thumb|Celebração episcopal da Divina Liturgia de São Tiago pela Igreja Síria Jacobita Cristã. Rito antioquino ou rito antioqueno designa a família de liturgias usadas originalmente no Patriarcado de Antioquia.

Liturgia no Rito Antioquino A família de liturgias inclue as Constituições Apostólicas; em seguida, a de São Tiago, em grego, liturgia siríaca de São Tiago, e as anáforas siríacas. A linha pode ser traçada até o rito bizantino (a antiga liturgia de São Basílio, e a posterior e mais curta liturgia de São João Crisóstomo), e, através deste, o uso armênio. Estas últimas, no entanto, já não interessam ao Patriarcado Ortodoxo Grego de Antioquia.

Liturgia das Constituições Apostólicas As Constituições Apostólicas são uma fonte importante para a história da liturgia no rito antioquino. Este texto contém duas estruturas de liturgias, uma no segundo volume e outro no sétimo, e a liturgia completa do oitavo volume das Constituições Apostólicas, que é a forma mais antiga conhecida que pode ser descrita como uma liturgia completa.

Todas as liturgias da classe antioquina seguem o mesmo arranjo daquelas das Constituições Apostólicas. Gradualmente, a preparação da oferenda (prótese, termo igualmente usado para a mesa de credência), antes que a liturgia de fato comece, torna-se um serviço elaborado. A preparação para as leituras (pequena entrada) e o transporte da oferenda da prótese para o altar (a grande entrada) tornam-se procissões solenes, contudo, são a estrutura da liturgia – a missa dos catecúmenos e sua despedida; a ladainha; a anáfora começando com as palavras "bom e justo" e interrompida pelo Sanctus; as palavras da Instituição; a anamnese, a epiclese e a súplica por todos os tipos de pessoas no local; a elevação com as palavras "Coisas santas para o santo"; a comunhão distribuída pelo bispo e pelo diácono (que segura o cálice); e, em seguida, a oração final e despedida – esta ordem é característica de todos os usos sírios e palestinos, e é seguida nas liturgias bizantinas que delas derivam. Dois pontos na liturgia das Constituições Apostólicas devem ser notadas. Nenhum santo é mencionado pelo nome, e não há pai-nosso. A menção dos nomes dos santos e, sobretudo, da "Santa Mãe de Deus", que se espalhou consideravelmente entre os católicos depois do Concílio de Éfeso (431), e as orações que a invocam sob esse título foram então adicionadas a todas as liturgias católicas. As Constituições Apostólicas preservaram uma forma antiga inalterada pelo desenvolvimento que modifica as formas no uso contemporâneo. A omissão do pai-nosso é curiosa e única. Relativamente, não há, de modo algum, relação com a antiguidade. Na Instrução dos Doze Apóstolos (VIII, II, 3) as pessoas são orientadas a orar três vezes ao dia "como o Senhor ordenou em seu Evangelho: Pai Nosso", etc.

Liturgia grega de São Tiago Das liturgias antioquinas elaboradas para uso contemporâneo, a mais antiga e original da qual as outras foram derivadas é a liturgia grega de São Tiago. Ela é citada no cânone XXXII do Concílio Quinissexto como tendo sido de fato criada por São Tiago, irmão de Nosso Senhor. O concílio se fundamenta nesta liturgia ao defender o cálice misto em oposição aos armênios. São Jerônimo (morto em 420) parece tê-la conhecido. A certa altura em Belém, ele cita como forma litúrgica as palavras "que sozinho é sem pecado" (Adv. Pel., II, XXIII). O fato de a Igreja Ortodoxa Síria usar a mesma liturgia em siríaco demonstra que ela existia e era bem estabelecida antes do cisma calcedônio. O manuscrito mais antigo é do , outrora pertencente ao mosteiro grego em Messina e hoje guardado na biblioteca universitária da mesma cidade.

A liturgia grega de São Tiago segue em todas as suas partes essenciais as das Constituições Apostólicas. Tem orações preparatórias a serem proferidas pelo presbítero e pelo diácono e a bênção do incenso. Então começa a missa dos catecúmenos e a pequena entrada. O diácono profere uma ladainha (’ekténeia), para cada verso da qual o povo responde "Kyrie eleison". Enquanto isso, o presbítero reza uma oração para si mesmo, da qual apenas as últimas palavras são ditas em voz alta. Os cantores recitam o Triságio: "Deus santo, santo e poderoso, santo e imortal, tende misericórdia de nós." A prática do presbítero de orar em silêncio enquanto o povo está ocupado com algo diferente é um incremento posterior. Seguem as leituras, ainda na forma antiga, isto é, trechos longos de ambos os testamentos, depois as preces para os catecúmenos e sua despedida. Entre as preces para os catecúmenos, ocorre uma referência à cruz (Levantai a trombeta dos cristãos pelo poder da cruz venerável e vivificante) que deve ter sido escrita após Santa Helena de Constantinopla tê-la encontrado (c. 326) e que é uma das muitas razões para conectar esta liturgia a Jerusalém. Quando os catecúmenos são despedidos, o diácono diz aos fiéis para "se conhecerem", ou seja, para observarem se ainda há estranhos presentes. A grande entrada que dá início à missa dos fiéis já é uma cerimônia imponente. O incenso é benzido, a oferenda é trazida da prótese para o altar enquanto o povo canta o Cherubikon, terminando com três aleluias. (O texto é diferente do hino querúbico bizantino.) Nesse ínterim, o presbítero reza outra oração em silêncio. O credo é então proferido; aparentemente, no princípio, tinha um formato menor tal qual o Credo dos Apóstolos. As preces do ofertório e a ladainha são mais extensas que na das Constituições Apostólicas. Não há até então qualquer referência a um iconostásio (tela que separa o coro ou o lugar do clero). O início da anáfora é mais curto. As palavras de instituição e a anamnese são seguidas imediatamente pela epiclese; então vêm as súplicas por diversos povos. O diácono lê os díticos dos nomes das pessoas por quem eles oram; então segue a lista dos santos começando com "nossa santíssima, imaculada, aclamada Senhora Maria, mãe de Deus e sempre virgem". Aqui são inseridos dois hinos a Nossa Senhora obviamente direcionados contra a heresia nestoriana. Segue o pai-nosso com uma introdução e embolismo. O Santíssimo é exposto às pessoas com as mesmas palavras que nas Constituições Apostólicas, e então é partido, e uma das partes é posta no cálice enquanto o presbítero diz: "A mistura do santíssimo corpo com o sangue precioso de Nosso Senhor e Deus e Salvador Jesus Cristo". Antes da comunhão, recita-se o Salmo XXIII. O presbítero profere uma oração antes de comungar. O diácono comunica ao povo. Ao invés de "o corpo de Cristo", diz-se: "Aproximai no temor ao Senhor", e elas respondem: "Bendito aquele que vem em nome do Senhor". As hóstias restantes são levadas pelo diácono para a prótese; a ação de graças é mais extensa que a das Constituições Apostólicas.

A liturgia de São Tiago como existe hoje é uma forma mais desenvolvida do mesmo uso que a das Constituições Apostólicas. As orações são mais longas, as cerimônias tornaram-se mais elaboradas, o incenso é usado continuamente, e a preparação já está no caminho para se tornar o serviço complexo da prótese bizantina. Persistem as invocações de santos; mas a estrutura essencial do rito é a mesma. Além das referências à Santa Cruz, uma alusão deixa claro que ela foi originalmente elaborada para a Igreja de Jerusalém. A primeira súplica após a epiclese é: "Nós oferecemos a vós, Ó Senhor, para os Teus lugares santos que tens glorificado pela aparição divina do Teu Cristo, e pela vinda de Teu Espírito Santo, especialmente para o santo e o ilustre Sião, mãe de todas as igrejas e por Tua Santa Igreja Católica e apostólica em todo o mundo". Esta liturgia era utilizada em toda a Síria e Palestina, isto é, por todo o Patriarcado Antioquino (Jerusalém seria feita sé patriarcal apenas no Concílio de Éfeso, em 431), antes dos cismas nestoriano e monofisista. É possível reconstruir uma grande parte do uso da cidade de Antioquia enquanto São João Crisóstomo pregava lá (370-397) a partir de alusões e de citações em suas homilias (Probst, Liturgie des IV. Jahrh., II, I, V, 156, 198). Observa-se então ser praticamente a liturgia de São Tiago: de fato, todas as passagens são citadas, palavra por palavra, como estão em São Tiago ou nas Constituições Apostólicas.

Os Catecismos de São Cirilo de Jerusalém foram escritos em 348; os primeiros dezoito são dirigidos para os "competentes" (photizómenoi) durante a Quaresma, os últimos seis para os neófitos na semana da Páscoa. Nestes, ele explica, além do batismo e do crisma, a sagrada liturgia. As alusões à liturgia são cuidadosamente veladas nos primeiros por causa da disciplina arcani; elas se tornaram muito mais claras quando ele fala para as pessoas recém-batizadas, embora mesmo então ele evite citar a fórmula do batismo ou as palavras da consagração. A partir desses catecismos aprendemos a ordem da liturgia em Jerusalém em meados do . Exceto por uma ou duas minúsculas variações, esta é a liturgia de São Tiago (Probst, op. cit., II, I, II, 77-106). Esta liturgia parece ter sido usada em qualquer idioma, grego em Antioquia, em Jerusalém, e nas cidades principais onde o grego era comumente falado, e siríaco no país. A forma mais antiga preservada é a versão grega. Há um número bastante notável de passagens paralelas entre a anáfora desta liturgia e o cânone da missa romana. A ordem das orações difere, mas quando o grego ou o siríaco é traduzido para o latim, aparece um grande número de frases e cláusulas que são idênticas à missa romana. Foi sugerido que Roma e Síria usavam originalmente a mesma liturgia e que a questão muito controversa da ordem de nosso cânone pode ser resolvida reconstruindo-o de acordo com o uso sírio (Drews, Zur Entstehungsgeschichte des Kanons). Louis Duchesne e a maioria dos autores, por outro lado, são inclinados a conectar a liturgia galicana com a da Síria e a missa romana com o uso alexandrino (Duchesne, Origines du culte de chrétien, 54).

Liturgias sírias Após o cisma monofisista e o Concílio da Calcedônia (451), o Patriarcado Ortodoxo Grego de Antioquia, os proto-maronitas (monotelitas) e a Igreja Ortodoxa Síria continuaram usando o mesmo rito. A igreja síria usava apenas o siríaco (todo o seu movimento sendo uma revolta nacional contra o Imperador) originalmente, os melquitas usavam tanto o siríaco quanto sua variante jacobita até as Cruzadas causarem indiretamente uma reforma litúrgica no Igreja Antioquina devido à influência bizantina. A partir desse ponto, a Igreja de Antioquia passou a usar o rito bizantino.