que acabou inspirando uma série de novas canções, boa parte delas desenvolvidas com a equipe do produtor sueco Max Martin, seu parceiro Ilya e o compositor Savan Kotecha, colaboradores de longa data da cantora.
Grande teve maior destaque no envolvimento do projeto, servindo como produtora executiva juntamente com seu empresário Scooter Braun e co-compondo dez das quinze faixas. Gravado entre julho de 2016 e maio de 2018 em diversos estúdios nos Estados Unidos e Suécia, Sweetener é um álbum derivado dos gêneros pop, R&B e trap composto por canções dançantes, baladas lentas e dois interlúdios, explorando uma série de estilos musicais em sua composição, como hip hop, soul e EDM, além de leves influências de música urbana. Pharrell e as artistas Nicki Minaj e Missy Eliott participam das faixas "Blazed", "The Light Is Coming" e "Borderline", respectivamente. O disco apresenta letras que tratam de assuntos como o amor, sexualidade e liberdade sexual feminina, autocuidado e cura após momentos difíceis.
Um dos álbuns mais aguardados de 2018, Sweetener foi aclamado por críticos musicais, com elogios direcionados à sua produção, coesão, letras e à evolução musical de Grande, com alguns rotulando-o como o melhor da cantora até então. Consequentemente, foi incluído em uma série de listas reunindo os melhores de 2018, sendo eleito pela Billboard o melhor do ano, e rendeu à intérprete seu primeiro prêmio Grammy, na categoria de Best Pop Vocal Album. Jornalistas notaram que com a boa recepção do disco e a constante presença da cantora ao longo do ano, ela atingiu um novo patamar em sua carreira, conseguindo realizar a transição de estrela adolescente com uma fã-base de nicho para uma artista notada pelo público de massa, e sendo capaz também de se adaptar ao novo cenário da indústria musical e cultura popular. Foi igualmente bem recebido no campo comercial, liderando tabelas musicais em mais de 20 países, incluindo Austrália, Canadá, Portugal e Estados Unidos, onde estreou no topo da Billboard 200 registrando a melhor semana de estreia da artista até então.
"No Tears Left to Cry" foi lançada como o primeiro single do disco em 20 de abril de 2018, sendo aclamada pela crítica, liderando as tabelas de vários países e atingindo as cinco primeiras em uma série de outros territórios. "The Light Is Coming" foi lançada como single promocional em 20 de junho seguinte, junto com a pré-venda do álbum. "God Is a Woman" entrou nas dez primeiras em várias nações e foi indicada a um prêmio Grammy. "Breathin" foi enviada para rádios estadunidenses em 18 de setembro de 2018 como o terceiro e último single. Para a divulgação de Sweetener, Grande apresentou-se em premiações e programas televisivos e ainda realizou a mini-turnê The Sweetener Sessions. Ela deu início à Sweetener World Tour em 18 de março de 2019, percorrendo arenas na América do Norte e Europa.
Antecedentes e desenvolvimento Em maio de 2016, Grande lançou seu terceiro álbum de estúdio Dangerous Woman, bem recebido por críticos musicais e indicado ao Grammy de Best Pop Vocal Album na edição de 2017 da cerimônia. Quatro singles foram lançados do projeto, com a faixa-título e "Side to Side" tendo maior destaque: a primeira foi indicada a Best Pop Solo Performance também em 2017 e teve o pico na oitava posição da Billboard Hot 100, enquanto a segunda foi a mais bem sucedida dos lançamentos, alcançando o quarto posto da tabela supracitada e entrando nos dez primeiros em vários países.
Em novembro de 2016, Grande revelou que estava começando a trabalhar em seu quarto álbum de estúdio, comentando que "não pretendia fazer um álbum, e não sei se ele está pronto, mas tenho muitas canções de que gosto muito. Eu tenho trabalhado muito, e estive criando e me sentido inspirada". Pharrell Williams confirmou seu envolvimento no álbum, descrevendo-o como "incrível" e dizendo para o Los Angeles Times que "as coisas que ela tem a dizer nesse álbum estão em um nível muito superior". Martin e Kotecha também vieram a ser confirmados no trabalho, e o empresário da cantora, Scooter Braun, comentou à revista Variety que o disco teria um som mais maduro, declarando: "Ela tem uma voz extraordinária e está na hora dela cantar as canções que a definem (...) Whitney, Mariah, Adele — quando elas cantam, a canção se torna delas. Ariana tem grandes momentos vocais, é hora das canções dela".
As sessões de gravação e composição iniciaram em julho de 2016, enquanto Grande ainda estava divulgando seu disco anterior, com Pharrell. Ela deu início aos trabalhos sem qualquer pretensão de datas — uma liberdade que aproveitou — e queria experimentar novas direções musicais, sugerindo-o que a levasse a "algum lugar completamente novo" e que "primeiramente fizessem a coisa mais esquisita que pudessem". Ariana também teve maior liberdade criativa e musical no desenvolvimento do material, servindo como produtora executiva em conjunto com Braun e coordenando as sessões de forma que as canções transmitissem seus sentimentos e soassem autênticas. Em entrevista para a Time, ela comentou: "[Antes] eu estava muito animada somente sobre cantar. Eu co-escrevia, mas nunca estava [totalmente] envolvida". Eles contaram com Wandy Goldstein no processo de A&R, coordenado por Kenneth Jarvis III.
Gravação e produção thumb|190px|esquerda|As sessões de gravação de Sweetener tiveram início com Pharrell Williams, que acabou servindo como o produtor principal do disco. A primeira canção a ser composta e gravada foi a faixa-título, que além de intitular o projeto, definiu ainda a musicalidade e o tema. Pharrell serviu como o produtor principal do álbum, colaborando em outras seis canções, além de participar da faixa "Blazed". Segundo Grande, ele sentou-se com ela, apontou para o seu coração e lhe disse que era hora de mostrar aos seus fãs o que ela estava realmente sentindo. Williams, por sua vez, descreveu seu trabalho como "parte ouvinte, parte terapeuta [e] parte estenógrafo". "The Light Is Coming" foi concebida especialmente para ser uma parceria; insatisfeita após testar oito rappers, Grande entrou em contato com Nicki Minaj via mensagem, que respondeu convidando-a para ouvir seus versos. "É isso que Nicki Minaj faz, ela eleva uma música. Se você vai ter um rapper numa música, eles precisam estar lá por algum motivo, e ela está lá sempre", afirmou a cantora. Composta e produzida por Pharrell para Beyoncé, que acabou por descartá-la embora a tenha gravado sob o título de "Wake Up", "R.E.M" foi regravada por Grande com letras e arranjos vocais novos. "Borderline" tem a participação de Missy Elliott, com quem a intérprete quis colaborador desde jovem, dançando as canções da artista e assistindo seus vídeos musicais.
Em 22 de maio de 2017, ocorreu um atentado em Manchester após Grande terminar seu show da Dangerous Woman Tour; o evento interrompeu as sessões e fez a cantora ficar relutante em gravar novas músicas, preferindo passar seu tempo com sua família devido ao impacto emocional causado. Já tendo crises de ansiedades anteriormente, ela ficou psicologicamente abalada com o acontecimento e teve "tonturas muito intensas, como se não conseguisse respirar". A cantora compartilhou a experiência com Williams e juntos compuseram "Get Well Soon", que a ajudou a lidar com o trauma do ataque e foi descrita por ela como "provavelmente uma das mais importantes que já escrevi". Pharrell disse que o atentado em Manchester "foi quando diferentes pessoas da gravadora começaram a entendem de verdade o que estávamos tentando fazer", enquanto Ariana declarou: "Eu me senti mais obrigada a explorar meus sentimentos porque estava passando mais tempo com eles. Eu estava falando mais sobre eles. Estava [indo] mais à terapia".
thumb|170px|Grande parte das gravações realizadas após o atentado em Manchester ocorreram com a equipe de Max Martin, com cinco das produções sendo inclusas no álbum. Terminados os trabalhos com Pharrell, a artista contatou colaboradores de longa data para participar de Sweetener: os produtores suecos Max Martin e Ilya Salmanzadeh, e o compositor Savan Kotecha, com os quais foram feitas quatro canções. "No Tears Left to Cry", a primeira a ser desenvolvida com esta equipe, foi inspirada pelo trauma causado pelo atentado. A intérprete idealizou uma faixa que começaria como uma balada e se transformaria em algo diferente, desejando que fosse algo mais obscuro e inesperado, e sugeriu que os versos e os refrões tivessem tons diferentes. Assim como "Get Well Soon", a principal inspiração para "Breathin" surgiu após Grande sofrer ataques de pânico e ansiedade, algo que ela já havia experienciado antes e também vieram à tona novamente após o ocorrido em Manchester. "God Is a Woman" foi originalmente concebida por Kotecha, que criou conceitos para o refrão, o título e a melodia e a desenvolveu com Ilya, pretendendo que fosse gravada por um rapper com participação de alguma cantora, com Camila Cabello gravando uma demo para a ocasião. Em seguida, Ilya teve a ideia de entregar a demo para Grande, na intenção de que ela servisse como convidada, porém Ariana se interessou pelo que ouviu e acabou ficando com o tema, escrevendo novas letras de um ponto de vista feminino.
Originalmente, o álbum contaria com apenas dez canções, porém Grande acabou por recolocar cinco músicas que seriam descartadas, sendo três das sessões com Pharrell, uma com Martin e uma com o colaborador antigo Tommy Brown. Ela considerou que as faixas eram "muito honestas emocionalmente" e deixariam seus fãs preocupados, mas decidiu recolocá-las após alguns dos medos expostos nas composições virarem realidade. A primeira delas foi "Better Off", ao que a cantora explicou: "Eu não iria colocá-la no álbum porque eu não achei que estaria onde estou agora na minha vida. Foi quase muito honesta em relação ao que eu estava receosa que acontecesse, e então a vida mudou, coisas aconteceram e eu fiquei tipo, 'Quer saber? Essa música é linda é algo que é honesto'". A última faixa a ser gravada para o disco foi o interlúdio "Pete Davidson", que seria somente intitulado "Pete". Grande explicou a decisão do novo título em resposta a um fã no Twitter: "A música vive para sempre. Ela sobrevive a qualquer tatuagem, a qualquer memória, a qualquer coisa, até a mim mesma, então quero que o meu amor por ele e como eu me sinto sejam parte disso".
As gravações de Sweetener terminaram em maio de 2018, ocorrendo em diversos estúdios: Glenwood Place Studios em Burbank, Califórnia; Jungle City Studios e Germano Studios em Nova Iorque; Chalice Recording Studios, Conway Recording Studios e East West Studios em Hollywood, Califórnia; MXM Studios e The Lunchtable em Los Angeles, Califórnia; Midnight Blue Studios e South Beach Studios em Miami, Flórida; e District 4-12 em Northridge, Califórnia, todos nos Estados Unidos, além dos MXM Studios e Wolf Cousins Studios em Estocolmo, Suécia. A mixagem foi realizada por Ilya, Phil Tan, Manny Marroquin e Serban Ghenea, ocorrendo nos Callanwolde Fine Arts Center em Atlanta, Geórgia e MixStar Studios em Virginia Beach, Virgínia, enquanto a masterização de todo o disco foi feita por Randy Merrill nos Sterling Sound em Nova Iorque.